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Comportamento: “esqueça os modelos do século passado”

Com as novas tecnologias, ultimamente, muito se tem falado a respeito da mudança de hábitos no consumo de mídia, principalmente da população jovem. Muitos vêem essas mudanças como ameaças aos serviços tradicionais de radidodifusão.

Paulo Canno (SET), Giovanna Alcântara (Kantar Ibope Media) e Luciano Hoerbe (Grupo RBS) no SET Sudeste 2019. Foto: Marlon Andreluci/SET

No entanto, o que de fato está mudando no comportamento do consumidor? E o que podemos aprender com eles para alavancar novas oportundiades de negócios?

Foi com este cenário em perspectiva e buscando responder a essas perguntas que Paulo Canno, representante da regional Sudeste da SET e diretor da Rede Gazeta (ES), moderou o painel “Métricas de Audiência e Hábitos de Consumo” na tarde desta segunda-feira, 13, no SET Sudeste 2019.

Para debater o assunto, foram convidados Luciano Costa Hoerbe, gerente de Redes, Licenciadas e Afiliadas de Rádios do Grupo RBS e Giovana Alcantara, diretora comercial da Kantar IBOPE Media.

Giovanna foi a primeira a falar e apresentou dados bastante precisos sobre novos comportamentos de consumo. Para ela, o “crescimento passa pela inovação e na experiência de valor dos consumidores”.

“O consumidor atual não está interessado em adquir bens, mas viver experiências”, disse.

Ela também apontou alguns fatores que podem limitar a capacidade de crescimento, entre eles estão as taxas de natalidade mais baixas, o envelhecimento da população e a destruição dos recursos naturais.

“Os novos consumidores são mais conscientes e estão procurando marcas que levem em conta a preservação ambiental”, salientou.

Além desses fatores sociais, Giovanna apontou para a capacidade cognitiva humana de apreender novas informações como um fator limitante. Isso porque os seres humanos estão expostos a uma taxa de dados sete vezes maior do que na década de 1980, por exemplo. “A nossa capacidade de assimilação não cresce na mesma proporção”.

Sobre os dados da radiodifusão, ela foi enfática:  96% assistem TV em um aparelho de televisão ou por meio de um serviço online semanalmente, 78% ouviram rádio online ou offline semanalmente e 89% leem noticias em um jornal impresso ou online via aparelho móvel semanalmente.

Na mesma linha, o segundo palestrante, Luciano Hoerbe, começou a sua apresentação com uma provocação: “é necessário colocar as pessoas em primeiro lugar”. “Como faço para engajar as pessoas, tanto as que trabalham comigo, quanto os meus clientes?”, questionou.

“O conteúdo tem que ter relevância, fazer sentido e ser disruptivo, uma palavra que já está velha”, disse. E aconselhou:  “esqueça todos os modelos do século passado”. “Não estou desmerecendo o modelo industrial que nos ajudou a chegar até aqui, o problema é que ele não funciona mais”. “Hoje o modelo é horizontal, não vertical”, ressaltou.

Para ilustrar, usou como exemplos  a Rádio Gaúcha, que funciona dentro de um bar em Porto Alegre, e a Rádio Atlântida, de comportamento jovem, que funciona dentro da PUC-RS.

“Temos que encorajar as pessoas a gerar ideias e soluções. As pessoas têm que ser contestadoras, falantes e criativas”. “O conteúdo orgânico e verdadeiro e deve dar às pessoas um senso forte de pertencimento”, finalizou.