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Transmissão digital aumenta a demanda no mercado de antenas

MERCADO

O sistema de transmissão de TV digital brasileiro mudou totalmente o cenário no setor. Vimos na matéria de transmissores as fusões que aconteceram e o movimento para que as empresas atendessem à nova demanda que surge. No mercado de antenas não é diferente, os fabricantes estão muito otimistas com o crescimento do setor e com a ampliação de suas áreas de atuação no Brasil e no restante da América Latina. O sistema de TV digital oferece um novo conceito de televisão em alta definição, sem interferências, com mobilidade e interação. Mas para que isso aconteça os equipamentos de transmissão e recepção precisam estar de acordo com a nova tecnologia. Responsáveis pela transferência plena da potência dos transmissores até chegar à casa dos telespectadores, as antenas para o sistema digital necessitam ter desempenho melhor do que as usadas em transmissão analógica – desde o conceito de seu projeto até a forma de instalação

MercadoDe acordo com o engenheiro William Ammons, diretor de vendas e marketing da empresa norte americana Micronetixx Comunicação, representada aqui no Brasil pela empresa Savana Comunicações, “a TV digital precisa de um planejamento cuidadoso para cobrir as mesmas áreas do sistema analógico. Com a transmissão analógica é possível receber um sinal mesmo que fraco em qualquer lugar. Já a transmissão digital não é assim. Há uma completa perda de sinal, quando atinge um determinado nível mínimo de alcance. Por isso a tendência com as transmissões de televisão digital é a utilização de um menor ganho de transmissão de antena e um maior poder de transmissor para aumentar os níveis de sinal sobre o núcleo da cidade. Com a TV analógica seus telespectadores estão em locais fixos, com TV digital estão também em movimento”.

Diante dessas novidades e demandas por Por Gilmara Gelinski TRANSMISSÃO DIGITAL AUMENTA A DEMANDA NO MERCADO DE ANTENAS ! equipamentos mais potentes, os fabricantes de antenas trataram de aumentar seu quadro funcional, sua carta de produtos e realizaram novas parcerias com empresas internacionais. Elas também estão trabalhando para ampliar sua área de atuação e ganhar novos clientes, tanto no Brasil como em mercados internacionais, principalmente os da América Latina.

Os representantes das empresas de antena afirmam que com o sistema de TV digital nipo-brasileiro ISDB-TB as expectativas são muito boas e os desafios são grandes, por isso, novas parcerias aparecem no mercado. O reflexo se dá em toda a cadeia da radiodifusão, pois as redes de televisão brasileira terão que trocar suas antenas, gerando essa crescente demanda por antenas digitais e também antenas analógicas que continuam sendo comercializadas.

MercadoOrgulhosos com a contribuição que empresa Ideal Antenas deu para o avanço dos estudos voltados à transmissão de sinal digital de televisão no Brasil, o diretor industrial Mario Evaristo Barroso Vilela e o engenheiro de vendas Marcelo Arantes Zamot dizem estar muito satisfeitos com esse movimento. Eles lembram, que, durante o Congresso SET2008, uma das palestras ministradas por dois grandes fabricantes internacionais de sistemas irradiantes abordaram o assunto de cobertura do sinal digital no Brasil. Tal palestra citava as dificuldades de irradiação do sinal em virtude do relevo brasileiro. E para gratificação deles, os palestrantes apontaram o projeto de antenas da Ideal, genuinamente brasileiro, implantado por uma emissora de televisão, em Campinas. Para eles essa foi uma forma de reconhecimento que o Brasil sabe fazer tecnologia.

Para Raul Ivo Faller, gerente geral da Kathrein Mobilcom Brasil, mesmo com a lentidão na obtenção das outorgas digitais, o mercado mostra sinais claros de vitalidade e disponibilidade em investir na digitalização das redes. Na América Latina a maioria dos países tem apresentado demoras também na implementação da digitalização. “No balanço final acreditamos que as datas do apagão analógico serão estendidas”, diz. Nessa nova fase do mercado brasileiro de antenas, José Roberto Elias, gerente comercial da Trans-Tel afirma que a mudança cultural provavelmente seja o maior desafio dos radiodifusores e dos fabricantes, onde cada vez mais, sistemas de transmissão deverão operar pulverizados em redes menores e compartilhadas com IP, que também demandarão sistemas de transmissão de pequeno e médio portes para a interligação das redes. Provavelmente a multiprogramação associada à transmissão multimídia venha a concorrer e/ou complementar a distribuição tradicional de conteúdo. “Os fabricantes que não forem flexíveis e rápidos para se adaptarem, sem dúvida terão tempos difíceis”, alerta Elias.

Ações empresariais A disseminação da TV digital no Brasil, a redução no preço dos aparelhos de TV bem como os investimentos efetuados pelas emissoras nas capitais e principais cidades, trouxeram um impulso importante na implantação da DTV que agora, parte para a interiorização. Na América Latina, vemos que a adoção do ISDB-TB trouxe uma oportunidade de negócios não somente para empresas do setor de sistemas irradiantes, mas também para os fabricantes de transmissores e receptores de TV, que podem ampliar suas fronteiras expandindo a atuação nos países vizinhos como Chile, Argentina, Peru, Equador, entre outros.

Segundo José Elias, “o ambiente de negócios por sua vez se configura com competitividade e agressividade crescentes dia a dia, provocadas por empresas entrantes e até mesmo por aquelas já estabelecidas no Brasil que oferecem apenas preço sem qualidade, além de competidores internacionais que passam a considerar o Brasil como opção, uma vez que o processo de digitalização nos seus países encontra-se em fase final de implantação”.

Tendo em vista este cenário, a Trans-Tel tem desenvolvido e adaptado produtos, entre eles as antenas slot elípticas, que recebeu o Prêmio SET 2011 de melhor lançamento do biênio 2010-2011 na categoria Transmissão/ Recepção. Em 2007 a empresa firmou um acordo com empresas multinacionais visando a nacionalização de produtos aplicáveis no mercado nacional. Segundo José Roberto Elias, “a empresa desde 2004 investe em seu campo de provas totalmente automatizado para garantir a qualidade de produtos e facilitar o desenvolvimento de sistemas inovadores na área de transmissão”.

“Estamos constantemente buscando soluções otimizadas e adaptadas a este mercado, que tem um bom horizonte para os fabricantes de sistemas radiantes e transmissores para DTV padrão ISDB. Mas, nós acreditamos que o segmento de mercado de antenas para TV digital é de duração finita, o que impõe ações e estratégias bem definidas neste sentido”, conlcui Elias

Linha de montagem da MectrônicaA Mectrônica, por exemplo, que atende as retransmissoras das emissoras Rede Vida, Rede Record, TV Bandeirantes, TV Câmara e a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), tem planos de aumentar sua atuação dentro e fora do país. Entre as ações da empresa para suprir a demanda estão o aumento de seu quadro funcional em 30 por cento, o fechamento da nova parceria com a empresa norte americana Jampro, em 2011, e a produção nacional das antenas da empresa Exir Broadcasting, que até 2009 eram importadas da Suécia. Novos mercados também estão na mira da empresa que está formalizando algumas propostas para países como Argentina e Chile e há grande possibilidade de fechar um contrato com o Chile.

Para os representantes da Ideal, com o novo sistema digital a empresa passou a ser mais valorizada e passou a fazer parte de um novo contexto e de um novo conceito de sistemas irradiantes. Recentemente, a Ideal Antenas fechou uma grande parceria com a empresa norte americana Shively Labs, considerada uma das maiores empresas no segmento de antenas de FM de alta potência. “Durante muito tempo procuramos um parceiro para fabricar localmente nossos produtos e dar suporte ao cliente”, explica o vice presidente da Shively Labs, Martin Gregory.

Linha de montagem da Trans-TelMarcelo e Mario afirmam que as perspectivas do mercado de equipamentos de antena para TV digital e analógica no Brasil e nos países que adotaram o ISDB são as melhores possíveis, pois a Ideal Antenas prima pelo aprimoramento constante e contínuo de seus estudos voltados à transmissão de sinal digital, desenvolvendo constantemente novos produtos e novas tecnologias e treinando nossos colaboradores para atender melhor nossos clientes, entre eles: TV Bandeirantes, Rede Globo , Rede Record , SBT, Rede Vida , Rede Família , Rede TV , TV Abril , Rede Rit , TV Cultura , Rede Gazeta , Rede Mundial , Rede Aparecida , TV Canção Nova e Rede Mix, com suas respectivas afiliadas. Com relação à transição analógica digital, desde 2007 a empresa começou os estudos nesta área.

Segundo Raul Ivo Faller, como a antena é o elemento passivo da transmissão dos sinais de radiodifusão, ela independe da tecnologia de transmissão. Com o apagão analógico esperamos uma redução considerável na produção de antenas VHF Banda I e um aumento na produção de soluções em UHF. Com mais de 60 empresas pelo mundo, a Kathrein acredita numa forte demanda no mercado de antenas, por isso seu foco maior é no mercado latino americano, onde haverá forte concorrência. “Nosso maior desafio é aumentar a qualidade técnica das requisições para poder atender com um produto de alta eficiência.

Do que vale uma antena de baixo custo se no campo a qualidade de recepção tem resultado questionável e variável ao longo do tempo? Uma antena eficiente leva a energia do transmissor ao usuário diminuindo perdas”, defende Raul.

Em nossa atual visão devemos aumentar a capilaridade de nossa atividade comercial para atender o imenso território brasileiro, que abrange além das emissoras nacionais, as operadoras da América do Sul como TV AZTECA, RedTV, Chilevision, Megavision, Artear, Albavision, Bethel, CCNP, TNU, TV Monte Carlo, entre outras

Fábrica da Kathrein na AlemanhaNo ponto de visto de Alcione Alves, consultor técnico e comercial da empresa Polidesign Indústria, a implementação do sistema digital modernizou a tecnologia de transmissão digital e possibilitou a oferta de novos serviços. O reflexo dessa mudança para o mercado é muito positivo, pois no caso da Polidesign houve um aumento nos trabalhos da empresa. O consultor afirma que a empresa está se estruturando para que, após o switch off , além das antenas a empresa forneça também componentes de sistemas de transmissão de TV digital, como combinadores, filtros e etc.. “Para isso nossos desafios serão manter nossa estrutura de produção sempre atualizada com as novas tecnologias e com o processo de produção para poder competir com a concorrência globalizada, principalmente, dos fabricantes asiáticos. Desta forma vamos preservar nosso parque industrial”.

Segundo o consultor, para aumentar o faturamento e os negócios e atender a demanda de mercado, a Polidesign está aumentando suas instalações prediais, pretende adquirir máquinas automatizadas, modernizar seus equipamentos de laboratórios, montar um campo de testes de antenas, aumentar o quadro de funcionários com profissionais qualificados e investir no marketing da empresa para fortalecer a marca. Localizada em São José dos Campos, a Polidesign atende emissoras de Televisão, Rádio FM, fabricantes de equipamentos de Rádio FM e Televisão, prefeituras e instaladores de antenas.

Outra empresa que também aumentou sua atuação no Brasil e no restante da América Latina é a SPX Comunications Technology – fabricante das antenas Dielectric, representada aqui no Brasil pela empresa Tacnet desde 1987. Na opinião de Frederico d’Avis, gerente internacional de vendas da SPX, o grande desafio desta mudança será manter um produto de alta qualidade a um preço competitivo e para isto a empresa pretende fortalecer ainda mais sua presença no mercado. Entre seus clientes figuram as emissoras: TV Record, TV Cultura – São Paulo, EBC TV Brasil, TV Globo, TV Aratu, TV Jangadeiro

Switch off

Para José Roberto Elias, o mercado de TV analógica tende a diminuir sensivelmente na medida em que houver o desligamento das emissoras e não houver mais sentido manter as linhas de produção sequer para manter a base instalada. Há controvérsias quanto ao prazo de vida dos sistemas analógicos, porém, é inegável que ainda representam uma significativa quantia de receita para as emissoras em operação. O switch off depende de um investimento muito grande por parte das emissoras e retransmissoras, sem contar o grande número de emissoras que ainda terão que digitalizar seus sinais. Para absorver a mudança que está acontecendo no mercado, a Trans-Tel está se adaptando. “Nossa equipe de desenvolvimento está acompanhando a evolução e vislumbrando os sistemas que deverão ser demandados em breve. Projetamos um mercado decrescente ao longo dos próximos anos e investimentos em inovação. Estamos adaptando nossos produtos ao mercado mais pulverizado pela interiorização da TV digital e buscando alternativas econômicas e de alto desempenho”

De acordo com o gerente comercial Francisco Carlos da Costa, da Mectrônica, a implantação da TV digital no Brasil já está em todas as capitais e em muitas cidades do interior, porém, são cerca de cinco mil municípios. “Eu acredito que até 2016, ainda não será possível desligar os canais UHF em todo país. O tempo é muito curto. Apesar do novo sistema de transmissão e a previsão de switch off para 2016, nós ainda estamos fornecendo antenas para TV analógica”.