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Tecnologia brasileira de alta qualidade na NAB

Nº 142 – Junho 2014

Por Fernando Moura em Las Vegas*

NAB 2014

Ano após ano a presença das empresas brasileiras na NAB se intensifica e vai ganhando espaço. Nesta edição o número de empresas chegou a 18. Este ano, além da exposição, um conjunto de empresas participaram de uma coletiva de imprensa realizada como parte do programa de atividades do evento o que permitiu a alguns dos executivos brasileiros mostrar a jornalistas estrangeiros o que se faz de melhor no país.

Pavilhão Brasil tem-se destacado nos últimos anos pelo número crescente de expositores e de visitantes. A 8ª participação no foi diferente. Organizada pelo Projeto Setorial Eletroeletrônicos Brasil, em parceria com a APEX-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e o Sindvel (Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica).
Durantes os três dias de exposição, o pavilhão Brasil instalado no primeiro andar do Las Vegas Convention Center, em Las Vegas teve um número importante de visitantes nacionais e internacionais tentando-se informar sobre alguns produtos e serviços fornecidos por empresas nacionais com tecnologia que se enquadra no padrão ISDB-Tb de TV Digital e não só.
Isso porque os empresários tem claro que países como Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Equador, Guatemala, Honduras, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela, bem como Botswana na África, são mercados-alvo importantes para as exportações nacionais do setor de radiodifusão, já que adotaram o mesmo padrão de TV Digital que o Brasil.
Segundo os organizadores do evento, as empresas exibiram equipamentos e a alta tecnologia presente no setor brasileiro de radiodifusão com um extenso portfólio que inclui: produtos e soluções de software para televisão e dispositivos móveis digitais; equipamentos para telemetria e gerenciamento remoto; plataformas de transmissão e recepção; projetos e integração em equipamentos de broadcast; serviço de consultoria técnica de transmissão e operação em emissoras de rádio e TV; soluções integradas de hardware e software e plataformas completas de entretenimento, entre outros.

Para Daniela Saccardo, gerente do PS Eletroeletrônicos Brasil, “o objetivo é criar uma plataforma abrangente que fortaleça a marca dos produtos nacionais, reforce a promoção comercial e atraia potenciais clientes. As empresas brasileiras dispõem da melhor e mais avançada tecnologia e levarão à feira o que existe de mais atual para o segmento de radiodifusão”.
Daniela disse a Revista da SET no fim da coletiva de imprensa que estas iniciativas são importantes para mostrar que o país “produz alta tecnologia. Para isso precisamos que os empresários brasileiros participem de fóruns, congressos e encontros de negócios” para os clientes internacionais “enxerguem o Brasil como um país que produz tecnologia”.
Para ela o setor de radiodifusão é pequeno, mas tem grande importância. “Responde por 0,49% do PIB brasileiro e gera 743.900 mil empregos, diretos e indiretos, ao longo de sua cadeia produtiva, segundo dados da FGV. Anualmente a receita bruta do setor gira em torno de R$ 25,8 bilhões”.
“A estimativa é que estes números vão continuar em ascensão. O mercado internacional ainda oferece um grande potencial de negócios para as empresas brasileiras, que possuem soluções diferenciadas e alta tecnologia para as mais variadas aplicações no segmento”, finaliza Daniela.
Este ano participaram da NAB: Ativa Soluções, EITV, Hitachi Kokusai Linear, Ideal Antenas, Imagenharia, Inatel, Opic Telecom, Playlist, Screen Service, Showcase, Snews, SP Telefilm, Tecsys do Brasil; Teletronix, TQTVD, TSDA, Voice Interactions e Wimobilis.

As 18 empresas brasileiras fizeram mais de 80 contatos de negócios com representantes de diversos países

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Ótimismo dos expositores
José Carlos Morães, gerente da Opic Telecom, afirmou a Revista da SET que o seu estande “teve um crescimento de visitantes com respeito a 2013. Chegamos a feira com agendamento de clientes para discutir projetos. Estamos crescendo”.
Para Morães esta edição teve melhores resultados porque “los que vieram, vieram para comprar, observar e decidir que fazer no futuro nas suas emissoras. Quem veio foi para conhecer tecnologias, encontrar novas formas de gerir essas tecnologias.”
Marcelo Zanot, gerente de vendas da ideal Antenas, concorda. Para ele esta edição foi muito boa. “Este ano vieram os responsáveis de engenharia das emissoras, os que decidem e tomam decisões. Talvez o número de visitantes brasileiros tenha sido menor, mas o nível profissional dos que passaram pelo nosso estande foi muito superior que em edições anteriores” Zanot afirmou que “este é o nosso sétimo ano, a primeira vez que veiemos foi em 2006, e posso falar com toda certeza que este é o melhor ano da nossa história na NAB. Tivemos mais movimento, mais visitas e mais conversações sobre possíveis projetos.
Este ano tivemos muitos contatos com pre-venda, venda e pós-venda”
Para ele o mais importante é “mostrar ao mundo que no Brasil também se inova” e se “gera desenvolvimento tecnológico. Para nós a abertura do mercado para os países que implementaram o sistema ISDB-Tb de TV Digital é importantíssimo porque nos abre mercados pelo mundo. Agora estamos ansiosos esperando a adopção definitiva de Filipinas para ter um novo mercado em Ásia”.

David Britto, coordenador do Módulo de Mercado do Fórum SBTVD (SET/ TQTVD) defende a internacionalização das empresas brasileiras.

Coletiva de Imprensa de empresas brasileiras na NAB
David Britto, coordenador do Módulo de Mercado do Fórum SBTVD (SET/TQTVD), afirmou em coletiva de imprensa realizada no Las Vegas Convention Center que no Brasil existem alguns mantras que devem ser respeitados no que se refere ao uso da interatividade e conteúdo em Segunda Tela. Eles são a manutenção do modelo de negócios atual; manter a TV aberta relevante para a audiência; realizar upgrade no sistema aberto para os padrões (HD-2K, UHD-4K, Super Hi-Vision-8K); manter o engajamento da audiência na primeira tela; e finalmente, enfrentar a concorrência com as novas mídias focando principalmente na nova geração.
Segundo Britto, esses mantras direcionam as estratégias para sincronização do sistema broadcast e broadband. Mas, o sistema broadcast no Brasil ainda é o meio de maior relevância, desta forma as experiências em Segunda Tela e interatividade visam criar novas formas de negócios, mas dentro do modelo de negócios tradicional, onde a publicidade é a financiadora do sistema de produção e distribuição no sistema aberto.
Aqui, ainda nos faltam pesquisas específicas que comprovem que as atividades de Segunda Tela estão efetivamente se revertendo em ganho nos números da audiência e, consequentemente, aumento no valor dos espaços publicitários Pela sua parte, João Paulo Querétte, diretor da Imagenharia afirmou a Revista da SET que oportunidades como estas permitem mostrar ao mercado que o Brasil produz tecnologia de avançada e que as soluções brasileiras estão ao “mesmo nível que a de outros países. O mais importante, por vezes, é mudar culturalmente aos radiodifusores”.

José Carlos Morães, gerente da Opic Telecom afirmou estar muito satisfeito pelos contatos e possíveis negócios que surgiram nesta edição da NAB 2014.

Para Querétte, o importante em estes eventos e mostrar ao mundo que “nossos produtos têm potencialidade e são tão bons como os outros. O importante é começar a romper as barreiras culturais, mas temos como avançar. E para isso, temos de fazer fazendo, apresentar nosso conteúdo. Insistir se na primeira vez não avança até que algumas pessoas comecem a ver que o seu produto é interessante tem potencial. De fato, nenhum país que hoje é reconhecido pelos seus desenvolvimentos científicos começou sendo, os países vão fazendo esse caminho, e nós estamos percorrendo esse percurso”.
Para Bruno Prodocino, gerente comercial da EiTV – Entretenimento e Interatividade Para TV Digital, estar novamente na NAB é um desafio e participar da coletiva um grande incentivo. “O Brasil tem de perder o estigma de under-dog, que ele não consegue fazer tecnologia porque nós temos muita capacidade para produzir tecnologia de ponta e isso está bem provado com os equipamentos que as empresas brasileiras trouxeram este ano aqui”. Segundo Prodicino, a exportação do padrão nipo brasileiro é uma “amostra” de que no Brasil se fazem bem as coisas. “Penso que em nosso nicho, o latino americano e o dos países que implementaram o padrão ISDB-Tb temos mostrado que somos capazes e por isso estamos exportando tecnologia”
Finalmente, André Barbosa, Superintendente de Suporte da Empresa Brasil de Comunicação apresentou o projeto Brasil 4D durante a coletiva de imprensa, e afirmou que este se estenderá em um futuro próximo a cidade de São Paulo. Ainda disse que o Governo Federal estuda garantir a instalação de TV Digital com interatividade em 14 milhões de lares – um em cada cinco domicílios do país com a entrega de set-top boxes a las famílias que fazem parte de programas sociais como o Programa Bolsa Família.

João Paulo Querétte, diretor da Imagenharia afirmou que estes eventos permitem mostrar aos clientes que os produtos brasileiros “possuem tecnologia de ponta, e economicamente viáveis”

PS Eletroeletrônicos Brasil
É formado por empresas que desenvolvem produtos, soluções e serviços inovadores para os setores de telecomunicações, informática, automação industrial, segurança, TI, equipamentos industriais e prestação de serviços. Com o apoio da APEX-Brasil, Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, o projeto busca ampliar a participação das empresas brasileiras do setor de eletroeletrônicos em mercados internacionais, sobretudo através do incremento nas vendas de itens com maior valor agregado.
A gestão do PS Eletroeletrônicos Brasil está sob a responsabilidade do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (SINDVEL), instituição que congrega cerca de 150 empresas da cidade de Santa Rita do Sapucaí, Estado de Minas Gerais, região mais conhecida como o Vale da Eletrônica.

*Colaborou Prof. Dr. Francisco Machado Filho, docente do curso de Jornalismo da UNESP FAAC/Bauru-SP