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SET SUL REÚNE E ATUALIZA O CONHECIMENTO DA RADIODIFUSÃO

INSIDE SET
ANO XXI – N.115 – JUL/AGO 2010
Por Raphael Bontempo


Fernando Ferreira, diretor regional da SET Sul, fez abertura do evento, destacando os impactos da tecnologia no mundo

Numa época em que a atenção do mundo broadcasting se volta para o 3D, a tradição reafirma o seu sucesso. Entre os dias 7 e 8 de junho, no Hotel Novotel, em Porto Alegre, ocorreu o conhecido encontro SET Sul, que trouxe o pensamento mais contemporâneo sobre radiodifusão para os profissionais do setor, que atuam na região Sul do país. Ao todo, foram treze palestras com escopo tecnológico.
A abertura do evento foi feita pelo diretor regional da SET no Sul, Fernando Ferreira, que colocou em evidência os impactos da tecnologia no mundo, através dos avanços que ocorreram nos últimos 90 dias. Ele também apontou a adoção de novos países à TV digital.


Viatura utilizada para a transmissão dos sinais – up link

Em entrevista, Ferreira afirma que o encontro foi muito positivo em função do período que ocorreu. “A data foi muito favorável, já que os fornecedores estavam bem atualizados com apresentações recentes realizadas da NAB”. Todavia, o diretor também aponta que teve dificuldade com alguns fornecedores para confirmarem a participação. “Penso que é necessário fazer uma programação com maior antecedência, pois alguns apresentadores demoraram em confirmar suas disponibilidades”, afirma.

Segundo o diretor, um fator importante do SET Sul 2010 foi a transmissão do evento via satélite. “O recurso permitiu difundir o conhecimento das apresentações para outros estados, sobretudo para os radiodifusores da região Sul. Para a próxima edição, será muito importante disponibilizar a transmissão via internet”.

Fernando Ferreira comenta a importância da realização do SET Sul 2010 para a região. “O encontro também exerce uma função muito relevante, na medida em que atualiza e traz conhecimento para muitos profissionais, que não estão presentes em eventos como o Broadcasting & Cable e o próprio Congresso da SET”.

A presença dos radiodifusores do Sul foi notável como sempre. O gerente técnico da RBS TV de Porto Alegre, Vinicius Vasconcellos, explica os motivos que trouxeram êxito ao SET Sul desse ano. “O evento foi muito bom porque cobriu vários assuntos da área que são relevantes, como o 3D, a questão do workflow em jornalismo, a utilização de receptores de TV, bem como a interatividade do padrão brasileiro e dos fabricantes para televisores”.

Vanconcellos fala sobre o significado prático do SET Sul. “Ele agrega os profissionais da área que atuam na região, além de estimular a troca de experiência”. O gerente também destacou os assuntos relacionados à áudio, os estudos sobre loudness no Brasil, e como o país está se estruturando para isso.

Coordenador de Engenharia da RBS TV de Porto Alegre, Tiago Facchin compareceu pela quarta vez ao SET Sul. “Achei que foi um evento de altíssimo nível técnico tanto dos palestrantes quanto do conteúdo”, conta.

Para ele, o encontro exerce papel decisivo para fortalecer os radiodifusores do Sul do país. “o encontro nivela conhecimento sobre tecnologia, abrindo espaço para região Sul”. Como destaque, Facchin elogia os cursos oferecidos durante o evento.

MUDANÇA PARA MELHOR

Oferecer mais e melhor em todos os aspectos, essa é a meta da SET. Por isso a entidade elaborou um novo modelo comercial para os eventos regionais e a partir de agora todos eles serão patrocinados. O objetivo é angariar recursos e aprimorar cada vez mais a grade dos seminários.

Por outro lado a iniciativa visa criar espaços publicitários para que as empresas do segmento de radiodifusão possam divulgar sua marca para um público qualificado. O Regional Sudeste, ocorrido em março, já foi organizado neste novo formato. “O aporte de recursos provenientes de patrocínios possibilitará o investimento na ampliação de mais três cursos na grade de programação . Esse fato, indiscutivelmente trará substancial ganho no conteúdo e qualidade dos Seminários Regionais e, conseqüentemente, maior benefício aos associados da SET em suas correspondentes regiões”, conta o diretor executivo, José Munhoz.

Os eventos regionais da SET são desenvolvidos com o objetivo de atrair um público diferenciado por oferecer, além do conteúdo científico, as palestras com os maiores players do mercado de tecnologia de radiodifusão, além de manter diálogo direto entre profissionais técnicos do setor e oferecer oportunidade para o lançamento de novos produtos. Figuram entre os presentes os profissionais responsáveis pela decisão de compra dentro do mercado. São cerca de 1.000 profissionais com qualificação técnica, fortes formadores de opinião, em todas as regionais.

A empresa interessada em obter cotas de patrocínio para os eventos regionais terá várias opções de participação nas modalidades. Para conhecer as possibilidades, entre no site da SET e confira. www.set.com.br

Publico no evento SET no Sul

*Raphael é repórter da Revista da SET – email: raphael@embrasec.com.br
INSIDE SET
REUNIÃO DA DIRETORIA DA SET
Por Thiago Leite

No sábado 19/06 a diretoria da SET se reuniu para discutir sobre o evento mais importante do ano: o Congresso SET. A reunião teve início as 9h com a apresentação dos preparativos para o evento em agosto, a diretora de eventos Daniela Helena apresentou a infraestrutura prevista para o congresso, com a divulgação da publicidade e a disposição dos palanques e cadeiras em cada sala, de modo que toda a diretoria ficasse a vontade para opinar e definir os melhores modelos que serão usados esse ano.

O Prêmio SET 2010
Dando continuidade em sua apresentação, Daniela trouxe uma grande novidade para o Congresso – o Premio SET 2010. Como se fosse um “Oscar” para o setor de telecomunicações, o prêmio SET escolherá os cinco melhores indicados para cada categoria, que serão definidas e votadas pelos diretores da SET. Os modelo do trofeus já estão sendo preparados e serão entregues aos vencedores em uma cerimônia de premiação, durante o coquetel em agosto. Os detalhes sobre a premiação e os indicados em cada categoria serão divulgados em breve no site do evento, por isso fique atento.

Programação
Sob a coordenação da Presidente Liliana Nakonechnyj, os diretores foram divididos em três grupos: Tecnologia, Acadêmico/ Cientifico e Apoio Operacional. Essa divisão permitiu a criação de grupos de trabalhos focados em todos os setores que envolvem o Congresso e os detalhes da programação.

*Acompanhe a atualização da grade do evento no site do evento- http:// www.set.com.br/eventos/set2010/default. htm

OUTROS ASSUNTOS

Além dos assuntos referentes ao Congresso, o Diretor de Radio da SET, Ronald Siqueira, apresentou um tema discutido a pouco tempo em Brasília e de muita importância para o conhecimento de todos: “Infraestruturas Críticas (IC) ”. Através de slides objetivos, Ronald citou muitos exemplos da aplicação de IC’s. “O Rádio e a Televisão são as primeiras fontes de transmissão aos cidadãos. No caso do furacão Katrina, por exemplo, os cidadãos não tiveram a informação necessária para se proteger a tempo”, comenta Ronald. Foram tratadas na reunião, questões de IC’s na Radiodifusão e a abordagem do tema no Brasil.


Congresso SET 2010 – matriz

24 de agosto de 2010 – terça-feira – 13 Sessões

09:00
as
11:00
Gestão Digital de Conteúdo

Acervo. MAM.

MARCIO PEREIRA

TV Digital: Desafios  da Interiorização

Estudo de Casos.
A Rede da EBC e outros.

GERALDO MELO

Jornalismo

Tecnologias IP para transporte de conteúdo.


AMAURI SILVA

Cinema Digital  

Cinema 3D e 4K

ALEX PIMENTEL

11:30
as
13:30
Gestão Digital de Conteúdo

Infraestruturas de Datacenters para Emissoras de TV


EMERSON WEIRICH

TV Digital:
Desafios da Recepção

Antenas de Recepção para Ambientes Fixo e Móvel

JOSE MARCOS FREIRE

Jornalismo. Esporte

Lições da Copa 2010 para a Copa 2014.

RUBENS ORTIZ

3D: Exibição

3D na Casa do Consumidor

CLAUDIO YOUNIS

15:00
as
17:00
Gestão Digital de Conteúdo

SOA. Web Services. Cloud Computing


MAURICIO FELIX

Seminário Internacional  

Resgatando a introdução do ISDB-T no Brasil: Escopo Regulatório e Planejamento de Canalização Digital.

VALDEREZ DONZELLI

TV Digital: SBTVD

Conformidade não é supérfluo. Nossos desafios em segurança, interatividade avançada e acessibilidade.

ANA ELIZA

Jornalismo

Como harmonizar conteúdos HD com o legado SD?

ANTONIO BERBEL

3D: Produção  

Da Captação à Pós Produção e Distribuição. Experiência 3D na Copa.

PAULO KADUOKA

25 de agosto de 2010 – quarta-feira – 08 Sessões

09:00
as
11:00

Cerimônia de Abertura do Congresso SET 2010
Liliana Nakonechnyj

11:30
as
13:30

Espectro

Novos Pretendentes ao Espectro Eletromagnético.
Como conviver?

FERNANDO FERREIRA

Seminário Internacional
Avanços do ISDB-T.
Diferentes Processos de Escolha e Implantação.


OLIMPIO FRANCO

TV Digital: Mobilidade Portabilidade
Como desenvolver esses mercados?



RAYMUNDO BARROS

Rádio Digital

Cenário Mundial e o caso Brasileiro.

MARCO TULIO

15:00
as
17:00

Talk show

Convergência ou Divergência

FERNANDO BITTENCOURT

Seminário Internacional
Avanços do ISDB-T. Diferentes Processos de Escolha e Implantação.

OLIMPIO FRANCO

Rádio Digital

Novos Serviços de Radio. IP Wireless. Satélite. Cabo

RONALD BARBOSA

Cinema Digital

Cinema 3D e 4K

CELSO ARAUJO

26 de agosto de 2010 – quinta-feira – 15 Sessões

09:00
as
11:00

Televisores na Era da Convergência

Broadband TV Canvas / HbbTV
Actorville

ENIO JACOMINO

TV Digital: Desafios da Interiorização

Antenas.  Gap Fillers. SFNs. O regulamento de TV digital. Parte 1

PAULO CANNO

Concurso de Inovação

Interatividade Aplicativos

DAVID BRITTO

Convergência

Conteúdos Multiplataforma. Transmídia

ANDRÉ BARBOSA

Produção  

Iluminação

CICERO MARQUES

11:30
as
13:30

Televisores na Era da Convergência

Os novos televisores conectados: Ameaça ou Oportunidade

JOSÉ AMARAL

TV Digital: Desafios  da Interiorização

Antenas.  Gap Fillers. SFNs. O regulamento de TV Digital – Parte 2

CARLOS COELHO

TV Digital: Interatividade

Normas e Guia de Operação. Suite de Testes.

DOMINGOS STRAVRIDIS

Seminário Acadêmico Técnico Científico

Apresentação de trabalhos
FRED REHME

Produção

Novos Equipamentos de Captação de 35 mm para Produção de Televisão.


NELSON FARIA

15:00
as
17:00

Convergência

Plataformas de TV Paga e o desafio de implantar VOD

ANTONIO JOÃO

TV Digital: Desafios  da Interiorização

Cases: Primeiras Retransmissoras Digitais

MARIA ELOISA BARRILE

TV Digital: Interatividade

Aplicações. Produtos para Fixo e Portátil.

CARLOS FINI

Indústria de Consumo

Dispositivos de recepção para TV Digital

GUNNAR BEDICKS

Produção  

Pós Produção

JOSÉ CHAVES

27 de agosto de 2010 – sexta-feira – 10 Sessões

09:00
as
11:00

Internet

Formatos de Vídeo


MARCELO AZAMBUJA

TV Digital

Contribuições para o desenvolvimento do SBTVD.
CARLA PAGLIARI

Segurança e Saúde
Você está protegido?

HMI. UV. RMI.

Satélite
Escassez ou oferta para o setor de broadcasting?


GILBERTO FERNANDES

Áudio – TV Digital
Loudness


ALEXANDRE SANO

11:30
as
13:30

Internet

Tendências de mercado.

JACQUES VARASCHI


Acessibilidade

Libras. Closed Caption. Audio
Description
LUIS EDUARDO LEÃO

TV Digital

Infraestrutura 3 G


JOSÉ ANTONIO GARCIA

Seminário Acadêmico Tecnico Científico
Apresentação de trabalhos

CARLOS NAZARETH
Audio – TV Digital

Multicanais. LipSync.
Produção e Distribuição

J.R.CRISTOVAM

*Thiago Leite é assistente de produção da Revista da SET – email: thiagoleite.set@gmail.com
INSIDE SET
PROFESSOR DANTAS

Sulks, Dantas. Bicudo, Cristiano, Fabio, Daniel, Afonso

Carlos Eduardo da Silva Dantas, o prof. Dantas, juntou-se ao grupo da SET em 1998, logo no início dos estudos de práticos para a TV digital. Professor titular da Universidade Presbiteriana Mackenzie que com sua experiência em sistemas de telecomunicações, televisão digital, rádio e multiplexers digitais e cálculos de enlaces de rádio atuou de forma veemente nos trabalhos que levaram a escolha do padrão brasileiro de TV digital.

“O Prof. Dantas foi um grande pesquisador e contribuiu significativamente no desenvolvimento tecnológico do nosso país. Atuou em vários segmentos da indústria, em empresas de telecomunicações e realizou muitas pesquisas para a radiodifusão. Ele foi um membro muito importante do laboratório de TV digital da Escola de Engenharia Mackenzie e ajudou a escrever os procedimentos de testes dos sistemas de TV digital. Ensinounos os fundamentos das modulações digitais e suas apostilas e apresentações são utilizadas como referência para entendimento da comunicação digital e TV digital. Todos que o conheciam sabiam muito bem do seu amor às artes e tecnologia. Ele amava a música, aeromodelismo, ferreomodelismo, esportes e a matemática. De uma maneira extraordinária o Prof. Dantas sempre conseguia simplificar o que era difícil e explicar, de uma maneira bem simples e didática, com um jeito bem especial. Muito carismático e amigável. Deixa muita saudade, boas recordações e exemplo de dignidade para nós”.

“O Prof. Dantas foi meu professor de Telecom na Escola de Engenharia Mackenzie, (1978/79) onde o conheci e passei a admirá-lo, não só pelo seu profundo conhecimento técnico e pela sua didática, mas também como pessoa. Nesta época eu era professor na Escola Técnica Mackenzie e no Colégio Porto Seguro. Aprendi muito com ele.

Após a minha formatura, comecei a trabalhar com antenas e a dar aula na Escola de Engenharia. Portanto sempre mantive um contato mais estreito com o Mestre Dantas.

Em Setembro de 1997, quando começamos a articular a possibilidade de fazer o projeto do laboratório de TV digital do Mackenzie junto com a NEC, coordenei internamente a criação de um grupo de trabalho para formatarmos o modelo do projeto a ser aprovado pela NEC e posteriormente pelo Grupo ABERT/SET. O Prof. Dantas foi meu primeiro convidado e em seguida o Prof. Sukis, que também não posso esquecer.

Iniciamos os trabalhos com o apoio da grande experiência cientifica do Prof. Dantas e descrevemos o projeto e as exigências da NEC para aprovação. Diga-se de passagem, que o grupo de trabalho sempre informou a NEC que eles jamais teriam informações privilegiadas, por se tratar de um trabalho puramente científico cujos resultados poderiam ser a base para definição do sistema de TV digital a ser implantado no Brasil.

Após a aprovação de US$2,200,000 da NEC, já em 1998, passamos a um trabalho de convencimento do Grupo ABERT-SET, quando apresentamos o prof. Dantas como membro da equipe de professores do Mackenzie que atuariam no desenvolvimento das pesquisas.

Iniciamos, então, o projeto do laboratório e as definições de equipamentos a serem comprados e estudados juntamente com o professor Dantas. Quando o laboratório recebeu do Grupo ABERT-SET uma lista de 22 experiências realizadas na Austrália, o Prof. Dantas “mergulhou” naqueles trabalhos e juntouse aos demais professores para concluir que 19 experiências seriam suficientes para a realização dos primeiros testes comparativos dos sistemas de TV digital existentes. Nesta altura dos trabalhos, os professores do Mackenzie já haviam ganhado o respeito e o reconhecimento do Grupo ABERT-SET. O paradigma do uso de uma Universidade pelas emissoras começava a se quebrar. As ações e opiniões do Prof. Dantas foram fundamentais para o sucesso desses trabalhos.

Lembro-me de uma reunião na NAB a convite dos detentores da tecnologia do ATSC, em que os cientistas americanos começaram a defender seu sistema. O prof. Dantas ouviu e rebateu algumas características do sistema americano. Fez uma pergunta que os americanos não souberam responder de prontidão. Falaram entre eles e em seguida responderam. Naquele momento os americanos perceberam que estavam falando com um cientista de igual para igual.

Todas as pesquisas realizadas eram criticadas pelos professores, com ênfase ao prof. Dantas e Prof. Sukis, antes de serem enviadas ao CPqD, que auditavam os trabalhos em nome da ANATEL. Era muito gratificante ver o Prof. Dantas e Prof. Sukis, “debulhando” o resultado de uma ou outra experiência cuja coerência nos resultados era insatisfatória.

O Prof. Dantas adorava o áudio. Durante os testes, num determinado momento ele percebeu que com a TV digital o áudio em 5.1 canais seria absolutamente fantástico. É inimaginável a alegria que ele ficou ao perceber a importância que o áudio passaria a ter na captação e transmissão da TV digital.

Escrever sobre o Prof. Dantas é escrever um livro. Aqui são pequenas grandiosas passagens junto com este Grande Mestre que contribuiu muito para a TV digital do Brasil.”

Eduardo Bicudo, bicudo@ebcom.com.br

“Falar sobre Carlos Eduardo da Silva Dantas ou prof. Dantas é fácil e difícil, simples e complexo, pois ao mesmo tempo em que se via uma pessoa extremamente humana, também se via uma pessoa humilde. Um profissional muito dedicado e sempre aberto a novas experiências, no qual o ensinar e o aprender se confundiam. Um professor que não se contentava em que o aluno apenas aprendesse, mas que desejava que além de aprender, o aluno também entendesse, e com esse propósito, não poupava tempo e nem energias para tornar isso uma constante.

Sua colaboração na escolha do sistema de TV digital a ser adotado pelo Brasil passou pelas análises dos testes já feitos em outros países, afim de adaptalos em território nacional. Quando não encontravam nada que pudesse usar aqui, ele e a equipe de professores, engenheiros e técnicos da Universidade Mackenzie em São Paulo, procuravam desenvolver um sistema que conseguisse sucesso na cobertura em S. Paulo, pois segundo seu entendimento, este sistema serviria para cobrir qualquer lugar do mundo, devido a diversidade de situações que se apresenta nesta cidade.

Eu tenho a honra e o prazer de ter feito parte desta equipe que desenvolveu os testes e as medidas em campo e em laboratório. Sendo que, posteriormente, essas medidas e testes foram levadas aos professores para a análise e definição de um sistema, que hoje é considerado o melhor sistema do mundo.

A minha convivência com o Prof. Dantas deu-se durante este tempo nos laboratórios da Universidade Mackenzie em S. Paulo, onde trocávamos informações teóricas (dele para mim) e práticas (de mim pra ele), pois segundo o professor : “A teoria nem sempre é igual a prática ”.

A implantação da TV digital no Brasil e em alguns outros países da America Latina deve muito ao Prof. Dantas. Sendo que, sempre quando um aparelho de televisão for ligado numa transmissão digital, independente do canal sintonizado e da logomarca que apareça, a figura de Carlos Eduardo da Silva Dantas, o “prof. Dantas”, também estará presente.”

Edson Geraldo Benedito,edsongb@tvcultura.com.br

“Eu conheci o professor Dantas em agosto de 1968, quando ambos começamos a lecionar na Escola de Engenharia Elétrica da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Já nesta época, os alunos se referiam ao Dantas como sendo um ótimo professor. Um aluno chegou a afirmar que o prof. Dantas foi o melhor professor que ele teve no extinto Colégio Técnico Eduardo Prado. Desde a sua admissão, o Dantas participou de quase todas as formaturas dos engenheiros eletricistas do Mackenzie, como professor homenageado ou paraninfo.

Entretanto o meu maior contato profissional com o Dantas ocorreu a partir de 1998, quando o então vice-reitor do Mackenzie, Professor Dr. Marcel Mendes, nos convidou, juntamente com outros professores, à participar de um grupo que deveria testar os diversos sistemas de TV digital para verificar qual seria a melhor solução a ser adotada no Brasil. Foi realizado um convênio com a ABERT e a SET. O Mackenzie, por sua vez, ficou encarregado de elaborar os testes necessários e montar um laboratório para a sua execução prática. Logo no início dos trabalhos ficou clara a importância dos conhecimentos práticos e teóricos do prof. Dantas na área de telecomunicações. Por exemplo, foi ele quem sugeriu a rotina do primeiro teste que seria a medição comparativa da relação C/N dos diversos sistemas de TV digital. A partir desse primeiro teste foram criadas outras rotinas de medição: testes de “efeito multipath”, “efeito Doppler”, influência de ruído impulsivo, etc. Foi o prof. Dantas quem explicou essas rotinas de testes para mais de uma de dezena de executivos e técnicos do sistema norte-americano de TV digital (ATSC) em uma cansativa reunião, em Las Vegas, que durou mais de quatro horas. Eu me recordo muito bem dessa data, pois à noite nós fomos ao Bellagio Hotel assistir uma apresentação do “Cirque du Soleil” e o prof. Dantas dormiu durante todo o espetáculo.

Em 2005, quando houve a necessidade de fazer testes de TV digital portátil de um segmento, o prof. Dantas fez os cálculos teóricos e esboçou um método prático para esse teste, o qual foi objeto de uma publicação internacional. Assim também ocorreu com inúmeros trabalhos do Laboratório de Rádio e Televisão Digital do Mackenzie, sempre com a participação ativa do prof. Dantas.

No dia 19 de maio de 2010, durante uma reunião do departamento de engenharia elétrica do Mackenzie, cumprimentei o Dantas com tristeza, pois senti que ele estava bastante abalado pela doença contra a qual vinha lutando há muito tempo. Nunca mais conversamos. O prof. Dantas não estará presente na próxima formatura dos engenheiros eletricistas do Mackenzie.”

Francisco Sukys, fsukys@mackenzie.com.br

“Sempre foi um entusiasta da Engenharia, notadamente a Eletrônica. Gostava muito de falar, sentia prazer em expor suas idéias sempre de maneira didática e também de defendê-las, às vezes, de forma inflamada.

Tive a sorte de tê-lo como professor e depois a honra de ser seu colega. Do convívio como seu aluno, guardo cadernos repletos de anotações, todas elas referentes às telecomunicações, assunto que ele dominava com grande brilhantismo. Lembro-me que as suas provas mereciam um preparo longo, além de muita atenção em suas aulas. Depois de formado pude aproveitar seus ensinamentos e ver que eles se aplicavam em grande medida.

Durante as atividades que Mackenzie, NEC e ABERT/SET desenvolveram em função dos trabalhos sobre a implantação da televisão digital no Brasil, tenho certeza que muitas pessoas envolvidas naquele projeto e que tiveram a oportunidade de partilhar seus conhecimentos, puderam perceber que o saudoso Professor Dantas era um profissional como poucos, dotado de conhecimento invejável, uma inteligência versátil e uma grande paixão pela ciência.

Penso que Deus, em sua infinita inteligência, deve ter chamado nosso querido Professor Dantas para desenvolver um novo e grande projeto de telecomunicações.”

Luis Tadeu M. Raunheitte, raunheitte@mackenzie.br

“Conheci o Professor Dantas quando o Eduardo Bicudo apareceu com aquela idéia no Grupo Abert -Set de criarmos o Laboratório de TV Digital na Universidade Presbiteriana Mackenzie para testarmos as performances dos padrões DVB e do ATSC. Pouco tempo depois incorporamos nos testes o ISDB-T.

Durante os procedimentos de organização dos trabalhos de testes, fiquei conhecendo melhor o Prof. Carlos Eduardo Dantas. Ele foi fundamental naquela etapa inicial dos trabalhos, durante os testes e depois continuou a nos ajudar na análise e montagem dos relatórios técnicos dos testes.

Mai s recentemente, mas antes da deci são de escolha do padrão de TV digi tal , houve uma tentat i va de se anal i sar at é que ponto o padrão DVB-T poder ia ser adotado aqui .Mai s uma vez , ele foi contundente e determinante ao demons t rar que o DVB-T não era recomendável , poi s pos suía l imi tações que prejudicava mui to o desempenho pretendido pelos radiodi fusores , em t ransmi s sões s imul tâneas de conteúdos par a recepção f i xa e por tát i l .Sem falar da fal ta de robus tez e f lex ibi l idade na exploração dos ser v iços .Em s íntese o ISDBT era mui to super ior em mui tos aspectos . Fato es te que s e conf i rmou durante os tes tes e na implantação das t ransmi ssões do ISDB-T no Brasil .

Para nossa felicidade vários outros países adotaram o ISDB-T confiando em nossos trabalhos de pesquisas, de implantações e nos resultados obtidos.

O Professor Dantas deu sustentação teórica, científica e prática na defesa das nossas pretensões, em busca da escolha do que seria melhor na escolha do padrão de TV digital para o nosso país.

Devemos muito a ele pelos bons resultados obtidos pela TV digital no Brasil”

Olimpio José Franco, ojfranco@set.com.br

“Tive o privilégio de conhecer o prof. Dantas (assim como ele era chamado pelos alunos) na Elebra em 1985 e, mais ainda, tive a honra de ter sido seu amigo. Duas características dele sempre se tornaram evidentes a qualquer um que o conhecesse.

Primeiro, uma flagrante áurea de bondade. O Dantas tinha sempre uma palavra de incentivo e ajuda para todos. Fosse aluno, colega, subordinado ou simdplesmente uma pessoa conhecida, a atenção e o incentivo dispensado estavam sempre presentes num comentário, ou num sorriso ou num simples tapinha no ombro.

A outra característica marcante residia nas três dimensões presentes em sua vida: Dantas era um engenheiro, um educador e um homem de família. Como engenheiro, ele participou de todos os projetos importantes na área de telecomunicações (multiplex TDM, sistemas ópticos, TV digital, etc) levados a cabo pela engenharia Brasileira nas últimas décadas. Como educador, na Universidade Presbiteriana Mackenzie, ele formou técnica e, principalmente, moralmente centenas de engenheiros que hoje praticam o que aprenderam com ele em seus cargos e em suas vidas. Pai e esposo dedicado. A família tinha uma importância ímpar em sua vida e era em seu lar onde ele se sentia mais a vontade. Quem o conhecia mais intimamente compartilhou de freqüentes comentários e relatos orgulhosos sobre seus filhos e sua esposa.

Dantas conseguiu ser excepcional nestas três dimensões porque colocava paixão e amor em tudo o que fazia. Apaixonado por sua profissão, por sua família, pela vida, pela música clássica, pela universidade, etc. ele deixou uma marca profunda e indelével em todos que, como eu, tiveram o prazer, o privilégio e a honra de conhecê-lo.

Dantas falava com a alma e olhava nos olhos das pessoas com o poder da experiência conjugada à simplicidade.”