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SET 25 ANOS – Vinte e cinco anos pensando no futuro

Completando um quarto de século em 2013, a SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão) continua a trazer em si o mesmo idealismo de sua fundação: a visão ao futuro.

Nº 131 – Março 2013

Por Flávio Bonanome Foto: Divulgação

No Brasil, poucas associações de representação de classe podem dizer que completaram um quarto de século sem perder o foco naquilo que a orientava desde sua fundação. Sobretudo, quando estamos falando de um segmento de alta tecnologia, como é o caso do mercado de radiodifusão, a evolução técnica e o surgimento de novos modelos de negócios, podem acabar colocando em cheque os objetivos da instituição.

Este não é o caso da SET. Fundada em meio à série de mudanças que ocorreram no Brasil em 1988, a Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão surgiu para representar os profissionais dos setores técnicos das emissoras de TV, para se tonar um órgão representativo e principalmente focado em acompanhar a tecnologia para a produção de conhecimento.
Com o passar deste meio século, muita coisa se transformou, não só no mercado brasileiro quando se fala em termos de produtos e equipamentos para o setor de broadcast, mas também em termos de políticas e mesmo da forma conceitual em que se faz televisão. “Necessitamos acompanhar esta transformação.
Se não acompanharmos morreremos. Cada vez estamos adaptando nosso perfil em função de hábitos , transformações mercadológicas, na qual a tecnologia devem se adaptar e modernizar soluções técnicas e operacionais”, afirma Olímpio Franco, atual presidente da instituição.

Franco, que foi tia eleito em 2012, é o oitavo presidente da SET, e exerce mandato pela segunda vez. O engenheiro herdou a gestão de Liliana Nakonenchnyj, que foi responsável por diversas modernizações dentro da diretoria da instituição para adaptâ-la a este novo paradigma da televisão, sobretudo no campo das novas mídias. “ se observarmos hoje a estrutura organizacional da set, nas diretorias de segmento de mercado, ela realmente está montada para o permenente acompanhamento das tecnologias das midias convergentes, aplicadas no processo de produção do conteudo audiovisual da radiodifusão”, afirma José Munhoz, ex presidente da SET.
E não se trata somente de discurso. “temos progressivamente adaptado os painéis dos congressos da SET para isso. Em 2012, por exemplo, tivemos palestras com a participação de adolescentes para que dessem opiniões e debatessem as diferentes maneiras de assistirem tv. tivemos tambem o inicio de uma parceria com a ABDOH ( Associação Brasileira de Midia Digital Out of Home )”, conta Munhoz.

Porta-voz do conhecimento
Apesar de ser uma associação que representa um setor tecnológico, a SET não vê a política como uma das suas obrigações estatutárias. “Eu enxergo a SET como uma instituição voltada aos conhecimentos tecnológicos. Produção de conhecimento e sintonia permanente com a modernidade tecnológica. esta é a assência e o foco da SET”, afirma José Munhoz.

Mesmo com esta vocação voltada para a produção e divulgação de conhecimento, a instituição não deixa de lado seu papel no âmbito das políticas públicas. “Atuamos essencialmente na área Tecnológica. Temos boas relações com o governo federal nas áreas de comunicações e regulações de nosso setor. Colaboramos e interagimos buscando o entendimento de nossas preocupações e para o bem estar da comunidade que atuamos”, afirma o atual presidente Olímpio Franco.
Quem também concorda com o tema é outro ex-presidente, Carlos Capellão. “O que temos que ter em mente é que a SET é uma associação de profissionais de Engenharia e que portanto tem que ter como foco principal o desenvolvimento técnico destes profissionais e a facilitação do intercâmbio entre eles”, afirma.

Mas vale lembrar que não ter como foco as questões políticas, não significa abster-se de todos os debates, principalmente quando estamos falando de tudo o que concerne a radiodifusão. “Como uma sociedade engenharia, atuamos mesmo no ambiente técnico. Pode até ser que acabemos exercendo alguma ação política em função de alguns momentos específicos, influenciando na esfera política indiretamente”, conclui.
De fato, principalmente com as discussões atuais sobre TV Digital e alocação de faixas de frequência para a banda larga móvel, a SET tem se aberto bastante para debate de temas que vão de encontro à área técnica da radiodifusão. “A SET sempre traz contribuições voltadas a embasamento tecnológico, colaborando em políticas públicas com o conhecimento que a instituição tem”, completa Munhoz.

Anos à frente
Quando se fala de uma instituição focada no segmento de tecnologia, nunca podemos pensar somente no que ela realizou ou representa, mas sim, em como a instituição pretende se posicionar nos próximos anos. “Vejo a SET motivada e disposta a encarar o dia a dia das mudanças tecnológicas, das mutações do mercado, das tendências para um futuro cada vez mas conectado e em múltiplas plataformas.”, afirma o presidente Olímpio Franco.
Com a radiodifusão deixando de ser um tema único e se desdobrando em uma miríade de assuntos, com oTV Digital, VOD, IPTV, OTT, o papel de uma associação de engenharia de televisão começa a se transformar, e a SET precisa tentar acompanhar toda esta revolução. “Este tem sido sempre o nosso desafio, buscar a sua atualidade sempre. O nosso crescimento depende de nós mesmos, de nossa estrutura interna capaz de responder aos nossos novos desafios e dos inúmeros colaboradores da diretoria, sempre dedicados e voluntários”, completa o presidente.

Se o futuro aguarda um crescimento ainda maior em relevância da instituição, quem comenta o assunto é o ex presidente José Munhoz. “Eu entendo que a SET, como está constituida organicamente, pelas suas obrigações estatutárias e como vem se posicionando no acompanhamento das discussões tecnológicas, se sustentará com notoriedade. A institução se manterá com o substancial grau de importância que a notabilizou e deu a ela muita credibilidade, notadamente pela sua atuação no processo decisório da adoção do padrão de TV Digital para o Brasil. Ela deverá continuar contribuindo com os trabalhos de divulgação do nosso padrão de TV Digital nos países latino americano e africanos, explica e completa. “Acho que por tudo isso, por este conjunto de valores da SET e pela notória especialização dos integrantes de sua diretoria, que são os mais gabaritados e informados deste segmento, a SET vai continuar desempenhando com desenvoltura e credibilidade seu importante e reconhecido papel”.

Contexto histórico

Em 1988, quando foi fundada a Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão – SET (o primeiro fórum brasileiro para discussões das tecnologias aplicadas ao conteúdo televisivo) o mercado mundial de telecomunicação passava por profundas modificações. No Brasil, estas mudanças foram particularmente acentuadas, por conta da promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil, que decretava o fim da censura nos rádios, TVs, teatros, jornais, além de assegurar plenos direitos à União de explorar diretamente, ou mediante concessão a empresas sob controle estatal, os serviços de telecomunicações.

A SET, que já vinha acompanhando ativamente a evolução das pesquisas de tecnologia de televisão desde sua fundação, chegando a propor alterações da norma PAL-M à Secretaria de Comunicações do Ministério da Infra-Estrutura e também sistemas de codificação de sinais de televisão para o uso no serviço de TV a cabo na cidade de São Paulo, une-se, em 1994, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), passando a analisar e propor sugestões para viabilizar a transmissão digital no Brasil, através do Grupo ABERT/SET.
A partir daí, a SET ficou conhecida como ferramenta indispensável para a defesa dos interesses do modelo de televisão brasileiro, por respeitar o tamanho, a topografia e a demografia do Brasil, além de entender a necessidade de sistemas avançados de transmissão via satélite ou distribuição de sinais de televisão capazes de integrar as vastas regiões de população dispersa, tão características deste país.
Com a assinatura da Lei Geral de Telecomunicações, em 1997, que culminou com o fim do monopólio estatal e a criação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para regulamentar os serviços de telecomunicação, a radiodifusão deixou de ser um serviço de telecomunicações, para se transformar num serviço independente.
A SET, por sua vez, através de engenheiros, técnicos e inúmeros profissionais responsáveis pelo alto nível da televisão brasileira, passou a colaborar para o aperfeiçoamento do profissional de televisão e para o suporte técnico ao mercado em processos decisórios, na padronização e elaboração de normas e na adoção de sistemas, além de adequar seu escopo para atender tecnologias emergentes do mercado. Tudo isso foi muito importante para a inclusão do Brasil na área do desenvolvimento tecnológico, já que a SET começou a oferecer subsídios a cientistas e engenheiros brasileiros, para a realização de pesquisas fundamentais ao desenvolvimento de soluções e inovações tecnológicas.
A SET segue firme no propósito de atender às expectativas da sociedade em relação à televisão, tendo em vista a infinidade de aplicações que ainda serão oferecidas, em função da evolução dos softwares e da capacidade de processamento dos microprocessadores. No entanto, está atenta à preservação das conquistas já alcançadas pela indústria de rádio e televisão e, também, a suas ações no mercado, a fim de abrir oportunidades para outros setores, tais como empresas de telecomunicações, software, Internet e serviços eletrônicos.

Palavras o Precursor da SET

Dono de um idealismo ímpar e reconhecida competência, Adilson Pontes Malta, criador do Projac – Centro de Produções da Globo, foi o fundador e primeiro Presidente da SET, no período de 1988-1992, dando início ao que hoje pode ser considerado como o mais conceituado órgão associativo da radiodifusão brasileira.

Revista da SET: Como surgiu a idéia de fundar a Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão – SET?
Adilson Malta: A SET foi criada em 1988, mas a idéia era antiga. O mercado brasileiro de equipamentos de televisão era pequeno e o nosso padrão de produção e transmissão era o PAL-M. Nos anos 70 e 80 fui associado e membro ativo das SMPTE e NAB e não encontrava espaço para discutir os problemas da televisão do nosso país. Em 1986, eu percebi que continuar produzindo televisão em PAL-M seria um problema que a cada ano se agravaria. Os equipamentos com processamento digital eram lançados em NTSC e PAL quase simultaneamente. Os fabricantes só atendiam ao nosso mercado depois da pós-venda para os clientes norte-americanos e europeus. Fabricar para o Brasil era mais caro e muitos fabricantes não tinham o menor interesse pelo nosso mercado. Alguns suprimiam certas funções existentes nas versões NTSC e PAL. Com o Projac em andamento, conclui que não teria cabimento investir em produção no padrão brasileiro de televisão. E havia espaço para trabalhar pela adoção do padrão NTSC em produção e exibição, deixando a conversão para PAL-M na entrada dos transmissores. Para isso, era preciso que nos representasse a engenharia da televisão brasileira. Assim nasceu a SET, com a ajuda de vários companheiros, entre eles dois anônimos: Jaime de Barros Filho e Anna Lúcia Gomes Nunes, que fizeram uma imersão nos aspectos legais, organizacionais e procedimentos que possibilitaram a formalização da SET como entidade legalmente estabelecida, além de dar suporte aos eventos da entidade em minhas duas gestões.

Revista da SET: Qual era o objetivo inicial da entidade?
Malta: A mudança para o NTSC foi o motivador para criação da SET, mas não era o objetivo da entidade. O objetivo era o de estreitar as relações entre engenheiros, técnicos e fabricantes de equipamentos para desenvolver o intercâmbio de idéias entre redes, emissoras, produtoras independentes, com o apoio dos empresários da indústria de televisão no Brasil. Em sua opinião, esse objetivo foi alcançado? Quem acompanhou os trabalhos da SET nesses 25 anos, com as suas atividades agregadoras e a sua participação na escolha e implantação do Sistema Brasileiro de Televisão Digital no Brasil, sabe que esse objetivo foi alcançado com muito sucesso.

Revista da SET: Em que questões a SET avançou durante a sua gestão?
Malta: O início foi muito difícil. A SET foi criada numa cerimônia realizada no Hotel Sheraton, no Rio de Janeiro, com o apoio e a presença do ministro das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães, o que nos passou um sentimento de que tudo seria fácil e não foi. O regime militar tinha acabado havia menos de três anos e a sua sombra pairava sobre todos os espaços. Permaneciam as reservas de mercados e o monopólio das telecomunicações. A Embratel atuava como um poder paralelo, fiscalizando e coordenando as telecomunicações. A burocracia para importar equipamentos que não fossem PAL-M dificultava a transição. Para validar e dar respaldo a nossa Associação assinamos o primeiro convênio de cooperação com a SMPTE. Com poucos recursos e cerca de 300 associados conseguimos caminhar e vencer as resistências para ter equipamentos de primeira geração em NTSC nas emissoras e produtoras brasileiras. Simultaneamente, como não havia Internet, lançamos o Informativo SET, depois a Revista da SET; criamos eventos bienais como Congresso-Feira e Seminário. Desenvolvemos um programa para incentivar a visita anual de associados e de outros brasileiros à NAB, lançando o evento SET e Trinta. Fica sempre a sensação de que realizamos pouco, mas a SET até hoje tem poucos colaboradores em tempo integral. A maioria dos integrantes das diretorias divide as suas atividades profissionais dedicando algum tempo à SET.

Revista da SET: Trace um panorama do cenário do setor de broadcasting atual e o cenário apresentado no início da atuação da SET, em 1988.
Malta: O cenário atual é muito mais complicado que o de 1988. A televisão digital levou muito tempo para ser lançada e ainda não se viabilizou economicamente. Em 1979 já existiam protótipos no formato 16:9 com uma imagem de qualidade superior ao NTSC. Com essa demora, apareceram novas tecnologias e mídias que disputam o tempo do telespectador e as verbas publicitárias com a televisão aberta, único tipo de TV existente no Brasil em 1988. Esse é um tema extremamente complexo, face às incertezas deste momento, onde a oferta de produtos audiovisuais se amplia astronomicamente e os meios de distribuição também. Esses cenários não podem ser comparados.

Revista da SET: Onde se concentram os principais problemas enfrentados pelos broadcasters atualmente?
Malta: Não vejo nenhum problema grave com a tecnologia ou suporte operacional. O SBTVD tem algum desenvolvimento a ser complementado, mas isso é só trabalho. As incertezas quanto ao retorno dos investimentos em TV digital são enormes e podem ser resumidas na seguinte pergunta: Quem paga a conta até que ela se equilibre? Os empresários de radiodifusão ficam tentados e muitos já saíram na frente com elevados investimentos, sem a certeza de quando terão, pelo menos, uma operação lucrativa em médio prazo. Como tudo depende dos mercados de audiência e publicidade, temos que esperar para ver o interesse da população em instalar antenas, adquirir os set-top boxes e/ou receptores modernos. Os números das vendas até agora não são animadores para quem quer investir numa nova planta digital ou anunciar em veículos que usam essa tecnologia. Do lançamento no dia 2 de dezembro de 2007 até agora, foram vendidos pouco mais de 10 mil set-top boxes na região metropolitana de São Paulo. Com esse número, ou qualquer outro que não seja expressivo, os anunciantes e as agências não terão interesse em investir nos canais digitais. A televisão digital é inevitável. É o progresso. Vai demorar a ter um número de telespectadores que suporte os seus investimentos e custos operacionais. Vai se consolidar ao longo de alguns anos. Os mercados de audiência e publicidade vão estabelecer a velocidade da transição. Isso deixa os broadcasters numa situação incômoda para decidir como, quando e quanto investir na televisão digital.

Revista da SET: Sendo um profissional atuante em consultoria de televisão e outras mídias, o mode – lo de serviços de radiodifusão que existe hoje é adequado para a exploração do sistema digital?
Malta: Em minha opinião, não há o que adaptar ou adequar. A televisão aberta brasileira está envelhecida e repetitiva. Apenas mantém uma aparência de modernidade alavancada por uma parafernália de efeitos digitais e precisa de inovação, de conteúdo. Tem uma enorme vantagem por ser a mídia de maior potencial para distribuir as suas programações, mas exagera na centralização das suas produções e concentração de anunciantes nacionais, restringindo o crescimento das verbas publicitárias. As grandes redes estrangulam as emissoras afiliadas, limitando os horários das programações regionais e locais, ignorando o enorme potencial de jovens talentosos disponíveis no mercado por todo o país. Os negócios de sucesso do futuro serão construídos por quem inovar. Os provedores de serviços de assinaturas estão crescendo em audiência e em diversidade, com produtos extremamente atrativos. Canais como o GNT da NET, se estivessem na televisão aberta, teriam significantes índices de audiência. Tem muita gente achando que a interatividade será a grande solução, mas é preciso ser cauteloso. Mesmo que o SBTVD esteja totalmente desenvolvido para as aplicações com interatividade, ainda será preciso talento, criatividade, competência e pesados investimentos para inserí-las com sucesso. Estamos falando de milhões de telespectadores interagindo com a TV do futuro.

Revista da SET: Existe algum ponto da radiodifusão que ainda precisa evoluir, apesar de toda tecnologia alcançada?
Malta: Há espaço para evoluir nos conteúdos, programações e na publicidade, que continua vendendo comerciais de 30 segundos, mas parece que ninguém quer correr grandes riscos. Na engenharia é preciso considerar que não completamos ainda o ciclo da moderna fase de armazenamento de dados. A cada ano a indústria de equipamentos dá um passo, mas o armazenamento de dados em estado sólido ainda está limitado à captação de sons e imagens. Componentes eletrônicos da era da nanotecnologia começam a ser usados nos equipamentos de televisão. A integração das bases de conhecimento dos engenheiros de televisão e de TI ainda está no meio do caminho e precisa ser completada. Em resumo, estamos em mais uma fase de transição tecnológica e quem comprou ou está comprando equipamentos deve levar em conta que estes poderão estar desatualizados antes que os negócios em TV digital se transformem em empreendimentos rentáveis.

A História contada pelos Presidentes

Carlos Capellão – Gestão 1992-1994

O tempo realmente passa numa velocidade incrível. Lembro-me bem do dia em que o meu grande amigo Adilson Pontes Malta me chamou para falar da idéia da fundação da SET e para me convidar para a primeira Diretoria Técnica da Sociedade. Para mim, aquilo foi uma grande honra e uma responsabilidade tremenda.
Os primeiros eventos foram duríssimos, pois não havia recursos, nem a cultura de participação deste tipo de sociedade. Ainda por cima, a Sociedade ainda não era suficientemente conhecida e prestigiada para estimular as pessoas a participarem mais ativamente. Eram os tempos do telex, com uma infinidade de convites sendo enviados e nem sempre muitas propostas recebidas. Nesta época, o Jayme de Barros dividia comigo a organização dos Congressos e Seminários. Em seguida, tive a honra de ocupar a presidência da SET e posteriormente outras diretorias, ininterruptamente, desde a fundação até hoje.
Posso afirmar que a SET foi uma grande e bem-sucedida idéia. Para mim tem sido um fórum para o desenvolvimento profissional, uma grande ferramenta para a aproximação de profissionais, para a fomentação do networking e, acima de tudo, uma catalisadora de amizades e coleguismo.
Fico muito feliz de ver a SET completando 25 anos vigorosa, ativa e prestigiada. Que nos próximos vinte e cinco ela consiga angariar muitos novos e jovens profissionais. Que a SET se aprimore cada vez mais como uma defensora da ética, do interesse público e da boa Engenharia – esta nobre ciência e arte de promover o bem-estar humano, através do desenvolvimento tecnológico. Por último, que seja sempre um ambiente agradável para seus associados, uma fonte de atividades prazerosas e frutíferas para todos nós. Feliz Aniversário!

Fernando Bittencourt – Gestão 1994-1996

Durante o período em que fui presidente da SET, a principal atividade foi, sem dúvida, a formação do grupo de trabalho para o estudo da TV digital em conjunto com a ABERT.
O grupo ABERT/SET foi criado com o objetivo de definir qual a melhor tecnologia para a TV digital brasileira. Poucos sabem, mas chegamos a contribuir, junto com algumas emissoras americanas e empresas européias, no desenvolvimento de um modulador COFDM em 6 Mhz, para ser testado nos Estados Unidos. Nossa intenção era que o Grand Alliance, entidade responsável pela decisão americana, substituísse a modulação VSB pela COFDM, já entendida, naquela época, como mais robusta e adequada para a transmissão de TV aberta. Enviamos um de nossos engenheiros a Europa para auxiliar no desenvolvimento do modulador e eu, pessoalmente, fui aos EUA alguma vezes para participar de reuniões sobre o tema. Infelizmente, devido a pressões do FCC, já não havia mais tempo para qualquer alteração no padrão ATSC.
O grupo ABERT/SET aprofundou os estudos e pesquisas e publicou mais tarde, em 2000, o primeiro relatório comparando o desempenho entre os três sistemas de TV digital existentes: o europeu, o americano e o japonês. Também iniciávamos, naquela época, dentro do grupo ABERT/SET, um trabalho de canalização junto ao CPqD, que mais tarde se consagrou, na Anatel, como referência para toda a canalização de TV digital no Brasil. Este grupo continua o trabalho até hoje.
Foi um período em que a tecnologia digital estava entrando forte na operação das emissoras de TV. Nossos Congressos e encontros tinham o tema digitalização como novidades. Lembro-me que fiz a abertura de um de nossos Congressos no Rio de Janeiro com o título “pensar digital“, onde eu chamava a atenção sobre uma nova cultura que iniciava nas nossas vidas.
Nossos SET e Trinta na NAB tornaram-se famosos pela repercussão mundial dos trabalhos do grupo ABERT/SET.
Foi um período muito rico da SET e eu me orgulho de ter participado dele.

José Munhoz – Gestão 1996-1998

Na esfera executiva, promovemos o desmembramento da Diretoria Regional Norte-Nordeste, em Diretoria Regional Norte e Diretoria Regional Nordeste, passando a atender mais especificamente às necessidades de cada região.
Realizamos o 1º Seminário na Regional Sul, em Porto Alegre, e procuramos consolidar, no Calendário de Eventos da SET, os Seminários Regionais. Desenvolvemos um projeto de teleconferências por satélite, interativo, onde especialistas da SET apresentavam temas de grande interesse tecnológico para os associados, com discussões interativas em tempo real.
O tema TV digital tornou-se pauta obrigatória nos encontros promovidos pela SET, resultando no fortalecimento dos Grupos Técnicos constituídos para as conseqüentes demandas.
O evento SET e Trinta passou a ser realizado, em 1997, nas dependências do Hotel Las Vegas Hilton, contíguo ao Pavilhão das Exposições da NAB – National Association of Broadcasters. Realizamos a primeira demonstração de TV digital, em Brasília, às comissões técnicas e lideranças políticas da Câmara dos Deputados.
Durante minha gestão, demos início aos entendimentos com a Universidade Mackenzie, proposto e conduzido, preliminarmente, pelo diretor da SET e professor do Mackenzie, Eduardo Bicudo, consolidado na gestão posterior (Olímpio Franco) e que resultou no Convênio SET-Mackenzie. Este convênio produziu o maior acervo do conhecimento sobre TV digital.

Olímpio José Franco – Gestão 1998-2002

Eu e alguns colegas sócios da SMPTE tomamos a iniciativa, lá pelo início dos anos 80, de criar uma Section no Brasil. Não tivemos sucesso. Naquele tempo, como ainda hoje, a SMPTE tem poucos sócios no Brasil.
Algum tempo depois, recebo ligação telefônica do Adilson Pontes Malta, convidando-me para fazer parte da criação de uma sociedade brasileira de engenharia de televisão. Este convite vinha de encontro a nossa pretensão inicial. Sei do esforço e dedicação realizados para a sociedade nascer bem concebida em seus alcances e propósitos.
Tive o prazer de fazer parte da primeira diretoria e também da solenidade inaugural da SET, na qual tivemos a presença do ministro das Comunicações, num hotel da zona sul na cidade do Rio de Janeiro. Nestes 25 últimos anos, fiz parte da diretoria da SET, exercendo funções várias, mas, na essência, sempre ajudando-a em suas atividades principais, buscando atender aos anseios dos seus sócios e empenhando no seu crescimento. Tem sido gratificante fazer parte desta comunidade.
Como presidente em duas gestões, realizei algumas reestruturações na SET, visando sua modernização e atualização de sua infra-estrutura, além da criação das diretorias regionais e respectivos eventos anuais. Firmamos convênio com a ABERT, o Ministério das Comunicações/CPQD e a Rede de Emissoras de TV, visando os testes de TV digital em conjunto com a Universidade Presbiteriana Mackenzie. Os resultados destes trabalhos de testes, documentos produzidos, conhecimentos adquiridos e repercussões alcançadas, foram de enorme valia para a nossa SET, para seus membros, para a comunidade do setor e para o próprio B rasil. Com a decisão da escolha do padrão de TV digital para o Brasil, podemos afirmar com segurança que a SET teve e tem um papel muito importante neste item, com definições de características, participação ativa na introdução e implantação.
Tudo isto foi conquistado com muito trabalho, dedicação e empenho de cada um dos seus sócios e colaboradores.
Posso dizer, com sinceridade, que a SET hoje possui um nome muito respeitado nacional e internacionalmente. Não cessam novos desafios pela frente, devido ao dinamismo da tecnologia, que nos força a atualizar conhecimentos a cada momento.

Roberto Franco – Gestão 2002-2008

A SET é uma sociedade ímpar, porque demonstra que a diversidade de idéias pode convergir em prol de um objetivo comum, da melhor solução, do benefício do todo. É inquestionável o valor da sua participação nas discussões para o desenvolvimento e adoção de novas tecnologias relativas à produção, agregação e distribuição do conteúdo eletrônico, cabendo destacar sua atuação no processo de definição e implantação da TV digital.
Também é nítido o prestígio internacional alcançado através do reconhecimento de entidades como a NAB (National Association of Broadcasters), o SMPTE (Society of Motion Picture and Television Engineers), o EBU (European Broadcast Union), a ARIB (Association of Radio Industries and Businesses), o ATSC (Advanced Television Systems Committee), o DVB (Digital Video Broadcasting), dentre outras, fruto do seu trabalho, da sua postura e de suas relevantes contribuições.
Tenho a satisfação de ver realizado o antigo desejo de aproximar a SET da academia e do pesquisador brasileiro, através da criação do circuito Acadêmico-Científico em nosso Congresso, e da criação de mais uma publicação, a Revista de Radiodifusão que, com a conquista do ISSN (International Standard Serial Number), tornou nosso Congresso reconhecido internacionalmente.
Nenhum desses 25 anos de existência da SET passou em branco, basta revermos os temas abordados por nossa Revista. Em nenhum ano a SET deixou de realizar pelo menos um seminário, um congresso. Nossa missão de gerar e distribuir conhecimento vem sendo cumprida a cada dia com maior intensidade.
Com o esforço de todos, concretizamos muitos sonhos, realizamos relevantes trabalhos, produzimos resultados. Mas, o sonho não acabou. Ainda podemos sonhar. Olhar para trás e ver os 25 anos que se passaram é, sem dúvida, motivo de grande alegria. Mas prefiro olhar, confiante e seguro, para os próximos 25 anos que virão e saber que construiremos uma sociedade ainda melhor.

Liliana Nakonechnyj – Gestão 2008-2012

Nossa SET tornou-se conhecida e respeitada no Brasil e além de suas fronteiras pelo trabalho sério que realiza para dotar a televisão brasileira das ferramentas técnicas mais modernas e adequadas. É na SET que se encontram os profissionais de engenharia de todo o mercado, de empresas e entidades concorrentes, sejam elas produtoras, fornecedores, emissoras de TV ou centros de pesquisa. Como fundadora da SET, sempre me orgulhei muito do trabalho liderado por uma pequena comunidade de voluntários, em especial a difusão de conhecimento aos profissionais de engenharia de TV de todo o país. Nunca participei em outro evento, em qualquer lugar no mundo, que aborde assuntos técnicos e operacionais da engenharia de TV com tanta profundidade e transparência quanto o congresso anual da SET, sem detrimento de discussões sobre o estado-da-arte da tecnologia e seus caminhos futuros. Como complemento, os seminários regionais buscam levar esse conhecimento aos profissionais de todo o país. O enorme sucesso do SET e Trinta e as sessões exclusivas que o IBC montou para a SET nos últimos anos só reforçam o papel de nossa sociedade como agregadora da comunidade de profissionais técnicos na área de TV. E ser fundadora de iniciativas globais como o FoBTV – Future of Broadcast Television mostra o respeito que nossa sociedade ganhou no panorama internacional. A meu ver, o grande desafio para os próximos anos é equacionar o crescimento da SET sem perda da seriedade e do caráter técnico que formam sua identidade.