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SET 2007 – O ano de uma nova era

SET 2007
O ano de uma nova era

ESPECIALISTAS E AUTORIDADES REÚNEM-SE PARA CELEBRAR O MARCO TECNOLÓGICO DO ÚLTIMO CONGRESSO DA SET NA ERA ANALÓGICA.
Da Redação
SET2007

2007: O ano de uma nova era
Às portas da  implantação da TV digital no Brasil, torna-se evidente a infinidade de possibilidades e oportunidades que a era digital disponibiliza, tanto para o mercado de tecnologia de produção, como transmissão, distribuição, exibição e recepção de conteúdo audiovisual.
Nesse sentido, o Congresso da SET chega a sua 19ª edição com responsabilidade dobrada, pois além de influenciar na forma como a tecnologia digital será utilizada, a partir do dia 2 de dezembro, no Brasil, ainda representa um marco como o último Congresso na era analógica e o primeiro da era digital. Embora ainda em busca de definições para o rádio e convergência digital, o Congresso SET 2007, que ocorreu entre os dias 22 e 24 de agosto, no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo, não deixou dúvidas quanto ao sucesso da TV digital brasileira e cumpriu o seu papel de mostrar os avanços tecnológicos que farão parte desta transição.

Abertura
Fernando Pelégio, diretor de eventos da SET, abriu o Congresso da SET ao lado de Roberto Franco, presidente da SET e do ministro das Comunicações, Hélio Costa e homenageou os engenheiros da SET que trabalharam por mais de uma década, em busca da melhor solução para a TV digital no Brasil, com garantias de gratuidade, mobilidade, portabilidade e alta definição. Pelégio registrou ainda a presença do representante do Ministério das Relações Exteriores, Rodrigo Carvalho, que levou ao evento várias delegações da América Latina para assistirem às palestras e visitarem a feira.

“O sonho virou realidade. Estamos na era da TV digital em São Paulo e tenho orgulho de dizer que temos um sistema nipo-brasileiro de TV.” – Ministro das Comunicações Hélio Costa

Outras importantes figuras do mercado de regulamentação, produção e distribuição de conteúdo, como Liliana Nakonechnyj, da SET e Rede Globo, Alexandre Annemberg, da ABTA, Almicare Dalevo, da Abra, Patrick Flyn, vice-presidente da NAB, Daniel Slaviero Pimentel, da ABERT, Everaldo Ferreira, da Anatel e Edilberto Ribeiro, da AESP, também prestigiaram a mesa de abertura e puderam presenciar de perto a emoção de Roberto Franco, ao contar sobre o prêmio de reconhecimento de mais alto nível do Japão, recebido por ele, em nome da SET, durante o Radio Day, que reuniu mais de 4 mil executivos do Japão, sendo a SET a primeira entidade não-japonesa a receber este prêmio. “Este é o salário real de quem trabalha com radiodifusão”, declarou.
Já Hélio Costa lembrou o longo caminho percorrido pela TV digital no Brasil, que desde 1994 está em discussão, mas só nos últimos dois anos ganhou força. “O sonho virou realidade. Estamos na era da TV digital em São Paulo e tenho orgulho de dizer que temos um sistema nipo-brasileiro de TV”, disse.
Além disso, o ministro afirmou que a escolha do padrão de rádio digital está na reta final e que os radiodifusores não terão nenhuma surpresa, pois, segundo ele, o projeto contempla os testes realizados em 23 capitais e “abre o caminho para o resgate das ondas curtas do rádio brasileiro no sistema digital, que certamente vai ser também revolucionária, possivelmente até substituindo, em parte, as transmissões do rádio via satélite”. No entanto, alerta que os radiodifusores devem estar preparados para discutir a “divergência da convergência”, a fim de trazer soluções para as empresas, para o país e para toda a população brasileira.
Roberto Franco finalizou afirmando que estão todos de “mangas arregaçadas e o trabalho continua”. “Espero que o Congresso contribua como ambiente de discussão, porque mais importante que trazer informações e transmiti-las unilateralmente é provocar o debate, provocar a visão diversa, para que realmente nasçam embriões de discussões que sejam capazes de confrontar essas visões divergentes e propor soluções que sejam interessantes para nossas empresas, para os indivíduos participantes de SET, para o país e para o bem de todos os negócios que giram em torno do nosso tema principal, que é o conteúdo eletrônico, tanto na captação, como na produção, na distribuição, ou qualquer outra utilização desse bem que tanto nos é intimo e querido”, concluiu.

A Feira
Durante os três dias do evento, a feira Broadcast & Cable recebeu 12 mil visitantes, que aproveitaram a diversidade de novidades em equipamentos, soluções e softwares, em 150 estandes, das maiores empresas de distribuição e fornecimento, do segmento de radiodifusão. Além disso, a feira foi palco de importantes acordos, como o firmado entre a SET e a NAB e que permitirá, a partir de 2008, que o Brasil tenha um pavilhão exclusivo para as empresas brasileiras. Outro acordo importante foi firmado entre a Dieletric e a Transtel e promete revolucionar o mercado brasileiro de RF.

Em sua 16ª edição, a feira Broadcast & Cable reuniu 150 expositores, numa área de 12 mil m2, para apresentar as mais novas tendências do mercado, com equipamentos de altíssima qualidade, tecnologia de ponta e serviços inovadores.

O estande do Fórum de TV Digital, com demonstrações de transmissões digitais da TV Globo, SBT e Bandeirantes, representou um show à parte e foi sucesso de visitações.
Segundo Fernando Gonçalves, diretor de suporte da Floripa Tecnologia, a feira teve um crescimento significativo em 2007, com a presença de figuras importantes do setor de radiodifusão circulando pelos estandes. Opinião compartilhada por Rodrigo Castanheira, da Kathrein, que percebeu um aquecimento na procura por seus produtos na feira, movido pela aproximação da implantação da TV digital no Brasil.
Já para Martin Bonato, da Brasvideo, a feira aumentou o número de fornecedores da empresa, enquanto que para Daniela Souza, diretora executiva da AD Digital, “a feira mostrou que o tempo não é mais de pesquisa, mas de definição para as transmissoras”.
Fernando Andrade, gerente geral da Kramer, afirmou que o crescimento da feira de 2007 é um ótimo sinal para o mercado. “No próximo ano teremos mais investimento no estande, para acompanhar a evolução da feira”, prometeu.

O Congresso
Realizado desde 1988, o Congresso da SET, reconhecido com o maior evento de tecnologia do broadcast da América Latina, traz consigo a característica de representar a atualização tecnológica, através dos mais modernos conceitos debatidos por profissionais de destaque no mercado. Este ano, como não poderia deixar de fazer, assumiu o importante papel de orientar quanto a melhor forma de trabalhar a transição, no que diz respeito a questões técnicas da TV digital, normas do padrão brasileiro, técnicas de compressão de áudio e de vídeo, mobilidade e portabilidade. Há quem diga que será difícil superar a qualidade demonstrada no Congresso SET 2007, onde 1500 congressistas reuniram-se para acompanhar 37 apresentações, acorridas durante os três dias do evento, e discutir, através de talk shows, tutoriais, palestras e debates, os cenários da era digital, tendências, lançamentos e atualidades.
Acompanhe a seguir a opinião de especialistas e o conteúdo dos painéis apresentados no Congresso SET 2007.

Roberto Franco e o diploma de condecoração que recebeu do governo do Japão, em nome da SET, como forma de reconhecimento da entidade por sua contribuição no desenvolvimento do setor.

Durante a 16ª edição da Broadcast & Cable 2007, a SET firmou um acordo com o vice-presidente da NAB, Patrick Flyn, para que as empresas brasileiras tenham um pavilhão exclusivo, na NAB 2008.

O ministro Hélio Costa esteve presente na abertura do Congresso e aproveitou para acompanhar representantes da Argentina, Chile, Uruguai, Colômbia, Equador e Peru, que estiveram na Feira para conhecer o padrão de TV digital nipo-brasileiro.

SET 2007 – Opinião

“O Brasil é um dos únicos países do mundo que discute e busca seus próprios caminhos na radiodifusão”
Por João Braz Borges – Diretor Geral de Operações da TV Anhanguera
Roberto Franco foi extremamente feliz ao citar, na abertura do Congresso SET 2007, duas frases que certamente ficarão na história da associação: “O Brasil é um dos únicos países do mundo que discute e busca seus próprios caminhos na radiodifusão. O exemplo é o padrão digital de TV e rádio”. A outra frase é para nós, radiodifusores, um desafio: “A convergência digital ainda terá um longo caminho, não mudou muito do ano passado para cá, mas teremos que continuar estudando muito. Debates, discussões, opiniões divergentes serão o caminho para o bem de nossos negócios.”
Ainda na abertura do Congresso, o ministro Hélio Costa, como bom mineiro, lembrou da criação do Grupo de Trabalho para a TV digital brasileira e a legislação pertinente. Em seguida, sacou do bolso um celular, mostrando a todos a recepção da TV digital brasileira naquele móvel. Prometido e cumprido.
Vivemos o último Congresso SET analógico e o primeiro digital da história brasileira. A programação das palestras foi bastante criteriosa, percorrendo o lado técnico científico da radiodifusão, telecomunicação e TV paga e atenta à discussão acadêmica do middleware Ginga, que além de brasileiríssimo traz no seu bojo a viabilidade de interatividade na programação regional. São muitos os caminhos que poderão ser percorridos, mas o que fica latente é a necessidade da produção de conteúdo para as diversas mídias, com qualidade para garantir audiência e presença no mercado dos players.
O frio de São Paulo, registrado nos dois primeiros dias de Congresso, não tirou o ânimo dos radiodifusores, engenheiros, técnicos, executivos e estudantes. Desde as 7h30 da manhã, do dia 22 de agosto, já era grande o número de pessoas se credenciando, ou confirmando suas inscrições para o Congresso, que recebeu um dos maiores públicos até agora. Foi grande o interesse pelas palestras e visitação a Broadcast & Cable 2007, que reuniu os maiores fornecedores de equipamentos e periféricos para a TV e rádio digitais. Em cada estande, muitas perguntas e questionamentos sobre os diversos equipamentos e aplicabilidades, e, por parte dos engenheiros e técnicos, os equipamentos de medidas de sinais digitais. Na área de produção, chamou a atenção a robustez dos equipamentos básicos de uma emissora de TV, somada a editores e geradores de grafismos não-lineares em tempo real. Cenário virtual bem menos complexo também se destacou entre os muitos visitantes. O estande do SBTVD, demonstrando as várias recepções de HDTV e SDTV em diferentes tamanhos de televisores e diversas mídias, esteve bem movimentado todos os dias, e mais, muitos profissionais se inscrevendo para fazer o tour na Van com receptores de transmissão digital e analógico, para que todos pudessem fazer o teste de São Tomé: ver para crer a diferença brutal do digital sobre o analógico.
Fazer um comentário sobre o Congresso e não mencionar uma colocação do Fernando Bittencourt (Rede Globo) no bate bola “Convergência: cenários para o futuro”, seria no mínimo injusto. Ele citou um estudioso americano que diz: “Existem duas classes digitais: pessoas nativas digitais e imigrantes digitais”. A partir daí, José Felix (NET), Fernando Freitas (Telefônica), Benjamim Sicsu (Samsung), Renato Contrim (Microsoft) e Carlos Ferraz (C.E.S.A.R) fizeram suas considerações sobre o que suas empresas estavam desenvolvendo para buscar os imigrantes digitais, pessoas com mais de vinte anos de idade, pois os nativos digitais, pessoas com menos de vinte anos de idade, não apresentam a menor dificuldade com os controles remotos ou operação de celulares multifunção, palm e tantos outros equipamentos digitais. Um item para todos ficou bem definido, como o número de imigrantes digitais é extremamente maior que os nativos, quanto mais amigável for o equipamento digital, melhor, pois os imigrantes digitais, hoje, são os que detêm o maior poder de compra e se manterão neste patamar por bons anos.
A TV brasileira aberta mais uma vez sai na frente, talvez pela demora em dar início ao seu sistema e adotar em definitivo, mas demonstra ter aprendido com os erros de outros países, principalmente pela inteligência e dedicação ao estudo de um padrão e middleware que atendessem ao povo brasileiro em todas as suas nuances. Agora é torcer para que os incentivos fiscais do Governo Federal e financiamentos especiais do BNDS não fiquem apenas na legislação, mas que venham para a prática, para que o radiodifusor tenha fôlego para investir em suas plataformas de produção, geração, transmissão e retransmissão digitais, mesmo sabendo que num primeiro momento isto não refletirá em maior faturamento.
O sucesso do produto nacional
Por Edson Benedito – Supervisor técnico da TV Cultura

Na feira de 2006 havia uma questão no ar: Por que o Brasil insistia na modulação H264 (MPEG 4) se o próprio Japão (cujo sistema era o que, tudo levava a crer, seria o adotado, inclusive, pelos resultados obtidos nos testes) havia implantado o MPEG 2 e, pelo que se sabia na época, só nós daqui deste canto da América do Sul, propusemos-nos a adotar este sistema?
Enquanto a indústria corria para desenvolver o sistema de recepção doméstica (set-top box), os testes de campo eram realizados com sinais transmitidos e recebidos em MPEG 2. Já os testes com H264, só em laboratórios. Foi então definitivamente escolhido o sistema ISDB-T, que na versão nacional recebeu a sigla ISDTB-Tb e, nesse caso, o “b” significa versão brasileira.
Na feira de 2007 pudemos ver, com grata surpresa, que mais de seis empresas já têm desenvolvido os seus receptores (set-top box) em diversas versões, com recursos e preços variáveis e que estarão no mercado à disposição do consumidor, quando dezembro chegar.
Também tivemos a oportunidade de ver numa Van, ou no estande do Fórum Brasileiro de TV Digital, o sistema em pleno funcionamento com sinais de três ou quatro emissoras, que estão no ar em caráter experimental. Com exceção da TV Globo de São Paulo, no canal 18 UHF, que transmitia com potência nominal, as outras estavam com baixa potência.
Tivemos informações que outras indústrias estão também em desenvolvimento, para poder oferecer aos consumidores mais opções no mercado, aumentando, assim, a concorrência. Isso poderá fazer com que os preços finais de mercados caiam, assim como foi com os televisores de plasma, que agora estão bem mais acessíveis.