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Reflexões sobre a NAB2011

NAB 2011

Ficaram para trás os anos em que as discussões na NAB giravam prioritariamente em torno do processo de transição da TV digital. Na edição deste ano a palavra de ordem era a integração. O que se viu nas áreas de codificação, transmissão e distribuição foi a consolidação de soluções para suportar a entrega de conteúdo ao usuário cada vez mais ávido por conveniência, disponibilidade em múltiplos devices.

As empresas presentes no NABShow preparam para municiar as emissoras e produtoras daquelas que foram identificadas com as três grandes tendências da eletrônica de consumo: (1) Sensorization, fazer uso intensivo de telas de toque; (2) Location awarness, explorar as tecnologias de localização e GPS; e (3) Applification, uso intensivo de aplicações em múltiplos dispositivos. De fato, para alcançar os objetivos de personalização dos usuários e aos anseios depositados sobre a TV everywhere, a tecnologia precisa ser capaz de atender ao gosto do usuário influenciado por sua localização, hora do dia, dia da semana, device de interação, o que estão fazendo e com quem.

A transformação da indústria de consumo
A transformação do mercado de eletrônica de consumo foi apresentada por Brian Markwalter, vice presidente de pesquisas e padrões da Consumer Electronic Association (CEA). Ele mostrou que a recessão experimentada em 2009, ano em que houve um decréscimo de 9% no volume de vendas, está superada. As vendas de produtos de eletrônica de consumo devem aumentar em 10% este ano, saltando de US$ 873 bilhões em 2010 para um total projetado de US$ 964 bilhões em 2011.

A mesma apresentação também trouxe dados interessantes sobre a evolução do mercado de TV para os próximos três anos seguidos de estabilização. Internet TV ou TV conectada é ainda um mercado a ser desenvolvido. Nas projeções da CEA, os televisores conectados, que em 2009 representaram apenas 4% do mercado e um volume de vendas de US$ 1,27 bilhão, estão projetados para US$ 5,2 bilhões ou 15% do volume de vendas em 2011. Otimista a CEA projeta um crescimento substantivo para os próximos três. A expectativa em consolidar as vendas de TV conectadas em 52% do volume total de DTV em 2014, um montante calculado em US$ 6,5 bilhões.

Nesse cenário também é emblemático o crescimento da Netflix, que pulou de 6 milhões de usuários em 2006 para 12 milhões em 2009 e 19 milhões em 2010. No NABShow, a Netflix anunciou alcançar em Março a marca de 23,6 milhões de assinantes e passou a ter mais assinantes que a Comcast, maior operadora de cabo dos Estados Unidos, atualmente com 22 milhões de assinantes. A diferença deve aumentar ainda mais. Com o crescimento projetado para 2011, a Netflix deve alcançar a marca de 27 milhões de usuários até o final do ano. Os americanos criaram inclusive um termo “cable Cord” para caracterizar o fenômeno do cancelamento da assinatura do cabo e migração para o consumo de vídeo “over-the-top”. Os dados da Nielsen indicam um consumo médio mensal de 10 horas e um volume de vídeos “streamado” superior a 200 milhões no mês de março.

Colin Dixon convidado da SET para o segundo dia do SET e Trinta destacou que a Netflix além de grande, já está presente nas “três telas” que viraram o objeto de desejo das operações de cabo. A experiência da mídia está associada ao serviço e não mais ao device, acompanhando em cada terminal seus gostos e preferências.

Em resumo, o desenho do cenário de TV futuro traçado no NABShow foi marcado pela pouca disponibilidade de opções dos provedores de conteúdo tradicional, aumento da pirataria, acordos das redes para compor as ofertas OTT e aumento das opções para consumo barato de conteúdo à la carte. Entretanto, o que a primeira vista pode parecer o paraíso dos consumidores, na verdade significa que a qualidade dos programas será afetada pela redução da verba destinada a mídia televisiva.

Padronização 3D: consolidação e não evolução
A recente publicação do padrão DVB para os formatos frame-compatible, ou seja, possíveis de serem distribuídos em substituição ou em complemento ao sinal de alta- definição aproveitando a infra existente, estabeleceu um marco para a consolidação desse novo serviço e abriu caminho para a expansão das iniciativas de distribuição do formato atualmente lideradas pela Sky. No painel da Society of Motion Picture and Television Engineers (SMPTE), o olhar estava direcionado a evolução dos padrões que dão sustentação a TV digital em todo o mundo. O MPEG avança na padronização da codificação de vídeo em 3D. O Multiview Video Coding (MVC) já consegue uma redução de 25% a 30% na taxa total em relação a codificação independente do sinal destinado a cada olho. Na feira, contudo, não se viram esforços no desenvolvimento de protótipos para o MVC, mas sim para a consolidação dos pilotos de transmissão do 3D.

Além da recente publicação, pelo DVB, do padrão 3D plano estereoscópico, a ausência do MVC no pavilhão também pode ser atribuída ao anúncio da próxima geração de codificadores. O High Efficiency Video Coding (HEVC), padrão em desenvolvimento conjunto do Motion Picture Experts Group (MPEG) e ITU-T Video Coding Experts Group, está sendo proposto como o sucessor do H.264. A conclusão, prevista para 2013, passa também pela inclusão, em 2012, de uma extensão para 3D.

Mas, como sabemos, codificação é apenas um dos aspectos da padronização 3D. Testes e operações comerciais começam a consolidar o emprego dos formatos sideby- side para os casos de vídeos nativos entrelaçados e uso de top-and-bottom para os formatos de vídeo progressivos. Também a interface HDMI na versão 1.4 foi adotada, além do DVB, pelos diversos organismos de padronização nos EUA e Japão. Contudo, para alguns aspectos da sinalização 3D ainda não há consenso: nem nos descritores do stream de vídeo, nem na sinalização da PMT.

O ATSC também publicou um relatório sobre 3D solicitando formalmente contribuições da indústria. Porém a demonstração levada ao NAB decepcionou pela baixa qualidade. Na demonstração o vídeo principal é codificado em MPEG-2, porém com taxa reduzida. A capacidade móvel do ATSC M/H é ampliada para a codificação H.264 de um sinal side-byside em 480p e up-convertido para apresentação nos televisores TVs 3D.

A nova geração de TV digital
No DVB a evolução do sistema terrestre foi objeto da fala, no congresso no NAB e no SET e Trinta, do novo diretor do DVB Peter Siebert, que ressaltou a força de um parque de 500 milhões de terminais compatíveis com algum dos padrões de seu abrangente conjunto de especificações. Contudo, a expectativa de superar a marca de 800 milhões de devices DVB em 2014, impulsionado pelo switch-off analógico, não pareceu não pesar no momento da opção pelo DVB-T2, padrão não compatível com as atuais transmissões DVB-T.

Reconhecidamente o padrão DVB-T2 abre oportunidade para novos modelos de negócio como, por exemplo, o 3D pelo aumento da capacidade e robustez. Através do emprego de códigos concatenados LDPC e BCH de alta eficiência, o padrão DVB-T2 consegue se aproximar do limite teórico de Shannon, aumentando, portanto, o desafio para que evoluções futuras apresentem ganhos substanciais de desempenho baseados na evolução da codificação de canal. Considerando a capacidade de 22 Mbps o limiar da relação portado/ruído, C/N é de 16,7 dB, enquanto no DVB-T2 é de 8,9 dB. Ou, de outra forma, se considerado o mesmo C/N possibilita um aumento de taxa da ordem de 66%. O DVB-T2 tem hoje aproximadamente 1,2 milhões de receptores vendidos no Reino Unido a um preço mínimo de US$ 85 e tem operação comercial também na Itália, Suécia e Finlândia.

No Japão, o desenvolvimento dos sistemas de TV está direcionado para a ultra, alta definição. O aumento da resolução é a face mais visível do sistema. A conseqüência direta é o aumento do ângulo de visão e consequente sensação de imersão. Atualmente, os demais aspectos que comporão o sistema estão sendo especificados e testados. No NAB 2011, a japonesa NHK trouxe os resultados da experiência de captação de 22.2 canais de áudio ao vivo. Na sala, o sistema está distribuído em nove canais altos, 10 canais médios, três canais baixos e dois LFE.

Também o ATSC esta de cara nova. Além dos comitês técnicos foram formadas três comissões de planejamento. A primeira planeja a transmissão terrestre 3D e a segunda identifica oportunidades para os radiodifusores no uso de receptores DTV conectados a internet e os desafios da interoperabilidade. Por fim, o terceiro time planeja o ATSC 2.0, o qual visa explorar as oportunidades para as próximas versões dos sistemas de televisão digital atendendo ao requisito de compatibilidade com o atual sistema e, portanto, impondo algumas limitações ao desenvolvimento futuro.

A proposta de padrão ATSC mais recente é o que endereça a transferência de arquivos ou “non real time”. Como o próprio nome diz, a idéia é o armazenamento de conteúdo para consumo posterior. Embora seu uso pelo móvel seja imediato, uma vez que já faz uso do protocolo FLUTE, seu uso nas transmissões fixas através de uma camada de adaptação de transmissão de dados sobre IP também estão previstos. O novo padrão em aprovação está baseado no carrossel DSM-CC, utiliza a compressão de arquivos DEFLATE e prevê a multiplexação e identificação de arquivos visando a obtenção de ganhos de eficiência nessa transferência. A camada de transmissão também é robustecida por códigos corretores de erros sofisticados e eficientes conhecidos como raptor FEC.

Mobilidade na América
A adoção do padrão de mobilidade para o ATSC também abriu um novo campo de desenvolvimento no ATSC. Por um lado, os fornecedores de soluções de transmissão levam para a feira soluções de retransmissão para o sistema ATSC M/H, pois o legado do ATSC tradicional impõe mudanças e acréscimos onerosos a infra de distribuição existente. Por outro, a combinação entre o lançamento comercial ATSC M/H, os padrões de distribuição “non-real time”, o planejamento dos sistemas de interatividade e as discussões sobre o uso do espectro para banda-larga, deslocou o foco do tema no congresso para os modelos de negócio aplicáveis a esse novo serviço.

As indefinições sobre os modelos de negócio para a operação móvel paga, ainda persistem, mas alguns aspectos começam a ser consolidados. Um deles é a importância dos metadados para a sintonia e para informações adicionais sobre o que se está assistindo combinada a necessidade de produção dessas informações com o mínimo possível de esforço adicional.

Também é consenso que os terminais sejam elementos de integração com as redes de telecomunicações. Porém o balanceamento entre o conteúdo enviado pelo canal de radiodifusão e a rede celular permanece como dúvida. Além disso, apesar de estarem de olho nas aplicações pagas, os aspectos de segurança ficarão realmente restritos apenas às aplicações com canal de retorno.

Ana Eliza é gerente de engenharia da TV globo e Vice-diretora Editorial da SET. email: ana.eliza@tvglobo.com .br

A digitalização do sinal de Televisão no Brasil, com início em dezembro de 2007, trouxe com ela novas formas de assistir televisão ao vivo, onde quer que o telespectador esteja. O principal diferencial do sistema brasileiro é a flexibilidade de configuração, que permite o envio de até três configurações de modulação distintas chamadas de layers, ao mesmo tempo, no mesmo canal de 6 MHz.

Atualmente, a maior parte das emissoras está transmitindo com dois layers. Um transmitindo o serviço dedicado a recepção móvel/portátil denominada one-seg concebido para ser assistido em dispositivos com telas pequenas como as de celulares, mini-tvs, PDAs e outras, mesmo em movimento e a altas velocidades, devido a sua maior robustez. Entretanto esse sinal possui uma taxa de transmissão baixa, perdendo muito a qualidade de vídeo quando exibido em televisores com dimensões superiores a 10 polegadas. No outro layer, é transmitido o serviço full-seg que carrega o conteúdo de alta definição (HDTV), porém utiliza uma modulação menos robusta e desta forma não apresenta um bom desempenho quando recebido em movimento, principalmente, em altas velocidades. Para melhorar o desempenho de recepção do sinal full-seg (HDTV) em ambientes móveis, poderia ser utilizada uma modulação mais robusta, o que implica em perda de taxa de transmissão, ou melhorar a recepção do sinal. A mudança dos parâmetros de transmissão não é uma coisa simples de ser realizada e depende de cada emissora.

Desta forma, foi desenvolvido um receptor, que utiliza um tuner (sintonizador) com diversidade de antenas para recepção dos sinais e, desta forma, melhorar o desempenho da recepção full-seg em ambientes móveis.

O sistema utilizado para combinação das quatro antenas e recepção é o chamado MRC (Maximum Ratio Combining).

Para melhor eficiência, as antenas devem ser colocadas em lugares distintos dentro do veículo e desta forma, o sinal recebido por cada antena será estatisticamente descorrelacionado um com os outros, melhorando a eficiência, garantindo um sinal mais estável e com melhor relação sinal/ruído (C/N – Carrier to Noise) na saída do sintonizador. Para verificar a eficiência e ganho de cobertura deste sistema de diversidade, foram realizados testes na cidade de São Paulo, de forma a comparar o desempenho de recepção de um tuner com diversidade e um tuner sem diversidade. A figura 1 mostra o diagrama de blocos do equipamento desenvolvido para realização dos testes de campo. A cada segundo foram extraídas informações de BER (Bit Error Rate – Taxa de Erros) e C/N de ambos os tuners. Ao mesmo tempo foram extraídas informações de um GPS para determinar a posição e velocidade em que as medidas foram feitas.

Nos testes realizados com recepção em movimento, foram medidos mais de 70 mil pontos e a utilização da diversidade mostrou um ganho médio de 6 dB na relação C/N.

Com esta melhoria do C/N do sinal recebido houve um ganho de cobertura de 26% para o sinal full-seg e 2,5% para o sinal oneseg, quando comparados com a recepção sem o uso de diversidade. Se for levada em consideração a velocidade de deslocamento do veículo, o ganho chega a 68%, entre 60 e 70 km/h, quando utilizando o receptor de diversidade.

Com a utilização deste sistema, pode-se, por exemplo, instalar receptores de TV Digital em ambientes móveis como nos ônibus e trens da cidade e, desta forma, atingir os 5 milhões de passageiros que utilizam os transportes públicos, somente na cidade de São Paulo. A figura 2 ilustra um sistema de entretenimento instalado em ônibus.

Este ano dentre as diversas palestras durante os dias da NAB destacaram-se bastante àquelas voltadas a Over The Top (OTT), o futuro e as mudanças pelas quais vem passando a radiodifusão, inclusive com a “criação” do novo conceito de broadercaster, as mídias sociais e sua interatividade com o entretenimento eletrônico.

Neste artigo faremos uma abordagem genérica em torno do tema OTT como parte do material apresentado nas conferências do NAB Show e outros materiais.

O termo Over The Top (OTT), além de ser o título original de um filme estrelado por Sylvester Stallone ou ainda o termo utilizado na primeira Guerra Mundial para um tipo de ação militar onde soldados atacavam o inimigo ultrapassando o parapeito das trincheiras onde estavam escondidos, passar pela “terra de ninguém”, região entre as duas frentes de batalha, e depois enfrentar o inimigo (going over the top), também é utilizado para denominar um serviço oferecido através de rede de dados onde não é seu operador o responsável pelo serviço ou ainda para serviços que correm “no topo” da rede que já existe como provedora de serviço, sem que haja necessidade de afiliação/subscrição/negócio com o operador da rede.

Deixando um pouco de lado as definições formais, OTT hoje significa serviços multimídia sobre a internet ou outras redes de dados de uso público como IPTV, TVs Conectadas, etc.

O vice-presidente de pesquisa e padrões da Associação da Indústria de Equipamentos para Consumidor (CEA), dos Estados Unidos, Mark Walter, foi um dos palestrantes da conferência sobre o futuro da radiodifusão de TV.

No ano de 2010 houve um crescimento de 13% nas vendas mundiais de aparelhos eletrônicos para consumidor, apesar da queda considerável ocorrida no ano anterior devido à crise financeira. A perspectiva é que em 2011 estas vendas cresçam mais 10% sobre o total de 2010, atingindo a marca de quase um trilhão de dólares (US$ 964 bilhões). O mix de produtos que compõem estes números é liderado pelos telefones celulares (16%), smartphones (14%), computadores portáteis (18%), painéis LCD (14%) e o restante dos produtos não relacionados à multimídia ou comunicação móvel (28%). É interessante observar que de 2007 para cá houve queda no peso destes produtos (de 38% para 28%) contrabalançada pelo aumento nos equipamentos de comunicação móvel inteligentes (de 2% para 14%), computação móvel (de 12% para 18%) e telas de vídeo LCD (de 10% para 14%). Fácil observar o crescimento de vendas dos produtos que, de alguma forma, tem relação com TV, multimídia e vídeo. E aí vem a pergunta: O que significa para meu negócio quando todos os dispositivos e, por consequência, todo consumidor por todo tempo estiverem conectados à internet ?

Do ponto de vista da televisão e da comunicação, uma mudança significativa é que as pessoas querem ver determinados conteúdos, no momento em que desejarem e no local onde estiverem, com muito maior intensidade do que há algum tempo onde o conteúdo era definido por terceiros, no horário determinado por eles e que só podia ser consumido num ambiente propício e preparado para tal. Hoje, não necessariamente os consumidores se adaptam a este tipo de situação. Também o tamanho da tela onde o conteúdo é consumido varia bastante e o provedor deste conteúdo precisa que ele seja distribuído de forma a que todos os consumidores possam assisti- lo, independentemente do dispositivo que estejam usando naquele momento ou quando decidirem assistir (veja Figura 1).

Olhando apenas para os aparelhos televisores utilizados para consumir vídeo em casa, o crescimento do número de aparelhos de alguma forma conectados à internet é espantoso. Nos Estados Unidos, ano passado eles eram 9% do total de aparelhos digitais. Este ano a previsão é que passem a ser 15% e até 2014, 52%, ou seja, mais da metade do total de TVs digitais. Deixamos de ter um eletrodoméstico e passamos a ter uma plataforma digital de entretenimento inclusive com modelos de negócio bem diferentes dos até então utilizados.

A evolução dos eletrônicos de consumo leva a projetar situações e para tal foram criados termos, ainda em inglês, mas que logo terão sua adaptação à nossa língua:
1) Sensorization – significa o uso de outros sentidos e outras formas de comandar os equipamentos, como por exemplo, a tela sensível ao toque (múltiplo inclusive) desenvolvida nos tablets.
2) Applification – antes os consumidores eram sensíveis à potência de saída, em Watts que tinha um amplificador de áudio. Agora, eles são sensíveis a que tipos e quantos aplicativos diferentes um dispositivo pode carregar.
3) Reconhecimento de Localização – tanto a capacidade dos dispositivos de saberem onde estão como a possibilidade dos provedores de conteúdo dirigirem suas programações, comerciais, ofertas e informações a consumidores com localizações e necessidades diferentes.

O ATSC já desenvolveu aplicativos para atender parcialmente ao desejo dos novos consumidores de vídeo, utilizando o conceito de serviço em tempo não real (Non real time – NRT) e que foi apresentado por Rich Chernok, diretor de tecnologia da Triveni Digital, subsidiária da LG.

As figuras 2 e 3 descrevem em boa parte o que já foi comentado acima e onde a Triveny e o ATSC se calcaram para o desenvolvimento. São serviços não necessariamente em tempo real, com os aplicativos carregados no receptor precocemente ao uso e que, por consequência, já estarão lá quando o consumidor quiser. É uma alternativa à limitação de banda que a TV pelo ar (radiodifusão) tem, tendo como princípio que os consumidores realmente não se importam como as coisas funcionam, eles simplesmente querem que funcionem (Em nossa opinião isto nos parece uma meia verdade). O serviço e a tecnologia são baseados em Internet Protocol (IP).

Em suma, o serviço NRT é:
1) Conteúdo enviado anteriormente ao uso e armazenado para o momento do consumo;
2) Uma alternativa à programação linear porque endereça um desejo de ter tudo sob demanda;
3) Uma forma econômica para consumidores e radiodifusores porque usa o espectro já disponível para a radiodifusão e disponibiliza “para todos” ao mesmo tempo;
4) Um serviço que distribui qualquer tipo de conteúdo, mídia ou interatividade, para dispositivos fixos ou móveis;

Este desenvolvimento da Triveni Digital é tecnicamente complexo e ainda não foi plenamente implantado e parece ser uma resposta da radiodifusão ao OTT, mas não necessariamente tem as mesmas características e funcionalidades o que, certamente, será facilmente percebido pelos consumidores, ao contrário do que afirma o palestrante, Rich Chernok.

No site http://pt.scribd.com/doc/46888557/A-Internet- ganha-espaco-da-TV-como-principal-fontede- noticias-para-o-publico é possível acessar um artigo que comenta os resultados de uma pesquisa sobre preferência de acesso a notícias pelo público, que se soma à tendência ao conteúdo OTT.

Enio é suporte na Sterling do Brasil, consultor de engenharia de TV e Vice Diretor Internacional da SET. Email: enio@sterlingdobrasil .com .br

A mensagem por trás do painel “TV Conectada: Dispositivos inteligentes, novas estratégias” foi que ainda que seja algo novo, a indústria do entretenimento tem algo com um grande potencial em mãos, desde que esteja disposta a pensar um pouco diferente. A discussão girou em torno do que as televisões conectadas representam de oportunidades ou ameaças, depende do ponto de vista, para a radiodifusão tradicional.

Segundo representante da indústria, a definição de Smart TV, TV inteligente, não estaria associada a hardware propriamente dito, mas sim a experiência de complementaridade da TV convencional pelo acesso IP.

Provedores de conteúdo entendem que a expectativa dos “telespectadores” é ter a oportunidade de acessar o que quiser a qualquer tempo de onde estiver, ou seja, anything, anytime and anywhere. Nesse sentido as TV’s inteligentes vêm com a expectativa de complementar esse anseio do consumidor.

Games, tendo por base um dispositivo de uso familiar, podem vir a contar com uma janela de exposição bem mais ampla.

Um dos palestrantes, Paul Wehrley, sinalizou ter uma visão mais ampla da palavra TV inteligente, como sendo qualquer dispositivo capaz de entregar conteúdo, isto é, um TV, Ipad, Laptop ou Smartphone.

No final do painel, o moderador lançou uma provocativa aos palestrantes: “A TV inteligente seria algo complementar aos atuais modelos de radiodifusão ou uma ameaça?

• Segundo o entendimento de um representante da Intel, não há como ir contra performance, ou seja, conexões em alta velocidade. Os radiodifusores como canais de entrega de conteúdo, obrigatoriamente, precisarão fazer uso desse novo meio.

• Na opinião do vice-presidente da Content Services e gerente geral de conteúdo de operações da Comunicação Social Comcast Center (CMC), Richard Buchanan é necessário que seja atendida a expectativa do usuário final. “Precisamos atender seus anseios e há oportunidades para todos nesse formato de distribuição de conteúdo”.

• Percebe-se que os radiodifusores migram cada vez mais seus conteúdos para a internet. Tanto quanto antes criar valor nessa plataforma tanto melhor.

Em linhas gerais a palavra de ordem para os radiodifusores é inovação e flexibilidade.

Os parágrafos acima são uma rápida síntese do tema que foi abordado. Percebe-se claramente que ainda não há uma convicção plena de quanto esse dispositivo, Smart TV, poderá afetar os hábitos de consumo da radiodifusão como conhecemos hoje. Vale lembrar que a cultura brasileira da TV aberta é diferente dos Estados Unidos, com predominância da TV paga. Diversidade de canais de distribuição é essencialmente uma necessidade, visto o perfil cada vez mais “móvel” de nossos telespectadores. O que se tem de concreto nesse novo cenário, é o fato de precisarmos chegar aos consumidores de nossa programação, atendendo assim suas expectativas de consumo, lembrando que a tecnologia é meio e não fim, ou seja, conteúdo ainda é a palavra de ordem.

Já o delivery...Bem, esse depende do que eu quero, quando e onde (anything, anytime and anywhere). O fato é que todos os grandes fabricantes de televisores têm investido fortemente em sistemas com conexão para outras plataformas, como observado esse ano na Customer Eletronic Show (CES).

Overview 3D
A tecnologia tem evoluído rapidamente nos últimos anos a ponto de ano passado o 3D aparecer em caráter mais conceitual do que comercial na NABShow e neste ano, a abertura do evento contar com a presença do diretor James Cameron falando da experiência de geração de conteúdo em 3D. A abordagem do tema foi conduzida ressaltando o quanto a tecnologia tem evoluído e favorecido a produção. A complexidade, obviamente, ainda é muito maior do que uma captação HD 2D, contando com mais do que o dobro de pessoas. Porém a tecnologia, incluindo os rigs atuais, tem contribuído expressivamente para a qualidade do conteúdo. Até o momento, o que tem de concreto é que a tecnologia 3D precisa ser simplificada para tornar-se mais acessível para coberturas esportivas.

Na linha da cobertura esportiva, a ESPN lançou um canal 3D, e está cobrindo diversos eventos esportivos. Algumas transmissões foram produzidas em conjunto com a CBS a fim de reduzir custos de produção. Em um dos painéis essas experiências foram exploradas, mostrando algumas experiências com torneios de golf, basquete e boxe. Em fevereiro durante o RigsNBA All Star Game Weekend houve a oportunidade de cobrir o evento validando novos recursos para a produção 3D, incluindo recursos de super slow motion. Na linha de coberturas esportivas a BBC estará transmitindo o torneio de tênis de Wimbledon com tecnologia 3D.

Com recursos tecnológicos que facilitem a operação, entende-se que será possível cobertura simultânea eventos 2D e 3D. Durante o painel referente a coberturas esportivas, a ESPN colocou dois vídeos em paralelo mostrando uma partida de basquete em 2D Full HD e 3D. Ainda que existam limitações para o 3D, já se observa um resultado bem agradável, permitindo uma melhor percepção das bolas cruzadas lateralmente na quadra, efeito com percepção bem inferior em 2D, visto que via de regra as câmeras estão na lateral da quadra. Na cobertura 3D isso é muito mais claro.

Em síntese, o 3D vem com muita força para coberturas esportivas, com veiculação em canais e com público específicos. Não é tão preciso quanto à produção com recursos de pós produção, mas já apresenta um resultado muito bom.

Ivan é Diretor de Engenharia da Grpcom. Email: ivan@rpctv.com.br

Muito embora possa ser considerado, por muitos, como um evento um tanto quanto morno, no que diz respeito a lançamentos revolucionários, tivemos a oportunidade de constatar alguns fatos dignos de nota:

Evolução continuada da tecnologia 3D
Observamos que, ano a ano, a quantidade de expositores envolvidos com a tecnologia em questão é crescente. Além disso, começam a aparecer, em maior número, demonstrações de displays em 3D, sem necessidade do uso de óculos. Entretanto, na demonstração que tivemos a oportunidade de assistir, constatamos que a qualidade ainda é muito questionável.

A questão do leilão voluntário do espectro de radiodifusão
Esse assunto, que compareceu vigorosamente nos últimos 2 anos, voltou com a mesma força, durante o evento de 2011.

Embora as discussões tenham ficado restritas ao Federal Communications Commission (FCC) e membros da NAB, incluindo-se aí os proprietários de emissoras de TV americanas, este é um assunto que nos desperta atenção, pelas conseqüências que o leilão voluntário do espectro de TV pode representar para o negócio de broadcasting, não apenas nos Estados Unidos, mas em qualquer país, que de uma forma ou de outra, adotou alguma postura parecida.

No Brasil, esse assunto se reveste de uma importância muito maior, poisa maioria esmagadora da população assiste TV pelo ar (TV aberta), enquanto nos Estados Unidos a audiência pelo cabo é preponderante. Nosso sistema de TV digital prevê a recepção móvel e portátil da transmissão broadcasting e não broadband.

Para citar apenas duas razões entre algumas outras.

Introdução da tecnologia Oled como topo de linha para displays
A Sony introduziu a tecnologia Oled em seus monitores topo de linha destinados à verificação da qualidade final do produto. Pudemos desfrutar de uma experiência realmente impactante, que foi a comparação de performance do display OLED com as tecnologias anteriores, LCD e CRT, sendo que último já não é mais produzido há algum tempo, pela Sony.

Nota-se a linearidade perfeita na reprodução do preto (figura 1). Também, a performance superior da saturação (das cores), em ambientes de muito pouca luz, é algo que contrasta enormemente com as performances do LCD e CRT (figura 2). Também, digna de nota é a resposta do OLED aos conteúdos de vídeo de rápidas transições, representando um avanço notável quando comparado com o display LCD.

Ou seja, um salto significativo foi dado na monitoração da qualidade final do produto. Estaremos enxergando um pouco mais do que era possível até então.

Se, com o barateamento do produto pela escala de produção for possível a migração dessa tecnologia para o mercado de consumo, nossos telespectadores terão a oportunidade de desfrutar de uma qualidade, ainda mais espetacular, da imagem digital que temos no ar.

Eventos de telejornalismo ao vivo, pelas redes de telefonia 3G/4G, WiFi e Ethernet
Nesse ano, notamos um apreciável aumento na oferta desse tipo de solução acompanhado pela promessa da transmissão em HD. Já tivemos a oportunidade de testar uma dessas soluções (LiveU) e constatar o diferencial que podemos estabelecer através do seu uso. Entretanto, apesar de vários benefícios, a solução também tem limitações. Algumas delas, e que podem comprometer a operação, foram destacadas em uma das palestras da conferência de tecnologia:

• Qualidade de serviço da operadora;
• Congestionamento da rede celular em determinados eventos;
• Desativação da rede celular, por questões de segurança, em determinadas situações.

Tivemos também a explicação para um detalhe que nos chamava a atenção desde o evento de 2010. Alguns fornecedores usavam a configuração de mochila (backpack), para o terminal do operador, enquanto outros alojavam seu produto em um tipo de maleta (briefcase).

Um dos expositores da Dejero (www.dejero.com) nos explicou que na configuração backpack o operador fica sujeito à irradiação de vários celulares próximos à sua cabeça, o que pode ser pouco desejável. Em contra partida, a solução briefcase permite que a irradiação fique distante do operador.

Consolidação do uso das memórias solid state como mídia de armazenamento das camcorders
Dentre os tradicionais fornecedores de camcorders, a Sony há algum tempo vem evoluindo suas soluções de armazenamento em plataforma disc based, avançando muito timidamente na tecnologia de armazenamento em memória, nesse NABShow sinalizou com muita clareza a ênfase que dará no desenvolvimento de seus produtos com essa tecnologia embarcada.

Incluiu ainda em sua linha de produtos, dispositivos que facilitam a migração de conteúdos de disco para memória e vice-versa, de tal forma a não comprometer o fluxo de trabalho de quem adotou uma das duas mídias e se predispõe a migrar para a outra.

A Tecnologia LED para Iluminação
A tecnologia LED já vem sendo empregada há algum tempo, como recurso de iluminação, tanto em ambientes de estúdio, como acopladas a camcorders. Na NAB2011, ao visitarmos o stand da Dedolight, notamos um avanço nessa tecnologia. Esses equipamentos, que já ofereciam o recurso de dimmer, passaram a permitir, também, a variação da temperatura de cor da luz proporcionada pelo LED, desde 3200K até 5600K, em passos bem curtos, através de um controle manual (figura 3).

As câmeras DSLR (Digital Single- Lens Reflex)
Outro fato bastante notado nesse NAB 2011 foi a profusão de ofertas de adaptações de câmeras fotográficas digitais tidas como profissionais (as tais DSLR) com a finalidade de captar vídeo HD ou SD, tanto em 24p como em 30fps. Na realidade, há no mercado uma grande aceitação dessa solução, principalmente por parte dos filmmakers.

Na figura 4, notam-se adaptações que são implementadas para que se obtenha o resultado desejado.

A possibilidade de se obter, adequadamente, uma programação SD 4:3 a partir de uma geração 16:9
A Screen Service apresentou em seu stand, o equipamento PRO RX S2 que é um receptor DVB-S/S2 desenvolvido para distribuição via satélite de sinais para televisão. Possui decodificador H.264 com saída NTSC ou PAL-M, com possibilidade de escolha da forma de down conversão do sinal recebido, com Crop, letterbox 221/100 ou letterbox 235/100 (outros formatos sob demanda). É capaz também, de inserir localmente “logos” no sinal de vídeo.

Todas as operações acima descritas podem ser efetuadas, diretamente, na interface de usuário via Ethernet, ou via SNMP, bem como, de forma dinâmica, recebendo os comandos através do próprio stream via tabelas privadas.

A preocupação com o meio ambiente
Outro fato notado nesse ano, foram algumas manifestações de preocupação com o meio ambiente.

A empresa Solergy (www.solergyinc.com), com sede na Califórnia e centro de pesquisa em Roma, apresentou seu painel de captação de energia solar, através de lentes, o que aumenta significativamente seu rendimento (figura 5).

Afirma que atinge um rendimento de 32,9% na conversão de energia solar em energia elétrica e até 75% na geração combinada de calor e energia elétrica. Obviamente, que essa solução destina-se a local com alta incidência de sol.

A empresa dá como exemplo uma instalação na Sicília, que pela combinação de painéis, conseguirá gerar 100 kW de energia.

Paulo é Diretor de Tecnologia da Rede Gazeta do ES e Vice-Diretor Regional da Set-Sudeste. Email: pcanno@redegazeta.com.br

A tragédia que ainda aflige o Japão foi sentida durante a convenção da NAB, quando muitas empresas, a maioria com raízes japonesas, disseram que embora a produção tenha sido estabilizada em fábricas que escaparam do terremoto inicial e do tsunami, muitos fornecedores de componentes foram afetados negativamente.

O racionamento do uso de energia elétrica também dificulta a retomada da produção e a compensação do período de desativação. Desta forma, podem ocorrer atrasos na entrega de equipamentos este ano.

O Japão sobreviveu ao terremoto e ao consequente tsunami, mas a crise nuclear e seu desdobramento permanecerão por mais tempo, ameaçando ainda mais a economia daquele país.

Cerca de 20% de todos os semicondutores e 40% de todas as memórias flash do mundo são fabricadas no Japão. Um desastre nuclear pode não só custar vidas mas também causar um impacto global nos equipamentos eletrônicos feitos com estes componentes, incluindo os equipamentos utilizados nas empresa de rádio e televisão e nos computadores que estas empresas utilizam.

Grandes fabricantes de equipamentos profissionais, incluindo a Canon (camcorders e lentes), a For-A (switchers, monitores, processadores de sinal, etc.), a Fujinon (lentes), a Grass Valley (software de edição), a Panasonic (câmeras, switchers, monitores, memórias solid-state, etc.) e a Sony (câmeras, switchers, monitores, memórias solid-state, etc.), todos foram afetados de alguma maneira.

A Sony, a maior exportadora de eletrônicos do Japão, foi atingida em cerca de oito de suas fábricas. Uma destas fábricas, em Sendai, onde são feitas fitas de vídeo e produtos de data mídia, foi diretamente atingida pelo tsunami.

Representantes da Fujifilm Optical Devices, fabricante de lentes, com fábricas em Omiya e em Mito, afirmam que sofreram danos menores, tais como rachaduras nas paredes e falta de energia, mas seguem tentando manter os cronogramas de produção.

A Panasonic opera três plantas em Sendai e Fukushima, fabricando componentes para câmeras digitais, equipamentos de áudio, sistemas óticos para Blu-ray e DVD’s. Em 2008, a Panasonic inaugurou uma fábrica de sistemas de EV Energy em Sendai, a 30 quilômetros do epicentro, área que foi varrida pelo tsunami.

A Hitachi fechou seis plantas no norte do Japão e está inspecionando todas elas. São fábricas de televisores de LCD e DVD players.

A Texas Instruments perdeu duas plantas que fabricavam circuitos DLP. A agência de notícias Reuters informou que somente no segundo semestre a Texas retomará a produção, dependendo ainda dos problemas com a usina nuclear.

Outras empresas de eletrônica, incluindo a Nikon, Nintendo, Olympus e Samsung, reportaram que os danos foram pequenos. Para todos, a crise nuclear e a extensão de seus desdobramentos ainda geram muitas incertezas.

Durante o NABShow, o vice-presidente da Sony, Alec Shapiro, iniciou a Coletiva de imprensa da Sony agradecendo a ajuda realizada às organizações japonesas. “Estou feliz em dizer que os empregados da Sony escaparam da tragédia sem danos pessoais e que nossas fábricas estão sendo restauradas”. Shapiro informou que a fábrica de mídia de armazenamento na cidade de Sendai foi afetada e que a produção de fitas HDCam SR deve ser retomada no próximo semestre. Neste intervalo de tempo, a Sony trabalhará para dar suporte às necessidades de seus clientes, para que mantenham suas operações o mais próximo possível do normal.

No Brasil, a Sony informa que não observa, até o momento, nenhum reflexo ou atrasos nas entregas, seja na área profissional ou na área de produtos de consumo. O mesmo é informado pela Fujinon e Panasonic.

O vice presidente da Panasonic’s, John Baisley, informou que as fábricas da Panasonic saíram praticamente incólumes do desastre, mas estamos tendo problemas com fornecedores de componentes localizados na área afetada pelo desastre. “A Panasonic está trabalhando para ter viabilidade de produtos em curto espaço de tempo. A entrega de cartões de estado-sólidos P2 e outros tipos de mídia não serão afetados”, afirmou Baisley.

Assim como outros executivos e fornecedores, Dave Perillo, vice-presidente de operações globais da Grass Valley, externou a preocupação com as entregas de produtos, devido a queda do fornecimento de FPGA’s (dispositivo semicondutor utilizado para o processamento de informações digitais), e de lentes (Fujinon) utilizadas nas câmeras e outros produtos. Representantes de algumas empresas dizem que possuem estoques suficientes para suportar a demanda.

“A Grass Valley opera uma planta de P&D no sul do Japão (Kobe), que não foi afetada, assim a entrega de componentes serão atrasadas apenas de quatro a seis semanas Contudo, a recuperação está acelerada e os atrasos irão diminuir. Estamos otimistas e temos estoques que nos permitem chegar até o segundo semestre”, diz Perillo.

Fontes: • http://www.aikenstandard.com/local/0329- camera-supplieshttp://www.huffingtonpost.com/2011/03/15/

José Antonio é Gerente de Engenharia da Empresa Brasil de Comunicação e membro do Comitê Editorial da SET. Email: jose.garcia@ebc.com.br

Por anos aplicativos de vídeoconferência são usados como meio de comunicação e alteraram significativamente a forma de como os indivíduos se relacionam para manter contato e realizar tarefas.

Mas para o mercado de radiodifusão e para reuniões de negócios esse tipo de comunicação não satisfaz devido aos poucos recursos de interação, imagem de baixa qualidade, áudio pobre, falta de sincronismo entre áudio e vídeo. Estes problemas são constantes, e não proporcionam confiabilidade e tão pouco comunicação efetiva. Mas nos últimos cinco anos a evolução dos sistemas de monitoração, evolução dos codecs e também o aumento de velocidade e disponibilidade da internet têm crescido de forma exponencial, permitindo assim grande possibilidade de interação e novos conceitos de comunicação.

O conceito de telepresença vai muito mais além do que a videoconferência oferece atualmente, podemos afirmar que a telepresença é o upgrade da videoconferência, sendo que o objetivo não é possibilitar somente a interação de pessoas mas também de todo o ambiente físico de um encontro. A telepresença é imersiva, isto é, realmente proporciona a sensação máxima de proximidade de ambientes distantes, para isso devem ser totalmente preparados para que ocorra essa interação. Luz, cores, móveis, decoração da sala, direção e sincronismo do áudio, imagem, enquadramento de câmeras, proporcionam a experiência virtual da presença muito mais parecida com a vida real. O propósito da telepresença é uma experiência quase natural.

Olho no olho.
“Olhar nos olhos é como olhar a consciência”, palavras do professor Wijnand Ijsselsteijn da Eindhoven University od Technology. Ainda um grande problema na reunião por telepresença é a falta de contato olho no olho, o contato recíproco dos olhos entre dois indivíduos surtem efeitos sócio-emocionais, simpatia, persuasão, confiança, relacionamento interpessoal e etc.

A falta desse contato pode gerar ruídos na informação, facilitando a codificação e evocação de informações que não existem. O olhar e a direção da cabeça permitem saber quem está falando com quem. O contato visual natural é diminuído por deslocamentos entre o posicionamento da câmera e direção do olhar para a tela, perdendo assim sinais não verbais.

Estudos mostram que a melhor posição para colocar a câmara é na base do monitor, assim ameniza um pouco esse olhar impreciso, deslocado. Mas algumas técnicas estão sendo testadas para resolver esse problema. Uma delas é a modelagem em 3D que modelaria em tempo real os movimentos acertando o ângulo de visão desse molde. Parece utopia, mas pode ocorrer em um futuro não tão distante.

Comunicação, tempo e dinheiro
Visualizar detalhes e comunicar ideias exatas são fundamentais para a eficácia das operações e uma vantagem competitiva sustentável para qualquer negócio. A comunicação com imersão traz a possibilidade de uma leitura corporal mais eficaz. Estudos da psicologia comportamental afirmam que 70 a 80% da comunicação são não verbais.

Nas transmissões televisivas a telepresença por monitoração e a holografia dinâmica trazem a possibilidade de interação entre ambientes distantes. Comunicação com linguagem corporal é muito mais rica, mais próxima de sua totalidade, a simulação de presença física através da telepresença é fundamental.

A economia de tempo é fundamental, algumas empresas em São Paulo investiram em salas de telepresença para comunicar-se com subsedes dentro da própria cidade, pois alguns deslocamentos em São Paulo chegam a durar algumas horas, quando o deslocamento é para outra cidade ou para outro país aumentam as variáveis que impactam drasticamente o tempo.

Em decorrência desses fatores a busca por soluções de comunicação virtual irá crescer exponencialmente nos próximos anos. Os custos de implantação de um sistema de telepresença podem variar muito e dependem do porte de cada projeto. Estimam-se valores entre R$20.000 e R$350.000 em projetos que acomodam de duas a dezesseis pessoas confortavelmente em um ambiente.

Segundo Howard S. Lichtman, presidente da Human Productivity Lab, em 2005 havia cerca de 50 salas de telepresença e a estimativa para 2012 é mais de 11.600 salas.

Fácil de usar, fácil de configurar.
Trata-se de um típico equipamento de TI com políticas convencionais de acesso e protocolos de comunicação com grande interoperabilidade, isto é, capacidade de se comunicar de forma transparente (ou o mais próximo disso) com outros sistemas semelhantes ou não.

Uma das facilidades que a maioria dos sistemas de telepresença, existente no mercado, dispõe é o sincronismo com softwares de agenda. Estes softwares se comunicam com o sistema de telepresença ligando automaticamente instantes antes do início de uma reunião, avisando os participantes através de alertas, e-mails e SMS. Se alguém estiver em trânsito ou de alguma forma impossibilitado em comparecer fisicamente, este pode por sua vez contribuir através de um celular, pad ou laptop.

Um dos grandes possibilitadores desses avanços é a baixa latência de codificação de vídeo H.264 (até 1080p60 em menos de 70 milissegundos), que permite uma comunicação eficaz e próxima da realidade.

Indicativos positivos do uso da Telepresença:
• Melhora operacional;
• Economia de tempo;
• Economia de dinheiro;
• Prática sustentável;
• Melhora o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho dos funcionários;

Alta definição e largura de banda
Sem dúvidas o grande desafio para adquirir e rodar um sistema de telepresença é a conexão de internet de alta velocidade. Não só o tamanho da banda deve ser considerado mas também a disponibilidade de conexão.

Alguns procedimentos devem ser seguidos para garantir o máximo de segurança e disponibilidade possíveis, tais como:
• Certificar a rede e executar estudo de caso para evitar a necessidade de atualizações depois da implementação;
• Garantir que a largura de banda necessária esteja disponível para o período da chamada;
• Garantir que a chamada não consumirá mais banda que o disponível. Para isso um detalhado estudo e uma estrutura de TI devem ser feitos para garantir o máximo de disponibilidade possível. O ideal é uma rede dedicada, mas neste caso o orçamento pode ficar muito elevado.

Hardware
O sistema mais usado no mercado tem a seguinte configuração.
• Três monitores de alta definição (42 a 50″) para câmeras;
• Um monitor de alta definição para dados (laptop);
• De quatro a oito câmeras compactas de alta definição;
• Um microfone de conferência (mesa);
Codecs (geralmente uma para cada câmera) ;
• Uma Central.
Especificações
Resolução câmeras; 1920 x 1080p 30 fps para cada encoder ou 1280x720p 60 fps

Video resolução:
1,7 mbps ou superior (1920 x 1080p 30 fps) por codec;
1,1 mbps ou superior (1280 x 720p 60 fps) por codec;
768 kbps (1280 x 720p 60 fps) por codec;

Codecs Vídeo: (mais utilizados)
H.261, H.263, H.263+, H.264 e H.239 Codecs de áudio: (mais utilizados)
G.711, G722, G722.1C, G728, G729, MPEG- 4 AAC-LC;

Codecs de áudio: (mais utilizados)
G.711, G722, G722.1C, G728, G729, MPEG- 4 AAC-LC;

Largura de banda:
Serviço contratado (velocidade real); De 2,5 a 18 Mbps (conforme o projeto)

Para a sensação real de interatividade e aproveitamento máximo dos monitores, cada encoder deve amostrar cerca de 6 Mbps.

Conclusão
A telepresença via internet para o meio corporativo é de grande valia, tem um ganho substancial em economia de recursos e segurança. Como todo projeto, deve ser feito um estudo de caso para levantar realmente os ganhos e a dimensão do sistema. Há muitas empresas que terceirizam todo o serviço, inclusive a montagem do ambiente nos sites do cliente. Dependendo do fluxo de trabalho pode ser uma opção interessante.

Para o meio televisivo, a telepresença sobre IP é uma opção que agora conta com uma qualidade satisfatória, mas ainda com pouca contingência, pois os sistemas sobre IP por muitas vezes apresentam falhas de conexão e pouca robustez para uma contribuição ao vivo por exemplo. Talvez em um futuro próximo tenhamos velocidade confiável, robustez e segurança para usar esse tipo de tecnologia no meio televisivo, reduzindo custos e melhorando a logística com qualidade broadcast.

Referências:
http://www.humanproductivitylab.com/telepresencepaper/hpl_telepresence_paper.pdf
http://telepresenceoptions.com/
http://sct.temple.edu/blogs/ispr/

Gilvani Moletta é Coordenador de Engenharia EBC – SP. Email: gilvani.moletta@gmail.com

Entre os dias 9 e 13 de abril, Las Vegas foi o palco das últimas conquistas tecnológicas em desenvolvimento da TV e Cinema 3D.

Criatividade é a palavra mágica para definir a sétima arte. Engenheiros, designers, técnicos, diretores, produtores, maquiagem, enfim, toda a cadeia de produção envolvida para fazer o inimaginável, depois da obra prima de James Cameron, diretor do filme Avatar.

Nos fóruns de cinema digital pouco se discutiu em novas tecnologias para a realização de roteiros já em andamento, mas sim, qual a melhor técnica a ser utilizada para ganhar tempo da captação até a finalização do produto final sem perder qualidade. Aí entra a câmera ideal (conjunto), lentes, filtros, mídia, workflow de edição para não perder um frame se quer, distribuição com maior segurança para se evitar a pirataria, que é a maior vilã no sumidouro de recursos financeiros e fraude contra o direito autoral.

Não existem mais roteiros que não possam ser rodados na nova tecnologia. A criação de personagens – frutos do imaginário – ganha vida com todos os movimentos e textura que fazem nos perder entre o real e o imaginário. A criação de atores gráficos é impressionante. A cor, a maquiagem, a suavidade da pele, os movimentos dos órgãos inferiores e superiores, e mais, a expressão facial acompanhada de vida nos olhos são de dar arrepio, mas nada sobrenatural somente criatividade humana.

Os grandes fabricantes de projetores para salas de exibição apresentaram equipamentos sofisticadíssimos, onde era difícil fazer uma leitura de qual era melhor sem um estudo bem apurado de todos eles. O que é impossível em apenas quatro dias de exposição de equipamentos.

A Meduza apresentou um sistema de captação muito inteligente. Partindo do princípio que com duas rodas se faz uma moto e com quatro se faz um carro, a empresa lançou um conjunto de câmeras para captação super inteligente, fazendo a captação com duas câmeras geminadas de uma maneira conceitual e explicada pelo seu próprio CEO (Chief Executive Officer). Já a Visual 3D Enterprises, empresa britânica de exploração em entretenimento, foi criada especificamente para atender a crescente demanda por filmes nas áreas profissional e de televisão comunitária, com um completo e tecnicamente avançado sistema de captura de imagem 3D.

A Meduza Systems foi criada para desenvolver um sistema de imagens que resolveria o problema de uma única câmera dentro de uma arquitetura que pode ser constantemente atualizado para acompanhar o crescimento tecnológico e o avanço da indústria. O sistema teve que ser versátil, flexível, capaz de ser atualizado e adaptado para combinar com o ritmo de desenvolvimento e de tecnologia de sensor óptico e para fornecer imagens visuais na resolução mais alta possível em todos os momentos. Dentro desta premissa a empresa foi concebida para preencher o vazio no mercado com a compatibilidade de todos os ambientes de produção, de Giant Screen 15/70, para eventos ao vivo e produções de história natural. E acima de tudo, a missão da empresa é criar uma câmera digital 3D estereoscópica que nunca seria obsoleta e que pode lutar constantemente para atender às necessidades do crescimento e evolução de seus clientes.

“A Meduza é o caminho para a solução final”, diz Cary. “Esta é uma abordagem totalmente nova para as necessidades muito específicas de criação de conteúdo 3D estereoscópico. Compacta, a flexibilidade na resolução, uma variedade de configurações de sensores e taxas de quadro de disparo e controles precisos de inter-axial e convergência tornando-o uma opção para todos os trabalhos em 3D do esporte à história natural, de filmes e eventos à produção ao vivo.”

O sistema teve de ser versátil, flexível, capaz de ser atualizado e adaptado para combinar com o ritmo de desenvolvimento e tecnologia de sensor óptico e para fornecer imagens visuais na resolução mais alta possível em todos os momentos. Tratando-se de Cinema 3D ninguém reina sozinho. A Panasonic, Sony e outros desenvolvedores de produtos nesta área não param. As tecnologias 4D e o 3D são a bola da vez.

De acordo com o presidente e CEO (Chief Executive Officer), Tom Cosgrove, do 3net, a joint-venture rede 24/7 3D da Sony, Discovery e IMAX, começaram a fotografia principal em um documentário de guerra nativa em 3D, “A Guerra Civil 3D.”

“A Guerra Civil 3D”, uma ambiciosa série 3D para a TV, vai transportar os espectadores de volta no tempo, recontando momentos importantes da guerra, dentro e fora dos campos de batalha a partir da perspectiva única de ambos os lados do conflito histórico. “Filmar em 3D nativo nos dá a capacidade única de trazer um novo nível de profundidade e emoção a este tempo épico na história, com narrativa inovadora que simplesmente não foi possível até agora”, concluiu o diretor Cosgrove.

Além de diretor do documentário “A Guerra Civil 3D”, para a Towers Productions, David Padrusch é também produtor executivo, juntamente com o fundador da companhia e chefe de criação Jonathan Torres.

“Nossa abordagem editorial e técnica para contar a história da Guerra Civil são diferentes de tudo já realizado”, disse Padrusch. “Jonathan e eu traremos o prisma da tecnologia 3D a primeira pessoa, com relatos de experiências no campo de batalha como uma forma de explorar com humanidade e complexidade as motivações dos soldados de ambos os lados da guerra.”

Usando imagens de arquivo digitalizado – especialmente, estereoscópica do período – reconstituições, roteiro e narrativa de caráter bélico/humano, o documentário será exibido em 3D em quatro horas, em uma rede norte americana de televisão, através da minissérie “Civil War”, até o final deste ano.

O cinema digital continuará crescendo de forma robusta alicerçada em todas as tecnologias de vídeo, e não somente de cinema como no passado. Agora com outra diferença básica para se manter neste mercado é conjugar diariamente o negócio, a administração e o marketing do relançamento de uma tecnologia venerada por toda a humanidade desde o invento dos franceses irmãos Lumière, em 1904.

João é Advogado Colaborador em Radiodifusão, Telecomunicações e Tributário e Colaborador da SET. E-mail: joaobraz@brazefreitas.com.br

Iniciar um texto sobre a NAB 2011 e tratar do tema sobre o Rádio não se pode deixar de citar palavras como as que foram ditas pelo keynote speaker Brian Cooley, no tradicional NAB Radio Luncheon.

Ele reconheceu o compromisso do Rádio, como serviço, para uma sociedade de qualquer lugar do mundo e que agora esse mesmo Rádio vai viajar pelo caminho tecnológico que está à sua frente sendo este o ponto mais importante para o futuro do Rádio.

Ele destaca três importantes inovações tecnológicas – smartphones, tablets e os automóveis conectados (Rádio DNS) como meios que ajudarão os radiodifusores de rádio a alcançar novas audiências e inundar de novos serviços os ouvintes já existentes.

Disse ainda, “os radiodifusores estão deixando uma era de grandes dificuldades tecnológicas para ingressar em outra cujas oportunidades serão, em número, bem maiores do que os desafios. Mas o rádio deve continuar contando grandes histórias de forma transparente, com intimidade com seu público, inovador, local, ao vivo e pessoal, olhando sempre para o futuro”.

Uma série de produtos que entregam alta qualidade de áudio foi apresentada nessa feira. Essa preocupação reflete o quanto o digital estará presente para o radiodifusor tanto na produção quanto no arquivamento e distribuição. Outros produtos lançados na feira vinham com capacidade para monitorar um sinal HD-Radio.

Receiver*
O INOmini 632 é um monitor do sinal que está no ar de uma estação FM ou FM HD-Radio.

Ele recebe o padrão analógico de uma transmissão FM, bem como de uma estação FM associada com um sinal HD-Radio transmitido com seus sinais de dados auxiliares HD1 até HD8 e os respectivos canais digitais.

Como a própria Omnia disse: “Tudo que você ouviu é verdade” com esse slogan a Omnia apresentou seu processador digital Omnia 11, com sistema limitador ultra-multifaixa.

Outra característica que o fabricante informa sobre o Omnia 11 é a baixa distorção devido à intermodulação.

A Orban que organizou um bonito estande não deixou por menos e continuou apresentando o seu ORBAN 8600 e o lançamento Optimod Surround 8685 com controle de loudness para 5.1 ou 7.1 Surround, na verdade uma atualização do Optimod 8685 Penteo lançado em 2010.

O Optimod – AM 9400 é um exclusivo processador de sinais multibanda para sinais analógicos AM (Onda Média, Onda Tropical e Onda Curta) e rádio digital HD-AM. não é preciso ter mais dois processadores AM separados, com um único equipamento se processa sinais analógicos e digitais.

A SPX nova marca da Dielectric – apresentou, em seu breakfast, no Marriot Suítes, uma nova antena para FM, para segmentos de baixa potência de transmissão, as antenas da família DCR, modelo DCR-L e DCR-XL FM e a antena HDR Plus Series Interleaved FM com possibilidade de transmissão de sinais analógicos e HD-Radio. Conjuntos que podem ser montados com até seis seções e potência de até 1 kW. Logicamente, tendo um desempenho melhor para espaçamentos entre elementos com 1λ.

A Harris apresentou novo transmissor de FM, cujo nome é Flexiva™, versátil transmissor para potências até 20 kW, sendo possível a montagem específica em potências de 1 kW, 10 e 20 kW. A empresa mostrou também um transmissor refrigerado a ar que atende a duas tecnologias para o rádio digital HD Radio e o DRM, embora não tenha informado as características para o DRM que acreditamos ser o DRM+.

Outra informação importante dada pela própria iBiquity é que o HD Radio está pronto para a batalha do painel do carro, pois segundo o próprio presidente da iBiquity os futuros receptores disponibilizarão outras mídias em seus sistemas de entretenimento.

1 – Houve um Seminário no sábado, 09 de abril, da Society Broadcast Engineering (SBE) sobre Infraestrutura Crítica, particularmente, no que concerne aos problemas enfrentados pelas emissoras e como elas poderiam desenvolver uma resiliência a partir de um acidente em suas estruturas.

Na verdade, todos os projetos que envolvem construções de estúdios, localização da infraestrutura da empresa, espaços diversos como espaços técnicos e não técnicos devem levar em consideração não apenas como se obter o melhor resultado para a emissora, na competição com outras emissoras ou outros serviços, mas principalmente esses projetos devem facilitar a manutenção e o acesso para execução de troca de equipamentos e outros serviços em caso de acidentes.

Num recente artigo do editor da Revista Radio Guide, Ernie Belanger, são levantadas questões importantes para o radiodifusor sobre como se preparar para um desastre:

A – Sua estação está in ou out? Considerando que ela é a tábua de salvação para seus ouvintes é necessário uma decisão da emissora em aprofundar ou não o seu grau de envolvimento, em caso de uma calamidade, na vida dos seus ouvintes.

B – Você quer ir a pé quando uma calamidade ocorre, deixando seus ouvintes dependendo sobre as informações de seus competidores e outras mídias para conseguir as informações que eles precisam, ou você quer dar o passo até o ponto mais importante da informação?

C – Quais informações você irá receber, logicamente, levando-se em conta que cada acidente requer diferentes contingências?

2 – No dia seguinte, 10 de abril , começou efetivamente o dia das conferências de engenharia e os primeiros assuntos tratados, tanto para rádio quanto para televisão, foram: O Futuro da Radiodifusão de Sons e Imagens e o Futuro da Radiodifusão Sonora. São dois títulos centrais de diferentes palestras para o rádio e para a televisão com quadros de apresentação que reforçam a tese do foco no usuário final e o dispositivo que ele terá para acessar de qualquer lugar e em qualquer tempo os conteúdos disponíveis.

3 – Para televisão falou-se no Super Hi-Vision TV com multi-canais 22.2 a segunda geração DVB e no caso do rádio o impacto do desenvolvimento de conteúdos e a engenharia que será necessária para o rádio sobre os dispositivos que estarão disponíveis aos consumidores.

Uma Nova Geração de Produção para Rádio, muitos falam em conteúdo para a mobilidade, eu acredito em conteúdo e Novas Ferramentas disponíveis para entrega que permitirão o rádio estar nos novos dispositivos de acesso ao público, pois o rádio tradicional já recebe conteúdo para a mobilidade. O que é preciso é dar forma a esse conteúdo de modo que sua abrangência atinja outros usuários.

4 – Novas soluções para melhora do HD Radio foram apresentadas numa tarde, tratando desde novas antenas para FM, como a otimização do sistema HD Radio para FM, melhorando a recepção.

5 – Cloud Based Technologies for Broadcast, a partir desse novo conceito de Cloud computing (nuvem da plataforma apropriada para um determinado setor) algumas palestras foram no sentido de identificar o melhor Cloud para a radiodifusão estar presente nos futuros ‘smartphones’ dos consumidores. Alguns especialistas acreditam que tanto o computador pessoal quanto o móvel pessoal devem dar lugar aos smartphones.

6 – No Fórum I de Engenharia algumas palestras trataram da melhora do desempenho de antenas diretivas para AM e também outras trataram análise da técnica de amostragem da voltagem pelo método dos momentos para antena de AM.

7 – No Fórum II foram discutidas as apresentações dos resultados dos testes na Coréia sobre o DAB, DAB+, HD Radio, T-DMB audio e DRM+. Os resultados não foram surpreendentes como se esperava.

8 – Análise do Desempenho do sistema DRM+ e medidas de campo em Hannover e no Sri Lanka.

9 – Implementação do RDS. Um total de três palestras sobre o tema. Neste houve uma abordagem sobre o crescimento do uso do RDS nas transmissões de radiodifusão, pois os serviços de dados oferecidos através do RDS têm sido de grande interesse do público que nessa guerra de tráfego de dados tem usado bastante as informações contidas nos conteúdos das emissoras.

Empregam-se ainda sistemas navegacionais, alertas emergenciais e serviços de mensagens, particularmente o envio de informações adicionais e estruturadas sobre as canções que permitem o ouvinte marcar (tag) a canção em receptores móveis para posterior compra.

Outra aplicação que cresce em muitos países, não apenas nos Estados Unidos, é a informação dinâmica através do Program Service Name (PS) que muitos radiodifusores utilizam para apresentação de textos e informações por rolagem de tela (scrolling).

Um importante uso do RDS é para fins de Emergency Alert Systems (EAS) que agora pode deslanchar, pois foi aprovada o Common Alert Protocol (CAP) onde todos que forem utilizar um sistema de alerta emergencial para aviso à população terão que adotar o mesmo protocolo comum de alerta. Isso é fundamental para que a população ao receber um aviso de alerta emergencial entenda por diferentes meios ou mídias o que está sendo avisado.

Cada vez mais o NABShow expande sua abrangência permitindo que a radiodifusão tenha perto de si a indústria de cinema, a indústria que permitirá a inclusão online de novos conteúdos e produtos e a indústria de produtos para os consumidores. Está claro que a radiodifusão como um grande rio terá seu próprio curso e muitos afluentes.

Ronald é diretor de rádio da SET e diretor de tecnologia da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). Email: ronald@set.com.br