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Os Drones

Nº 144 – Agosto 2014

Por Luiz Carlos Gurgel

ARTIGO

Os prós e os contras da utilização de drones é o tema deste artigo que traz a Revista da SET um tema de interesse que tem ganho muitos adeptos e detractores nos últimos tempos

Os drones são, em última análise, aeromodelos que sofreram modificações com o objetivo de ficarem mais seguros e de apresentarem uma melhor estabilidade de voo.
Esses melhoramentos foram conseguidos, principalmente, com a utilização de sistemas de navegação mais aperfeiçoados que utilizam informações de GPS e com a adoção de múltiplos motores – alguns deles chegam a ter 8, cada um movimentando uma hélice.
O peso dos aeromodelos, em razão de tudo isso, aumentou significativamente o que, por outro lado, também contribuiu para melhorar a sua estabilidade.
Alguns fabricantes denominam seus drones de “quadricopteros” (naturalmente, quando têm 4 motores).
Tudo isso que estamos falando refere-se aos drones utilizados para captação de imagens e gravações de vídeo, pois há outros, com características diferentes, que são utilizados para outras atividades tais como: espionagem, patrulhamento e até ataques militares. O que todos os drones têm em comum é que são não tripulados e voam por controle remoto.

Na NAB deste ano, havia mais de uma dezena de modelos de drones de vários fabricantes diferentes e quase todos apresentavam formato discoide semelhante ao de um disco voador. O diâmetro variava de pouco mais de 30 cm até cerca de um metro. O peso, em torno de 1 kg.
Com essas características gerais, não dá para se pensar na utilização de câmeras broadcast – elas são pesadas demais. Todos, sem exceção, usavam câmeras bem pequenas e de baixo peso. Apesar disso, possibilitam gravações em 720p, ou mesmo em 1080p, com uma qualidade bem razoável. Quando se trata apenas de captação de fotos, a limitação de peso não chega a ser um problema tão grande, já que temos câmeras fotográficas, de ótima qualidade, com peso bem reduzido.

As gravações, normalmente, são monitoradas, em tempo real, através de imagens de baixa resolução enviadas pelo drone – as imagens em alta resolução são gravadas, no próprio dispositivo em uma pen-drive, ou numa memória qualquer de estado sólido.
Quando pensamos em drones para captação de vídeo, imaginamos logo a possibilidade de utilizá-los para obtermos imagens aéreas de um evento qualquer, da nossa cidade, que concentra uma grande quantidade de público ao ar livre. E ai começam os problemas. Quase todos os drones que vimos na NAB apresentavam uma autonomia de voo que não chegava a 30 minutos. Se pensarmos que uma parte significativa desse tempo é utilizada para decolagem, pouso, posicionamento do drone, e enquadramento de câmera, vamos perceber que o tempo líquido do vídeo obtido será realmente muito pequeno.

Outra preocupação que não se pode esquecer é quanto à segurança do procedimento todo. Existirá sempre a possibilidade de uma falha no equipamento causar a queda do drone o que pode provocar um acidente grave com repercussões muito negativas para a emissora, principalmente se houver pessoas feridas.
Alguns modelos que vimos possuem um sistema de segurança que monitora o combustível e se ele chega a um nível crítico, o drone, automaticamente, retorna ao ponto de partida e pousa. Isso é possível através da utilização dos dados de GPS. Mesmo assim, permanece o risco de queda do drone em razão de defeitos mecânicos ou de choque com um obstáculo qualquer durante o voo.
Por tudo o que vimos, parece-nos necessária uma certa cautela na utilização de drones para captação de vídeo em eventos que concentrem grandes quantidades de pessoas ao ar livre. Se decidirmos pela sua utilização, devemos evitar o sobrevoo desses grupos de pessoas de forma a manter o drone sempre acima de áreas onde uma eventual queda não venha a causar maiores problemas.

Luiz Carlos Gurgel
Diretor Regional Nordeste da SET.