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O programa de televisão


Televisão parece mágica. Basta apertar um botão e lá está, literalmente, o mundo todo dentro de nossa casa. Mas, esta sensação de magia, de encantamento não fica restrita apenas aos leigos, ao público comum. Muitos estudantes de comunicação e até mesmo profissionais trabalhando na área se deixam envolver por seu apelo altamente emotivo e glamoroso e, lamentavelmente, se esquecem do seu lado “pés no chão”. Produzir um programa para a televisão requer conhecimento, organização, disciplina e, é claro, se houver talento, tanto melhor. O trabalho em televisão é árduo, fruto de inspiração e transpiração.

Pesquisa para definição de tema
De onde vem a “inspiração” para se criar um programa de TV? Esta parece ser uma pergunta à qual se poderia responder sem dificuldade, afinal existem programas de quase todos os assuntos. Mas não o é, se desejamos criar um programa que tenha êxito. Em primeiro lugar é necessário ter conhecimento do público-alvo. Um programa de televisão deve considerar as necessidades do público ao qual se dirige. Quais são suas expectativas? Quais são seus anseios? Quais são os seus sonhos? Seus medos? Como é sua cultura?

Outro ponto a considerar é o caráter altamente emocional da mensagem televisiva.

O público gosta de novidades, de viver, mesmo que virtualmente, as experiências de outras pessoas – famosas ou anônimas. O público gosta de aprender algo ao assistir à TV. Quer se sentir representado, confrontar seu modo de pensar com o de outras pessoas e se emocionar.

Um profissional bem informado que procura se manter atualizado com os temas da sociedade do seu tempo e que investe na sua formação educacional e cultural – cursos complementares, boas leituras, bons filmes, música etc – certamente terá todos os requisitos necessários para ser um profissional de TV criativo e útil à sociedade.

E vale mencionar: é preciso, também, ter “cultura televisiva”, ou seja, é preciso assistir televisão criticamente e procurar não se deixar capturar totalmente pela sua magia. Os programas não são todos iguais, portanto deve-se distinguir a linguagem e o formato dos programas que assistimos. Vamos voltar a este assunto futuramente, uma vez que ele sempre gera dúvidas.

Observação do cotidiano
Boas idéias para a criação de um novo programa surgem da observação do cotidiano, das pequenas ou grandes histórias que nos chegam ao conhecimento, da leitura de livros, jornais e revistas, da fruição de uma obra de arte, da curiosidade pelos avanços da ciência… E, por que não, dos momentos de divagação e lazer.

Cabeça nas nuvens, mas os pés no chão. Passemos então aos pontos pragmáticos do “fazer televisão”. Mesmo que você tenha todas as qualificações para criar um programa de TV, aprovar uma idéia para um novo programa ou para reformular um programa já existente, não é tarefa assim tão fácil. Não basta que o programa tenha ingredientes que agradem ao público. Ele precisa também agradar à emissora que vai exibi-lo, em particular se o projeto for destinado a uma emissora comercial. E aí entram vários itens que precisam ser examinados cuidadosamente: adequação aos objetivos da emissora, harmonia com outros programas da grade de programação, duração e custos de realização. Sem mencionar que esta proposta de programa deve ter, também, apelo suficiente para atrair patrocinadores ou apoiadores. Televisão é indústria, um importante segmento de nossa economia e, portanto, o programa deve se pagar e de preferência, gerar algum lucro.

Conhecimento técnico
A esta altura da tarefa é necessário lembrar aos profissionais de TV, especialmente aos da área de criação – produtores, diretores e roteiristas – que ter algum conhecimento técnico facilita o diálogo com as áreas de engenharia e operações de uma emissora; reduz o tempo de execução das produções e, consequentemente, os seus custos, além de tirar maior proveito dos recursos disponíveis.

Manter-se em sintonia com as inovações e as novas tecnologias de comunicação também permite uma melhor aproximação com o público. Hoje em dia, o telespectador gosta de interagir com os programas e sabe utilizar muito bem as ferramentas de interatividade como blogs, mensagens online, redes sociais…

Tudo isto está sob controle? Então vamos à luta, usando de habilidade para colocar no papel, com clareza e honestidade, as ideias de um programa para televisão. Os principais passos nessa etapa:

• Pesquise o tema ou o assunto escolhido para que sua proposta esteja bem fundamentada Determine o público-alvo para o produto que você está criando
• Não “chute” e fuja dos “achismos”
• Utilize dados e informações obtidos em fontes confiáveis e/ou produzidos por pessoas e instituições sérias. A Internet pode ser um ótimo ponto de partida para uma pesquisa, mas não o único; nem tudo que está lá pode ser encarado com seriedade
• Mesmo que você saiba exatamente o que quer, não confie apenas na memória, escreva. Ao escrever a proposta você terá oportunidade de perceber “furos”, excessos, incoerências e pontos fortes a serem valorizados no seu projeto

Pesquisa de conteúdo de um programa de TV
“Você quer bacalhau?!” O irreverente Abelardo Barbosa, Chacrinha – famoso apresentador de programas de auditório nas décadas de 70 e 80 e imortalizado por Gilberto Gil como Velho Guerreiro na canção “Aquele abraço” – foi, por diversas vezes, acusado de baixar o nível do programa para atingir as massas. Chacrinha apresentava-se de forma caricata vestindo roupas extravagantes e criando gestos e bordões que ficaram eternizados. Ao lado de figuras bizarras apresentavam- se artistas da maior qualidade. Esta “geléia geral”¹ foi a forma que ele encontrou de traduzir sua ironia e indignação com o que se passava no país e sair em defesa da cultura nacional. Foi compreendido pelo público e por aqueles que participavam dos movimentos de contracultura que ocorreram na época.

Outro exemplo, numa linha totalmente diferente, é o excelente Viola, minha viola da TV Cultura de São Paulo. Há mais de 20 anos no ar o programa alia o gênero popular do programa de auditório com um conteúdo altamente significativo em termos culturais. Inezita Barroso é uma especialista em folclore brasileiro. O foco do programa é a música sertaneja de raiz, as tradições das festas populares, os ritmos genuinamente brasileiros. Inezita conserva a fala simples e direta, a qualidade das informações e das atrações que apresenta. Desta forma o Viola, minha viola mantém sua identidade e o respeito da audiência.

Grande público
Portanto, para falar com o “grande publico” não significa que um programa de TV não deva ter propostas ousadas e/ou conteúdos interessantes. Não é demais lembrar que o público pode não ser instruído ou “descolado”, mas não lhe faltam inteligência e sensibilidade.

Num programa de televisão, um dos grandes riscos que se corre é o de “perder o foco”. A TV de sinal aberto tem como característica dirigir-se a um público heterogêneo. As emissoras comerciais precisam conquistar a audiência, porque disto depende a maior ou menor entrada de anunciantes, leia-se, dinheiro. Na ânsia de buscar essa universalidade de audiência, de querer inovar ou dar agilidade a um programa, o profissional que o dirige, produz ou escreve sucumbe à tentação de saltar de um tema ou de um formato para outro sem muita coerência. Esse “valetudo” pode custar muito caro. Quando um programa “perde o seu foco” significa que ele, provavelmente, está se distanciando dos seus objetivos iniciais e do seu público- alvo ou público prioritário.

Outra armadilha que com freqüência aprisiona os profissionais de TV, e que os leva a cometer excessos, é a manutenção do programa no ar por um período superior àquele que o tema pode suportar.

E a TV segmentada?
Ao processo de dividir a audiência em grupos menores com características, desejos e necessidades semelhantes, damos o nome de “segmentação do público-alvo”. Sabemos por experiência, que o público responde melhor às mensagens que são adequadas e relevantes para ele.

Na TV de público segmentado os realizadores são capazes de manter uma visão mais clara do que o seu público quer assistir e, deste modo, podem criar programas com conteúdos igualmente segmentados que falam aos interesses do telespectador. Tentar “empurrar” um conteúdo, um tema ou um estilo que não é adequado ao público-alvo é um risco. Nestas circunstâncias o telespectador pode ficar confuso e afastar-se do programa e da emissora.

Porém, mesmo na TV de sinal aberto, é possível, por meio de pesquisas de opinião, detectar nichos de audiência e manter- se fiel a eles. O “Altas Horas” comandado por Serginho Groisman e exibido pela Rede Globo, nasceu na TV Cultura como “Matéria Prima” e migrou para o SBT como “Programa Legal”. Conserva até hoje basicamente o mesmo formato e objetivos: falar ao público jovem. A coerência mantém o público fiel à proposta inicial. Desta forma, passamos a primeira etapa de definição de público e objetivos gerais, podendo partir para a elaboração de roteiro ou sinopse do programa.

 

Roteiro e formatos
A realização de um programa de TV divide- se em pré-produção, produção e pós-produção. O roteiro e a consequente formatação do programa são os primeiros passos da pré-produção. O professor José Carlos Aroncchi de Souza¹ define formato como “… nomenclatura própria do meio para identificar a forma e o tipo de produção de um gênero de programa de televisão”. Com ele também constatamos que “o formato de um programa pode apresentar-se de maneira combinada, a fim de reunir elementos de vários gêneros e assim possibilitar o surgimento de outros programas”.

A formatação está intimamente ligada ao gênero de programa que será produzido. A criação de um formato para um programa envolve o trabalho de um roteirista (ou uma equipe de roteiristas) que trabalha em parceria com o diretor de programa. Eles usam sua experiência (técnica), criatividade e cultura audiovisual jogando com diversos elementos dramáticos, visuais e sonoros, para criar momentos de interesse e descontração, de tensão e alívio. E pesquisam, pesquisam muito. Syd Field², consultor de produtores americanos na análise e desenvolvimento de roteiros diz enfaticamente: Muita gente se questiona sobre o valor, ou necessidade de fazer pesquisa. Até onde posso opinar, pesquisa é absolutamente essencial. Todo texto exige pesquisa e pesquisar significa reunir informação”.

Gênero revista
Se o objetivo é o de realizar um programa, por exemplo, do gênero revista, a equipe pode tratar de assuntos variados (característica de um magazine semanal) em quadros com formatos diferentes: uma dramatização para apresentar um problema de relacionamento amoroso, uma animação para exemplificar um terremoto, uma matéria jornalística para tratar de ecologia, um musical para entreter, uma entrevista com um astro em estúdio, um segmento ao vivo colhendo a opinião da população sobre um tema polêmico, uma retrospectiva dos esportes da semana… Isto lhe parece familiar?

Por sua enorme flexibilidade e variedade, o gênero revista eletrônica tem se tornado o formato (ou melhor, uma combinação de formatos) mais usual na televisão atualmente. Pelo fato de ser constituído de quadros de curta duração, não exige um grande nível de concentração por parte do telespectador; ele pode conversar, sair do aposento, atender ao telefone, comer uma pizza e seguir tranquilamente assistindo ao programa, sem compromisso, sem ter a sensação de que perdeu algo fundamental. Puro entretenimento, é ideal para exibição nos dias e horários em que as famílias e amigos se reúnem em torno do aparelho de TV.

Documental
Nas produções jornalísticas do gênero documental o roteirista e o diretor podem ser a mesma pessoa. Trata-se de um tipo de produção mais autoral que pode ser realizada por uma equipe de menor porte, embora dependa fundamentalmente de pesquisa de campo, de conteúdo e roteirização impecáveis.

As demais produções jornalísticas, exceto os telejornais, têm, em geral, uma formatação mais próxima do gênero revista ou talk show hibrido (entrevistas ilustradas com matérias). Nelas encontramos a figura do editor chefe que orienta a criação da pauta e a redação das matérias, cabendo ao diretor de programa a sua execução.

Os programas de ficção como as novelas, os seriados, as comédias de situação, as minisséries são um capítulo à parte, sem querer fazer um trocadilho. Neste gênero de programa, a história, o enredo e o elenco são fundamentais. O formato já não importa tanto, embora tenham surgido nos últimos tempos séries como “Lost”, inspirada em games, na qual o telespectador é levado a seguir pistas e a desvendar o final da história. Ou como “24 Horas” que brinca com o tempo ficcional e o tempo televisivo de exibição. São produções de orçamento elevado e que requerem um longo tempo de preparação ou, usando o jargão do meio – préprodução. Estas séries, entretanto, podem ser comercializadas com facilidade e reapresentadas de tempos em tempos sem perder o interesse, o que representa uma grande vantagem. É o que os americanos chamam, poeticamente, de “evergreen TV shows” – séries sempre-verdes, perenes – que podem ser reprisadas durante décadas, atraindo novos públicos. É o caso de “A feiticeira”, “Agente 86”, “Friends”, e outras séries exibidas principalmente nos canais a cabo.

Reality show
O reality show é um gênero de programa criado nos Estados Unidos na década de 1970 (An American Family1) e guindado ao sucesso pelo Produtor holandês John de Mol em 1999 com a criação do Big Brother. Este gênero retrata acontecimentos reais protagonizados por pessoas reais fazendo um recorte da realidade por certo período. Embora possa ser gravado e editado ele pode, também, ser apresentado, ao vivo e em tempo real. O “roteiro” do programa é praticamente “construído” pela seleção de imagens (cortes de câmera) à medida que os fatos se desenrolam. O recurso de usar um narrador ajuda a fazer a “costura” da trama entre os participantes, cabendo ao telespectador completá-la em sua mente de acordo com o que observa e julga.

Os programas educativos ou instrucionais, e os infantis, por suas naturezas específicas, devem contar com a participação de especialistas em educação – pedagogos e/ou psicopedagogos – na equipe de criação. Eles ajudam a selecionar os conteúdos mais adequados à faixa etária do público-alvo e a definir os objetivos a serem alcançados. No caso dos programas infantis, o formato que tem se mostrado mais atrativo às crianças é o de uma história central (ficção) entremeada de quadros com formatos diversos que exploram vários temas. A série Vila Sésamo, criada nos Estados Unidos em 1969 pela PBS (está na sua 40ª temporada) para atender crianças de pré-escola com dificuldades de aprendizagem, foi pioneira neste tipo de formato.
Assim, números musicais, animações, bonecos e atores dão, aos criadores dos programas, ensejo para ensinarem as crianças a pular corda, a contar, a identificar formas geométricas, a se expressarem e também para abordarem assuntos mais difíceis como respeito, medo, ciúmes e xixi na cama.

As etapas de produção
Como já vimos um programa ou série pode ser criado combinando-se diversos formatos ou gêneros de programas – não há limites para a imaginação nem para a criatividade. A árdua tarefa de colocar limites fica a cargo da equipe de produção que deverá preocupar-se em ajustar as necessidades do roteiro às disponibilidades orçamentárias, à capacidade técnicooperacional que a emissora ou produtora dispõe e, muito importante, não desfigurar o produto que está sendo criado impondo restrições desnecessárias. Não é tarefa das mais fáceis, mas é aí que entram competência e profissionalismo.

Pré-produção
Como o próprio nome diz a pré-produção refere-se a tudo que é realizado antes das gravações acontecerem. Dela depende, em grande parte, o sucesso de uma produção, especialmente se for complexa como as séries infantis, uma novela, minissérie, série científica, documentário histórico ou um telecurso.

Os programas regulares de uma grade de programação podem sofrer pequenos ajustes ao longo de sua existência. Mudança de cenário, reorientação de pautas e até mesmo a troca de um apresentador, se forem conduzidos com cuidado, não causam abalos irreparáveis ao programa. O mesmo já não acontece com uma produção de grande porte.

É na fase de pré-produção que todos os elementos constituintes do programa devem ser considerados. Escalação de elenco, escolha de apresentadores, cenários, locações externas, objetos de cena, figurinos, logomarcas, vinhetas de abertura, efeitos especiais, trilhas sonoras e uma infinidade de outras providências precisa ser tomada pela equipe.
As referências visuais são decisivas para a criação dos elementos estéticos. Assim sendo, a consulta a livros de arte, de arquitetura, de publicidade, de moda, magazines, HQs, livros infantis, jogos, games e brinquedos, grafites, fotos antigas e atuais pode ser inspiradora para a escolha de um estilo visual. Os responsáveis pela criação e realização do programa não precisam dominar todas estas formas de expressão, porém devem ter condições de avaliar as soluções que lhe são propostas pelos profissionais especializados – diretores de arte, cenógrafos, diretores de fotografia, programadores visuais – cuja função será a de traduzir visualmente o tema do programa e a concepção de seus criadores e contribuir para a definição do formato e da linguagem estabelecendo uma conexão sensorial com o público-alvo do programa.

Som e imagem
A concepção visual é especialmente importante quando se trata de um programa infantil. As crianças são fortemente sensibilizadas pelas cores, formas e sons apresentados nestas produções. E são muito exigentes, portanto a pesquisa sonora deve merecer igual apreço. Num audiovisual, os sons e a música preenchem uma cena, sublinham um conteúdo, criam o clima e despertam o interesse. Se vistos desta forma estes elementos de linguagem são tão importantes para a estética quanto o são para a compreensão do que está sendo comunicado. Som e imagem se entrelaçam e devem ser tratadas como linguagens complementares. Uma trilha sonora bem elaborada cria uma marca perene. Quem pode não se lembrar de um programa infantil ao ouvir “Bum, Bum,Bum, Castelo RA TIM BUM!”… Ou da Rede Globo ao ouvir “Plim! Plim!”?

O roteiro ou sinopse deve ser analisado pela equipe de produção num primeiro momento – mesmo que ainda na sua versão inicial – e o “to do” ou lista de tarefas elaborada seguindo um cronograma criterioso. Em seguida, o roteiro deve ser apresentado às demais áreas – as artísticas, as técnicas e as operacionais que irão se incumbir de levantar suas necessidades especificas para a concretização do trabalho. A análise detalhada do roteiro por todos os profissionais envolvidos permite a elaboração do orçamento.

Orçamento
O orçamento é peça fundamental e deve levar em conta todos os custos envolvidos no projeto, desde os recursos mais sofisticados até aqueles que todo mundo acaba esquecendo-se de contabilizar, por exemplo, as ligações telefônicas. Parece tão natural pegar o telefone e fazer uma ligação, porém dependendo da duração do projeto, da quantidade de pessoas nele trabalhando, das distâncias (pense na cobertura das Olimpíadas na China, por exemplo) estas despesas, se somadas, fazem diferença. Ainda mais se a verba for curta como nas produções mais modestas e se não houver bom-senso.

A produção de realities shows, coberturas de eventos esportivos grandiosos como Copa do Mundo de Futebol ou as citadas Olimpíadas, merecem uma abordagem à parte porque elas envolvem o trabalho de um grande número de pessoas, tarefas inter-relacionadas e interdependentes, um longo tempo de pré e de produção e custo elevado. Este tipo de produção exige a montagem de um grupo interdisciplinar de trabalho. As palavras de ordem, nestes casos, são: conhecimento profundo do produto que está sendo produzido, planejamento, organização, conhecimento técnico, levantamento e controle de custos e a captação de recursos. Qualquer erro pode colocar a perder todo o trabalho de uma enorme equipe e uma pequena montanha de dinheiro.

Produção
Culpa da produção! Isso já virou piada interna e externa também (muitos programas humorísticos satirizam esta situação), porém, brincadeiras à parte, isto acaba sendo verdade porque, afinal, cabe ao produtor executivo a grande responsabilidade de ver tudo, ouvir tudo, saber de tudo. Não há como fugir, faz parte da sua atividade.

Durante a produção de um programa de TV, todos os esforços devem ser concentrados para evitar eventuais erros ou sanar falhas que passaram despercebidas durante pré-produção e resolver problemas de última hora como a perda quase total de grande cenário decorrente da inundação de um estúdio após uma tempestade.

Nestes casos, cabe ao produtor e sua equipe avaliar o problema, envolver o pessoal técnico e o operacional na busca de soluções rápidas e eficazes e estabelecer um novo plano de produção que evite a interrupção do trabalho por vários dias, o que implicaria numa série de prejuízos, sendo o maior deles a possibilidade de descontinuidade de exibição. Ele é o elo entre todas as áreas e deve esforçar-se para manter a motivação da equipe, o cumprimento do cronograma e o controle do orçamento. Ele precisa, inclusive, prever o futuro.

Pós-produção
Uma produção não termina quando o programa acaba de ser gravado. Ainda durante a captação, ou até antes dela, muitas providências precisam ser tomadas para que a finalização do programa ocorra e ele seja considerado pronto para ir ao ar. A marcação das cenas válidas e a sua descrição durante a gravação e no momento em que ela é interrompida são tarefas que requerem concentração e conhecimento. Um objeto colocado fora do lugar no cenário, ruídos indesejáveis, o figurino incorreto, a maquilagem desfeita, a focalização de elementos estranhos como um microfone ou o reflexo da imagem de uma câmera num espelho podem arruinar o trabalho. Cada cena gravada deve ser revista, os erros e defeitos anotados e o diretor alertado. Estas anotações evitam que o material seja captado com erros de continuidade o que dificulta enormemente o trabalho de edição e o resultado, em geral, não é satisfatório.

Outra atividade que contribui para o êxito da pós-produção é a decupagem do material, ou seja, a identificação e duração das tomadas realizadas na gravação. Esta identificação pode ser realizada de diversas maneiras, de acordo com o tipo de equipamento que está sendo utilizado. Este assunto será mais detalhado quando se falar dos aspectos técnicos da edição.

Mescla de sons
Hoje em dia já é possível mesclar, na ilha de edição digital, o som direto com sons de várias fontes – trilhas compostas, músicas e efeitos sonoros em CDs, MP3 etc – no entanto, o arquivo digital contendo os materiais selecionados deve ser preparado também com antecipação. A ilha de edição, assim como de outros equipamentos de televisão, é cotada por hora de utilização. Assim sendo, quanto mais organizado estiver o material, mais rendimento se terá e mais baixo será o custo de finalização de um programa.

Não há nada mais desgastante para um editor do que ficar “caçando pra lá e pra cá” os melhores takes, as músicas que serão utilizadas ou, ainda pior, esperando “descarregar”, por horas e horas, material bruto não identificado. Desperdício de tempo e de talento que poderiam ser utilizados para compor uma edição com ritmo e beleza.

Finalmente, algumas outras atividades e tarefas devem ser consideradas por quem se dedica a realizar um projeto para televisão. Embora não esteja diretamente ligada à atividade de produção, criadores, diretores e produtores devem considerar a possibilidade de propor a criação de um site, que tanto pode ser de divulgação como de consulta. O trabalho da equipe neste caso será o de alimentar o site com informações sobre o projeto – sinopses, novidades, textos complementares, dados sobre o elenco, bastidores, entre outras. Afinal, aqueles que acompanharam a execução do projeto desde o nascimento são os mais capacitados a falarem sobre ele.

Os programas educativos (público adulto e infantil) e instrucionais precisam criar sites mais completos, incluindo conteúdos mais aprofundados e atividades online. A preparação deste material deve ser feita ao longo de todo o processo de realização e será de muita valia para os departamentos de Marketing e de Divulgação da emissora. Aí, é torcer pelo sucesso. Boa sorte.

Referencias bibliográficas
1. Aroncchi de Souza,José Carlos. Gêneros e Formatos na Televisão Brasileira – São Paulo: Summus, 2004
2. Field, Syd . Manual do roteiro: os fundamentos do texto cinematográfico. Rio de Janeiro: Objetiva,200

 

Nádia é radialista e professora, orientadora de trabalhos de conclusão de curso – Faiter / Faculdades Oswaldo Cruz – nadiahat@terra.com.br

Revista da SET
  ANO XXI – N.113 – MAR/ABR 2010