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O futuro do Rádio Digital no Brasil

SEMINÁRIO RÁDIO DIGITAL

A escolha de um padrão digital para o Rádio brasileiro começou a ser discutido na década de 1990. Em 1996 foram estabelecidos alguns critérios para a escolha de um sistema. Em 2008 houve o início de testes com a tecnologia. Porém, neste período as discussões andaram a passos lentos. Agora, depois do sucesso da implantação da TV digital, o tema voltou a ser discutido com mais afinco. De acordo com diretor de Rádio da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET) e de Tecnologia da Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert), Ronald Siqueira Barbosa, é muito importante que a digitalização do Rádio no Brasil esteja na pauta de prioridades.

No Congresso SET 2011, foi tema de dois painéis. Uma semana depois, a Secretaria de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações promoveu o Seminário de Rádio Digital com o objetivo de debater os padrões de sistemas existentes – com destaque para as implicações práticas para radiodifusores -; propriedade intelectual, royalties e exploração de marcas e patentes e impactos na gestão do espectro de radiofrequência. Também foi feito um balanço dos trabalhos já realizados.

O secretário executivo do Ministério das Comunicações, Cezar Alvarez, afirmou: “Quando avaliarmos as opções, deveremos considerar os aspectos econômicos do padrão, porque não podemos ter um equipamento que seja muito caro e se torne inacessível para a população. Nos Estados Unidos, por exemplo, um Por Gilmara Gelinski O FUTURO DO RÁDIO DIGITAL NO BRASIL aparelho receptor custa, em média, US$ 49. Valor relativamente alto”, considerou.

Representando a academia, o professor Gunnar Bedicks, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, defendeu a possibilidade de o Brasil desenvolver um sistema próprio de Rádio digital, com adaptações. Assim como foi feito com o sistema nipo-brasileiro de TV digital, o ISDB-TB, que hoje ganha adesão de vários países. O professor lembrou que a adoção do padrão de Rádio digital deve levar em consideração as particularidades da radiodifusão brasileira, com destaque para as rádios AM, de Ondas Tropicais e de Ondas Curtas. “Não é a adoção de uma tecnologia que vai transformar uma AM. É preciso outros investimentos, como equipamentos.”

Sistemas em testes
Para definir o sistema de transmissão digital a ser adotado no país, o Minicom realiza testes das diferentes tecnologias, entre elas, com a norte americana In Band on Chanel (IBOC) – também conhecida como HD Radio – e a europeia Digital Radio Mondiale (DRM). O trabalho consiste em avaliar critérios relacionados à área de cobertura, condições de propagação específica das regiões brasileiras, robustez do sinal, qualidade do áudio e adequação do sistema à portaria que criou o sistema brasileiro de Rádio digital.

Os testes da tecnologia DRM devem terminar até março do próximo ano. E os com a tecnologia HD Radio ainda estão por iniciar. De acordo com Cezar Alvarez, todas as avaliações serão divulgadas, somente, depois de concluídos os testes. “O objetivo é aplicar maior isenção à testagem e evitar conflitos de interesses entre os proprietários dos padrões a serem testados”, explicou.

Segundo Almir Pollig, coordenador geral da Secretaria de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério, o órgão fez parceria com o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) para realizar os próximos testes. “A intenção é formular e aplicar o melhor critério científico possível. Além disso, as avaliações não serão feitas de forma a definir a superioridade de uma tecnologia em relação à outra. O objetivo é verificar como elas funcionam em diferentes cenários. Também levaremos em conta a função social e econômica dos sistemas e não descartamos, inclusive, o desenvolvimento de uma tecnologia nacional e autônoma”, declarou o representante do Ministério, durante sua apresentação no painel do SET 2011.

Como uma das preocupações do MiniCom em relação à realização dos testes é a questão geográfica no Brasil, os equipamentos passarão por avaliações em cidades com diferentes características de relevo, como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília. “O rádio digital no Brasil respeitará os parâmetros da União Internacional de Telecomunicações (UIT)”, completou Alvarez.

Segundo o secretário de Comunicação Eletrônica do MiniCom, Genildo Lins, o próximo passo dos trabalhos será juntar todos os dados e informações, fazer um relatório e pesar os prós e contras de cada solução e só então ver qual a melhor solução para o Brasil.

DRM ou HD Radio?
As principais características técnicas dos sistemas de Rádio digital norte americano e europeu foram apresentadas pelos representantes das empresas DRM e Ibiquity.

O representante da Fraunhofer IIS – Consórcio DRM -, Alexander Zinn, destacou a compatibilidade do modelo com o sistema brasileiro e reforçou a flexibilidade do produto, que é capaz de transmitir o sinal analógico e o digital de maneira simultânea, nas faixas AM e FM.

O diretor de desenvolvimento de negócios para a América Latina da Ibiquity, John Schneider, destacou a vantagem do modelo americano de transmitir sinais híbridos, que transportam as informações tanto de maneira digital quanto analógica, utilizando a mesma frequência. Schneider revelou que mais de 80 por cento do território dos Estados Unidos já está coberto com o sinal de rádio digital e que o México decidiu pela adoção do sistema em junho.

Conclusões finais
Em todas as apresentações a importância do Rádio foi destacada. Ele está presente nas pequenas cidades e nas regiões mais afastadas do país. A Amazônia foi o exemplo dado por Alvarez. “Nesta região grande parte da população usa o rádio para ter acesso a informações. O rádio é o meio de comunicação por excelência, porque supera as fronteiras geográficas e sociais”, disse.

O representante da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço), José Soter, defendeu a adoção de um sistema brasileiro, mas demonstrou preocupação com as interferências nas transmissões com dois padrões de rádio digital.

Para a diretora do Departamento de Acompanhamento e Avaliação de Serviços de Comunicação Eletrônica do MiniCom, Patrícia Ávila, além de conhecer as características, funcionalidades, compatibilidades e vantagens da tecnologia norte americana e da europeia DRM, o painel permitiu discutir o que é importante para o radiodifusor e para o ouvinte. “O Seminário serviu para nos dar uma ideia do que fazer daqui para frente como política pública de Rádio digital para o país”, ressaltou.

O assessor especial da Casa da Civil, Andre Barbosa, ressaltou que o mercado esta migrando para plataformas “novas”, e o Rádio precisa entrar no mundo digital, com mais qualidade e boa cobertura. “Se não agregarmos valor ao conteúdo de áudio, através do display dos receptores, geração de podcasts, perderemos competitividade e ficaremos defasados”.

Alvarez destacou a importância do rádio para pequenas cidades e também para regiões mais afastadas. Ele citou o exemplo da Amazônia, onde grande parte da população obtém informações sobre o que está ocorrendo no país e no mundo por meio das emissoras de rádio. “O rádio é o meio de comunicação por excelência, porque supera as fronteiras geográficas e sociais”, disse.

O Seminário de Rádio aconteceu no dia 1º de setembro, em Brasília, e contou com a presença de empresários da radiodifusão, acadêmicos, representantes do governo federal e de empresas de tecnologias.

 

Gilmara é editora da Revista da SET. E-mail: gelinska@gmail.com