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O futuro das novas infraestruturas IP

Nº 147 – Dez/Jan 2015

por João Martins e Fernando Moura, em Amsterdã

REPORTAGEM

O mundo broadcast está mudando e as estruturas IP estão se transformando em uma constante nas emissoras de TV. Cada dia é maior a presença de engenheiros de TI e de plataformas de software com workflows completos. Por isso, nesta segunda parte das “Primeiras impressões sobre o IBC 2014”, a reportagem avança para o futuro do que pode ser a estrutura de engenharia das televisões.


Q
uando olhamos o futuro vemos que, no IBC 2014, a perspectiva das infraestruturas de vídeo sobre IP e soluções multi-tela predominaram nos estandes das empresas que melhor entendem a necessidade de dominar a convergência entre as indústrias de telecomunicações, sistemas TI e broadcast.PRIMEIRAS IMPRESSÕES – II PARTE

Empresas como a Ericsson que basicamente continuam a reforçar cada vez mais o seu portfólio de soluções através de aquisições, nomeadamente num esforço para ganharem competências na área dos sistemas de armazenamento e distribuição de software em cloud. Uns meses após ter comprado a Red Bee Media, Azuki Systems e Mediaroom, a Ericsson, anunciou a aquisição da Fabrix Systems, reforçando a sua capacidade de oferecer serviços TV Anywhere e aplicações em cloud, incluindo aplicações de gravação de conteúdos diretamente para sistemas de armazenamento em cloud e video-on-demand (VOD).

O IBC 2014 mostrou que estamos em um momento de transição, um momento em que a indústria da TV mudará seus procedimentos e formar de fazer. Agora. Será que a afirmação da Ericsson se cumprirá?

A visão da Ericsson consiste precisamente em alargar o conceito de redes IP, deslocalizando as infraestruturas tradicionais de produção, emissão e distribuição para soluções em cloud, onde as estações de televisão se convertem basicamente em produtores e clientes destes serviços multicanal.
Com a aquisição da empresa israelita Fabrix Systems, a Ericsson ganha uma plataforma de computação e armazenamento desenhada para empresas de mídia que segundo a marca, “oferece uma solução simples, otimizada para armazenamento de mídia, processamento e distribuição com aplicações cloud DVR e VOD”.
Segundo a Ericsson, as soluções da Fabrix combinavam já as tecnologias necessárias de “grid computing”, virtualização e processamento de vídeo que permitem suportar essas aplicações, permitindo oferecer novos serviços em que as estações de televisão poderão migrar as suas atuais infraestruturas, tirando partido de plataformas avançadas como as das soluções Ericsson MediaFirst e Ericsson Mediaroom. Uma visão de serviços que podem ser totalmente geridos numa arquitetura cloud, oferecendo capacidade de alimentar múltiplas plataformas de distribuição sem riscos.
A Ericsson explica esta visão com a evolução da atividade de televisão em convergência com a evolução das redes e da sociedade conectada que resulta da disponibilidade de infraestrutura de banda larga, serviços emcloud e mobilidade. Uma convergência em que, segundo a marca explica, cada vez mais consumidores, acedem aos seus conteúdos em qualquer tipo de dispositivo e em qualquer momento, ao mesmo tempo que os canais de televisão podem complementar os seus serviços de “broadcast” tradicionais com distribuição de vídeo eficiente e com qualidade garantida através dessas redes – de telecomunicações, leia-se, mesmo quando os consumidores na prática navegam livremente na Internet para aceder a serviços.

Luiz Menezes, gerente de Marketing da Área de Soluções de Mídia da Ericsson disse à Revista da SET que neste mercado em constante mudança o Brasil e a América Latina são fundamentais na estratégia global da multinacional

A Ericsson promoveu no IBC 2014 a sua visão “Media Vision 2020” que traduz precisamente essa aposta numa mudança acelerada para serviços TV Anywhere. (Ver box aparte) Ram Ben-Yakir, CEO e co-fundador da Fabrix Systems, explica essa visão ao afirmar que “os operadores de serviços de televisão, particularmente aqueles que possuem já redes de distribuição IP, estão acelerando os investimentos em novas arquiteturas de rede com optimização de vídeo para poderem concretizar a sua visão de TV Anywhere. Através das instalações que estão acontecendo em todo o mundo com nossas soluções de armazenamento em cloud e soluções de computação distribuídas em rede, temos vindo a oferecer aos operadores de televisão a capacidade de estes implementarem serviços DVR em cloud, reduzindo custos e permitindo oferecer uma experiência unificada aos consumidores no acesso on-demand aos conteúdos”.
A diferença entre a visão que se promove numa exposição como o IBC e aquilo que se passa no continente americano e outras regiões do mundo, é que na Europa os clientes da Ericsson e Fabrix passaram a ser as grandes empresas de telecomunicações como a Telefónica e dezenas de outros grandes operadores, enquanto na América do Norte e no Brasil, ainda são diretamente as grandes redes de televisão que controlam as suas próprias infraestruturas. Mas na migração dos serviços de televisão para redes sobre IP, será inevitável uma convergência a nível de serviços também com os operadores de telecomunicações e redes.
A visão “Ericsson Media Vision 2020” que a marca promoveu no IBC 2014 consistia precisamente em mostrar como as tecnologias que a marca tem vindo a adquirir e a desenvolver se combinam cada vez mais em serviços que estão já disponíveis em mais de 180 países, combinando modelos de redes de distribuição de conteúdos (CDN), gestão da distribuição, aceleração e armazenamento de proximidade, agora também abrangendo já distribuição para dispositivos móveis através de aplicações para redes LTE. Essa visão abrange mesmo a distribuição de sinais 4K UHDTV e não é apenas para sinais HD com forte compressão, ao contrário do que se poderia pensar. Não é por acaso que se chama “Media Vision 2020”, porque o mapa desta evolução, segundo a Ericsson, projeta que todas as peças da equação deste modelo estejam disponíveis a nível mundial até esse ano. Atualmente ainda faltam partes fundamentais, mas essa é a visão.

A Grass Valley apresentou-se no IBC 2014 já com a sua imagem pós-fusão com a Miranda – como parte da Belden – e mostrava soluções interoperacionais das duas marcas com destaque para as soluções Stratus em combinação com matrizes NVISION

A visão da nova Grass Valley
Se a visão da nova Imagine Comunications, como explicamos na edição anterior, não é muito fácil de entender e visualizar na globalidade para quem na indústria está a planejar a migração dos seus atuais equipamentos e infraestruturas para um modelo que acompanhe as novas tendências e necessidades da sua organização, para os clientes existentes da Miranda e da Grass Valley, agora as empresas compradas pela Belden e unificadas sob a designação Grass Valley (desta vez com logomarca de cor Roxa), as coisas são ainda menos fáceis.
Não se tendo apresentado com o protagonismo a que tanto a Miranda como a Grass Valley nos habituaram no passado – não tendo sequer promovido uma coletiva de imprensa – uma visita ao estande unificado da marca se percebia que existia claramente uma evolução das soluções conhecidas de anos anteriores, enquanto outras haviam desaparecido por completo.
Sendo ainda a única empresa entre “os grandes” que também produz câmeras de televisão, uma parte do estande da Grass Valley era naturalmente ocupada pela área da produção e captação. No resto do espaço se via um notável esforço de demonstrar a integração das soluções, o que não é fácil. Ainda no ano passado havíamos elogiado a capacidade que a Miranda havia demonstrado de integrar, nomeadamente, os sistemas de orientação TI da Omnibus (que a Miranda comprou) e vimos no NAB 2014 como todas estas soluções se apresentavam agora a correr na nova geração de plataformas hardware e servidores da Grass Valley. É muita mudança em pouco tempo e deve ser seguramente um pesadelo para as equipes comerciais que têm que explicar a sua oferta aos seus clientes.

Talvez por isso mesmo, a “nova” Grass Valley – à semelhança da estratégia seguida pela Imagine Communications – fazia o esforço de dar um salto em frente, promovendo diretamente a migração das suas soluções totalmente para IP e soluções baseadas emcloud. No centro destas propostas está, no entanto, hardware bem pouco “virtual”, tal como a nova gama de matrizes NVISION 8500 Router IP Gateway que combinam toda a migração das infraestruturas de sinais de banda base e SDI para IP, ao mesmo tempo que integram funções de processamento, ingesta, multi-telas, monitorização e emissão (playout), tudo de forma modular.
Faz todo o sentido e é uma forma de demonstrar claramente aos clientes existentes como evoluir a sua infraestrutura para um futuro que venha a ser totalmente dependente de software e soluções em cloud, mas fazendo a ligação com o que existe hoje.
Na área da emissão, a Grass Valley continua investindo na evolução da sua solução GV Stratus Playout que, aliás, foi uma das primeiras na indústria a ser proposta como uma solução software-as-a-service (SaaS) e emcloud. Ao mesmo tempo, a nova geração GV Stratus assenta em módulos “channel-in-a -box” compactos (1U) que permitem configurar todo o playout de canal com grafismo a partir de armazenamento em estado sólido, simples e fiável. A nova solução GV Stratus Playout garante a preparação, distribuição, controle e monitorização de todos os dispositivos de playout a partir de uma arquitetura em cloud, acessíveis através de clientes web e permitindo às organizações enorme agilidade.
A Grass Valley promoveu este conceito para a gestão da complexidade de operações necessariamente multicanal, desde o nível nacional a regional. Claro está, também a Grass Valley reconhece que fazer a transição para estes novos modelos de operação não é possível sem fortes parcerias. Neste caso, a companhía se associou à Aspera, uma empresa da IBM desde 2013, para a integração das capacidades de gestão na transferência de arquivos para cloud.

Nomeadamente, o sistema GV Stratus passa a suportar a tecnologia de transporte FASP da Aspera, que torna possível transferir grandes arquivos de vídeo e grandes quantidades de arquivos em redes WAN de forma segura e robusta, ao contrário dos mecanismos comuns como as transferências FTP.
Por outro lado, a Grass Valley apresentou no IBC 2014 uma série de novas soluções bastante mais terra- a-terra, tal como a nova versão de transmissão de sinais de câmera CopperHead 3430AP; uma nova versão da solução de monitorização iControl-VM, que permite virtualizar organizações com múltiplos centros geograficamente dispersos; e a nova versão do sistema de edição Edius 7.4, agora com suporte de novos formatos e novas opções Avid DNxHD e Dolby Digital Pro/Plus (disponíveis de base na versão Edius Elite), e com maior integração com os sistemas GV Stratus, nomeadamente na capacidade de distribuir processos de codificação de arquivos e acesso a sistemas de armazenamento remotos e distribuídos.
O software Edius continua a ser, para quem escreve, um dos melhores e mais completos sistemas de edição e pós-produção, depois de ter sido o primeiro a mostrar capacidade de editar material em 4K. No entanto, claramente, as soluções de edição não-lineares já não parecem ter a importância nas decisões dos broadcasters que tiveram anteriormente.
Tal como já não parece ter a importância que anteriormente tiveram os switchers de produção, uma área onde a Grass Valley sempre foi um fabricante de referência. No IBC 2014, a Grass Valley destacava novas configurações Karrera K-Frame orientadas para produção de esporte, combinando sistemas ImageStore e multitelas como novas placas de mistura/ efeitos triplas a preços competitivos. E claro está, a Grass Valley também não se esquecia de explicar como todas estas soluções suportam já 4K ou podem ser usadas na migração para 4K/UHD.
Segundo explicava Mike Cronk, atual vice-presidente sénior de marketing estratégico da Grass Valley, “com a proliferação de formatos, os broadcasters estão preocupados com o custo adicional de acrescentarem novos equipamentos que suportem a distribuição de novos programas em 4K/UHD. A Grass Valley oferece uma solução eficiente em termos de custos para suportar todos os atuais formatos de produção e que pode ser configurada para responder amanhã às necessidades de transição para 4K/UHD “.

As soluções Grass Valley Karrera com K-Frame e as matrizes NVISION 8500, sendo soluções 3G/1080p 50/60 estão já preparadas para 4K/UHD e podem ser complementadas com os sistemas de multiviewer Kaleido-Modular-X

No estande da marca se demonstravam novas soluções que respondem à produção de esporte em 4K/UHD, uma das áreas que claramente irá estar na linha da frente desta evolução.
Nessas soluções se incluíam as novas câmeras LDX 4K/UHD, baseadas em formato de sensores de 2/3” e que como tal suportam as objectivas zoom B4 atualmente existentes, em conjunto com soluções de transmissão de sinal em fibra, sem os compromissos de complexidade de sistemas desenhados mais para cinema digital e que estão sendo utilizados nas transmissões experimentais 4K.
O sistema de câmeras LDX 4K/UHD foi pensado especificamente para esporte e para grandes produções de eventos ao vivo, complementando as novas câmeras com as soluções Grass Valley como switchers, matrizes, sistemas de edição, monitorização e repetição que já suportam sinais 4K. Especial importância nestas soluções representa o sistema K2 Dyno Replay com funções de panorâmica e zoom 4K/UHD diretamente controladas poir meio de uma aplicação de tela tátil K2 Dyno, em conjunto com os switchers Kayenne e Karrera com módulos K-Frame que sendo soluções 3G/1080p 50/60 suportam já a evolução para 4K/UHD.
As matrizes NVISION 8500 Series estão já preparadas para 4K/UHD e podem ser complementadas com o sistema multi-tela Kaleido-Modular-X, também com suporte nativo de fontes quad-link 4K/UHD.
Na área de migração de sinais SDI para IP, a Grass Valley demonstrava no seu estande uma tecnologia baseada em SDN (Software Defined Networks) de migração para redes IP, permitindo o controle híbrido de infraestruturas SDI e IP, em simultâneo. Basicamente, os mesmos painéis de controle permitem a comutação de sinais SDI e IP usando a mesma aplicação SDN, com a vantagem de garantir o suporte de roteadores TI e equipamentos de rede 10 GbE de outros fabricantes. Futuramente, a Grass Valley espera poder alargar o suporte desta solução a equipamentos de nova geração com Ethernet de 25, 40 ou 100 Gbps.

Demonstrações 4K
Os visitantes do IBC 2014 podiam encontrar interessantes demonstrações de como os sinais 4K vão estar facilmente acessíveis nos lares através das propostas da Aliança HDBaseT – a tecnologia que está sendo cada vez mais usada para distribuição de sinais A/V e controle remoto diretamente sobre cabos Cat-5, incluindo alimentação até 100V.

Demonstração do sistema de referência para serviços por cabo, no estande da Intel, da mais recente tecnologia DOCSIS 3.0 Full-Spectrum Capture da MaxLinear para distribuição de pacotes de 32 canais numa cadência de dados até 1.6 Gbps

“Pela primeira vez no mundo”, como era promovida a demonstração da HDBase-T era possível ver como um sinal de vídeo 4K captado debaixo de água por um simples smartphones, era emitido para mais de meio milhão de espectadores, usando a tecnologia HDBaseT. A operação envolveu mais de 200 mergulhadores, instrutores, fotógrafos profissionais e equipe de produção, para um mergulho de 20 metros no Mar Vermelho, em Israel, com o objetivo de filmar os destroços de um navio. O evento foi emitido ao vivo no YouTube, filmado com duas câmeras HD da Panasonic e um smartphone equipado com uma câmera 4K. Para distribuir o sinal 4K ao vivo até à superfície, foi usado um emissor HDBaseT ligado a um receptor num navio através de um simples cabo de rede, de onde era originada a transmissão em streaming para o YouTube. Mais do que demonstrar as virtudes da tecnologia HDBaseT – na nossa opinião bem claras – esta apresentação original demonstra também como todo mundo vai começar a se habituar a ver imagens 4K, muito antes de existirem canais de televisão nessa resolução (até mesmo do fundo do mar…).
No IBC 2014, também, tornou-se claro como as redes móveis (celulares) estão evoluindo rapidamente para novas arquiteturas 4G/LTE e para além disso, permitindo começar a pensar em aplicações que, de uma forma ou de outra, vão seguramente rivalizar ou complementar as redes de televisão existentes.

A Intel promovia também no IBC 2014 demonstrações de soluções 5 Gigabit com base no padrão DOSCSIS 3.1

Por exemplo, a Netgear promovia no IBC 2014 o seu primeiro sistema de agregação LTE Category 6 com suporte 4G LTE Advanced, oferecendo uma solução ideal para profissionais que se deslocam para zonas onde não existem serviços de banda larga dedicados. Agregando múltiplos acessos dos operadores existentes, estas soluções da Netgear permitem obter um serviço com uma largura de banda até 40 MHz, disponibilizados em pontos de acesso Wi-Fi 802.11ac de dupla banda (2.4GHz e 5GHz), criando assim hotspot móveis que suportam até 15 dispositivos em simultâneo. Obviamente que, no IBC 2014, a Netgear promovia o potencial destes sistemas – todos comercialmente disponíveis este ano – em aplicações para contribuição de redes de televisão, dispondo de uma completa gama de antenas externas que permitem criar facilmente uma cobertura de boa qualidade numa zona onde decorre um evento.
Na área da transmissão 4K, uma das principais demonstrações foi promovida pela SES Astra em colaboração com a Samsung, para transmissão 4K UHD ao vivo de um sinal codificado em HEVC usando as especificações DVB UHD Fase 1.
A iniciativa foi promovida pela SES em conjunto com a Nagra Kudelski que forneceu os módulos de recepção CAM SmarDTV CI Plus que permitiam que os sinais 4K fossem recebidos diretamente em televisores da Samsung, sem necessidade de uma STB externa. Esta foi a primeira demonstração de um sinal Ultra HD de 3840×2160 pixels codificado em HEVC com encriptação a ser decodificado diretamente num televisor compatível, mostrando que a implementação de canais Ultra HD via satélite está pronta.

A SES promoveu demonstrações de recepção de sinais 4K UHD codificados em HEVC e emitidos via satélite para televisores Samsung equipados com módulos de recepção Nagra Kudelski CAM SmarDTV CI Plus, sem necessidade de uma STB externa

Com vista a implementações futuras, mas bem mais interessante, a demonstração de serviços HEVC promovida pelo consórcio DVB no seu estande, mostrava a combinação da segunda geração de normas DVB com o novo sistema de compressão HEVC, de forma a suportar transmissões 4K sobre satélite (DVB-S2X) e rede terrestre (DVB-T2).
A demonstração do serviços via satélite DVB-S2X – cuja especificação foi agora aprovada – permitia ver como era possível suportar até 4 canais 4K UHD codificados em HEVC num único canal de 36MHz a uma cadência de 100 Mbit/s. A demonstração com o padrão terrestre DVB-T2 permitia ver até 7 canais HD codificados em HEVC num único canal de 8MHz a 64 QAM e com uma cadência de 26.56 Mbit/s. O sistema mostrava ainda robustas capacidades de recepção no interior de edifícios com antenas pequenas, assim como recepção móvel. Esta demonstração, tornava claro como a Europa fará a migração dos seus canais atuais que ainda emitem em SD para HD, permitindo otimizar as capacidades existentes das redes terrestres em DVB-T, convertendo-as para DVB-T2 e conseguindo assim duplicar a capacidade existente.
Esse, por exemplo, é o plano já existente na Alemanha.

As soluções na “nuvem” foram o grande destaque do IBC 2014. Em todos os corredores da exposição realizada em Amsterdã se viam soluções de cloud público ou privado

Além disso, o consórcio DVB ratificou recentemente a especificação DVB-UHDTV Fase 1 que inclui um perfil HEVC para serviços DVB, permitindo suportar a transmissão de sinais 1080p HDTV até 60 imagens por segundo ou sinais 4K, com resolução 10 bit. Entre a vasta gama de opções definidas no perfil HEVC Main 10, no nível 5.1 estão especificadas resoluções até 2160p (resolução horizontal), enquanto o nível 4.1 especifica o suporte de resoluções até 1080p. A especificação DVB-UHDTV Fase 1 tem igualmente em conta a possibilidade de vir a existir uma UHDTV Fase 2 com maior número de frames por segundo (HFR), de uma forma compatível com a Fase 1.
Além do mais, o consórcio DVB definiu uma série de especificações para identificação de conteúdos e sincronização de serviços para “segundas telas” (“Companion Screens”, na terminologia DVB), aprovando-se a utilização do Perfil MPEG-DASH para transporte de serviços DVB sobre redes IP.
Esta especificação define a distribuição de conteúdos através de streaming adaptativo HTTP, sendo que o padrão MPEG-DASH abrange uma série de aplicações e opções com codecs de vídeo e áudio que são compatíveis com as normas e serviços DVB, sistemas de encriptação MPEG e legendas baseadas em XML.
Estas novas especificações definidas pelo consórcio DVB seguiram agora para o Instituto internacional ETSI para publicação.
Vários fabricantes apresentaram já no IBC 2014 equipamentos de codificação e recepção preparados para os novos padrões DVB-S2X e DVB-CID, tal como a Harmonic que expandiu a sua gama de codificadores de contribuição Ellipse 3000 para operações DSNG com suporte do novo padrão de identificação DVB Carrier ID (DVBCID) que permite reduzir a interferência entre sinais de satélite e a nova especificação DVB-S2X que duplica a capacidade de transmissão via satélite em relação ao sistema existente DVB-S2, qualquer que seja a banda utilizada.
Não faltaram ainda múltiplas demonstrações de transmissão de sinais 4K por todo o IBC 2014, destacando- se ainda as apresentações da DivX em serviços OTT, aproveitando as tecnologias adquiridas à MainConcept e que incluem já suporte HEVC a 10-bit. As demonstrações de produtos da DivX incluíam a solução DivX OmniView para broadcasters, operadores Pay TV e OTT, nomeadamente com suporte de múltiplos serviços de streaming simultâneos, serviços VOD e suporte 4K, combinando suporte MPEG-DASH e reprodução/recepção em dispositivos iOS, Android, Mac, PC e televisores integrados.

No estande da Quantel se repetiam as apresentações onde se mostrava o trabalho realizado pela empresa durante a última Copa do Mundo Brasil 2014 no centro de produção 4K da FIFA onde a Quantel criou Highlights e promoções especiais das transmissões produzidas com tecnologia 4K 60P que a Sony distribuiu em tudo o mundo para promover as suas transmissões experimentais

A solução DivX 4K Content Delivery é outra das alternativas que a empresa promovia, permitindo que os fabricantes de televisores possam integrar a recepção direta de sinais 4K Ultra HD nos seus modelos. Esta solução foi já licenciada pela Toshiba e outros fabricantes de plataformas de desenvolvimento. Isso significa que no próximo CES 2015 em Las Vegas, vamos ver uma série de novos televisores que integram já a capacidade de descodificar e receber diretamente serviços OTT a 4K.
Mas não faltaram sequer alternativas de múltiplos codificadores HEVC por parte de novas empresas, a demonstrar a enorme dinâmica que as aplicações 4K e sistemas de transmissão mais eficientes estão tendo no mercado. Por exemplo, a empresa indiana Ittiam Systems anunciou a disponibilidade imediata do seu novo codificador e decodificador H.265/HEVC de terceira geração, já com suporte 422 a 12-bit e que, em conjunto com o SDK da empresa está na base de toda uma nova geração de dispositivos prestes a surgir no mercado. Segundo a Ittiam, este novo codec suportará aplicações H.265 para UHD visualmente sem perdas, tanto para aplicações de pós -produção, como soluções de transmissão eficientes combinadas com tecnologia de codificação VBR de dupla passagem diretamente sobre plataformas baseadas na arquitetura Intel Haswell e com sistemas de aceleração GPU eficientes, potencializando o surgimento de equipamentos de televisão com suporte 4K UHD a preços económicos.
Por outro lado, empresas como a SoftAtHome anunciaram a disponibilidade de novas soluções para receptores HEVC/4K em set-top boxes já com suporte até 60 fps, em plataformas de baixo custo, o que, segundo a empresa, permitirá que os sistemas de recepção 4K UHD se generalizem rapidamente no mercado.
O IBC irá regressar a Amesterdão no próximo ano, de 10 a 14 de setembro (exposição de 11 a 15 de setembro). Antes disso irá decorrer o IBC Content Everywhere em Dubai, de 20 a 22 de janeiro de 2015 e uma edição na América do Sul.
Nas próximas edições continuaremos a explorar outras vertentes da tecnologia apresentada nesta exposição, nomeadamente em termos de soluções de captação e pós-produção.
www.ibc.org


“O futuro está na contribuição mediante streaming de vídeo”

Ericsson

Al Núñez, presidente para Latino-américa do Grupo de Soluções para TV da Ericsson afirma que o mercado brasileiro é fundamental na estratégia da multinacional

O IBC 2014 mostrou que as estruturas IP e as plataformas de contribuição serão essenciais nos próximos anos para a indústria. Nesse caminho está a Ericsson, para a qual o processamento de áudio e vídeo será fundamental nos próximos anos.

A importância do mercado broadcast para a Ericsson aumentou nos últimos tempos com mudanças na sua estratégia de marketing e com força total para este mercado, assumindo que a América do Sul é fundamental devido a que neste momento realiza sua migração para o digital.
No IBC 2014, Al Núñez, presidente para Latino-américa do Grupo de Soluções para TV da Ericsson, recebeu a Revista da SET no estande da marca e conversou sobre a região, as expectativas da empresa com respeito ao mercado brasileiro e quais as principais tendências do mercado no futuro.
Para Nuñez, o foco da empresa na região está no Brasil e nele, “nos próximos Jogos Olímpicos que se desenvolverão no Rio de Janeiro em 2016. Isso vai fazer que as emissoras e os sistemas que estão sendo criados e as redes que estão sendo desenvolvidas para cobrir as necessidades do maior evento esportivo do mundo sejam finalizadas”.
Segundo o executivo da Ericsson, o momento é de grandes mudanças tecnológicas no “mercado da compressão de vídeo, por isso é tão importante estar atento e oferecer soluções acordes as necessidades dos clientes.

Hoje é muito importante a qualidade do vídeo, mas não só. Temos de pensar como esse vídeo chega aos usuários e que ferramentas entregámos aos nossos clientes para que estes possam transportar esse vídeo, que cada dia tem mais qualidade técnica e com isso maior banda”.

Um dos principais focos da Ericsson são as apostas em tecnologia de contribuição em 4K

A seguir algumas das principais considerações da entrevista exclusiva de Al Nuñez à Revista da SET realizada em Amsterdã:
Revista da SET: Qual o principal objetivo da Ericsson no mercado broadcast visando o futuro?
Al Nuñez: Nos importa muito a integração das emissoras com as multiplataformas. Hoje é a mudança tecnológica mais importante. A tendência é que isto no futuro se transforme em uma coisa normal nas emissoras. Até há pouco tempo o foco estava no vídeo nas estruturas móveis, mas isto já é uma realidade. Hoje a principal tendência e mudarmos para estruturas centradas em conteúdos para essas plataformas.
Revista da SET: Que esta fazendo a Ericsson para isso?
Al Nuñez
: Hoje precisamos continuar investindo em nossos ecossistemas de trabalho onde os conteúdos de vídeo que são enviados através deles sejam o eixo da plataforma. Na empresa apostamos na investigação e no desenvolvimento de sistemas e plataformas de vídeo porque acreditamos que o futuro passa pelo streaming de vídeo e as contribuições que possam ser realizadas por este meio.
Revista da SET: Cada vez se observa maior preponderância nas feiras de soluções de software. Que pensa sobre essa nova tendência e sobre o futuro do hardware na indústria?
Al Nuñez
: Essa é a tendência, uma tendência muito forte por isso o que importa hoje é ter processadores de vídeo e áudio que possam ajudar aos broadcasters a trabalhar nesse novo mundo, um mundo com mais soluções de software que de hardware onde possamos integrar contribuição e distribuição. O que precisamos fazer e desenvolver melhores encoders e novos softwares para dar maior flexibilidade a indústria. Estamos em um período de transições rápidas que nos abrem grandes oportunidades de negócios, mas para aproveita-las precisamos estar a altura das circunstâncias e termos soluções acordes as necessidades dos nossos clientes.


O LED já é uma realidade na indústria broadcast

 Christie

O LED foi-se afirmando nos últimos anos. Hoje já não é uma promessa na indústria, mas sim uma tendência. No último IBC a Revista da SET conversou com o diretor Senior de Produto da Christie, Nicholas Fazio quem defende que o futuro está em iluminação LED, tanto para estúdios como para externas.

Nicholas Fazio afirma que o Velvet é um painel irrecusável para o cliente. “Só não quer quem não o vê funcionar”, afirma

La multinacional lançou em Amsterdã um novo produto ao seu portfólio, la linha Christie Velvet, novos painéis de LED de alta resolução para interiores que segundo Fazio são ideias para estúdios de TV.
Estes painéis trabalham com frequências de atualização de 1200HZ e brilho de 1000nits a partir de um desenho frontal de 3mmm ou 4mm permitindo grandes ângulos de visão (até 160º) com “negros mais obscuros e uma excepcional fidelidade cromática de alto rendimento”, afirma Fazio.
A seguir os principais trechos da entrevista realizada no estande da marca no IBC 2014 com o executivo da Christie: Revista da SET: Por quê uma empresa como Christie decidiu entrar no mercado dos LED e com este formato? Nicholas Fazio: Há tempo que a empresa estava planejando introduzir o formato de alta resolução para a projeção LED e por isso entramos, mas de todas formas não é só agora que chegamos a este mercado, já tínhamos produtos nesta área como o Entero LED – primeiro sistema de display LED de retroprojeção do mundo em Ultra Alta Definição – e os MicroTiles que são um produto muito importante.
Os produtos Velvet foram concebidos como instalação permanente de interiores por isso oferecemos quatro opções diferentes de alta resolução, como distâncias que vão dos 1.875 pixels até os 4 milímetros permitindo uma ótima visão do objeto.
Revista da SET: Hoje muitas empresas oferecem produtos deste género. Por quê a Christie decidiu entrar neste mercado?
Nicholas Fazio: Porque no caso de displays de alta resolução instalados em condições de iluminação para ambientes os clientes insistem no uso de LED, e este era um elemento que faltava no nosso portfólio de produtos.

A Christie lançou os painéis Velvet no IBC 2014 como solução de iluminação LED para estúdios de TV

Revista da SET: Nesse sentido, qual seria o vosso diferencial?
Nicholas Fazio:
O maior é a taxa de pixels e a distância entre eles que é muito estreita, chegando a menos de 4 milímetros. Ainda porque com o processador Spyder, introduzido no equipamento ele fica muito bem complementado, já que além de encher o display, proporciona um alto nível de brilho pelos díodos instalados, e não temos o zumbido característico que parecia inevitável nos displays de LED, e finalmente, o sistema funciona com um nível de calor baixinho o que o diferencia dos outros qua aquecem muito facilmente.
Revista da SET: Por quê escolheram o IBC para este lançamento?
Nicholas Fazio:
Porque é um produto que se adapta a este mercado. O sistema não possui ventilador o que elimina o ruido de estúdio e o leque de temperaturas de cor pode varias dos 2700K até os 9300K o que no broadcast estaria em um rango de pelo menos 3500K. Ainda porque este display não tem efeitos de pixelado e tem um angulo de visão fora do eixo de 160º; e ainda permite manter uma relação de contraste elevada de 3000:1, com um brilho de 1.000 nits (cd/m2).