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O 4K/UHDTV discutido em profundidade no Congresso SET 2015

FEIRAS E EXPOSIÇÕES – Congresso SET Parte II

Nº 155 – Out /Nov 2015

por Fernando Moura, Francisco Machado Filho, António Araújo, Gabriel Cortez e Equipe ProEx*, em São Paulo

 

A evolução das formas de captação, produção e distribuição tiveram destaque, com foco na Ultra Alta Definição UHD (4K), Super Hi-Vision (8K) e com uma indústria onde cada dia é mais importante o acervo e a digitalização as palestras sobre este tema se tornaram parte fundamental do mundo broadcast. Outro tema importantíssimo no Congresso foi o futuro do Rádio, a migração da AM para o FM, e como digitalizar as emissoras espalhadas pelo país.

27ª edição do Congresso SET que se realizou de 23 até 27 de agosto de 2015 trouxe a São Paulo cientistas, profissionais, CEOs, CTOs, pesquisadores, analistas e consultores dos cinco continentes para debater o presente e o futuro da televisão desde diversos prismas, opções e línguas. Como nos 26 congressos anteriores, o ponto principal foi o desenvolvimento tecnológico da indústria, mas como poucos, neste evento se discutiu a sobrevivência da indústria que cada vez esta mais atrelado ao uso do espectro, um bem que até a alguns anos era uma questão pouco discutida, mas que hoje pelo avanço das telcos e a chegada do 4G, se tornaram imprescindíveis. A edição 2015 teve mais de 2000 congressistas, uma das maiores assistências da sua historia.
Na última Copa do Mundo Brasil 2014 se realizaram os primeiros jogos ao vivo em 4K da historia da televisão, mas nestes a Globosat e a FIFA, produtoras do evento, tiveram algumas dificuldades na captação de imagens com câmeras com sensor de grande formato.
A sessão: Além do HD: soluções 4K/ 8K para aquisição e pós-produção na próxima geração de formatos de broadcasting, moderada por Celso Araújo, ex-diretor de fotografia da TV Globo/SET, contou com as exposições de Kohji Mitani (NHK), Milton Nakano (Hitachi), Neil Hugo (Panasonic), Erick Soares (Sony), Fredy Litowsky (Harmonic), Skip Levens (Quantum), e Edel Garcia (Glookast).

Palestra aponta possíveis alternativas para esse tipo de transmissões, apresentando as novas câmeras 4K-HD com um, três ou quatro chips CMOS/MOS, prisma, sensores 2/3 de polegadas e baioneta B4

Kohji Mitani, engenheiro da NHK, emissora pública japonesa, apresentou as novas câmeras no Super Hi-Vision 8K utilizadas pela emissora. “O objetivo do Super Hi-Vision é trazer às narrativas audiovisuais uma experiência sensível à realidade. Até 2016, estamos preparando instalações para a produção de conteúdo em 8K ao vivo e gravadas”, destacou.
Além das câmeras, Mitani contou que a NHK esta desenvolvendo equipamentos de conversão e de edição de imagens que “permitem uma interoperabilidade entre vídeos em 8K, 4K e HD. É um sistema que faz a conversão e a edição das imagens em uma mesma timeline. Deverá estar pronto no final deste ano”, pontuou.
O Japão se prepara para fazer as primeiras transmissões via satélite em 4K e 8K em 2016, segundo o engenheiro da NHK. “Os novos produtos 8K que estamos desenvolvendo permitirão uma boa interoperabilidade entre produções 8K, 4K, e HD e darão suporte a uma grande quantidade de programas de produção em Super Hi-Vision, com um suporte de áudio para 22.2 canais”, sintetizou.

Kohji Mitani (NHK) afirmou que a empresa espera “entregar imagens altamente realistas aos nossos telespectadores, imagens que contenham todas as possibilidades que o 8K oferece” em Tokio 2020

Pela Hitachi, Milton Nakano, gerente de exportação da companhia no Brasil, falou das soluções 4K e 8K para a aquisição e a pós-produção de imagens adotadas pela marca. “Temos câmeras em SHD (8K) e temos câmeras UHD (4K). Na NAB de 2008, apresentamos a nossa primeira geração de câmeras. Em 2015, mostramos o Super Hi-Vision em seu modelo mais avançado. Nessa linha de câmeras, utilizamos um gravador de 2 TB para poder capturar em SHD. O CCU (Camera Control Unit) delas possui um canal de saída 8K Out – 1 ch HD-SDI (1.5 Gbps) x 16 or 2ch HD-SDI (3Gbps) x8, mas também trabalha com saídas 4K e 2K. A linha está quase no mercado. Só estamos esperando a autorização da NHK para saber se podemos vender já ou não”, finalizou.
O palestrante acrescentou, ainda, que para reduzir custos, a Hitachi desenvolveu “uma câmera, pensamos em uma lente baioneta CMOS 2/3, que é mais barata e é a que o mercado está acostumado. Utilizamos um bloco ótico, para dar mais precisão na separação de cores e tornar a câmera menor. Com a utilização do bloco ótico, conseguimos uma relação 62 dB e sensibilidade F8. Também escolhemos a lente baioneta porque é mais barata. O 4K permite utilizar vários tipos de câmera. Na área de cinema, os produtores têm muito dinheiro para comprar os equipamentos. Na área de broadcast, a produção precisa ser mais rápida e os equipamentos mais baratos,” disse.

Milton Nakano (Hitachi) disse que como a tecnologia 8K é muito cara, “a Hitachi pensou em uma solução mais econômica e mais acessível ao mercado de broadcast”

Existem dois tipos de separação de cor: o padrão Bayern e o padrão prisma, explicou Nakano: “O prisma possibilita uma separação ótica mais eficiente. Utilizando sensor normal, de High Definition (HD), A vantagem do prisma em relação ao Bayern, em câmeras 4K, é que o contraste e a sensibilidade são melhores. A imagem se torna melhor. Nós não pensamos em algo melhor do que isso, porque a interface para transmitir o sinal criado dentro da camera para outro equipamento não existe. Não temos uma interface que receba além de 3Gbps. Uma interface 6 Gbps está sendo projetada. Para broadcast, ainda não conseguimos transportar sinais em 8K como deveríamos. Mas, estamos trabalhando para isso. As nossas câmeras são docáveis para que se possa trocar apenas a ‘cabeça’ da câmera, quando surgirem novas soluções”, finalizou.
Neil Hugo, Product Manager da Panasonic, disse que a marca “acabou de desenvolver um sistema de prisma de cores que é o segredo de nossas câmeras”. A câmeras do futuro vai ter suportar HDR e SDR, segundo ele. “A tendência para esportes são as câmeras 2/3 polegadas com baioneta B4. Muitos usuários utilizam adaptadores para 2/3. Isso não é bom para a câmera, por que pesa. Nós pensamos em colocar o adaptador ótico dentro das câmeras. Dependendo do fabricante, especialmente para as câmeras de 2/3, utiliza-se essa opção. Nós preferimos utilizar sensores internos”, frisou.

Erick Soares (Sony) afirmou que o maior desafio da indústria é encontrar padrões em IP para ultrapassar as barreiras da banda que possam suportar as cadeias de produção 4K e, futuramente, 8K”

O 8K ainda é um desafio, segundo o representante da Panasonic. “O nosso pedido aos produtores de lentes são por lentes maiores. Outra ‘questão é como transmitir 4K e 8K. Precisamos desenvolver um novo padrão, como a transmissão IP. A internet pode transmitir até mesmo vídeo. Para transmissões ao vivo, nós precisamos trabalhar na padronização com equipamentos profissionais e parceiros de rede para entregar o material capturado com qualidade”, finalizou.
Erick Soares, especialista de vendas e marketing da Sony, falou da expectativa de evolução tecnológica para os próximos anos. “Com os avanços no Japão, previstos para os próximos anos, a Sony procura incorporar esse know-how. A cada dia, temos mais pixels, e esses pixels se tornam menores. E aí está um desafio: como manter uma boa qualidade de imagem? A Sony se preocupa com isso. É o que mostramos na [câmera] F65 8K. Hoje temos sensores de 35 mm e de 2/3 polegadas. Ambos são interessantes”, disse.
Para a dramaturgia, na opinião de Soares, “os sensores Super 35 mm são os mais adequados, por apresentarem uma relação sinal ruído menor. Para o esporte, os sensores de 2/3 são melhores, pois fornecem mais profundidade de campo. Um outro ponto importante é o High frame Rate, que possibilita trabalhar com câmeras em velocidade mais alta. O grande desafio é passar do HD, em 3 Gbps, para o 4K, em 12 Gbps, ou o 8K, com um volume de dados praticamente insustentável por meio de cabos coaxiais convencionais. Esse é o desafio da indústria. Encontrar padrões em IP para ultrapassar essas barreiras e suportar as cadeias de produção 4K e, futuramente, 8K. Logo logo, toda a cadeia trabalhará com essa infra-estrutura”, argumentou.

Os desafios em infraestruturae pós produção de imagem
Fredy Litowsky (Harmonic e atualmente na AVID) apresentou a solução da empresa para os desafios infra-estruturais: “O sistema da Harmonic para a infra de servidores é baseado em sistemas modulares e em um clientDSI. Com os novos formatos, criamos outras opções, podendo aumentar o número de clients e o número de storages. Mas, o que realmente traria inovação seria trabalhar com sistemas não apenas baseados em hardware, mas também com software-oriented e compression. A estratégia de fornecer a migração SDI para IP é propor uma estrutura de vídeo virtualizada, mas, ao mesmo tempo, fornecer soluções em appliance, fazendo a transição gradativamente. A nossa solução pode ser adicionada a sistemas que as emissoras já possuem. Isso vale também na parte de storage. Hoje, podemos atender sinais SDI standard até o UHD. Na parte de encoders, a solução da Harmonic funciona da mesma forma”, relatou.

Edel Garcia (Glookast) disse que “devemos nos preocupar em trabalhar simultaneamente com soluções para 4K e HD, assim, não precisamos jogar fora toda a nossa infraestrutura”

O representante da Harmonic mostrou, ainda, que “existem câmeras, hoje, trabalhando em 24 Hz para cinema. Mas, para eventos ao vivo, é preciso utilizar entre 50 Hz e 60 Hz”. Já Skip Levens, da Quantum, afirmou que “o 8K está vindo e é isso o que o consumidor quer. Combinado ao fato de que as pessoas querem os conteúdos o mais rápido possível, bem como ao fato de que a internet está tomando a audiência publicitária dos broadcasts”, o palestrante ressaltou que enxerga “uma grande oportunidade na transição 4K para 8K, uma oportunidade diferente de construir novos tipos de fluxo de trabalho, algo mais profundo do que ocorreu na transição SD para HD. Agora, precisamos pensar em como armazenar conteúdo. A primeira coisa que os nossos clientes precisam é isso. Esses sistemas podem aumentar a eficiência em todo o fluxo de trabalho. As novas e altas resoluções são uma oportunidade criar novas formas de monetização com a transição do HD para o 4K. E essa é só a primeira ‘onda’ neste cenário de mudanças ”, finalizou.
Em contraponto, Edel Garcia, vice-presidente executivo de operações SETmundiais da Glookast, lembrou que “ainda há poucas pessoas trabalhando com filmagens em 4K e com pós-produção em 4K, porque a transição do HD para o 4K ainda é muito recente. Passar para o 4K é um desafio e tanto. Uma coisa que devemos nos preocupar é em trabalhar simultaneamente com soluções para 4K e HD, assim, não precisamos jogar fora toda a nossa infraestrutura. Dependendo da área com que você trabalha, é possível migrar para edições em proxy, se você trabalha com novela e cinema” destacou, encerrando a sessão.

Os UAVs ou mais conhecidos como Drones já se consolidaram como ferramentas de aquisição de imagens no meio audiovisual. Estamos repletos de opções, tipos e ainda uma grande porção de faça-você-mesmo na hora de integrar essas ferramentas voadoras em nosso fluxo de trabalho. Porém, os drones romperam com o que seria a última barreira da captura de imagens: as imagens aéreas. No Congresso SET 2015, os participantes da sessão “Drones: decolando com a TV” montaram um no palco

 

Painel discute avanços na tecnologia para transmissão UHDTV
Palestrantes da China, Japão e Reino Unido expuseram os avanços em seus países e as projeções para o Brasil. Moderado por Raymundo Barros, diretor de tecnologia da Rede Globo quem introduziu os palestrantes Dazhi He (NERC-DTV), Kohei Nakae (NHK), John Ive (IABM) e David Wood (EBU).
Dazhi He, diretor do departamento de pesquisa e desenvolvimento da NERC-DTV, explicou o desenvolvimento da tecnologia 4K na China. Segundo ele, o objetivo dos desenvolvedores de 4K é proporcionar a sensação de realidade e imersão porque esta “gera uma experiência muito boa para o telespectador e lucro para o emissor”.
O diretor contou que a China lançou um programa para desenvolvimento do 4K, o que resultou em conteúdo, decodificador de vídeo e transmissões de canais com essa tecnologia. Ele explicou os resultados e disse que foram desenvolvidos dois projetos, um para um sistema de TV terrestre, e outro em um sistema full- link, que envolve a captação, produção, edição, codificação, finalização e transmissão de conteúdo. Já o segundo, prevê uma rede híbrida interativa, na qual se utiliza um “transmissor original e se usa o conteúdo do difusor para gerar interação entre o emissor e o consumidor”.
Em relação à compressão de vídeo, a China tem o padrão AVS2, derivado do AVS, e que pode ser aplicado em satélites de TV digital, televisão móvel, banda larga e transmissão de discos. Ele contou que no ano passado realizaram um teste de TV a cabo 4K em um canal local e agora vão testar em uma emissora terrestre de Xangai. O executivo concluiu sua palestra afirmando que já realizaram “muitas preparações tecnológicas e temos uma cadeia bastante abrangente na nossa indústria [da China] o que nos dá certa confiança, mas o teste acabou de começar”.
Em seguida, Kohei Nakae, diretor de Desenvolvimento de Produção de Super High Vision da NHK, explicou as principais características do UHDTV, afirmando que seus principais diferenciais são gamut (REE 709, DCI-P3, BT202), Quantization Depth (8 bit, 10 bit, 12 bit), High Dynamic Range (Dolby Vision, HDR 10, NHK/BBC), Frame Rate (50hz, 60hz, 120hz) e Spatial Dimension (2D e3D).
Nakae explicou aos presentes que a primeira transmissão inteiramente realizada em 8K pela NHK ocorreu em 2012, nas Olimpíadas de Londres; sendo seguida pelas transmissões dos Jogos de Olímpicos de Inverno de Sochi (2014), de diversas seções públicas de conteúdo 8K e a Copa do Mundo 2014, além da Copa do Mundo de futebol feminino no Canadá deste ano. No Brasil, segundo o diretor, os testes devem começar ano que vem com as Olimpíadas Rio 2016.
No fim da sua apresentação explicou que “a derradeira transmissão em 8K vai começar em 2018. Em um encontro ocorrido em julho de 2015 no Japão já foi lançado o plano de transmissão. Teremos até 6 canais de 4K disponíveis, e um canal de 8K (NHK); quem vai transmiti-los ainda não está definido, mas acredito que em 2018 a NHK vai iniciar as transmissões” que serão a prévia da Olimpíadas de Tokio 2020 onde o 8K será lançado mundialmente.
John Ive, diretor de tecnologia e estratégia da IABM (International Association of Broadcasting Manufacturers), iniciou sua exposição com uma breve apresentação da entidade para contextualizar os serviços que prestam. Ele apresentou o resultado de uma pesquisa realizada no mundo que mostra o que as emissoras e empresas de mídia estão comprando. A maior preocupação de aquisição no momento são serviços de entregas de conteúdo em multiplataforma; o UHD é a quarta maior preocupação de compra. Já “Upgrading operation to HDTV’ está em sexto.Para ele, “o UHDTV só vai decolar no mercado de massa quando se transformar em uma boa opção custo-benefício”. No entanto, em termos de tecnologia, o UHDTV é mais compatível com High e Standard Definition, melhor que o 3D, e “a mudança de qualidade não é tão dramática quanto a de Standart para High Definition”, concluiu.
David Wood, vice-diretor de tecnologia e desenvolvimento da EBU, expôs as possíveis escolhas quanto à UHDTV.
Para ele deve haver compatibilidade com bom desempenho: – The loggamma approach”; ou melhor o desempenho possível com medidas para atingir compatibilidade: – The Barton’s approach”.Wood afirmou ainda que a UHDTV “não é só uma coisa, é um conjunto de características”, retomando as já apresentadas por Nakae.
O moderador do painel, Raymundo Barros (TV Globo), afirmou que “estamos discutindo aqui o futuro da produção e distribuição de conteúdo. Os vários debates em torno do futuro, do que virá depois do HD, e do beyond HD, é de extrema importância para a indústria. As questões todas tratadas aqui, dos vários atributos de qualidade e os padrões para gente conseguir isso, eles são muitíssimo importantes. Então acho que foi um painel muito relevante e vai contribuir para as decisões que vamos ter que tomar”.

Universo da produção, captação e pós-produção em 4K analisado com cases brasileiros


O futuro da TV passa pelo 4K e 8K
Representantes de empresas mostraram o desenvolvimento de seus trabalhos com essas lentes no painel “Lentes broadcast 4K/8K para broadcast” , na sessão que teve como moderador a Celso Araújo (SET), e palestrantes a Kohji Mitani (NHK), Noriyuki Takashi (Canon) e Gordon Tubbs (Fujifilm).
A sessão trouxe o panorama dos novos desenvolvimentos de lentes para câmeras que permitem realizar captação com estas tecnologias e esclareceu questões sobre os impactos no MTF (Modular Transfer Function) do sistema nos novos ecossistemas, as considerações sobre a maior resolução, alto contraste e a gama de cores mais expandida.
Gordon Tubbs disse que “o conhecimento do 4K vem da indústria cinematográfica” e que dela chegaram a TV os princípios para a produção dessas lentes (High Resolution, High Contraste High Dynamics Range). Ele expôs as especificações do processo de confecção das lentes 4K afirmando que “para o final desse ano esperamos ter uma lente um pouco mais larga”.
Celso Araújo disse à Revista da SET que no fim da sessão que “este painel teve como principal objetivo mostrar o gráu de dificuldade em usar essa câmera broadcast com diversos chips e com lentes 4K. Não é possível misturar uma lente HD com a lente 4K”.

Cases de produtoras apresentadosa partir do ponto de vista técnicoe artístico
Projetos audiovisuais da universidade e do mercado já usam com sucesso a tecnologia 4K, foi o que mostrou o painel moderado por Paulo Kaduoka (SET). Os palestrantes foram Almir Almas (ECA/USP e SET); Danilo Barauna, mestrando pela ECA/USP; Tony Viegas, coordenador da unidade RJ da O2 Pós; Paulo Barcellos, diretor geral da O2 e criador da White Gorilla e, Nelson Faria Junior, sócio diretor do Pet Channel e Diretor da SET.
Almir Almas exibiu a gravação de um espetáculo com projeções em 4K. O professor explicou que a obra pode ser classificada como “live image ou cinema expandido, com corpo 4K”. Ele seguiu sua apresentação abordando os pontos técnicos e tecnológicos envolvidos na produção, como os dados, bandas, equipamentos – dentre eles, a câmera JVC 4K (GY HMQ10) e o projetor Sony 4K e o fluxograma. “O trabalho envolveu arte e tecnologia. Ou seja, não SETenvolveu apenas o artista, mas todos os suportes tecnológicos necessários”, afirmou.
Acompanhando Almas, o mestrando Danilo Barauna apresentou aspectos envolvidos na produção. “Neste trabalho, houve a relação entre a estética e a técnica, e a exploração entre o real e o virtual”, explicou. Por fim, Almas retornou ao painel para mostrar as conclusões do projeto: “Há a possibilidade do cinema e do 4K ao vivo”.

A sessão “iniciativas em UHD 4K, H.265, DVB-S2X e vídeo sobre IP via Satélite” teve muita participação da plateia tornando-a uma das mais dinâmicas do Congresso SET 2015

Tony Viegas, que já atuou na produção de mais de 40 longas metragens, trouxe ao painel o case da série Magnifica 70, da HBO Brasil, totalmente gravada em 4K. O diretor apresentou as questões envolvidas antes da produção que serviram para entender o workflow em 4K. Para Viegas, as partes do workflow que requerem mais atenção são “ingest, geração dos dailies e back-up.” Ele também trouxe os números envolvidos no case, como o tempo de ingest e entrega de conteúdo envolvido – que mostrou melhor resultado em gravações via LTO.
Paulo Barcellos deu continuidade às exposições contando o histórico e os serviços da White Gorilla, um laboratório de revelação de imagens digital, fundado com o objetivo de eliminar os problemas envolvidos na produção audiovisual em 4K. Ele apresentou o equipamento portátil “Snowflake”, desenvolvido para reduzir as etapas de conversão de 4K (verificação das mídias, correção de cor off-line, backup em LTO (Linear Tape-Open), conversão de formatos e geração de dailies).
Barcellos ainda falou sobre as outras empresas que trabalha: a O2 e a O2 Pós, apresentando estudos de casos de produções como “As Brasileiras”, “Felizes para Sempre”, “Os Experientes”, “Que Monstro te Mordeu?”, e vídeos de publicidade.
O sócio diretor do Pet Channel (primeiro canal 4K da América Latina), Nelson Faria Júnior, explicou os motivos por trás de seu canal online, o “único canal do mundo que só fala sobre PETs”, e o “primeiro de América Latina em 4K”.
Faria explicou que optou por produção em 4K após fazer uma visita ao Japão e levar em conta que “nos próximos anos, 74% dos brasileiros possivelmente adotarão o 4K. Este é um processo evolutivo muito rápido e a intenção [do PetChannel] é acompanhar essa evolução”. Faria também mostrou a programação, as intenções e objetivos do canal que surgiu em março deste ano, mas já tem o potencial de cobrir até 1 bilhão de pessoas, através da internet.

Operadoras de satélite apresentam soluções para o futuro em 4K
O tema não se restringe a produção e captação, de fato, o mercado de engenharia satelital passa por revitalização com as novas tecnologias de transmissão de conteúdo e as novas opções de tráfego de sinal.
O momento de transição do HD para o Ultra-HD e o contexto de emergência das tecnologias IP nas soluções de infraestrutura de tráfego de sinal exigem mudanças na engenharia de satélite e uma Evolução do segmento satelital. É o que apontaram os palestrantes Rodrigo Campos (Eutelsat), José Édio Gomes (Hispamar), Márcio Assis Brasil (Intelsat), Jurandir Pitsch (SES), Geraldo César de Oliveira (Embratel Star One), Romildo Lucas (Telesat), e Márcio Tiago (Iasat), que falaram das tendências deste mercado e apresentaram os seus produtos para o próximo desafio da indústria: a transmissão dos Jogos Olímpicos de 2016. José Raimundo Cristovam (SET/Unisat/Globosat) moderou a sessão.
Rodrigo Campos, diretor-geral da Eutelsat no Brasil, afirmou que a companhia cobre 90% do globo e está para lançar mais seis satélites ao mercado global. “Para o Brasil, vamos lançar o 65WA no ano que vem”, disse. A respeito das tendências de futuro, o congressista lembrou que a compra das televisões de tela plana está crescendo rapidamente, assim como as produções em Ultra-HD: “Isso, certamente, deve impactar as indústrias de desenvolvimento de satélite. Para 2020, a expectativa é ter 200 canais Ultra-HD, 100 mil telas UHD, e 50 mil HEVC Set-top-boxes no mundo. Para 2025, a projeção é de 1000 canais UHD, 500 mil telas 4K, e 400 mil HEVC Set-top-boxes instalados. O ciclo de maturação do UHD vai ser menor do que o ciclo detransição para o HD. A Eutelsat está preparada para isso”, finalizou.
Em contraposição à fala de Campos, José Édio Gomes, diretor de operações da Hispamar Satélites, ressaltou que a transição para o UHD deve ser mais lenta do que foi a transição para o HD: “É preciso ter telas grandes para aproveitar o UHD melhor. Obviamente, nem todo mundo pode comprar essas televisões, por conta do custo. Além disso, a gente vê cada vez mais pessoas querendo assistir a programas on demand, em diferentes telas. Esses fenômenos estão modificando o mercado satelital. Por isso, a conversão e a distribuição dos conteúdos broadcast em IP é fundamental para atingir outras telas através de redes lineares. O Gateway SAT IP é o elemento central da experiência multi-tela”, frisou.

Nesta sessão as operadoras de satélites explicaram as suas iniciativas em curso, posicionamento sobre a situação atual, cenário futuro e tendências em UHD 4K, H.265, DVB-S2X e vídeo sobre IP via Satélite

O palestrante disse, ainda, que “’o lançamento do canal da Hispasat para a América do Sul está previsto para o final de 2015, com o objetivo de promover a adoção do padrão Ultra-HD e de atuar como um facilitador de ‘demos’ à indústria. A tecnologia está aí para ajudar. Tanto a banda Ku, quanto a banda Ka podem baixar o custo de transmissão. Em compensação, a banda C demora a degradar, enquanto a banda Ku degrada mais rápido. Mas, com a banda Ku, a disponibilidade média pode ser perdida em momentos de chuva”, ressaltou.
Márcio Assis Brasil, diretor de vendas da Intelsat, falou da mudança de paradigmas na distribuição de conteúdos e destacou as soluções satelitais que vão ajudar os distribuidores a veicular esses conteúdos.
“O consumo de vídeo na América Latina está mudando. Dos 120 milhões de lares que terão acesso à banda larga na América Latina até 2022, 52 milhões estarão no brasil. Além disso, a penetração dos smartphones, no continente, será de 70% até 2020. Isso vai exigir uma grande mudança, porque é uma transformação no consumo. Os atuais desafios para as operadoras de satélite são: a mudança no modelo de entrega dos conteúdos, que está indo do modelo ao vivo/linear para um novo modelo não linear; a complexidade das redes e das operações, com o aumento da largura da banda; e a complexidade de hardware e de software em toda a cadeia de produção e entrega dos conteúdos. Além disso, precisamos garantir a qualidade da experiência do telespectador, que possui cada vez mais opções de escolha”, argumentou.
Para a transmissão da Olimpíada 2016, o palestrante contou que a Intelsat trabalhará com um produto de transmissão via IP: “O novo paradigma na distribuição de conteúdos via satélite é ser em IP, ir de qualquer lugar para qualquer lugar, suporte para múltiplas telas, triple play, e high throughput. Pensando nisso, a Intelsat está colocando o IntelsatOne Prism no mercado, uma plataforma para a distribuição de conteúdos IP que possui: hub compartilhada com rede híbrida e terrestre; automação de sessão e de equipamentos; e baixo custo de aquisição e operação das remotas. O IntelsatOne vai permitir às emissoras reduzir a rede legada para uma rede de nova geração automatizada, utilizando satélites de alta eficiência e redes terrestres com convergência IP. Conseguiremos transmitir conteúdo 4K a 25 Mbps via IP e via OTT”.
Outro produto da Intelsat que auxiliará na recepção e na emissão de sinal de televisão no Brasil é o Intelsat Epic, segundo Gomes. “O Epic estará em operação, no Brasil, nos próximos meses, oferecendo alto desempenho e alto throughput com spot beams de alta potência em banda Ku. Trabalharemos com o Epic no canal IS-29e, a 100 Mbps ou mais de qualquer lugar da América Latina. É um equipamento acessível aos SGNs e flyways atuais, que permite a transmissão de ponto a ponto ou a transmissão multiponto. O lançamento está previsto para o início de 2016. A Intelsat também pode ajudar o cliente a reposicionar o seu modelo de negócio, transformar a sua rede, simplificar as suas operações e melhorar a comunidade de vídeo da América Latina”, sintetizou.
Jurandir Pitsch, diretor da SES para a América do Sul, destacou o fato de que, “hoje, com a internet, conseguimos distribuir tecnologia para qualquer lugar. A nossa empresa é incentivadora do desenvolvimento do Ultra-HD, assim como fomos do HD. Em novembro do ano passado, fizemos a primeira transmissão 4K ao vivo, via satélite. O vídeo representa mais de 50% do nosso faturamento. Já assinamos mais cinco contratos de distribuição de conteúdo UHD e, inclusive, para o Brasil, estamos com um canal disponível, caso haja interessados. A boa notícia é que tem muita capacidade chegando, e muita capacidade disponível com a banda Ka. As novas arquiteturas estão permitindo uma redução de custos em Megahertz e em Megabits”, frisou.
O diretor da SES se mostrou surpreso com as transformações pelas quais o segmento satelital passa: “Eu estou nesse mercado há algum tempo e, em poucas vezes, vi tantas modificações em tão pouco tempo, como ocorreu nos últimos dois anos. Nunca antes houve tantas mudanças no setor, o que gera uma redução de custos, mas, também, uma necessidade de compreensão da complexidade das transformações”.
Geraldo César de Oliveira, gerente de produto segmental espacial da Embratel Star One, falou da tendência de utilização das tecnologias IP e 4K na engenharia da televisão e apresentou a Pesquisa Global da Quantel e Snell, divulgada em 23 de junho de 2015 e realizada em 80 países, com a participação de mais de 100 mil brodcasters (públicos e privados) e empresas de pós-produção de vídeo.
“A pesquisa mostrou que a transição para as estações de transmissão com infraestrutura IP poderá demorar até dez anos. Em relação ao 4K, 60% dos entrevistados preveem que esta tecnologia deverá ser uma realidade em um período de 2 a 5 anos. Outras pesquisas indicam que, na América Latina, existem mais de 4.700 canais distribuídos via satélite; 80% deles continua em Standard Definition (SD). Além disso, a competição entre as operadoras TVs pagas deve continuar crescendo”, destacou.
No Brasil, especificamente, é importante olharmos para o switch- off¸ porque segundo o palestrante, “hoje, a quantidade de canais UHD é pequena. Para a Olimpíada de 2016, a Star One terá uma frota de oito satélites e mais um para ser lançado. Com o Star One C4 – 70W, podemos subir e descer sinal do Brasil para qualquer ponto das américas, com 48 transponders. Fora isso, o Star One D1, em banda Ka, nos permitirá colocar sinal em 4K em todo o território brasileiro, com um throughput de 25 Gbps”, afirmou.
Romildo Lucas, diretor de vendas da empresa canadense Telesat, também destacou as ofertas da operadora para os jogos olímpicos de 2016: “Vamos ter, em novembro, o lançamento do primeiro satélite Telstar 12 Vantage, que ficará a 15W. Ele é muito utilizado pela TV Globo para as transmissões de Formula-1, porque pode subir sinal entre o Brasil e a Europa, o que é uma oportunidade interessante para a Rio 2016”. O palestrante ressaltou, ainda, que, “com o 4K, finalmente, vai chegar o momento da banda Ka no Brasil” e afirmou: “Esperamos que o T 12 Vantage seja uma opção agressiva para a Olimpíada”.

Para André Cintra (SET), o processo da migração começou do avesso

Operadora de satélite da Arábia Saudita chega ao Brasil em 2017
Márcio Tiago, diretor geral da Iasat no Brasil, afirmou que a empresa vem para o país com o foco em transmissão de dados e nem tanto em vídeo. “O nosso satélite deverá estar disponível para o Brasil em 2017, oferecendo uma opção de banda larga via satélite, voltada para os usuários individuais ou para as grandes corporações. A vantagem do Ya3, para o segmento espacial, são os feixes com alta potência (>60dBW); a baixa interferência; e uma cobertura que abrange áreas mal atendidas. Para o segmento terrestre, o nosso satélite apresenta: uma plataforma avançada de serviços, com gerenciamento de banda por usuário e roteamento IP; uma aceleração HTTP avançada; uma banda larga em canais DVB-S2X; OSS/BSS compatível com B2C; e suporte à mobilidade, GPS, e múltiplos usuários. Estamos trazendo uma solução bastante competitiva, que cobrirá 98% do território brasileiro”, pontuou.
O palestrante explicou, ainda, que a Iasat “tem sede em Abu Dhabi, Emiratos Árabes Unidos, e pertence integralmente à Mubadala, uma sociedade anônima privada pertencente ao governo local. O foco da Mubadala é o desenvolvimento e a gestão de um portfólio extenso e economicamente diversificado em atividades comerciais. A entidade gerência um portfólio de investimentos locais, regionais e internacionais. Temos presença em 140 países e estamos entre as oito maiores operadoras do mundo. Cobrimos 600 milhões de pessoas globalmente e, temos um crescimento anual de receita líquida de 23%. A Iasat nasceu em 2007. Um ano depois fechou o primeiro acordo com a EMC. Em 2011 lançou o primeiro satélite e prestou suporte à BTH. E, em 2014, adquirimos uma posição orbital”, disse.

Eduardo Cappia (SET) moderou uma das sessões mais esperadas do Congresso SET 2015, a que debateu a migração da rádio AM para FM e os seus desdobramentos


As dificuldades que permeiam a migração de AM para FM
Palestrantes abordaram as falhas do decreto e especularam possíveis soluções para que não haja retardamento do processo de migração. Na sessão moderada por José Cappia (SET), que teve como palestrantes a José Mauro Ávila (vice-líder do comitê técnico da AESP), André Cintra (SET), Raul (NextRadio) e Jovino Pereira (nesse momento, diretor de Outorgas e Serviços e Comunicação da Secretária de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações).
Mesmo sendo moderador, Cappia abriu as apresentações destacando que 61,78% das emissoras que solicitaram canais para migração foram atendidos. Contudo, ele alerta para o grande problema que será manter as opções de captação do conteúdo de rádio pelo “ar”, devido a falta do dial para rádios de celulares e automóveis. “A tendência é de maior consumo do rádio pelo ar: carro e celular,” disse.
“Não podemos esperar o switch-off da TV. É preciso destinar canais justapostos para evitar interferências nos canais 5 e 6 do VHF e evitar que o desligamento seja retardado,” afirmou Cappia. Dessa forma, o executivo acredita que o maior desafio será elaborar um planejamento da canalização o mais breve possível.
Para Cintra, o processo da migração começou do avesso. “Deveríamos ter solicitado que cada emissora estabelecesse seu canal de desejo, porque existem rádios pequenas que não necessitam de potência muito grande, mas estão em uma classe elevada,” disse.
“Ainda há ajustes para serem feitos,” destaca Cintra no tocante à situação do Rio Grande do Sul em que os canais do Mercosul dificultam e limitam o número de canais do estado devido à fronteira com Argentina e Uruguai.
Ávila destaca o predomínio em uma mesma classe entre as rádios nacionais e paulistas. “Quase 50% das rádios paulistas e nacionais estão na classe C,” afirmou.

A palestra “Desafios do rádio online” trouxe ao Congresso uma das novas possibilidades da rádio, o streaming online

Rádios online ganham preferência do público de massa
O formato tradicional das rádios e conteúdos musicais vem ganhando espaço na população. A rádio digital vem crescendo no mundo e, aliado a esse crescimento, surgem novos desafios para consolidá-las no meio online. A palestra “Desafios do rádio online”, contou com Marco Tulio (SET) como moderador, Alexis van de Wyer (AdsWizz), Benjamin Masse (Gerente Geral da Triton Digital), e Caue Franzon (gerente técnico e operacional da RBS).
Este último destacou que é importante saber delimitar qual o público que se pretende atingir e buscar sempre um bom tempo de transmissão e disponibilidade de espaço e recursos para levar conteúdo de qualidade ao consumidor. “É preciso entender para atender todas as versões, pois pequenas variações definem um grupo ou nicho,” afirmou Franzon.
O executivo da RBS destacou que a recepção do público, por meio da banda larga móvel, tem crescido bastante no Brasil. Atualmente são 3406 municípios, ou seja, aproximadamente 123,6 milhões de pessoas.
No que diz respeito à distribuição, o broadcast (FM e AM) tem custo fixo, mas há limitações do ponto de vista da abrangência. Já no streaming, quanto maior a audiência maior o custo. Devido a isso Franzon levantou a questões. “Será que minha emissora comporta ter uma grande audiência (interrogação). Em relação à codificação é importante analisar algumas características do produto como qualidade, tamanho, formato de arquivo que a empresa quer trabalhar e qual a taxa latência.
Na parte de produção, deve-se analisar mobilidade, custo, operação e linguagem.
Para Benjamin Masse a audiência de música vem aumentando e as emissoras tendem ao hibridismo de serviços de música online e rádios tradicionais. A maior parte do consumo é online e, consequentemente o orçamento de propaganda vem crescendo rápido.” Esse sistema programático está bem definido nos Estados Unidos, e vem crescendo no Brasil. Várias pessoas têm escutado conteúdo usando celular e browsers, publicidade digital. Hoje muita gente houve rádio nos dekstops,”afirmou.
Segundo Van de Wyver, o áudio digital traz novas demandas por tecnologia, soluções para monetização, a habilidade de incluir publici-dade no programa. O áudio digital se tornou um produto de massa.
“Uma coisa vista como importante, agora, vemos que o áudio digital se tornou mídia de massa,” disse. Nos Estados Unidos, as rádios on-line captam mais tempo do público do que o Facebook. Cada vez mais há acesso, mais dados dos usuários o que permite que a programação do rádio fique sobre demanda. “O que você quer, quando você quiser,” afirmou.

* Matéria produzida pelos alunos Isaac Toledo, Jessica Dourado, Nathane Oliveira e Júlia Gonçalves do curso de Jornalismo da Unesp/Bauru como atividade do acordo de cooperação entre a Revista da SET e o ProEx (Projeto de Extensão Tecnologia em Televisião) sob orientação do prof. Dr. Francisco Machado Filho, e edição de Fernando Moura


Congresso SET 2015 celebra os 65 anos da TV no Brasil

Ícones da engenharia de televisão e atores renomados contaram algumas das histórias e das memórias que marcaram a vida da TV brasileira em painéis descontraídos e emocionantes

sessão 65 anos: TV no ar no Brasil brindou os participantes do 27º Congresso da SET com uma homenagem aos profissionais que contribuíram para a fundação e a implantação da televisão no país. Os palestrantes Roberto Salvi (EPP), Herbert Fiuza (Globo), Francisco Cavalcanti (FF Work) e Cláudio Victor Donato (Victor Brasil) foram homenageados pela SET e deram os seus depoimentos.
“É um registro vivo para gerações atuais e futuras de como um ousado e seleto grupo de pessoas deu início a uma das mais bem-sucedidas indústrias nacionais. Esses homens colocaram a TV Brasileira para funcionar na marra, no muque. É uma honra ter esses senhores para contar as suas histórias”, destacou Angelo Raposo (SET), o moderador da sessão, a qual preferiu chamar de “celebração”.
Roberto Salvi, CEO da empresa de consultoria televisiva Condos Técnicas Associadas EPP, falou sobre os 30 anos das TVs pioneiras no Brasil. E lembrou que a areia do deserto está cheia dos ossos dos pioneiros. “’A TV Tupi canal 3 foi inaugurada em 18 de setembro de 1950. O maior problema que o Chateubriand tinha na época era que não tinha televisores. Por isso, foi feita a importação dos primeiros. Esse foi o primeiro desafio”, brincou Salvi.

Vida Alves disse em tom descontraído olhando para Fernando Gueiros, o moderador da sessão, que na altura do primeiro beijo: “Nós éramos jovens sem juízo”

Vida Alves disse em tom descontraído olhando para Fernando Gueiros, o moderador da sessão, que na altura do primeiro beijo: “Nós éramos jovens sem juízo”

Herbert Fiuza, engenheiro eletrônico da Rede Globo, contou algumas histórias de sua trajetória na emissora e destacou a inauguração, falou da chegada da TV a cores, e explicou como a Globo se transformou em uma rede satelital. “A minha vida foi toda ligada à história da TV Globo. Eu comecei a trabalhar lá em 1963 e sou fundador da Globo. Eu prestei um depoimento de 4 horas para o site de memórias da TV Globo.”
Francisco Cavalcanti, engenheiro da Tupi até o fechamento da emissora, em 1980, e engenheiro da TV Manchete desde o início do projeto, citou Walter Forster e afirmou: “a televisão é feita com pessoas! A parte técnica existe. Mas, as soluções, quem arruma, são os engenheiros, as pessoas. A televisão é formada por engenheiros que são muito diferentes. Histórias como as que ouvimos hoje não podem ser perdidas. A gente deveria se reunir para colocá-las em um livro, por exemplo”, finalizou.

O meu primeiro beijo
A sessão “Os pioneiros: como foi a descoberta e a invenção do jeito brasileiro de fazer TV” contou com os depoimentos emocionados de Vida Alves e Nilton Travesso e integrou a Hot Session 65 anos: TV no ar no Brasil, que ocorreu na manhã desta quinta-feira (27/08), no Congresso SET 2015. Os dos “pioneiros” da TV brasileira falaram da carreira e da trajetória de quem viveu a televisão desde o início e, ao final da sessão, foram surpreendidos com o anúncio do Prêmio Vida Alves, idealizado por Fernando Gueiro (TV Globo) e entregue pelo presidente da SET, Olímpio José Franco.
Antes da homenagem, os palestrantes contaram momentos de suas trajetórias de vida e, ao mesmo tempo, rememoraram histórias de emissoras e de personagens que construíram os 65 anos da televisão no país. Travesso é um dos mais importantes diretores artísticos nacionais e trabalhou nas principais emissoras de TV do país, como Record, Manchete, SBT e Globo. Começou como diretor de telenovelas nos “grandes teatros” da TV Record, em 1953, e dirigiu sucessos como FamíliaIITrapo e os Festivais da Música Popular Brasileira, na década de 1960. Foi para a TV Globo, na década de 1970, e comandou programas como Fantástico, Som Brasil, Balão Mágico e TV Mulher. Na emissora carioca, também foi responsável pelas novelas Sinhá Moça e Direito de Amar.

“Quando a Record começou, nós conseguimos trazer a cultura de dramaturgia do teatro. Daí vieram Cassilda Becker, Cleide Yáconis. Tivemos grandes mestres, que vieram de fora” afirmou Nilton Travesso numa sessão emocionante

Assim como Travesso, Vida Alves é uma das pioneiras da TV no país. Ela protagonizou o primeiro beijo da história da televisão brasileira, ao vivo, em par romântico com o ator Walter Forster, na novela Sua Vida Me Pertence (1951). “Foi beijo técnico sim! O Walter [Forster] queria fazer novela, mas, havia um estúdio só na TV Tupi para isso. Ele negociou com um diretor à época. Só que esse diretor negou mais estúdios para nós. Então, ele disse: ‘eu continuo com um estúdio só, mas, você vai liberar um beijo para a gente chamar a atenção’. O diretor relutou. No fim, fizemos do mesmo jeito”, exclamou.

“Eu não sei por que achavam que eu era beijoqueira. Forster disse que me escolheu porque eu era esposa de um italiano e, na Itália, havia beijo técnico nas TVs. Ele foi até a minha casa e pediu para falar com o meu marido. Disse que queria filmar um beijo. O Heinz [marido de Vida Alves] perguntou como seria. O Walter respondeu: ‘Vida, levante’. Eu levantei, já que ele era o chefe. Ele disse: ‘Feche os olhos. Feche a boca’. Eu fechei. Ele me beijou, no meio da sala da minha casa, na frente do meu marido. O Heinz disse: ‘é só isso?’. Na semana seguinte repetimos a cena, no ar”, lembrou.
Vida também protagonizou o primeiro beijo entre duas mulheres da TV brasileira, com Georgia Gomide, em 1964. A atriz contou que os beijos eram reais e arrancou sorrisos dos palestrantes: “Nós não púnhamos a mão, como nos beijos italianos. A boca era fechadinha. Não tinha aquela engolição que tem hoje. Uma vez, um rapazinho, em uma faculdade, me perguntou: ‘quantos beijos você deu na sua carreira?’ Eu respondi: ‘acho que menos do que você deu ontem a noite’”, divertiu-se.
“Quando estava na faculdade, era atriz, redatora e estudante. Quando chegou o video tape, veio um galã do Rio [de Janeiro] para contracenar comigo. Ele queria ficar repetindo as tomadas. Na terceira ou quarta vez, me enchi daquilo e falei ‘essa é a última’. A gente decorava mais de 400 deixas para ficar no ar por uma hora. A televisão é apaixonante! Apesar de eu ser ‘dura’ [no aspecto financeiro], a minha vida é o máximo!”, exclamou arrancando sorrisos dos congressistas outra vez.

Nilton Travesso rememorou o início da carreira, em 27 de setembro de 1953, quando a segunda televisão do Brasil, a TV Record, foi inaugurada: “Quando o Paulo Machado de Carvalho resolveu montar a televisão, ele deu um curso para quarenta e oito alunos. Desses quarenta e oito, dezesseis foram contratados. Eu fui um deles. A TV nessa época não tinha forma. Mas, ela tinha emoção. Quando a Record começou, nós conseguimos trazer a cultura de dramaturgia do teatro. Daí vieram Cassilda Becker, Cleide Yáconis. Tivemos grandes mestres, que vieram de fora. Uma grande atriz precisa de 50% de amor e 50% de disciplina. Você fazer um grande teatro, ao vivo, como nós fazíamos, era um desafio enorme. Enquanto um ator interpretava, em plano fechado, ele estava trocando de saia, de calça, fora do quadro. O planejamento tinha que ser incrível”, destacou.
O diretor frisou a importância de eventos como a Hot Session 65 anos: TV no ar no Brasil: “Em uma hora, é muito difícil resumir toda uma vida de trabalho na televisão. Mas, momentos como esse que a SET está proporcionando, são muito importantes. A história é muito grande, e é apaixonante”, exclamou Travessos.
O moderador da sessão, Fernando Gueiros, antes de revelar a surpresa preparada pela SET (o Prêmio Vida Alves), justificou que a “A Televisão é uma história de Visão, Valor e Vitória” e relacionou os nomes dos homenageados, Vida Alves e Nilton Travessos, às letras que formam a palavra TV. Justa honraria aos pioneiros.
Olímpio Franco destacou a relevância da homenagem. “É muito importante, porque os pioneiros têm que ser reconhecidos e valorizados em vida. Eles têm muita coisa para contar. Existem muitas limitações que eles sofreram, como dificuldades técnicas e falta de recursos. Então, precisam ser valorizados. A televisão tem, hoje, essa pujança e essa importância para o Brasil graças à gente como eles, que estiveram reunidos, desde o início dos anos cinquenta. O que a gente está tentando, com uma sessão como essa e com a brilhante ideia do prêmio que o Fernando teve, é prestigiá-los. Eles merecem”, finalizou o presidente da SET.