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NAB é palco do potencial brasileiro

NAB é palco do potencial brasileiro

A participação das 17 empresas brasileiras em uma das maiores feiras do setor eletroeletrônico, a NAB – National Association of Broadcasters, nos EUA, deu uma mostra das iniciativas inovadoras do Brasil que têm conquistado o mercado internacional. O Brazilian Pavillon foi promovido pelo PSI Eletroeletrônicos Brasil – Sindvel/Apex. O Fórum SBTVD e a SET participaram como parceiros.

Nº 132 – Abril 2013

Por José Carlos Aronchi e Alexandre Minghini Foto: © Foto: Francisco Machado/UNESP

REPORTAGEM

Entre os dias 6 a 12 de abril, em Las Vegas, na NAB 2013 milhares de profissionais do mundo inteiro passaram pelo Pavilhão Brasileiro e se depararam com tecnologias e soluções que atualmente, comparam-se e concorrem de igual para igual com o mercado mundial. Considerado um dos maiores eventos de radiodifusão do Mundo, a NAB possibilita às empresas brasileiras apresentar seus diferenciais à potenciais parceiros de negócio, principalmente profissionais que sejam de países latino-americanos.
Organizado pelo Sindvel em parceria com a Apex, a área do pavilhão da indústria brasileira, pode ser considerada uma verdadeira “embaixada” das tecnologias de transmissão ISDB-Tb, naturalmente muito procurada tanto por brasileiros como por responsáveis de televisões de toda a América Latina, menos Colômbia e Panamá!
Maior este ano, o grupo de empresas que formaram o Pavilhão Brasileiro foi composto pela Ativa Soluções, EiTV, Hitachi Kokusai Linear, Ibrasat, Ideal Antenas, Inatel, Opic Telecom, Playlist, Screen Service, ShowCase, Software News, SP Telefilm, Tecsys, Teletronix, TQTVD, TSDA e WiMobilis.
As dezessete empresas participantes fizeram mais de 550 novos contatos provenientes dos países: Brasil, Peru, Colômbia, Bolívia, Argentina, México, Estados Unidos, África do Sul, Japão, França, Taiwan, Coreia, Venezuela, Costa Rica, Honduras, Chile, Suriname e Equador. Foram fechados 09 negócios durante o evento, no valor de US$ 4,087 milhões. A expectativa de negócios futuros está em US$ 7,85 milhões.
Impulsionando esta ação entre as empresas brasileiras, o mercado mundial se mostrava extremamente interessado no cenário brasileiro e mais, em alguns estandes era possível perceber que algumas companhias já temem uma luta direta com empresas nacionais. E dentre as qualidades apontadas, a grandiosidade do mercado brasileiro e a capacidade criativa do profissional tupiniquim eram os itens mais citados.
Alvaro Gazzolo, presidente da Kit digital para América Latina e Caribe, falou que a grandiosidade do mercado brasileiro consegue desde atrair empresas do mundo inteiro quanto capacitar as empresas nacionais para concorrer com o mercado externo. “Brasil para nós é um país imenso com potencial exponencial e possui um mercado muito particular em constante crescimento”, completou Gazzolo.
O mesmo superlativo foi utilizado por Simon Adler, vice-presidente da Amberfin para as Américas. “O Brasil tem um mercado gigante e com empresas nacionais igualmente competitivas”. Nas palavras do engenheiro de broadcast, Ramon Servin, da Primestream, o motivo deste cenário tão positivo está na economia forte que o país tem apresentado.
Estes depoimentos revelam uma visão do mundo olhando para o Brasil e identificando que além de um vasto mercado para se investir, ainda reconhecendo a força e a capacidade de inovação da indústria brasileira.
E para os empresários brasileiros, mostrar suas inovações e conseguir disputar com o mercado internacional é fator decisivo para quem busca reconhecimento e valorização dos produtos. A Tecsys é uma veterana que há 12 anos expõem na NAB. O empresário José Marcos Freire salienta que “a participação não é só da empresa, é também dos colaboradores. Temos aqui uma equipe de sete pessoas para conhecer o cliente internacional”. Ele vê a feira como “uma oportunidade para lançar um produto, sentir a receptividade, e ao mesmo tempo analisar o que nossos concorrentes estão fazendo”, afirma. A empresa começou com 9 pessoas, no mercado de imagens de segurança para condomínios, hoje tem mais de 100 colaboradores, uma unidade no Brasil, em Israel e abrindo mercado na Ásia, África e até nos EUA. Ele credita o crescimento “ao trabalho e inovação, muita inovação!”, ressalta.
Um equívoco cometido pelas pequenas empresas é o de associar eventos internacionais apenas a grandes marcas. Desafiando esse pensamento, Alex Pimentel, da Ibrasat, reconhece que sua empresa é ainda pequena, mas, após três anos expondo na NAB, “os resultados são visíveis em termos de reconhecimento de marca e de consulta no dia-a-dia de clientes internacionais”. Pimentel enxergou uma oportunidade de inovação nessa ação do Sindvel com a Apex, e vem expondo a empresa ao mercado internacional. Para ele, “é importante participar da NAB pela visibilidade porque, muitas vezes, o cliente internacional não conhece a capacidade que o Brasil tem de oferecer produtos e serviços de qualidade”, pontua. Vale lembrar que nos anos passados Pimentel participava do Pavilhão Brasileiro com a marca Casablanca Online, que presta serviço de cobertura e transmissão com unidades móveis, este ano era a Ibrasat quem se destacava no estande. Braço industrial do Grupo Casablanca, as antenas em fibra de carbono da Ibrasta oferecem transmissão via satélite para banda C e para banda Ku.
Um exemplo de que inovação gera inovação é de Rodrigo Cascão Araújo, da EiTV. Ele enxergou as características inovadoras do sistema brasileiro de televisão digital, direcionou seu trabalho de doutorado na Unicamp para o projeto de set-top box e virou um dos maiores fabricantes da América Latina. Para Rodrigo, “se você quer mostrar inovação, a NAB é uma boa oportunidade de estar junto com empresas que estão inovando no mundo inteiro”.
Disseminando toda sua expertise em redes SFN, a Hitachi Linear apostava na feira para mostrar aos visitantes a importância de se criar uma infraestrutura que minimize a auto-interferência.
De olho nos eventos mundiais, Daniela Serres, da SP Telefilm Productions, foi à NAB visando oferecer serviços para a imprensa internacional que estará no Brasil nos próximos anos. Sempre lançando o olhar inovador para o mercado futuro, Daniela conta que “a empresa nasceu pequena, com a experiência do empreendedor que iniciou puxando cabos em gravações, cresceu com poucos clientes, e se tornou especialista em sistemas de transmissão para o mercado nacional e internacional”.
A lacuna aberta pelo SBTVD-t na parte de acessibilidade para pessoas com deficiência promoveu a inovação na empresa de Marco Antônio Melo, da ShowCase Pro: “Pesquisamos, fomos atrás e conseguimos desenvolver produtos que o mercado não tinha ainda”, revela o engenheiro da empresa que começou com três pessoas e em três anos já tem uma equipe de quase 50 colaboradores. O foco é no mercado brasileiro, porém “a NAB gera opinião, aqui é a novidade. Tudo no Brasil acontece pós-NAB. Os brasileiros que vão fazer uma aquisição, primeiro vem, fazem uma pesquisa e depois decidem por lá”, conclui o empresário que atende cerca de 90% do mercado broadcasting brasileiro.
estratégia de José Carlos de Moraes, da OPIC Telecom. Além de fabricar, ela também representa marcas internacionais. A fórmula revelada pelo empresário é ter foco e bons profissionais comprometidos. “Estamos na NAB com 8 pessoas procurando o que pode ser levado para a empresa”, revela José Carlos. Outra grande vantagem em ir à NAB, na visão do empresário, é a economia que se faz para realizar os contatos. “Se eu fosse visitar todas as empresas do mundo que vieram aqui na feira, eu gastaria R$ 30 ou R$ 40 milhões. Elas estão todas aqui e a gente gasta muito menos”, conclui.
Dentre as perguntas que foram feitas aos profissionais brasileiros em Las Vegas, era impossível não elencar o atual cenário da economia nacional. E ao que tudo indica, o sentimento é otimista. Conversando com os engenheiros da Screen Service do Brasil, por exemplo, ficou fácil perceber que o volume de produção atual da a fábrica instalada na cidade de Pouso Alegre, sul de Minas Gerais, justifica o bom momento da economia brasileira. Um exemplo é a Linha Ark-6, com 5 Frontends diferentes que garante alta eficiência com desempenho de até 35% de sistema, contra 18% na média dos produtos similares.
Para Marcelo Zamot da Ideal Antenas, mais uma vez o evento cumpriu com o que normalmente é proposto. “A Ideal comparece ao pavilhão Brasileiro desde 1996 e mais uma vez a sensação é de missão cumprida”, comentou.
Segundo David Britto, diretor de TV Digital da TOTVS, a visitação do Pavilhão Brasileiro, este ano, evolui. “Em relação à NAB 2012, percebemos um amadurecimento dos visitantes do pavilhão Brasil sobre a tecnologia de interatividade (Ginga) do sistema SBTVD-Tb, principalmente em relação as possibilidades de utilização da tecnologia para o desenvolvimento de outros modelos interativos baseados em n-telas e over-the-top (OTT)”, disse Britto.
O diretor ainda destacou o projeto Brasil4D, desenvolvido a partir do AstroTV (e outros parceiros), que possibilitou a primeira experiência de desenvolvimento de conteúdo audiovisual que depende integralmente do modelo interativo proposto pelo sistema de TV Digital SBTVD-Tb. “Produto 100% baseado na especificação Ginga, o Astro- TV faz parte do projeto Brasil4D tem como foco levar os serviços do governo para a população de forma didática, lúdica e de fácil compreensão”, completou.

José Carlos Aronchi
Sebrae-SP
jcaronchi@sebraesp.com.br

Alexandre Minghini
Redação Revista da SET
alexandre.minghini@set.org.br