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Em busca de solução para o LOUDNESS

INSIDE SET

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Por Gilmara Gelinski

Um dos membros do Comitê Internacional da diretoria Internacional da SET e vice-diretor da UER – Tecnologia e Desenvolvimento –, David Wood, foi premiado pela Society of Motion Picture&Television Engineers (SMPTE) pelo artigo que ele escreveu sobre o tema “Entendendo TelevisãoEstereoscópica e seus Desafios” publicado no jornal da entidade SMPTE Motion Imaging, em outubro de 2010.

A premiação aconteceu no dia 27 de outubro, durante a Conferência Anual da SMPTE, no Hotel Renaissance, em Hollywood.

Para ele a noite foi memorável. “É sempre bom receber prêmios, mas havia muitos outros profissionais recebendo prêmios, até mais prestigiados do que eu. Foi um prazer estar com pessoas que eu sempre admirei”.

Em seu artigo, Wood comentou sobre o papel da tecnologia 3D. “O 3D é popular com a indústria do cinema e continua a atrair o público. Mas eu queria delinear algumas de suas limitações, bem como seu potencial de evolução ao longo dos próximos anos. É uma tecnologia interessante, mas é importante não exagerar no que pode ser feito com o 3D de hoje”.

 

Gilmara é editora da Revista da SET. E-mail: gelinska@gmail.com

 

Dia 13 de outubro, em Brasília, a Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão – SET, por meio de sua presidente Liliana Nakonechnyj e do coordenador do Grupo de Trabalho de Loudness da SET, Alexandre Sano, entregou uma carta de recomendações ao Ministério das Comunicações, representado pelo Secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica, Genildo Lins de Albuquerque Neto e à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações , representada pelo superintendente de Serviços de Comunicação de Massas, Ara Apkar Minassian, a fim de contribuir para a diminuição da diferença de intensidade sonora entre programas e intervalos, conhecida como Loudness. O objetivo do documento é colaborar para a normatização e padronização dos níveis de áudio executados por emissoras e canais de televisão no Brasil.

Fundada em março de 1988, a Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão – SET é uma entidade técnico-científica sem fins lucrativos, que tem por finalidade constituir-se em órgão de difusão, expansão, estudos e aperfeiçoamento dos conhecimentos técnicos, operacionais e científicos nas áreas de engenharia de televisão, rádio, novas mídias e internet.

Há dois anos e meio, a SET criou o Grupo de Trabalho de Loudness, coordenado pelo engenheiro Alexandre Sano, que realizou pesquisas com o objetivo de mensurar o problema e apresentar sugestões. O grupo é constituído por engenheiros especializados das principais redes de televisão aberta como Band, Cultura, Gazeta, Globo, Mix TV, MTV, Record, Rede TV e SBT e conta também com a participação de representantes da Anatel, do Ministério das Comunicações e de algumas operadoras de TV por assinatura.

Em sendo adotadas pelo governo brasileiro, as recomendações da SET gerarão uma série de mudanças no processo de produção, captação, controle e processamento do áudio. Pela necessidade de investimento em treinamento e aquisição de equipamentos, a SET sugere que as emissoras estejam adequadas às recomendações em um prazo de 24 meses, a partir da publicação do regulamento.

No documento entregue em Brasília, o Grupo de Trabalho recomenda a adoção de especificações técnicas para padronização do volume de áudio (números abaixo) e uma metodologia de medição com fins de fiscalização

Como foi feito o estudo da SET
A SET atua em todo país para beneficiar e apoiar os serviços de radiodifusão de sons e imagens executados. Ao acompanhar a evolução do tema Loudness no Brasil e no mundo, a entidade mantém os profissionais (Engenheiros de Televisão) brasileiros atualizados. “A SET reuniu os melhores especialistas com o objetivo de apoiar as decisões da Anatel e do Ministério das Comunicações”, afirma o engenheiro Alexandre Sano.”As principais emissoras de TV aberta integram nossa entidade e já trabalham para atuar dentro dos parâmetros recomendados, reavaliando o processo interno de produção de conteúdo e capacitando seus profissionais”.

A percepção subjetiva decorrente das diferenças de intensidade sonora entre programas e intervalos comerciais (Loudness) tornou-se objeto de estudos obrigatórios por especialistas em todo o mundo. Transmitir um áudio que agrade ao telespectador, sem dar-lhe sustos quando entra o intervalo comercial ou quando ele troca de canal, tem sido historicamente um grande desafio para emissoras de TV aberta e operadoras de serviços pagos em todo o mundo.

Esta situação foi agravada com a digitalização dos sistemas de produção e distribuição, que possibilita a transmissão dos sons de forma mais fiel, fazendo chegar ao telespectador todas as variações dinâmicas de áudio dentro de um mesmo programa e ampliando a oferta da gama de frequências, desde os sons mais graves até os mais agudos.

Desde o início das atividades, em julho de 2009, os integrantes do Grupo de Trabalho têm analisado e estudado o assunto, participado de seminários, de workshops e do desenvolvimento dos trabalhos realizados por algumas entidades ao redor do mundo, tais como, EBU (European Broadcasting Union), ATSC (Advanced Television Systems Committee) e UIT (União Internacional de Telecomunicações). O Grupo realizou estudos, medições e ouviu especialistas internacionais.

Como não é possível quantificar o Loudness medindo-se potência ou amplitude do sinal, também não há como quantificá-lo por meio de medidores acústicos de pressão sonora (“decibelímetros”), utilizados frequentemente para medir ruídos ambientes, já que os mesmos não utilizam uma ponderação adequada ao nível de audição de televisão. Na tentativa de resolver este problema, alguns fabricantes desenvolveram soluções para realizar medições e controle de Loudness, baseadas na recomendação internacional UIT-R BS. 1770 e EBU R128.

De fato, os medidores tradicionais de nível de áudio sempre avaliaram os picos ou o nível médio do sinal, o que não corresponde à percepção subjetiva de intensidade sonora e não leva em conta as diferenças da percepção humana de intensidade para sons graves e agudos.

Situação regulatória brasileira Em 2001, já como reflexo do desconforto causado ao telespectador pelas variações de áudio, foi sancionada no Brasil a lei n° 10.222, que pretendia padronizar os níveis de sinais de áudio na radiodifusão. Porém, a falta de subsídios técnicos, tanto no Brasil como no exterior, não permitiu sua normatização.

Em 2006, a União Internacional de Telecomunicações publicou a primeira recomendação internacional sobre o tema (UIT-R BS.1770), especificando um algoritmo para a medição do Loudness de programas de televisão, que serviu como ponto de partida para uma recomendação técnica americana em 2009 (ATSC A/85) e outra, européia, em 2010 (EBU R-128).

Outros países
Os Estados Unidos já possuem uma lei para resolver o problema de Loudness. O país considera a metodologia de medição da UIT, mas utiliza um processo de controle que a SET não considera adequado às necessidades brasileiras.

Na Europa, diversos países implementaram a recomendação da UIT/EBU, mas cada um deles adotou um critério diferente. A Inglaterra já tem utilizado as recomendações há alguns anos e a Alemanha já está com o status bastante avançado no processo de regulamentação. O Japão deve adotar a recomendação da UIT com algumas adaptações.

Percepção subjetiva
Vale ainda lembrar que, sendo o Loudness a percepção subjetiva de intensidade sonora, há diferenças entre pessoas, em função da idade, saúde auditiva e gosto pessoal. Desta forma, mesmo após a padronização não será possível garantir a satisfação de todos os ouvintes quanto à intensidade sonora de toda a programação de todas as emissoras. Mas o objetivo será alcançar a satisfação de um grande número de usuários na maior parte do tempo.

Recomendações técnicas
O detalhamento das recomendações técnicas do Grupo de Trabalho de Loudness da SET são:
1 – Especificações Técnicas: padronização considerando as práticas internacionais
– Padrão de Medição: de acordo com a Recomendação EBU R-128;
– Loudness Médio (Lk): -23 LUFS (podendo variar +/- 3LU);
– Loudness Range (LRA): 15 LU (máximo).

A recomendação EBU R 128, que trata da normalização de Loudness (percepção subjetiva de intensidade sonora) e níveis máximos permitidos para sinais de áudio, considera o algoritmo para medição de Loudness definido na recomendação ITU-R BS.1770 e inclui um conjunto de especificações para medidores de Loudness, que devem ser adotadas para a medição especificada nesta recomendação. Os valores acima recomendados para os parâmetros Loudness Médio (Programme Loudness) e Faixa de Loudness (Loudness Range) consideram a medição do componente principal de áudio transmitido no formato estéreo, nas janelas de tempo especificadas na metodologia de medição descrita a seguir.

2 – Metodologia de Medição: como fiscalizar
– capturar e/ou medir amostras do áudio transmitido ou amostras do Transport Stream transmitido de 02 horas de duração cada, coincidindo com as horas inteiras pares (00:00 h às 02:00 h, 02:00 h às 04:00 h, 22:00 h às 00:00 h);
– submeter as amostras para análise através de software específico ou através de medidores de Loudness que sigam as recomendações EBU R-128; – consolidar os resultados da análise;
– considera-se que esta recomendação não foi atendida quando duas ou mais amostras, medidas com intervalo mínimo de 24 horas e máximo de 48 horas, não estejam de acordo com as especificações técnicas recomendadas;

Entre duas verificações completas de Loudness de uma estação, pela Anatel, deve ser dado o intervalo mínimo de 30 dias.

3 – Prazo de implementação: 24 meses
A adoção desta recomendação implica investimento para a aquisição e instalação de processadores e medidores de Loudness em toda a cadeia de produção e distribuição, bem como no treinamento de todos os profissionais envolvidos, para que os radiodifusores possam se adaptar às exigências aqui previstas sem prejudicar a qualidade técnica dos seus conteúdos. Para tanto, recomenda-se o estabelecimento de um prazo de 24 meses, a contar da data de publicação desta recomendação, para que emissoras e Anatel implementem os sistemas necessários e tenha início a fiscalização do Loudness.

4 – Sanções
Com o objetivo de não imputar ao público telespectador um desconforto maior do que a infração em si, que seria a impossibilidade de receber o canal por 30 dias, prevista no artigo 3º da Lei nº 10.222, a sugestão é que haja, além de uma etapa preventiva, um escalonamento de sanções, precedido de advertência, de acordo com o artigo 59 do Código Brasileiro de Telecomunicações (CBT), conforme apresentado a seguir:
1ª constatação de irregularidade: etapa preventiva – procedimento interno da Anatel – notificação extra judicial;
2ª constatação de irregularidade: advertência (CBT, §1º do art. 59);
Observação: Caso a Anatel adote o seu Regulamento de Aplicação de Sanções Administrativas (art. 4º) ao invés do CBT, a advertência seria a primeira sanção do escalonamento sugerido abaixo. Penas somente a partir da terceira constatação de irregularidade:
3ª constatação de irregularidade: Multa (CBT, alínea “a” do art. 59); 1ª reincidência específica: suspensão por trinta (30) dias (Lei nº 10.222, art. 3º); 2ª reincidência específica: suspensão por noventa (90) dias (Lei nº 10.222, art. 3º).

Luiz Fausto é engenheiro da TV Globo Rio e membro do Grupo de Trabalho de Loudness da SET. e-mail: luiz.fausto@tvglobo.com.br
Alexandre Sano – Gestor Técnico Operacional do SBT, Vice Diretor de Tecnologia da SET e Coordenador do Grupo de Trabalho de Loudness.e-mail: alexandresano@sbt.com.br