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Convergência de negócios

BUSINESS
Convergência de negócios
No estilo “talk show”, Fernando Bittencourt, SET/TV Globo, coordenou o painel que falou sobre Convergência de Negócios. Um tema atual que foi discutido por Luiz Avelar, Vivo; Virgílio Amaral, TVA; Américo Thomé, Intel; Henrique Washington, Accenture e Alberto Blanco, Telemar.
Uma transformação vai acontecer quando a televisão aberta passar para o sistema digital e puder transmitir outros conteúdos que não apenas som e imagem. Hoje, a telefonia celular já integra vídeo e multimídia; a digitalização traz uma mudança no cenário de negócio e que torna difícil prever o que vai acontecer. A miniaturização da eletrônica barateou os aparelhos e, em cima disso, há toda a revolução da transmissão sem fios.
Uma empresa que oferece um único serviço tem um modelo de negócio mais claro, além da estrutura montada em torno desse modelo. Nesse sentido, a convergência pode ser um complicador para a empresa difícil de gerenciar. Isso porque pode ter problema de marca, de posicionamento e também de como o usuário passa a ver esse prestador de serviço. O usuário habitua-se a comprar um tipo de serviço da empresa e, de repente, essa mesma empresa começa a oferecer um outro serviço. Quando é feita essa opção, muitas vezes, a empresa precisa montar uma nova estratégia de relacionamento com o cliente.
Do lado dos produtores de conteúdo, aumentam as possibilidades de distribuição dos programas produzidos. Hoje, o conteúdo vai pelo cabo, pelo satélite e também pela telefonia celular e isso causa impacto na televisão aberta no aspecto concorrência de distribuição e de oferta.
Quando o usuário começa a fazer uso das novas tecnologias e se familiarizar com elas, dificilmente deixa de usá-las. A exemplo do que acontece com o celular, a mobilidade é um caminho natural. Pesquisas de mercado mostram que as aplicações que têm maior crescimento estão na parte de vídeo, como por exemplo, download de vídeo e jogos.
Com a evolução da tecnologia, o conteúdo pode estar com o usuário sem estar fisicamente no seu aparelho já que o equipamento portátil pede muita memória e também existe a questão da bateria que dificilmente tem longa duração. Então, é preciso conectividade para se ter um conteúdo portátil.
No futuro, as empresas de cabo devem estar digitalizadas e oferecendo voz sobre IP. As empresas de telecomunicações fixas vão fazer também entrega de conteúdo na tecnologia chamada IPTV.
Em vários lugares do mundo, o que muda é a regulação que foi feita. Há países em que a regulamentação é não ter regulamentação e, em outros, a regulamentação limita fundamentalmente o que a operadora pode ou não fazer.
Hoje, o que se vê em alguns países é a questão de padronização. Quando se fala em convergência, em tecnologias baseadas em protocolo IP, começa a existir padronização e, quando isso acontece, surge a possibilidade de empresas concorrentes.
A taxa de crescimento de TV por assinatura seja por cabo ou satélite deve estar na faixa de 30% enquanto a faixa de crescimento de IPTV nos próximos cinco anos, está na faixa de 150%. Isso vai na direção da pessoa ter a informação no momento que ela quiser, é a individualização. Hoje, o que acontece em muitas casas é que cada integrante da família vê sua programação. Os filhos adolescentes podem estar no computador ou assistindo TV. A individualização acaba por ser o valor do próprio negócio no futuro. No mundo do futuro, da televisão interativa, será possível fazer marketing one-to-one.
Nesse contexto, o computador não deve ser visto como um concorrente, ele é um elemento adicional para se ter acesso a informação e a serviços de valor agregado. A tecnologia vai permitir fazer qualquer tipo de aplicação com qualquer tipo de aparelho. Ou seja, a tendência é de que televisor e computador virem uma coisa só com aplicações diferentes.

Estratégias empresariais
O painel Estratégias Empresariais discutiu as tendências do negócio da mídia eletrônica e as estratégias das empresas. Participaram Johny Saad, Rede Bandeirantes/Abra; Roberto Franco, SBT/SET; Antonio João, Vivax/ABTA/SET; Ricardo Miranda, Sky/ABTA e Demerval Gonçalves, Rede Record. O painel teve a mediação de Cláudio Younis, SET/Eletro Equipe.
Nos Estados Unidos, em um total de 114 milhões de lares com TV digital, 93% recebem sinal através de TV por assinatura com predominância do DTH no segmento de TV digital, o que mostra a supremacia desse sistema. A SKY tem prejuízo de R$ 2 bilhões acumulado em nove anos de operação e espera que a escala baseada na infra-estrutura que já está instalada recupere esse dinheiro no futuro. A penetração de TV por assinatura no Brasil é pequena. A expectativa era de que fossem 13 milhões de assinantes em 2004 o que não se confirmou: são 3,8 milhões de assinantes em um mercado com grande potencial de crescimento.
O objetivo da Vivax é ser o provedor preferencial de banda larga na casa do usuário sem deixar de oferecer TV por assinatura. A aposta é que haverá mudança para IP (vídeo, dados, voz) e quem chegar primeiro com acesso banda larga na casa do cliente, vai ter boa parte da batalha vencida. Por isso, hoje a dedicação principal da Vivax é conquistar o assinante de banda larga. Atualmente, o serviço de banda larga representa 31% do faturamento e vídeo, cerca de 65%.
Uma vantagem que as operadoras por assinatura têm em relação a TV aberta é que não existe a necessidade de se preocupar com o compartilhamento de espectro porque ela é administrada pelo operador que tem licença para usufruir dele. Então, essas empresas têm liberdade para poder escolher qual o padrão de transmissão digital mais adequado para o seu modelo de negócio. No final das contas, o importante é que o set-top box que vai estar na casa do usuário tenha compatibilidade com o display digital e com o analógico também.
O valor de investimento que a empresa tem que fazer para se tornar alta definição está caindo constantemente. O mais caro é comprar os monitores que, no Brasil, ainda tem um volume de venda pequeno. Algumas empresas devem passar a produzir no país e isso deve ajudar a reduzir o preço, mas até que isso ocorra, os modelos de alta definição, na maioria, são importados. A discussão sobre digitalização de TV está muito mais na produção que na transmissão. Os custos de produção para alta definição são muito elevados. E não é só a produção. O armazenamento deste conteúdo também é muito caro.
O custo de produção vai ser o grande gargalo no Brasil porque não vai ter alta definição em TV paga se não houver conteúdo nacional. O conteúdo internacional já está disponível e a transmissão poderia começar por ele, mas é difícil começar com conteúdo internacional porque a audiência da TV paga é a TV aberta: 68% da audiência da TV paga são os canais da TV aberta.
Outros pontos importantes de discussão são os limites de atuação de cada serviço. Uma competição sem regras pode desestimular o investimento e a oferta de serviços.
A definição de papéis se faz necessária já que os modelos de negócio (operadoras de celular, TV por assinatura, TV aberta) são profundamente diferentes. A convergência não vai acontecer antes dos papéis serem definidos.
Levar o conteúdo na plataforma de celular, é um serviço que muitos desejariam ter e qualquer um gostaria de prestar, mas os limites de prestação de serviço das telecomunicações e o direito dos provedores de conteúdo são desconhecidos.
O uso de serviços interativos deve ficar restrito a redes poderosas que devem ser as sobreviventes do mercado já que transmitir em bits exige um investimento alto por parte das emissoras.
E, por outro lado, quem produz conteúdo quer ter a garantia de que a distribuição vai ser feita de maneira adequada, afinal o investimento para produzi-lo é muito alto.