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CCTV transmite ao vivo fenômeno brasileiro para 1 bilhão de espectadores

CCTV transmite ao vivo fenômeno brasileiro para 1 bilhão de espectadores

Projeto audacioso da televisão estatal chinesa foi transmitido ao vivo direto da Amazônia brasileira, custou R$ 7 milhões e atingiu cerca de 1 bilhão de telespectadores em toda China.

 

Por Alexandre Minghini – Fotos: CCTV/Divulgação

REPORTAGEM

Antes de embarcarem nos barcos que levariam todos os equipamentos até o local da transmissão, o material pesado foi de caminhão até Macapá, cidade cujos cases com materiais mais delicados chegaram por avião

Um programa da emissora estatal chinesa de televisão (CCTV), famoso por perseguir grandes fenômenos da natureza mundo afora, veio ao Brasil com uma proposta desafiadora: Transmitir ao vivo a Pororoca. Embalados pelo espírito competitivo de seu povo, os profissionais da CCTV reuniram uma equipe com quase 150 profissionais de diversas nacionalidades e rumaram para o interior do Amapá. Segundo Mathieu Rocton, gerente de projetos da ACTIS HF, desde o grande sucesso da transmissão feita, a vivo, direto das ondas do Rio Qian Tang, na China, em 2012, a CCTV começou a se programar e este ano repetiu a experiência fazendo uma transmissão da Pororoca brasileira. “Maior e muito mais desafiador, o projeto no Brasil, diferente do que foi realizado na versão chinesa, teve quase uma semana de preparação e execução, dentro da Amazônia”, disse.
Dentre as empresas que compunham a equipe contratada pela CCTV podem ser destacados 19 profissionais que vieram da produtora brasileira, SP Telefim, e outros 9 engenheiros de RF, da francesa ACTIS HF – responsável por toda parte de RF envolvida. Compondo a equipe chinesa vieram cerca de 85 jornalistas e técnicos. O restante da equipe era pessoal de apoio.

O ponto de encontro de todo o pessoal envolvido no projeto, foi o rio Araguari, em Macapá. Neste mesmo rio, atravessa o estado inteiro e deságua no oceano, foram percorridos 17 horas de barco até chegar no ponto onde as águas se encontram. Aliás, este mesmo barco funcionou como uma das centrais de televisão da equipe e o suite de controle mestre foi sendo montado durante a viagem, como conta João Carlos Serre, diretor de TV da SP Telefilm. “Como eram muitas horas de viagem no rio, nós aproveitamos o tempo para já ir montando uma das centrais de TV, até porque na manhã seguinte, em nossa chegada, já tinha trabalho a ser feito”.

Duas lanchas foram montadas com câmeras e antenas de transmissão

Mathieu explica que a CCTV queria seguir a onda ao longo de 28 km a partir da foz do Amazonas até o encontro com o Araguari. “Acostumados com coisas grandiosas, os diretores chineses pediram três transmissões ao vivo, por hora, durante 3 dias consecutivos, a fim de mostrar ao público o máximo possível sobre este fenômeno”.
A produção foi dividida em duas partes, uma em um barco e outra em uma casa de um morador ribeirinho, do outro lado do rio – onde a empresa francesa construiu uma torre de madeira com 10 m de altura para receber os sinais de rádio. Entre o barco e a torre eram 4 km de distância. Todas as locações estavam preparadas para enviar conteúdo HD através de Banca C para Pequim.
Para os brasileiros, a história toda começou em novembro de 2012 e logo após o primeiro sinal concreto de que o projeto realmente sairia do papel, João Carlos Serre conta que a movimentação foi grande no período que antecedeu a viagem. “Assim que nós recebemos o sinal verde, foi um tal de fazer e refazer checklist pois nada poderia faltar, afinal estávamos indo para uma região onde não teríamos acesso a nada, assim tudo tinha que ser preparado com muita antecedência. Por isso, nós chegamos a montar toda a infraestrutura aqui mesmo na produtora para ter certeza de que tudo sairia como planejado”, comentou.
Foi após uma conversa bem explicativa com os diretores da ABRASPO (Assosiação Brasileira dos Surfistas da Pororoca) que ficou decidido que o programa seria uma entrada especial no dia 9, mas todos chegaram alguns dias antes e conforme o momento da grande transmissão se aproximava, a equipe de jornalismo chinesa fazia chamadas ao vivo para matérias produzidas em solo brasileiro. “A programação que preparou os espectadores para o grande dia, atingiu uma audiência de mais de um bilhão de espectadores”, contou.
A escolha da SP Film foi feita pela Encompass, produtora de TeleFilm responsável por viabilizar os projetos da estatal chinesa. Em Macapá, as equipes se encontraram no dia 29 e no dia 30 concluíram a chegada ao local da transmissão. Foram toneladas de equipamento chegando na capital do Amapá por caminhão e avião, seguindo de barco por 17 horas até o local do encontro das águas. Um encontro que pode ser chamado de disputa, uma queda de braço entre duas grandes forças da natureza, cujo vencedor é o oceano.

Um projeto cheio de contrastes
Desafiador para todos ali presentes, o projeto foi se revelando um grande paradoxo, afinal, realizar uma transmissão, em HD, ao vivo, para o outro lado do mundo, diretamente de um lugar onde não existe fácil acesso, energia elétrica, telefone, muito menos internet.

Dois helicópteros foram escalados para a transmissão, no detalhe a câmera Cine G solução proporcionada pela empresa XD Motion

“O lugar era totalmente sem estrutura sem nada”, contou Serre. Para o diretor, a tarefa de ir até lá e gravar a ação é peculiarmente fácil, devido a luz que é ótima, as condições do tempo agradam e uma outra série de fatores favoráveis, mas tudo muda quando é ao vivo. “Diversas emissoras e canais internacionais já foram lá gravar suas matérias, depois volta para o estúdio, edita e quando a matéria é veiculada está tudo muito certinho e bonito, mas fazer transmissão ao vivo é algo complicado por demais”, disse. Serres cita a telecomunicação antes de qualquer coisa. “O telefone mais perto, linha física, fica a quatro horas de lancha andando rio a dentro, veja bem, lancha! Em um barco normal da região pode demorar até 12 horas”. E mesmo assim foi possível utilizar equipamentos de última geração para transmitir o fenômeno da Pororoca, em tempo real, para mais de 1 bilhão de telespectadores, na China.
E os contrastes não se limitam a falta de tecnologia, segundo membros da equipe técnica da SP Telefilm “tem-se a sensação de não estar gravando no Brasil”, e Serre ainda reforça: “Lá nós somos E.T. temos que respeitar a natureza e as questões locais”.
Responsável pela engenharia de RF utilizada no projeto (nas bases de transmissão de vídeo, áudio e rádio), a ACTIS foi obrigada a adaptar todo setup e demais configurações de equipamentos para o ambiente local – podem ser citados a chuva forte e o barco em movimento como grandes desafios. “Nós sentimos muita falta de olhar para o lado e conseguir contar com uma equipe que tenha a parceria que os brasileiros esbanjam. Os estrangeiros eram muito individualistas”, contou Serre.

Choque cultural
Talvez um dos maiores desafios apontados por João Carlos Serre tenha sido a diferença cultural encontrada em lidar com a equipe chinesa. Muito mais rígidos com relação a hierarquia e poucos solícitos às situações imprevistas, o pessoal da CCTV aos poucos foi sendo conquistada e “contagiada” pela forma de trabalho apresentada pelos demais profissionais envolvidos no projeto. “No começo sentimos uma pequena dificuldade no relacionamento com a equipe deles, principalmente para entender como eles funcionavam”, comentou.
Serre conta que os brasileiros e alguns franceses estavam mais preparados para lidar com as situações adversas, “somos mais práticos e proativos”, e os demais sempre levavam a decisão ao diretor chinês, que daí então delegava as tarefas. “No começo foi mais complicado, pois tudo era reportado ao chefe geral do proje-

Responsável pela engenharia de RF utilizada no projeto (nas bases de transmissão de vídeo, áudio e rádio), a ACTIS foi obrigada a adaptar todo setup e demais configurações de equipamentos para o ambiente local

Mas, no final além de um equilíbrio alcançado entre as duas maneiras de se trabalhar, a equipe da estatal chinesa até demonstrou admiração pela parceria formada. “Foi muito interessante perceber como nós brasileiros quebramos uma barreira criada pela diferença de língua, de cultura e de modus operandi, e conquistamos a equipe chinesa, isso claro, se deve graças a nossa forma tradicional de trabalhar, ou seja, com muita conversa, muitos sorrisos e muita disposição para resolver”, explicou.
Mathieu revela que por trás de toda infraestrutura técnica, as condições ambientais ditavam a riqueza dos detalhes. “A cidade mais próxima do local escolhido para servir como nossa central de televisão ficava a cerca de 17 horas de barco. A ACTIS montou no Amapá, praticamente, uma réplica de suas instalações em Paris, para atender a todas as necessidades e possíveis adversidades que aparecessem pelo caminho. Mesmo assim, a ‘Dropzone’, ficava a 50 km do lugar onde a equipe estava fazendo as gravações e só lá grandes reparos poderiam ser feitos”.
A equipe francesa, assim como a brasileira e o time chinês dividiam o mesmo espaço e viveram juntos em um barco por 14 dias. Foram utilizadas redes como camas e o banheiro usava água do rio para abastecer o chuveiro. “Telefone nem pensar e a comida era fornecida pelas fontes de abastecimento local”, contou o francês.
Além do idioma muito difícil de compreender, o chinês tem uma questão de obediência a hierarquia muito forte, pois o diretor sempre da a última palavra em qualquer decisão diferente do que já foi programado anteriormente. Serre explicou que nas reuniões sentíamos bem esta barreira, porque nem todo mundo falava inglês, os franceses não falavam chinês, etc. “Estamos falando de uma equipe total de 150 pessoas”.

Uma central de TV no Mirage
Chegando ao local mais próximo em que seria realizada a transmissão da onda, ao vivo, foram montados dois switchers, com dois uplinks de “banda C”, um Flyaway da FFWORK, e outro da Translink, às margens do rio e outra central de TV no barco grande, apelidado de Mirage. Vale lembrar que o ponto certo da onda e o melhor dia para transmissão foi uma indicação da ABRASPO, através do Noéli Sobrinho.
Segundo Serre, além dos switchers em terra e no Mirage, “nós tínhamos dois barcos com antena rádio e micro-ondas, e mais dois helicópteros um com cineflex e o outro com um switcher montado junto de um sistema de RF”.
Durante os dias que antecediam a reportagem principal, a repórter chinesa – que segundo a equipe brasileira era tratada como um verdadeira estrela de TV deles – entrava 15 segundos ao vivo, fazia as chamadas e depois eles cortavam para matérias pré- -editadas anteriormente.
A princípio, o diretor brasileiro de TV disse que os chineses gostariam de fazer tomadas com a repórter dentro d’água, porém devido a dificuldades de aterrar microfones e toda fauna amazônica que as vezes surpreendia a equipe, foi decidido que um singelo cenário com cabine de narração fosse criado, próximo a central na margem do rio.
Os estrangeiros entenderam tão bem as questões que envolviam o fenômeno da natureza que apenas os brasileiros – integrantes da ABRASPO – tiveram coragem de cair na água e fazer bonito na crista da onda gigante.
Fundamental e responsável pelas belíssimas imagens aéreas, os dois helicópteros também precisaram passar por pequenas adaptações para que pudessem servir a tal propósito. “Nós tivemos dois helicópteros um de Belém e um de Fortaleza. Aliás, o helicóptero esquilo foi todo desmontado para ser montado o switcher e toda parte de RF, lembrando que este um ficava à 7 mil pés de altitude”, conta Serre.

Infraestrutura de televisão
De longe, ou a primeira vista, o local parecia apenas uma fazenda hitech, mas após toda a instalação, era fácil perceber a precisão com que tudo foi armado para eliminar qualquer hipótese de falha.
João Carlos Serre conta que coube aos franceses toda parte de RF e que, a SP Telefilm ficou encarregada de garantir a transmissão em HD.
Devido a falta de rede de telefonia, ou internet, a parte de telecomunicação foi feita toda com BGan via satélite. “Você imagina que nós tínhamos alguns equipamentos trazidos pelos chineses todos com menu em mandarim, tivemos uma grande dificuldade até achar a tecla do menu que mudava a língua para então começar a utilizar o equipamento”, contou.
Para a captação, foram usadas câmeras LDK 4000, da Grass Valley e F 800 da Sony. Serre também conta que fora quebrado um paradigma utilizando GoPro para fazer broadcast. “As micro-câmeras todas eram GoPro. Conseguimos mostrar imagens da onda chegando a margem colocando GoPro`s conectadas direto às mesas de corte”. O diretor explica que foram feitos furos nas caixas estanque da micro-câmera para passar o cabo de HDMI e o cabo de alimentação. “Usamos fita isolante líquida para fazer a vedação e manter ela ligada embaixo d’água. A GoPro estava ligada a um conversor da Blackmagic (a bateria) para transformar de HDMI para HD/SDI e aí eu trazia a imagem da margem do rio, submersa, através fde um rame sincronizers da FOR A 9500 onde faziamos a correção de cor da GOPRO para chegar perto das LDKS pelo menos com a mesma colorimetria. Aí ela entrava numa tecla do switcher e no EVS. Com isso tínhamos um corte de cena para a GoPro”, explicou.

Uma das centrais de televisão foi montada em uma casa de uma família ribeirinha localizada às margens do Rio Araguari

No total, foram usadas 14 câmeras para realizar a transmissão e as chamadas que antecederam o grande dia. “Foram quatro HD Hero 3, duas F800 instaladas nos barcos. Mais duas, uma em cada helicóptero e seis LDK 4000”, contabilizou.
Na sequência, Serre comenta que usou “três switchers da Panasonic, um HS 410 doze entradas e dois HS 400”. Além de comandar toda direção de corte, direção geral e produção local, os chineses comandavam todo grafismo direto da emissora em Pequim.
“Nós ainda contamos com uma ajuda muito boa da Debetec, esses caras nos ajudaram muito, pois nós usamos todas as lentes da Canon, estabilizadas, nas câmeras, afinal de contas nós filmamos de barco, helicóptero e na beira do rio, então você imagina a importância e o papel dessas lentes neste projeto. Nós usamos uma J55, aliás foi a maior, duas J40, quatro J22 e nos barcos tínhamos três J11”, agradeceu Serre.
Para entender o caminho da imagem a equipe da SP Telefim explicou que o sinal subia através de uplinks. “Tínhamos um uplink no 805 e outro no Galaxy 18, um descia em Atlanta e outro em Los Angeles. Depois, o sinal seguia por fibra até Cingapura e uma fibra até Pequim. O primeiro uplink começava a funcionar as 6 da manhã com playout de jornalismo. O outro já ficava pronto para entrar ao vivo, a partir das 7h30 da manhã que era exatamente 19h30 lá. Daí nós já seguíamos trabalhando até as 13h do horário de Brasília, sem parar”.
As lanchas estavam equipadas com transmissores Vislink L1500, com amplificadores. Todos os equipamentos utilizados estavam preparados para ser resistente a água, ao impacto e com isolamento térmico. “Usamos cases especiais, do Exército suíço, com cobertores térmicos”, revelou Mathieu.
A ACTIS forneceu um Kit de RF para o helicóptero, com todas as aprovações necessárias para transmitir através de uma antena de uplink para o outro helicóptero que ficava a 7 mil pés.
Assim como a transmissão de vídeo, a ACTIS teve que fazer o setup de três canais de áudio para o jornalismo – o retorno direto para Pequim e para os dois diretores. A infraestrutura cobria a comunicação com o diretor geral, o retorno do jornalismo direto com Pequim e a comunicação com o diretor técnico para coordenar o time no local.
Foram levados seis monitores só para central técnica. “Tínhamos TVLogic, Sony e Dell na central, no outro suite eu tinha três monitores. Depois mais seis pequenos, da TV Logic, dois Kroma grade 1 para ajuste de cor, no total eram oito ou dez”, contabilizou Serre que ainda citou dois frame synchronizer e duas matrizes da Blackmagic uma de 40 portas e uma de 16 para fazer configuração e mandar para o EVS. “A imagem saia do switcher e entrava em dois FA 9500, da For-A, para embebedar os áudios. A ideia era o conteúdo sair para o uplink já com os áudios prontos. Eram dois principais, um para cada uplink, e um ficava de stand by. Eu usei um EVS na central principal e usei um K2 Dino, da Grass Valley, no outro Switcher, porque tudo gravava então eu usei no EVS 6 canais e no Dino 6 canais”, explicou.

Apelidado Mirage, o maior barco da equipe foi utilizado, dentre outras coisas, como uma das centrais de TV da equipe

Pensando nas diferenças de temperatura e clima, o diretor da SP Telefilm revelou uma preocupação com o EVS que “é um equipamento delicado e que trabalhou a mil por hora durante todos os dias, mas felizmente tudo saiu perfeito”. E por falar em comportamento sob medidas extremas, Serre conta que as câmeras da Grass Valley, também se comportaram de forma sensacional. “Se mostraram ser câmeras robustas e com um resultado final excelente”, disse.

O som da Pororoca
Acostumados a vencer grandes obstáculos, pela cultura e pelo escopo do próprio programa, os chineses deram um desafio ainda maior para a equipe brasileira, gravar o estrondo sonoro causado pela Pororoca. Segundo os brasileiros, os chineses se espantaram com o som que as ondas menores provocavam durante a noite e decidiram tentar transmitir o som direto do rio, literalmente, Por isso, na parte de captação de audio, “o nosso engenheiro chama-se Mauricio “Maggaiver” Kawashima e a ideia dos microfones nos surfistas foi dele e a captacao de audio da pororoca foi dele”, disse Serre.
Para executar a tarefa foi utilizado um microfone de lapela SK250, da Sennheiser, colocado dentro de uma garrafa pet de 600 ml. “Cortamos com estilete a garrafa, colocamos tudo dentro, fechamos com fita, deixamos alguns furos para entrada do som e colocamos esta engenhoca, presa, no calção do surfista”.
Gravamos 10 minutos e jogamos este áudio em estéreo. E esse áudio na verdade é um barulhão, as vezes até assustador. Aí o técnico inverteu os canais de entrada e assim ele conseguia, conforme cortava de câmera, sonorizar a onda ao vivo para dar a impressão dos surfistas estarem chegando ou passando.
Ainda sobre áudio, para o projeto foi utilizado um console Yamaha 01V. Eram usados quatro canais de áudio diferentes, um áudio chinês, um áudio inglês, outro espanhol e o ambiente, todos eram embebedados e mandados separadamente. O vídeo final saiu HD LR.

A equipe efetuava testes constantemente para organizar e preparar as entradas ao vivo que precederam a grande transmissão

“Além dos idiomas tínhamos diversos canais de áudio entrando na mesa. A princípio era pra ser usado um narrador, um comentarista e um repórter. Mas, depois tivemos que fazer a comunicação com os helicópteros e mais um monte de coisa, ou seja, com 32 canais nós não conseguimos fazer tudo”, explicou Serre. Para compor a mesa de áudio foram usados dois monitores Genelec.

Fontes de energia
Devido a total inexistência de fontes de energia elétrica nos arredores do local onde foi montada a base da equipe, foram escolhidos geradores de pequeno e médio porte. “Optamos por geradores a gasolina e com uma limitação: um ou dois homens no máximo deveriam ser capazes de carregar”, explicou Serre.
A partir destes geradores, cuja gasolina era comprada por lá mesmo, foi possível abastecer todos os equipamentos das mesas e as baterias da Energia e IDX, usadas para as câmeras, iluminação, sistemas de som e micro-ondas.
Interessante lembrar que foram levados seis no-breaks da Eaton não só pela sua real função, mas também pela sua capacidade de conversão de 60 para 50 Hz, e para isso, os no-breaks foram certeiros, na ciclagem dos equipamentos. Foram usados para os uplinks e para os equipamentos de vídeo. As câmeras e os encoders (NTT) foram todos mudados para 50 Hz.
Outra adaptação interessante foram os dois conversores de energia levados de última hora para uma situação adversa, e foi o que aconteceu. “Antes de viajar eu tive o capricho de passar no almoxarifado e conferir coisas atípicas, pequenos equipamentos que poderiam ser interessantes naquela região. E eu acabei colocando na mala um pequeno conversor de energia. E não é que, dentro do helicóptero, precisava ser ligada uma XDCam e um switcher numa bateria. Nós usamos um pequeno switcher da Blackmagic que precisava de alimentação e a câmera da Sony para fazer as cenas aéreas, como que liga isso dentro do helicóptero que oferece 48 V? “eram conversores de 12 volts DC para 110 Volts AC. Nos precisavamos de 110 volts AC dentro do helicoptero e usamos este conversor de 12 para 110 usando uma das baterias de reserva dos barcos”, explicou Serre.

Alexandre Minghini
Revista da SET
alexandre.minghini@set.org.br

 Nº 134 – Julho 2013