• PT
  • EN
  • ES

As telecomunicações na Copa de 2014

 

A poucos meses do início da Copa das Confederações da FIFA no Brasil e com o dead-line de entrega dos estádios que servirão de palco para este evento e os da próxima Copa do Mundo de Futebol FIFA 2014 no país, torna-se necessário tentar explicar quais são as exigências que o organismo máximo do futebol mundial espera encontrar nas instalações e cidades sedes e como será transmitida a Copa no Brasil.

Nº 130 – Jan/Fev 2013

Da Redação – Fotos: Herivelto Batista (Minicom)

REPORTAGEM

N

os últimos tempos muito se tem falado sobre como, de que forma, e quem fará as transmissões dos jogos destes grandes eventos esportivos e como serão emitidas ao mundo. Está claro, por enquanto, que serão realizadas com a maior tecnologia broadcast disponível no mercado audiovisual mundial e que por exigência da FIFA, ente organizador, todos os sinais sairão dos estádios para os quatro cantos do mundo através de fibra óptica.
Desta forma, o manual da FIFA “Estádios de Futebol – Recomendações e requisitos técnicos” para a Copa no Brasil explica entre os “Requisitos de comunicação” que “a crescente demanda por uma implementação confiável e abrangente de sistemas de comunicação com arquitetura aberta requer o planejamento imediato de infraestrutura básica. Isso deve ser realizado simultaneamente ao desenvolvimento do programa de construção arquitetônica. A maioria dos sistemas eletrônicos de edifícios tem convergido para um protocolo de dados comum e aberto conhecido como “protocolo de internet” (IP), o qual geralmente utiliza conectividade baseada em Ethernet para conectar sistemas e redes. Essa tecnologia já é padrão para diversos sistemas de edifícios, abrangendo telefone, dados administrativos, dados wireless (Wi‑Fi), sistemas de gestão de edifícios, controle de acesso eletrônico e detecção de invasões, vigilância por vídeo, televisão e outros sistemas elétricos de baixa voltagem.”
O documento assegura que “para a maioria dos eventos de grande importância, incluindo a Copa do Mundo FIFA, existe um requisito para que cada estádio possua uma estrutura de cabeamento interno que possa ser dimensionada para o evento. Isso inclui cabeamento de um andar para o próximo (terciário/ vertical) e para todos os recintos necessários de um mesmo andar (secundário/horizontal). Em todos os estádios é necessário verificar o cabeamento para garantir que o estado atual do mesmo esteja de acordo com os requisitos da indústria relativos a cabeamento e que o sistema seja capaz de suportar a quantidade de hardware e banda larga a ser utilizada no estádio.”
Assim, “os cabos devem ser identificados de forma clara, utilizando um sistema de cabeamento estruturado, visando compreender a área coberta pelos mesmos. Uma boa diretiva a seguir é fazer com que a infraestrutura básica do estádio seja disponibilizada em todas as salas de comunicação dentro do estádio que exijam equipamentos de TI (Tecnologia da Informação) para utilização nos eventos de maior importância, incluindo espaço para escritórios.”
Para isso, a FIFA recomenda expandir um “programa de tecnologia de forma a determinar a interoperabilidade, convergência e designações de rede e utilizado para determinar as responsabilidades relativas ao escopo de trabalho e à implementação do sistema.” Nele, os sistemas de comunicação possuem seis elementos fundamentais que precisam ser revistos e avaliados. Estes são a infraestrutura básica com salas de comunicação, canaletas e sistemas de contenção exclusivos. Os sistemas de suporte: sistemas exclusivos de aterramento, aquecimento, ventilação e ar condicionado, energia e iluminação; a infraestrutura de cabos: linha principal de fibra óptica da instalação, bem como cabeamento horizontal e vertical; componentes eletrônicos do sistema: sistemas telefônicos, chaves de dados, servidores e computadores; a implementação: suporte, aplicações, designação de rede e serviços; a administração: gerenciamento, manutenção e atualizações.

Os investimentos no país

O Brasil começou a preparar a Copa do Mundo de 2014 com um importante déficit de cabeamento de fibra óptica no país. Por isso, no início de 2011 Paulo Bernado, ministro das Comunicações, anunciou investimentos em redes de fibra óptica que chegariam aos R$ 7 bilhões até o início de 2015. Isso se implentaria com a aplicação de cerca de R$ 1 bilhão por ano na Telebras, que entraria com um forte incremento na construcção de fibra óptica para desta forma preparar o país para ter uma acesso maior a redes de alta velocidade, que se concretizaria com a implementação do Cinturão Digital do Ceará (CDC), um investimento na viabilização da banda larga composto por uma infraestrutura de 2.600 km de fibra óptica conectando 92 cidades, com cobertura inicial instalada na sede de 53 municípios, o que corresponde a 85% da população urbana do Estado.
Já em 2012, a Gecopa (Grupo Executivo da Copa do Mundo de 2014) anunciou um investimento de R$ 371 milhões para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e Telebrás para estas desenvolverem a modernização da infraestrutura e serviços de telecomunicações que serão utilizados para dar suporte ao evento.

Obras da Telebras

Assim, a Telebras afirmou em comunicado até janeiro de 2013 a infraestrutura de telecomunicações para a Copa das Confederações de 2013 e a Copa do Mundo de 2014 tinha “74% das obras executadas nas seis cidades-sede da Copa das Confederações – Brasília, Salvador, Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Fortaleza o que significa que o cronograma está rigorosamente em dia”, afirmou o presidente da estatal, Caio Bonilha. A previsão de entrega final dos trabalhos será no mês de março.

De acordo com o cronograma da empresa, Brasília é a mais avançada, com 87% das obras de telecomunicações prontas. Logo em seguida vem Salvador, com 79%; Recife, 77%; Belo Horizonte, 70%; Rio de Janeiro, 67% e Fortaleza, com 66%.
Segundo explica em comunicado o presidente da estatal, Caio Bonilha, as obras de telecomunicações nas seis cidades-sede estão em estágio final, dependendo da conclusão de trechos de fibra óptica e Pontos de Presença (POPs) da rede metropolitana. “O nosso planejamento é entregar a infraestrutura de telecomunicações em março. Para que isso se concretize, precisamos que as obras civis nos estádios estejam prontas para instalar todos os nossos equipamentos”, afirmou.
Com relação às demais seis cidades-sede que farão parte do Mundial de Futebol – São Paulo, Cuiabá, Natal, Manaus, Curitiba e Porto Alegre – o percentual de execução é de 20%, atualmente em fase de licenciamento e projeto executivo. “Estamos dentro do cronograma previsto e planejamos entregar as obras das cidades até dezembro deste ano. Para isso, contamos com a colaboração das diversas entidades que vão licenciar as obras”, afirmou Bonilha.
Ao todo, explica a estatal brasileira, serão disponibilizados mais de 1,2 mil km de fibra óptica nas regiões metropolitana das 12 cidades-sede, construídos 780 km de fibra óptica, com a utilização, inclusive, de redes de fibras já implantadas e ativação de mais de 47 Pontos de Presença (POPs).

Sem telecomunicações não há Copa

Estas foram as palavras do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, após a assinatura em Brasília do Memorando de Entendimentos entre a União e Federação Internacional de Futebol visando a garantia de um serviço “exemplar” de telecomunicações para a Copa 2014 realizada a final de janeiro de 2013.
Segundo Valcke, a telecomunicação é uma “grande peça da organização da Copa”, ao que o ministro Paulo Bernardo completou ressaltando que “sem uma boa comunicação é como se a Copa não existisse”.
Paulo Bernardo disse que foram 18 meses de negociações entre governo e FIFA sobre os termos da Garantia nº 11 referente a telecomunicações. O entendimento final assinado no Memorando determina que é de responsabilidade do governo as obras que ficarão de legado para o país, e o que for utilizado apenas para a realização dos jogos será de responsabilidade da FIFA. O ministro esclareceu que a tecnologia 4G já estará operacional a partir de abril de 2013 nas seis cidades da Copa das Confederações, que ocorrerá em junho deste ano – Brasília, Rio de Janeiro, Fortaleza, Recife, Salvador e Belo Horizonte.
Bernardo destacou que o governo, por meio da Telebras, está implantando a infraestrutura de rede de fibra óptica nas doze cidades sede, com um orçamento de R$ 200 milhões. A rede de fibra está 100% concluída na região metropolitana de Brasília, Belo Horizonte e Salvador e a previsão de conclusão das demais é março de 2013. Segundo Bernardo, tudo está sendo feito para garantir o atendimento de telecomunicações para a Copa 2014.
O Memorando de Entendimentos assinado entre a FIFA e o Ministério das Comunicações estabelece que são responsabilidades do Governo Federal (Ministério das Comunicações, por meio da Telebras): primeiro, disponibilizar infraestrutura nacional de backbone e de redes metropolitanas necessárias para a interconexão entre os estádios e outros locais definidos pela FIFA e o Centro Nacional de Transmissão (International Broadcaster Center – IBC), bem como o serviço de transporte de vídeo, sem custo para a FIFA ou seus parceiros.
Segundo, garantir que a infraestrutura atenda aos requisitos técnicos de qualidade estabelecidos pela FIFA, sobretudo a disponibilidade de 99,99% exigida para as redes que transportarão o serviço de transmissão de vídeo dos jogos; terceiro, implantar a interconexão entre a rede da Telebras e as redes dos provedores de serviços de TI e de Mídia contratados pela FIFA; e quarto, disponibilizar infraestrutura e soluções de TI (voz e banda larga) tão somente nos locais em que os provedores de serviços de TI e de Mídia contratados pela FIFA não disponham de infraestrutura conforme os requisitos de qualidade exigidos, o que deve ser comprovado por laudos técnicos fornecidos pela FIFA.
Pela sua parte, a FIFA será responsavel por desonerar o Governo Federal de prover a infraestrutura nos locais onde os prestadores de serviços de TI e de Mídia possuírem infraestrutura disponível conforme os requisitos de qualidade; segundo, obter e implementar a Tecnologia de Adaptação de Vídeo (VandA) e arcar com todos os seus custos; ainda, implementar a solução de rede de back-up por satélite e arcar com todos os seus custos; e remunerar à Telebras com 50% das receitas provenientes das vendas de serviços de vídeo fornecidos pelo sistema VandA.
Finalmente, o Memorando assinado entro governo brasileiro e a FIFA criou um Grupo de Monitoramento composto por representantes do ministério das Comunicações, da Telebras e da FIFA e seus parceiros, responsável pelo acompanhamento conjunto da implementação da infraestrutura e dos serviços de telecomunicações para os eventos da FIFA e pelos eventuais esclarecimentos sobre os cenários de telecomunicações para cada um dos locais do evento.

Novos investimentos na área com desoneração de impostos

No dia 15 de fevereiro passado, o Secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Maximiliano Martinhão, assinou um decreto que, segundo ele, oferece “uma nova janela de oportunidades para investimentos em telecomunicações.”
Segundo informou o Minicom, o impacto fiscal total será de cerca de R$ 3,8 bilhões até 2016, prazo de validade da medida. O decreto que regulamenta a desoneração dos investimentos em redes de telecomunicação no país, assinado pela presidente Dilma Rousseff e publicado no Diário Oficial, permitirá a antecipação até 2016 de investimentos da ordem de R$ 16 bilhões a R$ 18 bilhões ao desonerar impostos (IPI, PIS/Pasep e Cofins) para a implantação de redes de telecomunicações com suporte para banda larga.
Para contar com as desonerações previstas, as empresas devem encaminhar até o dia 30 de junho deste ano seus projetos de investimento em rede. Segundo Martinhão, os projetos devem ser voltados para a redução das diferenças regionais, a modernização dos padrões de qualidade das redes e à massificação do acesso à banda larga.
Para o governo, além do incentivo aos investimentos em infraestrutura para suportar a banda larga, o decreto também pretende incentivar a indústria nacional ao definir níveis de nacionalização para os equipamentos.

O Regime Especial de Tributação do Programa Nacional de Banda Larga (REPNBL), que integra o plano Brasil Maior, é uma proposta do MiniCom para ampliar a oferta de serviços de banda larga no país e baratear os preços. Daí a isenção de IPI, PIS e Cofins para máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos novos, bem como materiais de construção adquiridos pelas empresas beneficiárias do regime especial.
A desoneração tributária deverá incentivar os investimentos em redes de telecomunicações para suporte a serviços de internet em banda larga e tem as seguintes condicionantes, com previsão de percentuais mínimos obrigatórios: valor total de equipamentos e componentes de rede em relação ao total do projeto; valor total de equipamentos e componentes de rede produzidos com PPB – Processo Produtivo Básico em relação ao valor total de equipamentos e componentes de rede; valor total de equipamentos e componentes de rede com tecnologia desenvolvida no país em relação ao valor total de equipamentos e componentes de rede.
As redes que terão desoneração serão as de Datacenter; rede de acesso metálico; rede de acesso móvel; rede de acesso óptico; rede de acesso em sistemas smartgrid; rede de acesso sem fio ponto a ponto; rede de acesso sem fio na faixa de 450 MHz; rede de transporte óptico; rede de transporte óptico por meio de cabos OPGW; rede de transporte sem fio; rede local sem fio; e sistema de comunicação por satélite.

www.telebras.com.br
www.mc.gov.br
http://pt.fifa.com/worldcup/organisation/documents/index.html