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700 MHz em debate: SET reúne diretoria e propõe Grupo de Testes

Diretoria da SET se reúne para discutir e planejar agenda e ações de Grupo de Testes que pretende tratar de forma transparente a utilização da faixa de 700 MHz

Preocupação com o futuro uso da faixa de 700 MHz estará em pauta em uma série de encontros que a SET pretende organizar durante o ano. Operadoras serão convidadas.

Nº 130 – Jan/Fev 2013

Por Alexandre Minghini

REPORTAGEM

A transferência de 108 MHz na faixa de 700MHz, atualmente atribuída à televisão aberta, para sistemas de banda larga digital será pauta de uma série de reuniões que a SET pretende fazer ao longo do ano (e além caso precise). Segundo a entidade divulgou recentemente, essa migração deverá gerar interferências mútuas entre os serviços – na recepção da TV Digital de um lado e nos serviços de banda larga, do outro.
Além de informarem que é facilmente possível acomodar as estações televisivas na faixa restante de UHF, representantes do Ministério das Comunicações e da ANATEL comunicaram à SET – Sociedade de Engenharia de Televisão – que também será facilmente estabelecida a convivência entre sistemas de banda larga sem fio (LTE/4G) e TV digital, livre de interferências mútuas prejudiciais a qualquer dos serviços, mas que pretendem fazer um teste-piloto para verificar possíveis interferências.
Após o referido anúncio, a SET colocou-se preocupada com os percalços que podem acontecer e decidiu montar um Grupo de Testes composto por seus diretores, para debater e tratar de perto o tema. Segundo Olímpio José Franco, presidente da SET, as preocupações da entidade abrangem dois aspectos básicos: o planejamento dos canais digitais na banda de UHF e as interferências causadas pelas transmissões de LTE/4G na recepção da TV.
Vale lembrar que um problema de sintonia fina na TV digital, diferentemente do chuvisco do sinal ana – lógico, poderá tirar impedir a fruição do serviço de TV, causando uma tela preta no televisor.
“Hoje, a Televisão (geradoras e retransmissoras) dispõe dos canais 14 ao 69 para distribuição da TV Digital. Mesmo assim, já foi muito difícil acomodar todos os canais digitais para a fase de transição, sem o desligamento imediato dos canais analógicos. Há muitas situações críticas no plano atual,em que a cobertura da TV digital não consegue replicar a da TV analógica. Agora, com a portaria do governo iniciando a redução da banda para os canais 14 ao 51, haverá perda de 18 canais, o que totaliza 108 MHz. O grande desafio é conseguir planejar esta nova transição sem prejuízo das áreas de cobertura das emissoras e retransmissoras”, explicou Olímpio.
Já com relação às possíveis interferências causa das pelas transmissões de LTE/4G na recepção de TV, o presidente da SET diz que já foram feitos testes, fora do país comprovando o problema. “Testes e estudos feitos no Japão e na Europa revelam que

LTE causa interferência na recepção de TV Digital

Estas interferências se traduzem em interrupções na recepção, resultando em “tela preta” para o usuário doméstico. Sabemos também que as transmissões de TV podem causar interferências na recepção de LTE dentre os dispositivos portáteis”, complementa.
Em resumo, a agenda de reuniões que serão promovidas propõe a busca pelo conhecimento destas dificuldades, pois sem se saber exatamente o que é passível de acontecer, não é possível planejar e mitigar os problemas esperados nesta transição.
Dia 18 de fevereiro, logo após o anúncio do governo, foi organizada a primeira reunião sobre o Grupo de Testes. “Terminada a primeira reunião, estamos agora preparando a organização deste grupo, quanto a sua composição, gestão, orçamento e cronograma de atividades. Esperamos definir, e logo, nossas atividades e em breve ter os primeiros resultados.
Forneceremos resultados parciais, na medida em que puderem ser divulgados com segurança”, revelou Olímpio.

Transmissão de TV Digital

A SET, entendendo a importância da TV Digital, reconhece que a canalização corretamente planejada é muito importante para a população receber sinais com segurança, qualidade e robustez em todas as localidades do país.
Para execução dos testes, a entidade pretende convidar um vasto leque de profissionais para certificar e cientificar os resultados obtidos. “A SET teve, tem e terá posição imparcial e técnica, com o maior número possível de participantes, de diferentes associações e apesar de incluir profissionais das redes de TV – por ser o setor mais prejudicado – esperamos o envolvimento do Ministério das Comunicações e da Anatel no acompanhamento dos testes” detalhou o presidente e fez questão de frisar que a participação de centros de pesquisa também é importante na execução dos testes e que um convite será emitido às operadoras. “Com esta diversidade de participações, a transparência, certamente, será total”, finalizou.
Os estudos da SET indicam regiões em que, num cenário pós-transição, exclusivamente digital, já é enorme a complexidade para a acomodação das estações existentes, complexidade esta que será maior ainda se consideradas as estações públicas em fase de implantação. Esse cenário é especialmente crítico nas áreas metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte e no centro-leste do Estado de São Paulo, mas também se estende ao interior do estado de São Paulo em geral e a outras capitais do país.
A SET teme que os estudos do governo tenham sido realizados com reuso demasiado de frequências, o que poderá comprometer tanto a qualidade das imagens oferecidas ao público, como a cobertura das estações digitais, que ficará reduzida relativamente às atuais coberturas analógicas.
A SET vê como premente a necessidade de iniciar- -se de imediato o replanejamento dos canais digitais específico para a fase pós-transição, com a tentativa de otimização de uso do espectro e de acomodação dos canais dentro da faixa estipulada pela Portaria nº 14, pois somente o desenvolvimento desse trabalho poderá apontar, com clareza, a suficiência ou não de espectro para a efetiva implantação da TV digital.

Interferências mútuas entre LTE/4G e a recepção da TV Digital

A importância da implantação de LTE/4G para os serviços de banda larga é grande , mas a questão da interferência sobre a recepção de TV Digital também é muito séria. A interferência em TV digital significa TELA PRETA e todos os estudos até o momento indicam que não há solução perfeita para o problema, mas apenas medidas de mitigação, que precisam ser simultâneas e incluem a instalação de filtros em cada residência – portanto, medidas de difícil operacionalização.
Os relatos que a SET tem recebido do Japão e da Europa apontam que os serviços de LTE/4G e TV Digital causam interferências mútuas.
Por isso, a SET entendendo a importância do tema, resolveu constituir um grupo de trabalho para iniciar de imediato os testes de interferências mútuas entre as duas tecnologias de TV Digital e LTE/4G, tendo como base os parâmetros do Brasil. E, como sempre tem ocorrido, a SET está certa do apoio do Ministério das Comunicações e da Anatel.Para tanto, firmará convênio com centro de pesquisa, emissoras de TV e associações do setor, e estará totalmente aberta à participação de fabricantes de televisores e operadoras de telecomunicações.
A SET disponibilizará os resultados desses testes, seus potenciais problemas e as soluções para minimizá- los, tal qual foi feito no passado nos estudos comparativos dos padrões de TV Digital existentes na época. Vê, também, a oportunidade de colocar a comunidade técnico cientifica brasileira em destaque no conhecimento dessas tecnologias.