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Uma NAB disruptiva!

NAB 2018  “O OLHAR DOS ESPECIALISTAS DA SET”

por Tom Jones Moreira

A NAB 2018 foi dominada principalmente por câmeras robôs autômatas, muita, mas muita mesmo! Realidade virtual (VR) e alguns anúncios empolgantes no mundo IP e dos codecs. Para dar volume a essa minha impressão, se você entrasse no átrio que divide o North Hall do Central Hall, havia uma espécie de performance que permitia aos visitantes dançarem junto com o braço robótico Atom da MAG-Z com um estabilizador Ronin 2 da DJI acoplado, gerando conjunto incrível de imagens com movimentos de câmera que eram exibidas em um telão. A Nikon, também, marcou presença com um estande inteiro dedicado à este tipo de solução. No mundo dos gráficos uma verdadeira sopa de letrinhas invadiu praticamente todos os stands dos fabricantes do setor, são elas:

VR, AR, MR – Ficou difícil? Calma, já explico!

A realidade virtual (VR), que pode ser referida como multimídia imersiva ou realidade simulada por compu-tador, replica um ambiente que simula uma presença física em lugares do mundo real ou em um mundo imaginado, permitindo que o usuário interaja nesse mundo. Exemplos disso estavam por todo o lado na Feira, seja no stand da Google com inúmeras experiências de desenvolvimento para VR.

Até o próprio Cirque du Soleil oferecendo a oportunidade de dividir o palco com seus acrobatas a qualquer um que quisesse encarar os óculos de realidade virtual.

A realidade aumentada (AR) é uma visão direta ou indireta de um ambiente físico, real, cujos elementos são aumentados (ou suplementados) por dados sensoriais gerados por computador, como som, vídeo, gráficos ou dados de GPS. A realidade aumentada é uma sobreposição de conteúdo no mundo real, mas esse conteúdo não está ancorado ou parte dele. O conteúdo do mundo real e o conteúdo do CG não são capazes de responder uns aos outros. As tendências de tecnologia de realidade aumentada continuam de vento em polpa, agora com uma integração cada vez maior entre as fabricantes e os desenvolvedores de Engines. Tomar partido das capacidades de renderização em tempo real das ferramentas criadas para videogames deixou de ser um sonho, para se tornar norma e veremos isso cada vez mais real no segmento.

Por fim, o ultimo tempero da sopa de letrinhas: realidade mista (MR) — às vezes chamada de realidade híbrida — é a fusão de mundos real e virtual para produzir novos ambientes e visualizações onde objetos físicos e digitais coexistem e interagem em tempo real. A realidade mista é uma sobreposição de conteúdo digital no mundo real que está ancorada e interage com o mundo real — cirurgiões podem sobre por imagens de ultrassom virtuais em seus pacientes durante uma operação, esse é um exemplo. A principal característica da MR é que o conteúdo digital e o conteúdo do mundo real são capazes de reagir uns aos outros em tempo real. O melhor exemplo disso veio com estúdio líder de produção VR /360°, o Supersphere, que apresentou durante a feira, esses flypacks multi-geometricos (mesh / retilíneo / equirretangular) que podem lidar com produção de 360°, 180°, 4K ou HD e misturar e combinar perfeitamente cada geometria, e inclui codificação e entrega de VDN (rede de distribuição de vídeo) transmissão ao vivo para qualquer plataforma ou player personalizado.

Indo para o mundo de Transmissão, não foi surpresa nenhuma ver o ATSC 3.0 sair dos relatórios do FOBTV (Future of Broadcast Television Initiative, do qual faço parte), para estrear completamente homologado em diversos stands, e por que não dizer até um pavilhão inteiro dedicado ATSC 3.0 com diversas empresas apresentando desde receptores a transmissores, formando assim toda uma cadeia de valor do novo padrão de TV Digital.

Outro padrão que estava em pleno funcionamento, pela primeira vez nesta NAB, foi o protocolo 2110 da SMPTE, responsável pelas normativas de padronização do transporte vídeo por IP. Lançado oficialmente em setembro do ano passado, o que é algo muito positivo para o futuro do tudo em IP que tanto falamos.

Infelizmente não posso falar o mesmo dos CODECS de vídeo que esperava ver uma alavancada maior de implementações para HEVC, (fato que discutiremos em outro artigo), mas o fato é que ele não decolou como todos esperavam.

Por fim vale mencionar que a presença de brasileiros no evento voltou a crescer. Após uma NAB 2017 com pouquíssimos brasileiros (sentiram minha falta? Rss), a edição 2018 do evento trouxe de volta a grande quantidade de profissionais de emissoras, produtoras e distribuidoras circulando pelo evento e principalmente pelo pavilhão Brasileiro.

Porta voz dessa representatividade, a Rede Globo, fez sua presença bastante forte, através do anuncio de uma nova parceria com a fabricante de transmissores Rohde&Schwarz, que será responsável pela troca de todos os transmissores de Grande Porte de São Paulo, e também pela apresentação de diversos papers no Congresso.

Deixamos então a NAB 2018 com esse sentimento de dever cumprido e de que a disrupção veio para ficar.

Tom Jones Moreira de Assis Tom Jones Moreira de Assis
Tom Jones Moreira de Assis é especialista em Sistemas digitais, experiência de mais de 16 anos no mercado de Telecom. Coordenador do departamento de Engenharia de Aplicação da Tecsys do Brasil. Membro do Fórum SBTVD: Módulo de Promoção e Módulo Técnico, e membro da Diretoria de Ensino da SET. Contato: [email protected]