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TV brasileira e OTT pós-disruptura

Artigo

por Carlos Barros Monteiro e Luana Chávez Bandeira de Brito

 

Este artigo aborda a constatação da necessidade de avanço nas pesquisas e reflexões acerca das consequências da disruptura na TV brasileira, players abertos e por assinatura

A partir da observação do cenário atual no Brasil buscamos identificar tendências mercadológicas apresentando exemplos que as sustentem. Tendo em vista as mudanças em curso na indústria televisiva estimuladas pelo desenvolvimento de plataformas Over The Top (OTT), considerando que não se trata de um evento isolado, mas sim de uma realidade que acontece no âmbito internacional, percebe-se que duas perspectivas ganharam destaque entre os especialistas: a polêmica argumentação da iminente “morte” da TV e a otimista, que aposta em sua expansão.

Cenários tangíveis

A crença de que o antigo modelo de negócio Broadcaster da televisão tradicional aberta e fechada esteja caminhando para o fatal desuso se sustenta na crescente popularização de plataformas OTT e consumo de vídeo On Demand. Os serviços OTT, consistem em modelos de negócios de plataformas para distribuição de conteúdo audiovisual online. Por meio dessas plataformas diversos títulos são oferecidos para consumo em sistemas distribuídos, com possibilidade de uso em uma série de dispositivos conectados à internet. Sob o título “O mercado de mídia OTT – Over The Top no Brasil”, nossa pesquisa sobre este mercado foi apresentada no Primeiro Congresso Internacional de Mídia e Tecnologia, que aconteceu em outubro de 2017 na Universidade Estadual Paulista (Unesp) campus Bauru, SP. Esta compreensão, que aponta para um possível sucateamento das grandes redes ganha força quando análises de tráfego de dados e pesquisas de mercado estipulam que a Netflix tenha ultrapassado a rede SBT em faturamento, no ano de 2016, em 30%, segundo divulgado no site www.optclean.com.br, em dezembro do mesmo ano.

Por outro lado empresas já consolidadas no mercado de telecomunicação, em especial operadoras de TV por assinatura, provedoras de banda larga, podem crescer no setor de conexões de redes, considerando a vantagem competitiva quando migram para plataformas digitais. A operadora de TV por assinatura NET, por exemplo, disponibiliza o serviço OTT em sua plataforma, denominada NOW. O resultado dessa estratégia é que a plataforma já é o principal player de conteúdo, em número de assinantes atualmente no país, segundo dados oficiais da Anatel publicados no último relatório no mês de maio, que apontam para um horizonte favorável às empresas do segmento.

Algumas conclusões

Paralelamente, há um entendimento de que as plataformas OTT representariam ao mesmo tempo, que uma disruptura, uma reorganização e que teria aspecto positivo, não prejudicando o atual modelo de negócios das emissoras abertas e canais de TV por assinatura, mas sim trabalhando a favor de ambas e ainda possibilitando sua ampliação. Sob esta ótica, observa-se que há um crescimento no segmento, com investimento de diversas empresas no desenvolvimento de suas próprias plataformas OTT. Por coincidência no mesmo relatório da Anatel foi publicado o abandono de assinantes na televisão por assinatura, com uma perda de 137.787 assinantes até maio de 2017. Uma estratégia mercadológica que dialoga com a busca de um público fiel é a abordagem por nicho. A plataforma PlayKids atende ao público infanto-juvenil e uma demanda específica por conteúdo educativo. Dessa forma tem se destacado ampliando seus negócios para diversos países, evoluindo como referência no segmento. A rede SBT conhecida por investir amplamente no mesmo público da PK, recentemente lançou a plataforma OTT SBT Kids e já acena para uma possível concorrência. Citada a exaustão quando discutida a disruptura da indústria televisiva, talvez o grande mérito da Netflix não seja ser disruptiva, visto que qualquer coisa que saia de um padrão compartilha do mesmo caráter desse novo ambiente disruptivo, mas sim ser uma mudança que salientou a necessidade de remodelação e de renovação da mesma. Sob esse prisma, a fim de transcender este marco inicial, é vital que outras possibilidades sejam amadurecidas, seja através do estudo teórico ou empírico com a aplicação de estratégias de mercado.

Carlos Barros Monteiro Carlos Barros Monteiro
Carlos Barros Monteiro é professor Doutor em Comunicação na Universidade Anhembi Morumbi de São Paulo (UAM) e na Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS). Contato: [email protected]
Luana Chávez Bandeira de Brito Luana Chávez Bandeira de Brito
Luana Chávez Bandeira de Brito aluna de graduação no curso de Rádio, TV e Internet e pesquisadora bolsista de Iniciação Científica na Universidade Anhembi Morumbi de São Paulo (UAM). Contato: [email protected]