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Os primeiros 30 anos da SET e seu DNA

A SET foi fundada em 25 de março de 1988 pelo engenheiro Adilson Pontes Malta, tornando realidade o sonho de um fórum que pudesse congregar os profissionais de engenharia das diversas empresas de televisão para que, juntos, buscássemos soluções para os problemas que enfrentávamos no nosso dia-a-dia, trocando experiências, desenvolvendo conhecimento, aprimorando as tecnologias e elevando o nível dos serviços de áudio e vídeo oferecidos à população.
Na ocasião, um dos principais obstáculos para a introdução de novas tecnologias na televisão era a obrigatoriedade de uso do PAL-M em toda a cadeira produtiva de vídeo, desde a captação das imagens até a chegada ao televisor. O PAL-M, nosso padrão de TV analógica, havia sido adotado aqui para superar as instabilidades de cor existentes na fase inicial do NTSC, sistema usado nos Estados Unidos e carinhosamente apelidado de Never Twice the Same Color. Mas esse uso intensivo do PAL-M exigia que todos os equipamentos profissionais, inicialmente lançados em NTSC, fossem adaptados, o que os tornava mais caros e ainda atrasava, em anos, a chegada de desenvolvimentos ao Brasil.
O primeiro grupo de estudos da SET analisou o assunto e concluiu que não haveria prejuízo à qualidade percebida pelo telespectador se o NTSC fosse usado nos estúdios de TV e a transcodificação para PAL-M fosse feita por um único equipamento na entrada do transmissor de televisão. A recomendação nesse foi aceita pelo Ministério das Comunicações, e as emissoras puderam passar a oferecer todos os avanços, tão logo lançados nos EUA e no Japão.
Pouco depois, começamos os estudos da TV digital terrestre e, em 1994, estruturou-se o Grupo SET-ABERT de TV Digital, coordenado pelo engenheiro Fernando Bittencourt. Entre 1999 e 2000, testes comparativos, em laboratório e em campo, em conjunto com a Universidade Presbiteriana Mackenzie e a supervisão da Anatel nos permitiram concluir que o ISDB-T era superior e que permitiria a cada emissora oferecer alta definição e mobilidade em toda a sua área de cobertura. Nos anos que se seguiram, fomos incansáveis nas demonstrações das capacidades do sistema ISDB-T, da boa cobertura para celulares e da importância da alta definição.
Em 2006, nosso governo aceitou a recomendação feita pela SET, de braços dados à academia brasileira, de adoção do sistema ISDB-T com melhorias integradas. E o Brasil ganhou uma alta definição com qualidade ímpar, no mundo, de imagens e sons, e também a TV no celular. Nosso fundador Adilson foi muito além da criação de grupos de estudo, inaugurando encontros que se consagraram e se expandiram ao longo do tempo. Há exatos 4 anos, começou o SETEXPO, quando o então presidente Olímpio Franco encarou o desafio de aprimorar a exposição de equipamentos, paralela ao congresso anual da SET. Hoje, o SETEXPO é o maior evento do setor em toda a América Latina, reunindo mais de 1500 congressistas e mais de 15 mil visitantes e recebendo representantes de cerca de 40 países.
Neste meu último ano à frente da SET, sinto a avassaladora evolução de tecnologias disruptivas, que reforçam o despertar da 4ª Revolução Industrial, anunciada por Klaus Schwab no Fórum Econômico Mundial de 2016. Trata-se da integração dos domínios físico, digital e tecnológico. À interligação de pessoas e máquinas, por uma internet ubíqua e móvel, dotada de sensores menores e mais poderosos, se soma a inteligência artificial e a aprendizagem da máquina, ou computação cognitiva. A inteligência artificial nos oferece miríades de possibilidades. Muito em breve, os botões e a digitação serão passado, substituídos por interfaces de voz.
Após contribuir para o desenvolvimento da TV aberta e proporcionar aos brasileiros uma primeira geração de TV digital sem par no mundo, nós, profissionais de tecnologia, precisamos estar atentos à influência dessa transformação digital nas vidas das pessoas, seus hábitos de consumo, e lançar mão de tecnologias disruptivas e cognitivas no nosso ecossistema, de forma a mantê-lo na vanguarda. Passados 30 anos de sua fundação, a SET permanece um ponto de encontro entre profissionais para intercâmbio de ideias, um lastro, uma comunidade de pessoas que busca encontrar caminhos. Meu desejo é que, lançando mão das tecnologias em rápida evolução, promovendo autodesenvolvimento, renovação, inovação e empreendendo, nós profissionais, possamos, juntos, na SET, continuar, por muitos e muitos anos, fomentando os negócios da área no país e garantindo que os brasileiros continuarão tendo acesso às melhores experiências de mídia e entretenimento.

Conto com vocês!

Liliana Nakonechnyj
Presidente da SET