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O sucesso da TV Digital se deve à espinha dorsal criada pelos engenheiros brasileiros!

A partir do final deste ano, chuviscos e fantasmas só existirão como lembranças pitorescas para a esmagadora maioria dos brasileiros e a outrora “alta definição” das imagens será nada mais que o esperado ao se apertar o botão do controle remoto do televisor. Mais um degrau galgado na história da televisão brasileira, num processo vitorioso de desligamento da TV analógica liderado pelos profissionais da área, salpicado de momentos de sorte, mas com espinha dorsal construída com esforço e determinação. Por exemplo, por pura sorte, em 1999, estava à frente do desenvolvimento do sistema japonês o Dr Osamu Yamada, disposto a emprestar um protótipo laboratorial para os testes que concluíram pela superioridade daquele padrão de transmissão. Mas até a decisão do governo quanto à introdução do sistema, em junho de 2006, foram mais de 12 anos de estudos, testes e demonstrações com a SET como ponto de encontro dos especialistas envolvidos. Em seguida à decisão, entrou em ação o Fórum SBTVD, que enfrentou o desafio de completar as especificações do sistema em prazo curtíssimo e harmonizar as atuações dos principais players para a implantação da TV Digital no Brasil. Desde seu lançamento em São Paulo, em dezembro de 2007, as imagens e sons perfeitos foram objeto de desejo dos que lhes eram apresentados. Ao longo dos anos seguintes, as transmissões digitais se expandiram e os preços dos televisores caíram. O empurrão final foi dado pela venda dos 700 MHz para operações de 4G em 2014, quando a necessidade de limpar a faixa de transmissões de TV levou ao uso de parte dos recursos do leilão para agilizar a migração digital, em uma parceria público-privada bem organizada, que inclui a distribuição de conversores à população de baixa renda e uma extensa campanha de comunicação pelas emissoras de TV. Nesta edição da Revista da SET, Osamu Yamada congratula broadcasters brasileiros e Rafael Leal, coordenador do Grupo SET-Switch-off, recapitula os principais marcos do processo de apagamento analógico.

Por conta do nosso sistema de TV Digital, a população brasileira tem acesso gratuito a uma qualidade de imagens e sons melhor que a oferecida pela grande maioria dos serviços pagos, no Brasil e no mundo. Mas os desenvolvimentos continuam, com imagens de definição 4 vezes e até 16 vezes maiores, e outras melhorias de processamento. Nossos engenheiros e empresários continuam atentos, experimentando as novas tecnologias. É sobre essas experiências, vividas na Copa de 2014 e nas Olimpíadas de 2016, que Leonardo Chaves e Gabriel Ferraresso vislumbram os Caminhos para a TV do Futuro.

Também estão presentes nesta edição da Revista da SET discussões sobre a aceleração da revolução digital, a convergência de mídias e a busca por novos modelos de engajamento, incluindo abordagens apresentadas durante o IBC e os SET Regionais Sudeste e Centro Oeste.

Boa leitura!

Liliana Nakinechnnyl

Presidente da SET