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Emissoras e players procuram entender consumidor digital

SET Sudeste 2017

por Gabriel Cortez e Fernando Moura

 

 

Audiência com interesses fragmentados se consolida em ambiente de vídeos multiplataforma e desafia broadcasters a inovar

O painel “Operação multiplataforma, tecnologias emergentes, mídias e tendências” encerrou o SET Sudeste 2017 colocando lado a lado representantes do mercado broadcast e grandes players de internet. Moderado pelo diretor de tecnologia da Rede Telecine, Guilherme Saraiva, a sessão foi uma das mais aguardadas do evento e contou com participações de executivos da Globo, do Esporte Interativo, da Fox Sports, do YouTube e da IBM.

Rodrigo Penalva, Especialista de Tecnologia em Mídias Digitais da Globo, afirmou que o consumo mensal de vídeo do Globo Play passou de 5% para 15% no último ano e ressaltou que a emissora conseguiu perceber e assimilar a segmentação da audiência, apesar de ter havido certa resistência no início.

“É sempre muito difícil você inovar em um modelo de negócios tradicional já consolidado. Mas, hoje, temos uma série de produtos digital first, digital only, binge watching e em comunicação cross channel. Há inclusive produtores de conteúdos da Globo querendo trabalhar exclusivamente no Globo Play. Conseguimos trazer à emissora e aos produtores dados e uma comunicação cross channel, coisa que não era possível antes. Além disso, vemos uma popularização do conceito de TV híbrida. Agora, é questão de tempo para a interatividade com a TV explodir. Conseguimos perceber uma quebra e uma segmentação no comportamento dos consumidores que antes não era possível captar. Vamos gerar uma expertise preditiva até para direcionar uma novela, por exemplo, a partir dos dados e da interatividade”, frisou o especialista da Globo.

Penalva lembrou que a home do Globo Play para smart TVs tem o trilho Para Você em destaque, como uma estratégia de fidelização desta nova audiência. “Foi uma coisa que tivemos muita resistência na própria emissora para provar que seria o ideal. O trilho Mais Falados também já é o segundo mais consumido, considerando dados captados em redes sociais e baseado em quais tópicos são mais comentados.”

Maurício Portela, VP & CO Head of Sports do Esporte Interativo, mostrou como a emissora encara o mundo multiplataforma e lembrou que a própria estrutura da companhia se divide pensando no consumidor e não nas plataformas (TV, internet ou mobile). “Desde o nosso surgimento, em 2004, colocamos a palavra Interativo no nome. Acreditamos, de verdade, que não somos um canal de televisão, mas sim, uma plataforma de mídia que ainda tem boa parte da receita vinculada à televisão. Queremos estar onde os nossos fãs estão e, cada vez que os fãs migram, nós tentamos segui-los. Isso nem sempre é fácil, mas escolhemos produzir conteúdo de uma forma integrada. O jeito que estruturamos os nossos sistemas foi sempre pensando em multiplataforma”.

Luis Santos, vice-presidente de Engenharia e Operações da Fox Network Group (Fox Sports), mostrou que uma estratégia para engajar o consumidores digitais são as lives na página da Fox Sports no Facebook. “Os espectadores querem participar dos conteúdos. Trabalhar com talentos que se engajam com os fãs nas redes sociais e têm as suas comunidades de fãs nas redes sociais também agrega nos eventos ao vivo na TV tradicional”. Em relação aos vídeos live no Facebook, o executivo acredita que o conteúdo tem que ser ágil preservando a qualidade. “Programas especializados com informação a qualquer hora, em detalhes e conteúdo seletivo vão para o Facebook, deixando a TV linear para conteúdos de maior audiência e menos de nicho. O nicho pode ir para o Facebook”, acrescentou.

Eduardo Brandini, gerente de Media e Entretenimento do YouTube no Brasil, questionou o que a plateia do SET Sudeste considerava mais importante, o conteúdo ou a distribuição e, de pronto, respondeu: “A gente acredita que a resposta certa é a audiência. Desde que o primeiro vídeo foi postado no Youtube em 2005, criamos um grande modelo de negócios em um ambiente que integra vídeos de grandes produtores e vídeos de gatinhos. Em 2010, recebíamos 35 horas de vídeo por minuto. Hoje, são mais de 400 horas. O que fizemos foi simplificar algo que, no passado, era uma grande barreira: subir vídeos na internet. O Youtube rompeu essa barreira. As pessoas começaram a perceber que não dependiam mais de algum veículo para produzir conteúdos”, destacou.