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Como fazer produção de conteúdo no ambiente econômico atual?

SET Sudeste 2017

O painel reuniu players da indústria e representantes do audiovisual no Brasil com o objetivo de buscar soluções de produção

por Gabriel Cortez e Fernando Moura

O primeiro presidente e fundador da SET, Adílson Pontes Malta, moderou o a sessão “Como fazer produção de conteúdo no ambiente econômico atual?”. O painel reuniu players da indústria e representantes do audio-visual no Brasil com o objetivo de buscar soluções de produção em um momento de transformação tecnológica, mudanças nos hábitos dos consumidores e crise econômica. “Queria falar com vocês a respeito deste mundo novo em que vivemos. Impressiona, por exemplo, a quantidade de vídeos produzidos diariamente na internet a baixíssimo custo. Além disso, temos centenas de locutores hoje no Brasil com portfólios de qualidade no Youtube e ótimos preços. Quando se pensa em um momento de crise, precisamos ficar atentos a oportunidades deste tipo para produzir conteúdos”, introduziu Malta, antes de passar a palavra aos convidados.

O primeiro presidente e fundador da SET, Adílson Pontes Malta, moderou o a sessão “Como fazer produção de conteúdo no ambiente econômico atual?”

Mauro Garcia, presidente executivo da Brasil Audiovisual Independente (BRAVI), elencou os desafios para produção e entrega de conteúdos audio-visuais independentes em múltiplas telas no país e lembrou que, após a Lei da TV por Assinatura, a produção audiovisual brasileira vive um período de crescimento. “As formas de distribuição vêm mudando radicalmente e a produção de conteúdo independente está cada vez mais presente em diversas janelas de exibição, em múltiplas telas e plataformas, tendo como possibilidades a produção para mobile, web e video on demand, além dos canais de televisão aberta ou por assinatura e para cinema. Mas, temos consciência de que somente um excelente roteiro, direção e atores não bastam para o sucesso de uma obra audiovisual. Se o conteúdo é o rei, como muitos dizem, a tecnologia au-diovisual é a rainha”, afirmou.

No Brasil, já são 44 plataformas de OTT em operação, 17 por assinatura, 4 gratuitas, 11 transacionais e 17 para assinantes de TV paga, de acordo com o representante da BRAVI.

Cristiano Barbieri, da Canon, acredita que vivemos uma transformação de gral na indústria. “Vemos aplicações em jornalismo que utilizam a cloud e os mochilinks para realizar contribuições, temos novas ferramentas de armazenamento, com novidades e soluções técnicas em produção que também são inovadoras. Mas, por mais que a indústria esteja vivendo essa transformação e pressionando os broadcasters a fazer investimentos, quando observamos o cenário de aquisição de imagem, ou seja câmeras e lentes, percebemos que há toda uma pressão para capturar e manter novas audiências. O mercado sempre buscou sistemas que fossem robustos, ágeis e com imagens de alta qualidade. De um tempo para cá, o jornalismo têm pedido portabilidade, um workflow ainda mais eficiente e sistemas de streaming”, frisou.

André Junqueira (TV Gazeta/ES)

A possibilidade de gravar em dual media também tem sido oferecida e buscada pelos broadcasters, segundo Barbieri. “Algumas câmeras da Canon conseguem gravar em um cartão Compact Flash em MPEG2 com 50 Mbps e em um cartão SD em MP4 com 35 Mbps. Temos cartões SD com velocidade de leitura de 300 MB/s, melhorando muito a velocidade do ingest. Uma outra necessidade que o merca-do tem pedido é a possibilidade de transferência de arquivos por streaming via Wi-fi ou 3G e 4G. Neste cenário, os broadcasters precisam olhar também para os custos diretos e indiretos antes de adquirir um produto ou um serviço que impacta no longo prazo. Pensar em eficiência, seja na aquisição de uma câmera, de uma lente ou de um sistema completo de produção, é fundamental”, concluiu.

Erick Soares (Sony) destacou que a produção de conteúdo em jornalismo está focada em eficiência e agilidade, para entregar conteúdo com rapidez. “Tivemos uma mudança na forma de contribuição, que está passando do satélite para migrar ao Wi-Fi e ao uso de infraestrutura de rede de celular (3G, 4G). Hoje, essas tecnologias permitem entregar conteúdos de forma mais ágil, ao vivo e com um custo menor. Não só no ao vivo, mas a contribuição de arquivos gravados também ficou facilitada com as redes LTE e a nuvem, oferecendo meios de levar as informações sem depender de estruturas dedicadas de alto custo e possibilitando trabalhar direto na rua a partir da nuvem.”

As emissoras já começam a repensar os seus modelos de operação neste cenário, de acordo com Soares. “A necessidade de ir e voltar para a emissora fica reduzida com as contribuições via LTE a partir da nuvem. Com isso, é possível economizar com transporte e agilizar a produção. O armazenamento de longa durabilidade é outra maneira de preservar a informação no longo prazo e oferecer a possibilidade de reutilizar os arquivos de maneira ágil e com baixo custo. Um último ponto na questão da eficiência em produção é a tecnologia HDR. Com a tecnologia SR Live, por exemplo, já é possível trabalhar com HDR e SDR ao mesmo tempo, oferecendo as duas imagens em uma única operação. Com isso, conseguimos fazer entrega SDR convencional para os telespectadores do broad-cast e HDR para os telespectadores que vão consumir via OTT”, explicou.

Também com o foco em produção, Eduardo Andrade (AVID), apresentou o sistema de áudio Dolby Atmos em sua comunicação, um sistema que funciona tanto em 7.1 quanto em 5.1, com caixas de som no chão ou no teto, quanto no modelo soundbar, que dispensa a utilização de fios. “O Atmos também foi projetado para funcionar com fones de ouvido”, lembrou Andrade, frisando ainda que a primeira transmissão em Atmos foi realizada justamente no Brasil, em 2015, no Rock in Rio. “Neste ano, o festival também utilizou a plataforma da AVID e fizemos o áudio para a Globo no Carnaval com o sistema Atmos”, destacou.