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SET Sudeste 2018: TV e plataformas de streaming se complementam

Painel analisa as perspectivas, soluções e estrategias adotadas por emissoras e produtoras de conteúdo frente as mudanças de hábitos de consumo e surgimento das plataformas de streaming

 

Painel de Hábitos de Consumo de Mídia pela População no Brasil e no Mundo / Foto: Eduardo Miranda

Se existe uma vantagem gritante no avanço do mundo tecnológico ela está na quantidade de possibilidades para consumo de conteúdo. Celulares, vídeos on demand (VoD), OTT e binge-watching têm ampliado as chances de se consumir conteúdo sem precisar ficar amarrado à uma plataforma, e o preço de tudo isso têm se mostrado mais atrativo com a popularização dessas tecnologias.

“Estamos falando da Netflix. É impossível falar de tudo isso sem falar desta plataforma. Mas como ela alcançou tudo isso? Sendo simpática não só na sua plataforma, mas também no atendimento. E é isso que nós, empresas, precisamos e estamos aprendendo”, afirmou o moderador do painel, Arthur William Santos, gerente executivo de Produção e Criação na EBC/TV Brasil.

Santos explicou que mais da metade do consumo de conteúdo para entretimento hoje é feito pelos Millenials (geração nascida depois dos anos 2000) e, com isso, a quebra de paradigma é muito grande. “Precisamos entender o que esse público quer, e levar em conta seus hábitos de consumo, que são quase 100% realizados no mobile”, pontuou.

Guilherme Saraiva, diretor de Tecnologia da Rede Telecine explicou que, foi preciso mudar o pensamento que as empresas têm com o seu cliente. “Uma vez ouvi uma frase bastante dura: ‘cliente é aquele que paga pelo seu serviço, telespectador é mercadoria que você vende para o seu cliente’. Dura, mas tivemos que ter isso em mente para que começássemos a mudar a nossa relação com o nosso assinante, deixar de vê-lo como produto para produzir produto para ele.  No Telecine Play, por exemplo, precisamos criar uma plataforma mais amigável e fofa, como a Netflix, para que o nosso público passasse a consumir o que oferecíamos ali”, comentou.

O resultado, disse, foi uma nova plataforma lançada em 30 de outubro de 2017, na qual o cliente é o foco do serviço. Esse serviço também passa por outra aferição de qualidade, baseado nos horários e qualidade dos conteúdos, feita pelo Kantar Ibope, por exemplo.

Guilherme Saraiva, diretor de Tecnologia da Rede Telecine. Foto: Eduardo Miranda

“Nunca investimos tanto na medição de conteúdo, que agora é multiplataforma, não está mais apenas na TV tradicional, mas no mobile, que vem com uma força muito grande, no notebook, enfim, em todas as telas. Estamos evoluindo nessa medição a partir da aferição de conteúdo. Se o conteúdo é interessante, consegue se conectar com seu público alvo, ele tem atenção e audiência. Os promotores de conteúdo precisam, então, estar focados nisso”, apontou Giovana Alcântara, diretora comercial regional sudeste da Kantar IBOPE Media. “No Brasil, com a televisão muito forte, a tendência é que esse conteúdo vá também para outras plataformas”, acrescentou.

O que, afinal, se acessa pelo celular?
Dados apresentados pelo diretor de conteúdo e editor da MobileTime, Fernando Paiva, apontam que, de 2015 para cá, diminuiu o número de linhas móveis vendidas à população brasileira, mas não o uso de celulares. “A grande diferença é que antigamente a ligação era muito cara e as pessoas possuíam chips de várias operadoras em um único aparelho. Hoje, com a ligação barateada, as prestadoras de serviços oferecem planos com melhor transferência de dados, e é aí que os produtos estão sendo consumidos, pela internet”, explicou.

Os dados da pesquisa apresentada são da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), e preveem uma diminuição de 30 milhões de linhas nos próximos três (3) anos. De acordo com a pesquisa, 92% das vendas de celulares hoje no País são de smartphones. Desses, 98% já baixaram e instalaram um App, mas só 1/5 dessa base já pagou por um aplicativo. Quanto à popularidade dos Apps, o Whatsapp lidera com 63% de pessoas fazendo o download, seguido pelo Instagram, Facebook e Messenger do Facebook. “E mesmo assim,  ainda existem poucas estratégias utilizando o Whatsapp, é interessante ver isso”, analisou o moderador do painel, Arthur William Santos.

Quanto a Apps pagos, os de entretenimento lideram a pesquisa, já que “32% baixam e pagam por estes aplicativos, que podem ser vídeo, música ou game.  Destes, 1/3 do total optam pela Netflix, que desde o início das pesquisas lideram essa lista e seu consumo vêm crescendo. Ao Spotify correspondem a 2/3 do total, e depois, bem longe, tem uma parcela que prefere o Deezer”, mostrou Paiva.

E a televisão aberta?
“Contrariando algumas teses, podemos afirmar que a televisão não vai acabar. Esse mesmo diagnóstico de fim foi feito para o rádio, no passado, e não se efetivou. Por isso, o grande desafio de todos os meios é produzir conteúdo que consiga transitar em todas as plataformas”, finalizou Giovana Alcântara.

Para assistir ao SET Sudeste 2018, não é necessário realizar inscrição prévia no evento. Basta acessar o link: https://www.youtube.com/user/SETengenhariaTV

SERVIÇO:

Local: Centro de Convenções da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Praça XV de Novembro, 20, térreo, centro. Rio de Janeiro/RJ

Data: 10 e 11 de Maio

Horário: 8h às 19h

 

Por Tainara Rebelo (São Paulo) e Eduardo Mirando (Rio de Janeiro)