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SET Sudeste 2018: Conteúdo local quer ser nacional, defendem produtores regionais

Em um mundo cada vez mais globalizado os conteúdos locais e regionais tornam-se cada vez mais importantes para os telespectadores porque integram o País, afirmam produtores brasileiros

Dar ao telespectador local e que está fora dos centros urbanos a oportunidade de ter acesso ao que acontece na sua cidade, esse foi o mote do painel “TV Aberta, conteúdo específico para cada região do País”, moderado pelo diretor de planejamento de programação do SBT, Murilo Fraga, nesta sexta-feira, 11 de maio, no SET Sudeste 2018.

“Como cabeças de rede, precisamos pensar em conteúdo estratégico para esses estados brasileiros”, afirmou Fraga, exibindo uma tabela em que São Paulo e Rio de Janeiro, nesta ordem, são os dois estados com maior participação na audiência do PNT (Painel Nacional de Televisão).

De acordo com Fraga, que relatou sua experiência no SBT, inovação tecnológica, convergência digital e velocidade da informação integram um cenário que requisita o surgimento e a consolidação de profissionais com foco no gerenciamento de conteúdo e no fluxo de trabalho com conteúdo audiovisual que inclui o regional.

Para Vânia Lima, o conteúdo de produtoras locais e independentes não é meramente regional

Representantes da produção independente também deram sua perspectiva ao painel. Para a diretora de conteúdo da empresa baiana TêmDendê Produções, Vânia Lima, o conteúdo de produtoras locais e independentes não é meramente regional. “O conteúdo local, na verdade, é o conteúdo que integra o Brasil e quer ser nacional, porque aborda uma realidade nacional”, ponderou a jornalista.

A ideia foi compartilhada pelo coordenador de produção e supervisor de programação do SBT no Rio Grande do Sul, Clayton Yukio. “Tratamos os programas regionais como um grande laboratório já que têm a possibilidade de ser aproveitados nacionalmente”, afirmou, acrescentando que tem como exercício questionar como será a recepção de um conteúdo local dentro e fora de sua região.

“Se fossemos fechados no hermetismo, nos clichês e nos estereótipos da ‘baianidade’ ou do ‘gauchismo’, não sairíamos dali, do local”, completou Pablo Reis, diretor responsável da TV Aratu, afiliada do SBT em Salvador, emissora que produz 46 horas de conteúdo local por semana. “Não quero me livrar do sotaque, mas também não quero que a produção da minha terra seja resumida a isso”.

 

Por Eduardo Miranda (Rio de Janeiro), e Fernando Moura (São Paulo)