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EPTV avança para digitalização e robotização do seu acervo

Reportagem Especial

EPTV

© Foto: Fernando Moura

por Fernando Moura, em Campinas (SP)

Claudio Ghiorzi

Claudio Ghiorzi, gerente de desenvolvimento tecnológico e operacional da EPTV afirma que “o mais importante do processo é a mudança de paradigma no arquivamento de conteúdos”

Há muito que as emissoras brasileiras estão digitalizando os seus workflows de produção e distribuição, apesar disso, ainda há quem conserve os seus arquivos nos suportes de captação original das imagens, como as antigas fitas-cassete. É neste momento de evolução tecnológica que empresas como a EPTV desenvolvem processos de digitalização total do seu acervo, com o objetivo de aumentar a durabilidade dos materiais e de facilitar o acesso a informações fundamentais à rotina do trabalho jornalístico.

Fábio Tsuzuki

Fábio Tsuzuki, CEO da Media Portal, afirmou que um projeto deste tipo “não trabalha com inovação. Se trabalha com ideias que levam a inovação”

O projeto de “gestão de acervo digital” da EPTV é desenvolvido em conjunto por engenheiros da emissora do interior de São Paulo e da Media Portal. O foco do trabalho é digitalizar o acervo da emissora, que começou a transmitir em 1979 com fitas de 1 polegada, cassetes Umatic, Betacam, DVCPro e XDCam – todos os suportes de gravação utilizados pela afiliada paulista da Rede Globo nestes trinta e sete anos.
Estima-se que o projeto de migração do acervo da EPTV se completará em seis anos, nos quais serão digitalizadas e catalogadas cerca de 18 Mil Fitas. A expectativa é de que esse acervo tangível se transforme em uma base de dados e, dessa forma, a emissora tenha o seu conteúdo totalmente virtualizado.
“Na EPTV somos lineares há muito tempo, há muito que nosso workflow é digital, mas agora estamos dando mais um passo. No novo MAM, e o que estamos usando agora, guardamos só conteúdos editados ‘clean feed’. Hoje, já não guardamos jornais na íntegra, como era feito inicialmente, digitalizamos apenas as matérias exibidas”, explicou Claudio Roberto Ghiorzi, gerente de desenvolvimento tecnológico e operacional da emissora, à reportagem da Revista SET.
O processo, detalhou Fábio Tsuzuki, CEO da Media Portal, teve várias etapas e acabou com a instauração de um procedimento comum para todas as praças da emissora, com “padronização de nomes e a integração, após a criação, de um dicionário controlado que incluímos no sistema. O grande impacto da implantação desse dicionário foi a criação de um padrão para a inclusão do nome das pessoas, sobretudo nos nomes estrangeiros, para evitar erros e assim padronizar os nomes, dando um ganho importante”.
“De todo o processo, o mais importante é a catalogação da base de da dos. Estamos criando um arquivo em função de um grupo de práticas. Essa catalogação está sendo relativamente simples, porque o trabalho prévio do nosso CEDOC era muito bom e mantinha uma base ordenada e com uma metodologia comum a todas as praças”, explicou Giulio Junqueira Breviglieri, gerente de operação e manutenção da EPTV. “Tivemos de migrar a base de dados de cada uma das praças da emissora. Foi um processo difícil, mas que avançou bem”.

Infraestrutura

A emissora e a integradora estão implantando um acervo composto por três (3) servidores IBM modelo x3650M3 e três (3) chassis de storage modelo Storwize v7000 com capacidade de 60TB nominal.

“Queríamos perpetuar o acervo, mas não tínhamos no início do projeto como mensurar o que isso implicava em termos de conteúdos, investimento e tempo para a digitalização completa”, afirmou Giulio Junqueira Breviglieri, gerente de operação e manutenção da EPTV

A capacidade, explicou Tsuzuki, foi dimensionada para acomodar dois anos de acervo jornalístico com qualidade HD (35Mbps) e replicação de conteúdo em pelo menos dois chassis. “Essa replicação existe para dar uma garantia de continuidade da operação caso um dos chassis tenha uma pane. Em caso de pane de um disco do storage, existem vários mecanismos de proteção. Um deles é que, se um dos servidores tenha alguma pane, os outros dois servidores continuam operando o sistema e mantendo a continuidade da operação”.
Os engenheiros explicaram à Revista da SET que através da tecnologia de virtualização da VMWare foram criadas as máquinas virtuais para cada serviço do Media Portal: VM para banco de dados, dois VMs para gestão da robótica, um VM para distribuição de baixa resolução, um VM para aplicação web, um VM para handler (gerenciador de fluxos de arquivos).
O projeto conta com duas robóticas, uma Qualstar modelo RLS-8500 com quatro (4) drives LTO-5 e 54 slots, com possibilidade de expandir até 114 slots, e ainda permitir que se empilhem até quatro robóticas, chegando a 474 slots e 22 drives. Cada cartucho LTO-5 tem a capacidade de armazenamento de 1.5TB, considerando o acervo de vídeos.
A outra robótica é da Sony, modelo ODS-L30M com dois (2) drives e 30 slots com possibilidade de empilhar até cinco (5) módulos chegando a 535 slots. Cada cartucho ODA tem a capacidade de armazenamento de 1.5TB, equivalente a LTO-5. “Estas robóticas foram dimensionadas de forma a acomodar todo o acervo legado da EPTV, 37 anos de acervo legado e o acervo novo que será formado por mais cinco (5) anos de operação”, explicou Tsuzuki.
Rosalvo Carvalho, diretor da Videodata, integradora participante do processo de implantação, afirmou que este projeto é muito importante porque “dá continuidade aos processos de integração e de inovação tecnológica que, com o apoio da Sony Brasil, a empresa teve acesso aos executivos responsáveis do Optical Disc Archive(ODA) no Atsugi Technology Center da Sony do Japão, o que permitiu que a Sony pudesse homologar a Media Portal na operação com Drives e Robóticas.
A Media Portal passou a ser a primeira empresa da América Latina a estar certificada pela Sony para integrar e comandar Drives e Robóticas ODA, além de também poder operar com Drives e Robóticas LTO simultaneamente. E o caso da EPTV mostra que o sistema funciona, os testes com o ODA foram realizados com sucesso”.

Os engenheiros responsáveis pelo projeto de digitalização da EPTV afirmam que uma das dificuldades do projeto tem sido explicar ao setor financeiro o valor e a importância do acervo que está sendo preservado com o novo sistema de armazenamento

Os engenheiros responsáveis pelo projeto de digitalização da EPTV afirmam que uma das dificuldades do projeto tem sido explicar ao setor financeiro o valor e a importância do acervo que está sendo preservado com o novo sistema de armazenamento

Claudio Ghiorzi afirma que um dos principais objetivos do processo é ter um MAM que permita um acesso fácil e unificado. “Não importa em que fase o processo esteja, precisamos saber exatamente onde estamos. Hoje, trabalhamos em duas frentes. Todo o material novo é incluído no MAM e, gradativamente, vamos incluindo o acervo nesse processo, tudo porque conseguimos desenhar um sistema adaptável ao fluxo anterior de trabalho”.

 


Descrição do fluxo de digitalização do acervo legado

A EPTV desenvolveu uma metodologia de trabalho para formar o acervo. As matérias são salvas nas fitas
de vídeo sequencialmente e foi desenvolvida uma aplicação, chamada de IAT, que descreve em deta-
lhes o conteúdo arquivado. Adicionalmente é informada a fita e o timecode inicial da matéria nessa fita
Ao longo da implantação do sistema Media Portal esses dados foram migrados para a solução Media Portal de empresa, de forma que todos os acervos estão gerenciados por uma única aplicação.
Assim, as pesquisas do acervo antigo bem como as pesquisas do acervo novo são feitas no Media Portal de forma consolidada. O material novo já entra no Media Portal e tem a sua catalogação e a sua indexação feitas no novo sistema.
Baseado nesses pontos foi elaborado um fluxo de digitalização referente ao material legado:
1. Preparação da fita: rebobinamento e limpeza;
2. Digitalização de toda a fita (normalmente tem 10 a 20 matérias armazenadas em cada fita);
3. Acionamento da aplicação desenvolvida pela Media Portal, que processa o arquivo digitalizado e recorta, gerando um arquivo para cada matéria. Cada arquivo é anexado com sua respectiva ficha e entra em um fluxo de validação.
A validação é feita através da respectiva baixa resolução elaborada a partir do arquivo de alta resolução.
4. Caso o material fique validado, então, o arquivo é salvo permanentemente em LTO;
5. Caso o material tenha algum problema, é feita uma nova digitalização ou pode ser feito um ajuste no timecode acertando a janela de recorte.
Com este procedimento a digitalização de uma fita é feita uma única vez e os recortes são feitos em uma aplicação, sem a necessidade de operar exaustivamente os VTRs, permitindo o uso otimizado dos mesmos e possibilitando uma maior agilidade no tratamento do vídeo digitalizado.

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