• PT
  • EN

“O principal desafio hoje nas empresas de mídia é a modernização dos modelos de monetização”, afirma Diretor de Tecnologia da Globo

O Diretor de Tecnologia da Globo e Conselheiro da SET, Raymundo Barros (foto), será moderador do painel Desafios do Setor no seminário SET e Trinta, que acontece em Las Vegas no dia 19 de abril.

Ele estará acompanhado de representantes das entidades internacionais IBC, ATSC e IABM para debater como as indústrias de mídias tradicionais enfrentarão as transformações dos modelos de monetização.

“A relevância do conteúdo não muda, mas os modelos de monetização em torno do conteúdo estão se transformando profundamente”, afirma Barros.

Confira a entrevista completa a seguir!

SET: O foco do painel são os desafios do setor. Você pode adiantar quais são esses desafios e como serão abordados?

Raymundo Barros: Falando das empresas de mídias tradicionais, especialmente de radiodifusores, o principal desafio atualmente é como se posicionar neste ambiente de transformação digital profunda que a indústria de mídia vem sofrendo.

Historicamente, existe uma grande fortaleza que é o conteúdo. Esta fortaleza permanece a despeito desta transformação. A relevância do conteúdo não muda, mas os modelos de monetização em torno do conteúdo estão se transformando profundamente. Então, pretendo abordar no painel de que forma as indústrias de mídias tradicionais vão enfrentar este desafio da transformação dos modelos de monetização.

O que está em discussão é: como os inventários de publicidade em todas as plataformas poderão ser transacionados utilizando hoje as métricas e modelos próprios da economia digital?

O modelo tradicional – apoiado em força de venda de espaços publicitários – vem se transformando e os anunciantes hoje não querem apenas comprar mídia. Eles querem uma relação de parceria com as empresas de mídia para solução dos seus problemas de negócio.

SET: Na sua avaliação, como as empresas de mídia devem se preparar para enfrentar estes desafios?

RB: [O dilema é] Como uma empresa que deixa de vender espaços de publicidade e se torna parceira na solução dos negócios de seus anunciantes?

É preciso, em primeiro lugar, conhecer cada vez mais o público que consome os conteúdos das empresas de mídia e está exposto às mensagens publicitárias e, em segundo, de que maneira podemos construir modelos de atribuição e performance nessa nova cadeia de valor de publicidade.

Outro aspecto importantíssimo na questão da publicidade são os processos de venda que hoje não conseguem mais atingir uma economia cada vez mais fragmentada utilizando o modelo tradicional de força de venda.

SET: Como mudar esta situação?

RB: Existem alguns caminhos sendo testados tais como novos modelos de relacionamentos, por exemplo, integrados em ambientes de leilão para modelos programáticos mais controlados e modelos de relacionamento em cauda longa, onde você consegue expor seu inventário e importar o que pode ser consumido pelos anunciantes. Portanto, o principal desafio hoje nas empresas de mídia é a modernização dos modelos de monetização.

SET: O painel é composto por profissionais de grandes entidades internacionais. Qual a importância em reunir estas entidades e a SET em um evento no NAB Show?  Por que o profissional brasileiro deve assistir a este painel?

RB: O painel discutirá como os parceiros de tecnologia das empresas de mídia estão cooperando para construção deste novo ecossistema.

O Advanced Television System Committee (ATSC), por exemplo, vem promovendo as evoluções do padrão ATSC 3.0. Ainda que o ATSC 3.0 melhore a qualidade da experiência de consumo em função do 4K, do áudio imersivo etc., o mais relevante é saber como este padrão se integra à economia digital. Como ele permite, através de uma convergência de ofertas de conteúdo broadcast e a integração de devices no ambiente broadband, prover ao consumidor conteúdos e publicidade personalizados.

O ATSC 3.0, no seu desenvolvimento, tem um pilar fundamental que é inserção da radiodifusão na economia digital. Este é um aspecto que se pretende adotar.

SET: Existe outro aspecto que mereça destaque?

RB: Outro ponto fundamental de transformação da indústria de mídia é que muitas empresas tradicionais ao redor do mundo estão se tornando empresas que saem do modelo tradicional, – de uma relação B2B com os provedores, agências de publicidade e as grandes operadoras de TV paga, que fazem a distribuição dos nossos conteúdos em múltiplos canais -, para uma relação na qual elas passam a oferecer os seus conteúdos diretamente ao consumidor final, através de modelos de Direct-to-Consumer (D2C).

Então, nesta jornada, que tem a Disney como grande expoente desta transformação, eu vou discutir com os representantes da IABM, ATSC e IBC, como os parceiros tradicionais de tecnologia estão se posicionando para apoiar as empresas nessa transição estratégica.

SET: Como Conselheiro da SET, quais são os assuntos que o profissional brasileiro deve prestar atenção? Como estes assuntos devem influenciar o futuro do setor?

RB: A SET tem um papel fundamental no apoio à radiodifusão no Brasil, apresentando a evolução do framework de tecnologia de uma empresa de mídia. Dessa forma, as empresas deixam de estar exclusivamente voltadas aos modelos de produção e distribuição de conteúdo tradicionais para serem empresas de mídia com tecnologias que apoiam os processos de monetização.

É essa mudança de mindset que um profissional de tecnologia de mídia no Brasil precisa ter. Entender que os modelos tradicionais de monetização estão sofrendo uma disrupção profunda e que essa disrupção vem das grandes plataformas de tecnologia e que nós precisamos construir, na radiodifusão, na empresa de mídia tradicional, uma nova plataforma de tecnologia que apoie suas organizações neste processo de transformação.

Para a SET, é fundamental ter, através de suas lideranças e empresas que participam ativamente das discussões na entidade, modelos de inserção da comunidade nesta economia digital.

Os profissionais que compõe a SET se mantêm atualizados e tem ferramentas para evoluir e acompanhar todas essas mudanças do setor.