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Grupo Trabalho de Loudness

Grupo de Trabalho inativo (2009 – 2013)

Grupo de Trabalho de Loudness

A SET criou em 2009 um Grupo Técnico de Loudness, que esteve ativo até 2013, com participação propositiva e proativa no processo de regulamentação do loudness das emissoras de televisão.

O termo “loudness” corresponde à percepção subjetiva de intensidade sonora.

O assunto não é tão simples quanto pode parecer aos leigos. O som é um sinal complexo e dinâmico. Sons graves, médios e agudos não são percebidos da mesma forma em relação à sua intensidade. Há também diferenças de percepção entre pessoas (tanto fisiológicas, quanto culturais – a sua percepção da intensidade de uma música, por exemplo, pode variar conforme você goste ou não dela). Além disso, a dinâmica do som significa que ele varia de intensidade ao longo do tempo. Em uma música ou em um filme, por exemplo, as variações de intensidade sonora estão ligadas à intenção artística da obra.

No caso da programação televisiva, há uma particularidade importante: a transição entre programas e comerciais. Os comerciais não fazem parte da obra (filme, novela, jogo, telejornal etc), sendo produzidos de forma separada e independente. A exibição de comerciais é uma atividade normalmente automatizada nas emissoras de televisão. Os comerciais recebidos das produtoras passam por um controle de qualidade e são armazenados em um servidor, onde serão exibidos a partir de listas previamente definidas. Não há operação de áudio na exibição de comerciais, eles são exibidos com o mesmo nível de áudio em que foram armazenados no servidor. Como manter o loudness consistente entre diferentes obras (programas e comerciais) que são produzidas de forma separada e independente? É preciso padronizar formas de medir e ajustar a intensidade sonora. Os medidores tradicionais utilizados indicavam apenas a potência média (VU) ou valor de pico (PPM) a cada pequeno intervalo de tempo. Ajustar o som pelo pico pode maximizar a relação sinal/ruído e evitar distorções em sistemas digitais, mas não possui nenhuma correlação com a percepção subjetiva de intensidade sonora. Ajustar o som pela potência média é um pouco melhor do ponto de vista da percepção subjetiva, mas não leva em conta a diferença de percepção de intensidade de sons graves, médios e agudos.

A primeira padronização de um algoritmo de medição de loudness se deu com a publicação da Recomendação ITU-R BS.1770 em julho de 2006. A partir daí começaram a surgir os primeiros equipamentos e testes de uso nas emissoras de televisão ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Em março de 2010, houve a publicação da primeira recomendação internacional para a adoção de um nível de loudness comum para intercâmbio de programas de televisão (Recomendação ITU-R BS.1864). Na Europa a EBU desenvolveu a R 128 (primeira versão publicada em agosto de 2010), que se tornou a base da regulamentação do nível de áudio em televisão em muitos países europeus. Nos EUA, uma lei sobre o controle do nível de áudio em televisão conhecida como “Calm Act” foi aprovada em setembro 2010, regulamentada pelo FCC em dezembro de 2011, com início da fiscalização em dezembro de 2012.

No Brasil, o Grupo Técnico de Loudness da SET acompanhou de perto todos esses desenvolvimentos internacionais e realizou diversos testes junto às emissoras nacionais para o desenvolvimento de recomendações técnicas para a regulamentação brasileira. Nesse período, o tema de loudness esteve constantemente presente nos congressos nacionais e regionais da SET, bem como em suas publicações, como forma de informar e atualizar as áreas técnicas das emissoras de televisão em todo Brasil.

Embora já existisse no Brasil, desde 2001, a Lei nº 10.222 que determinava que os “serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens padronizarão seus sinais de áudio, de modo a que não haja, no momento da recepção, elevação injustificável de volume nos intervalos comerciais” e que o “Poder Executivo criará, no período de cento e vinte dias, a contar da publicação desta Lei, os mecanismos necessários à normalização técnica da matéria, bem como à fiscalização de seu cumprimento”, a Lei não foi regulamentada à época, pois não haviam métodos objetivos para essa regulamentação, como pode ser observado pela cronologia dos desenvolvimentos internacionais do assunto, descrita anteriormente.

Em outubro de 2011 a SET enviou uma proposta inicial de regulamentação ao Ministério das Comunicações e à Anatel, baseando-se em recomendações internacionais, validadas por emissoras brasileiras. Em fevereiro de 2012, o Ministério das Comunicações foi condenado, em ação movida pelo Ministério Público Federal, a publicar a regulamentação da Lei nº 10.222 / 2001 até julho de 2012. Note-se, entretanto, que o laudo técnico pericial utilizado pelo MPF para demonstrar as supostas “infrações” à lei por parte das emissoras possui diversas falhas metodológicas e conceituais e demonstrava amplo desconhecimento de como tal medida deveria ser feita como os resultados deveriam ser interpretados. Foi feita uma medida acústica com um microfone e um decibelímetro, que pode ser afetada pelo ruído ambiente e pela qualidade do sistema de reprodução sonora, sem a utilização do algoritmo de medição apropriado (ITU-R BS.1770). O perito afirmava que uma variação de 1 dB de variação já seria inaceitável (uma variação de 1 dB representa a menor variação de intensidade perceptível). O perito também mediu canais de TV paga (onde encontrou as maiores variações), embora o Seviço de Acesso Condicionado não esteja incluído no escopo da Lei. Ainda assim, independemente da fragilidade técnica do referido laudo, o fato de já existir nos EUA desde dezembro de 2011 uma regulamentação semelhante à pretendida para o Brasil, serviu de base para a decisão judicial de que já seria possível ao Brasil estabelecer sua regulamentação. Em maio de 2012, o Ministério das Comunicações publicou uma Consulta Pública (CP MC SCE 03), que não era baseada na proposta do Grupo Técnico de Loudness da SET. Após manifestações do setor na Consulta Pública, o MC convidou a SET e outras entidades para discutir a regulamentação. Em julho de 2012, foi publicada a Portaria MC nº 354, que regulamentava a Lei nº 10.222/2001. A Portaria entrou em vigor doze meses após a sua publicação (julho de 2013). A Portaria também previa que seus critérios e parâmetros técnicos seriam objeto de nova consulta pública até 24 meses após a sua publicação, o que não aconteceu até a data de hoje. Também em julho de 2012 foi publicada a Portaria MC nº 1.456, que instituia “um Grupo de Trabalho Técnico para propor mecanismos e procedimentos de operacionalização e fiscalização do disposto na Portaria nº 354”. O grupo foi criado e teve novamente a participação ativa da SET. Foram realizadas diversas reuniões e um teste de campo na EBC, tendo sido extinto em novembro de 2013, conforme pode ser verificado em relatório do Ministério das Comunicações (http://www.mctic.gov.br/mctic/export/sites/institucional/transparencia/arquivos/Relatorio-de-Gestao-MC-2014.pdf). Em julho de 2014, a Anatel publicou na Portaria nº 599 um procedimento de fiscalização da Portaria MC nº 354/2012, baseado nas recomendações do grupo.

A afirmação de que a Portaria nº 354/2012 foi revogada e não está em vigor é falsa. No site do MCTIC, pode-se verificar que ela continua vigente(https://www.mctic.gov.br/mctic/opencms/comunicacao/paginas/Requerer-canal-para-prestacao-de-servico-de-Televisao-Digital.html).

A legislação/regulamentação atualmente vigente engloba, portanto:

Do ponto de vista da SET, a regulamentação brasileira é boa, embora não seja a ideal e pudesse ser aperfeiçoada. O cumprimento da regulamentação atual já minimizaria eventuais desconfortos dos telespectadores, fazendo com que as transições entre programas e comerciais ocorram dentro de limites aceitáveis.  Deve-se notar, entretanto, que ela possui limitações importantes:

  • Nos termos da Lei, a regulamentação se aplica apenas aos “serviços de radiodifusão sonora e de som e imagens transmitidos com tecnologia digital”, ou seja, apenas à TV Digital terrestre aberta. Não se aplica à TV por assinatura ou aos serviços de vídeo pela internet (OTTs). Além de representar uma assimetria regulatória, o problema não é tratado de forma consistente para os usuários de todas as plataformas de distribuição audiovisual;
  • A fiscalização é complexa e custosa, pois depende de um processo manual de separação dos blocos de programa e dos blocos de comercialização, o que não é automatizável. A proposta original da SET envolvia a avaliação da consistência do loudness ao longo de toda a programação através da medição de faixas horárias predeterminadas, o que seria automatizável. Entretanto, novamente, como a Lei se refere à “elevação injustificável de volume nos intervalos comerciais”, o Ministério das Comunicações considerou na ocasião que seria imprescindível para o atendimento à Lei que as medidas distinguissem a programação da comercialização.

Por fim, deve-se notar que nenhuma regulamentação possível será uma panaceia universal. Toda padronização de loudness visa, em primeiro lugar, ajustar o loudness médio dos programas e comerciais para um nível comum. Enquanto, normalmente a produção sonora de um filme tem uma intenção artística de criar diferentes sensações ao longo da história, utilizando-se de grandes variações de intensidade sonora entre as cenas de maior ação e as cenas mais calmas, a produção sonora de um comercial visa atrair a atenção do público para uma mensagem de poucos segundos, não comportando grandes variações ao longo da mensagem. Ao cortar um filme em blocos e inserir comerciais entre os blocos, supondo que esse corte se dê em uma cena “calma”, com menor nível de loudness, a transição para um comercial ajustado com o mesmo loudness médio do filme ainda terá alguma descontinuidade. Para limitar o tamanho dessa descontinuidade e mitigar o possível desconforto causado por ela, a Portaria MC nº 354/2012 estabelece um limite de variação de Loudness dentro dos programas (Faixa de Loudness). Esse limite infelizmente também afeta a qualidade e a intenção artística do áudio da programação. Um filme transmitido na TV não pode explorar a mesma faixa de variação de loudness que pode ser explorada no cinema. Por isso esse limite precisa ser estabelecido em níveis razoáveis. Mas não é possível eliminar totalmente as descontinuidades. Além disso, não é possível eliminar os fatores de variação na percepção subjetiva de cada pessoa (fisiológicos e culturais).

Coordenador

Luiz Fausto é engenheiro da TV Globo Rio e Coordenador do Grupo de Trabalho de Loudness da SET.

Documentos

Documentos Autor Data Categoria
Documentos Autor Data Categoria
Áudio em TV Digital: Loudness

• O que é Loudness?
• Como medir?
• Como controlar?

Luiz Fausto S. Brito 08/20/2009 Loudness
Luiz Fausto de Souza Brito e Alexandre Yoshida Sano 01/12/2010 Loudness
Perspectivas para o controle de Loudness na Televisão Brasileira

– Definição de Loudness
– Fletcher-Munson (1933)
– Dolby Digital AC-3 (1992)
– ATSC A/52 & A/53 (1995)
– Dolby Dialogue Intelligence (2003)
– Dolby / AES Preprint 5900 (2003)
– ITU-R BS.1770/1771 (2006)
– Case: CBS (2008)
– TC Electronic / AES Preprint 7948 (2009)
– CALM Act & ATSC A/85 (2009)
– ITU-R BS.1864 (2009)
– EBU/PLOUD R128 (2010)
– Brasil – Lei 10.222 (2001)
– SBTVD (2007)
– Recomendação GT Loudness / SET
– O que deve mudar nas emissoras?

Luiz Fausto de Souza Brito 12/01/2010 Loudness
Carta para a ANATEL

Diante da relevante importância do tema, a SET instituiu um Grupo de Trabalho de Loudness, coordenado pelo Engenheiro Alexandre Sano, com o objetivo de mensurar o problema e apresentar recomendações para reduzir o desconforto do Loudness aos telespectadores, decorrente das diferenças de intensidade sonora entre programas e intervalos comerciais, transmitidas na mesma localidade pelas diferentes emissoras.

Liliana Nakonechnyj | Presidente da SET 10/13/2011 Loudness
Carta para o Ministério das Comunicações

Diante da relevante importância do tema, a SET instituiu um Grupo de Trabalho de Loudness, coordenado pelo Engenheiro Alexandre Sano, com o objetivo de mensurar o problema e apresentar recomendações para reduzir o desconforto do Loudness aos telespectadores,…

Liliana Nakonechnyj - Presidente da SET 10/13/2011 Loudness
Em busca de solução para o Loudness

Como foi feito o estudo da SET
Situação regulatória brasileira
Outros países
Percepção subjetiva
Recomendações técnicas

Alexandre Sano e do Luiz Fausto 10/01/2011 Loudness
Recomendações Técnicas

Outubro de 2011 – RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS Loudness

Grupo técnico de Loudness 10/01/2011 Loudness
Regulamentação e Normas sobre Loudness para TV Digital

O problema…
A solução…
Contexto Mundial
Contexto Brasileiro
ITU-R BS.1770
EBU R128
Faixa de Loudness Tolerada
Recomendação GT Loudness / SET
O que deve mudar nas emissoras?
O muda para o telespectador?

Luiz Fausto S. Brito 10/01/2011 Loudness
Medição e controle de Loudness

Conceitos sobre Nível de Áudio
PPM Digital & VU
Fletcher-Munson (1933)
ITU-R BS.1770/1771 (2006)
ITU-R BS.1864 (2010)
CALM Act & ATSC A/85 (2009)
EBU R 128 (2010)
EBU Tech 3343 (2011)
Harmonização: ITU & EBU (2012)
Case: CBS (2008)
AES Preprint 5900 (2003)
Workflow

Luiz Fausto S. Brito 10/02/2012 Loudness
Portaria MC 354

Desafios da implementação da Portaria MC 354/2012

Luiz Fausto S. Brito 10/02/2012 Loudness
Desafios das emissoras de TV para o cumprimento da legislação brasileira sobre Loudness

Lei 10.222/2001(modificada pela Lei 12.810/2013)
Conceitos sobre Nível de Áudio
Ò Transição Programa x Comercial
Normalização de Loudness
Downmix / Upmix
5 passos para controle de Loudness
Portaria MC 354/2012
Portaria MC 112/2013
Probabilidade de Infração
Tolerância Subjetiva
ITU-R BS.1864
Grupo de Loudness – MC

Luiz Fausto S. Brito 03/01/2013 Loudness