• PT
  • EN

Ultra HD está no horizonte da televisão brasileira

Por Fernando Gaio, de Las Vegas

A sessão “O futuro com UHD” realizada no SET e Trinta reuniu Thierry Fautier, presidente do Ultra HD Fórum (UHDF), Benjamin Schwarz, presidente de Comunicação do UHDF, Paulo Henrique Castro, Diretor de Tecnologia e P&D da TV Globo, e o mediador Olímpio José Franco, Diretor Geral da SET.

O Ultra HD Forum (UHDF) é uma organização global criada para definir as melhores práticas do setor para a introdução de tecnologias que facilitem a visualização em ultra-alta definição (UHD). No NAB Show 2019, o Fórum está trazendo uma atualização significativa nas suas Diretrizes, com a unificação das recomendações, descrição de tecnologias e aprimoramentos compatíveis com versões anteriores, de forma a garantir a compatibilidade entre diferentes gerações de produtos.

Tierry Fautier, do Ultra HD Forum, no SET e Trinta. Foto: Fernando Gaio.

Thierry Fautier iniciou sua fala relembrando a importância de garantir a interoperabilidade entre os padrões High Dynamic Range (HDR) com funcionalidades de High Frame Rate (HFR), por exemplo, e outras variáveis. Na sequência, o presidente do Fórum apresentou uma pesquisa feita com operadores de televisão sobre os maiores desafios na implantação da Ultra Alta Definição. Eles foram: Comunicação pobre com os telespectadores, Baixa disponibilidade de conteúdos, Custo da infraestrutura e Disponibilidade de padrões (adotados de forma não padronizada pelos fabricantes de televisores).

Os pontos chave do Ultra HD, segundo Fautier, são as imagens mais ricas em detalhes com o 4K, cores mais vibrantes e realistas graças ao WCG, ampla variação de contraste com o uso do HDR, taxas de frames superiores a 100 FPS dando uma impressão próxima da realidade, e áudio imersivo personalizado. O executivo ainda recordou a evolução vertiginosa de conteúdos HDR e OTT pelo mundo. Coreia e China já estão implantando o UHD, enquanto os Estados Unidos e Brasil estão testando.

Benjamin Schwarz, do Ultra HD Forum. Foto: Fernando Gaio.

Benjamin Schwarz, também do Ultra HD Fórum (UHDF) complementou a apresentação descrevendo a evolução da fase A para a fase B nos trabalhos do Fórum. Na Fase A foram analisados os fluxos UHD de ponta a ponta, resoluções 1080p com HDR e 2160p, HDR/WCG e áudio imersivo. Na Fase B o foco é HDR com tecnologia de camada dupla, sistema de metadados para HDR dinâmico, HFR e a nova geração de áudio Dolby AC4 MPEG-H.

Entre as novidades exibidas na NAB Show estão demonstrações mostrando como a tecnologia HDR e os metadados dinâmicos coexistem e trabalham para melhorar a reprodução do conteúdo em vários tipos de tela. Também serão exibidos os efeitos de resoluções e taxas de frame diferentes em conteúdos HDR.

Na mesma linha de análise, o Ultra HD Fórum demonstra em Las Vegas o efeito da troca de conteúdos entre HDR e SDR em televisores e receptores, assim como os efeitos de conversões entre fontes HDR e SDR nas produções em 8K para distribuição em 4K.

Experiência brasileira

Na última apresentação da sessão, Paulo Henrique Castro, Diretor de Tecnologia e P&D da TV Globo exibiu os resultados dos testes realizados na Copa do Mundo da Rússia analisando três pilares: Qualidade, Eficiência de Transmissão e Integração entre Broadcast e Broadband. Para 2023, Castro espera que a chamada TV 3.0 poderá contar com 8K, áudio imersivo, vídeo 360, multiângulos e até games integrados.

TV 3.0

Paulo Henrique Castro, da TV Globo. Foto: Fernando Gaio.

Após as apresentações, Castro revelou as suas expectativas em relação ao futuro da televisão no Brasil, chamada de TV 3.0. Para o engenheiro, o momento vivido hoje é muito similar a 1997, quando aconteciam estudos sobre a utilização da alta definição e da transmissão digital. Neste momento, outras tecnologias disponíveis são analisadas, como as transmissões através do padrão norte-americano ATSC 3.0. “Os testes estão ocorrendo no mundo todo. Na Europa, por exemplo, existe a discussão sobre a necessidade de um novo padrão. Lá, talvez nem chegará a existir outro padrão e a próxima geração utilizará o 5G para a distribuição (dos sinais). Mas os desafios deles são diferentes dos nossos. A Europa tem países menores, com rendas e a densidades maiores. O 5G ainda é muito caro, por isso acreditamos que o broadcast continua sendo uma solução interessante”, explica Paulo Henrique Castro. “Nós temos um pesquisador na rede NHK acompanhando os testes com o padrão japonês e vamos avaliar todas as possibilidades para pegar as melhores ferramentas tecnológicas e aplicá-las em um modelo de negócio que garanta a televisão viável”.

Durante a sessão “O futuro com UHD”, o diretor da TV Globo projetou a consolidação destes testes para 2023, quando então poderá ser apresentada e discutida com o governo uma proposta de transição. “Todas as possibilidades estarão abertas até lá e muita coisa poderá mudar”.

Além do padrão de transmissão, seguem em análise a incorporação de recursos de High Dynamic Range, High Frame Rate, Wide Color Gamut e som imersivo. Também pode haver o enriquecimento das transmissões com múltiplas telas e ângulos disponíveis, gráficos chegando por um canal de dados sincronizado com a transmissão broadcast. “Todos os estudos do padrão intermediário que nós estamos chamando de ISDB-T 2.5G, já contemplam isso”, explica. Um exemplo da integração entre broadcast e broadband seria uma série produzida em 4K, com transmissão aberta em HDTV. Os televisores 4K conectados à internet poderiam fazer o chaveamento automático para o streaming 4K durante o programa, retornando a sintonia da TV aberta na sequência. “A ideia é que cada um usufrua o melhor que a sua TV pode oferecer. Nós estamos trabalhando para ter canais para escoar qualquer tipo de programa, inclusive em 8K”, finalizou.