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SET SUL 2018: Evolução do Padrão de TV Digital

Players e broadcasters debatem a evolução do sistema nipo-brasileiro de TV

A evolução do padrão de TV Digital vem provocando mudanças e questionamentos tanto na área tecnológica, como na área de negócios. Com o objetivo de simplificar a transição e escolher os modelos que melhor se adequam à realidade brasileira, o SET Sul 2018 discutiu, nesta quarta-feira, 13 de junho, algumas questões em painel moderado por Marco Martins, da RPC TV. “Quero deixar aqui uma provocativa quanto ao comportamento humano e social, bem como os avanços da tecnologia, viabilidade e capacidade de implantação” anunciou no inicio do painel no auditório da UniRitter, em Porto Alegre.

O desafio é que ambas as partes tenham em mente, explica o moderador, uma maneira de manter a TV aberta atrativa e rentável. “Ontem uma palavra ficou na minha cabeça: sharing. Hoje eu tenho outra que é ‘disrupção’. Isso me preocupa porque a inteligência artificial vai pegar e vai ser disruptiva muito em breve. Acredito que estamos num momento de transição e passaremos a ser disruptivos”, analisou.

Pelo lado da indústria, as soluções encontradas acompanham a demanda do usuário, no caso as emissoras de TV. “Temos dias datas que marcaram a digitalização: 2007 com início da digitalização e 2012, quando todas as capitais puderam ter transmissão digital. A 1ª geração foi de baixa eficiência energética, baixa densidade de potência, não adaptativo, pouca interação na interface e equipamentos menos modulares. No decorrer da digitalização fomos vendo uma evolução disso tudo e, em 2010, já tínhamos 15% de eficiência com densidade de potencia de 250 watts por amplificador. Em 2016, passamos para 28% com densidade de potência de 600 watts por amplificador, o que possibilitou a troca de equipamento bem antes do fim da sua vida útil”, sintetizou Paulo Marcos Damasceno, engenheiro de suporte Técnico Comercial da Hitachi Kokusai Linear.

Em 2012 algumas funcionalidades também foram integradas aos transmissores, como Remux e IRD, e o sistema BTS comprimido. “O BTS comprimido está sendo rediscutido. Eu quis falar dele porque dentro da evolução não foi padronizado na norma técnica. Hoje o Fórum SBTVD está discutindo, no mínimo, uma recomendação técnica para que se tenha um padrão de uso e possamos evoluir nesse aspecto”, explicou.

Outro ponto é a interface ao usuário, que “antes era em HTML, hoje são diagramas de bloco que você consegue interagir com cada modulo do equipamento” disse. O último ponto apresentado por parte da indústria é quanto à modularidade dos equipamentos que vem sendo pedido pelo mercado, segundo Damasceno. “Medidas ISDBT vem sendo melhoradas com intermodulação. No início adotamos quase uma padronização extraoficial no uso do padrão, que servia QPSK e 64 QAM com 15 MB por segundo. Exploramos o leque de configurações possíveis e hoje temos 16 QAM com taxas mais baixas de 15 MBps”, detalhou.

Para os próximos passos, começa a se falar do que tem que ser buscado agora e num futuro breve para atender ao mercado. ”Falamos de alta resolução, demanda com modulações superiores, acima da ordem de 256 QAM; redução da área de cobertura aumentando a densidade de potência, e definir metas de diretrizes de um futura padrão digital ate 2023 com o final do switch-off

O segundo cenário é o do consumidor. Leonardo dos Anjos Chaves, gerente de Projetos em Novas Tecnologias de Transmissão da TV Globo, explicou que se começará a usar cada vez mais o padrão disponível no Brasil. “Quando definimos o que temos hoje no ar, era o estado da arte que tínhamos. Hoje temos que criar conteúdo e sistemas para usar o que disponibilizamos ao telespectador e pensar no futuro próximo pós desligamento analógico, que vai demandar total uso do sistema digital”.

Chaves explica que a planta das casas vai começar a dispor de telas e painéis 4k com dispositivos cada vez mais conectados. “Se a entrega de conteúdo não seguir essa linha, alguém vai fazer. Podemos ver esse avanço analisando os catálogos da Netflix e Amazon Prime, bem variados. O setor da radiodifusão precisa andar para acompanhar o UHD e HDR já disponível na casa dos brasileiros. Serão televisores conectados. A oferta de conteúdo gratuita, pelo ar, certamente também vai ser uma possibilidade. Mas não é só essa oferta que precisa se adaptar, a banda larga também precisa melhorar”, provoca.

De acordo com Chaves, a taxa de consumo médio da banda larga hoje no Brasil é de 7 megabites. “Dá pra fazer bastante coisa pelo broadband. A Netflix usa técnicas muito avançadas de codificação e distribuição na entrega de conteúdos para redes de baixa velocidade, como a de 512 Kbps. Mas daqui a dois ou três anos essa demanda não vai ser suficiente”, explica.

A Copa do Mundo de Futebol 2018

A transmissão da Rede Globo para a Copa do Mundo de Futebol este ano está sendo feita em caráter experimental em parceria com NHK e parceiros, que oferecem equipamentos e serviços. “A NHK vai produzir nas arenas um feed 8K que vai até Tóquio em fibra a 200 megabits. Esse feed vai ser decodificado nos Estados Unidos, para depois subir para um transponder banda C. Tudo isso vai ter destino final o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. O feed entregue na Globo é remapeado, codificado e colocado no ar num canal experimental em UHF canal 30. Pelo ar, vai ser em ATSC 3.0. É o limite da qualidade disponível hoje, que será estudado para que os novos padrões sejam desenvolvidos”, explica Leonardo Chaves.

Serão transmitidos oito jogos nesse esquema: Rússia e Arábia Saudita (14/06), Japão e Colômbia (19/06), México e Coréia do Sul (23/06), Brasil e Sérvia (27/06), as oitavas, quartas, semi-final e final.

O futuro

No futuro, o que se pensa é uma tecnologia que seja extensível, capaz de ser melhorada. Se formos desenhar, a próxima geração, teremos um conjunto de tecnologias de distribuição multiplataforma que reforcem a relevância da TV aberta”, analisa o moderador do painel. Hoje a TV aberta em mais de 70% dos lares brasileiros e a TV por assinatura não passou da barreira de 20 milhões de assinantes. ”A TV aberta ainda é o principal meio de entrega de conteúdo para o brasileiro. E se estamos pensando em disrupção, por que não rever o plano de canalização? A agenda regulatória precisa ser conversada para essa flexibilidade. Vamos explorar a banda 5G, entender se existem benefícios para radiodifusão em beneficio e estrutura. O modelo de transição do jeito que fizemos da TV 1.0 para 2.0 digital, não vai ser mais um modelo sustentável. Já não temos espectro o suficiente precisamos pensar nisso tudo para as futuras gerações”, sugeriu o moderador Marco Martins.

SERVIÇO:
Local:
Auditório da UniRitter, Porto Alegre – RS
Data: 12 e 13 de junho
Horário: 10h às 19h

Por Tainara Rebelo (Porto Alegre) e Fernando Moura (São Paulo). Fotos: Anselmo Cunha (Porto Alegre)