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SET Sul 2018: Especialistas debatem desligamento do sinal analógico e agenda regulatória

Desligamento do sinal analógico de TV e a agenda regulatória foram os temas do primeiro painel do Regional que se realiza em Porto Alegre

O debate realizado no auditório da UniRitter e moderado pela diretora da TM Consultoria em Telecomunicações/SET, Tereza  Mondino, contou, nesta terça-feira (12) com a participação do setor público – governo e Anatel – e de representantes do setor de radiodifusão.

O CTO da Seja Digital, Gunnar Bedicks, apresentou as perspectivas e as estratégias para a distribuição dos Kits com conversor e antena em todas as cidades brasileiras. Ele lembrou que o desligamento completo do sinal analógica chega ao fim em 2023, mas que até lá é necessário que as etapas sejam cumpridas de forma coerente.

“A digitalização tem que preceder o nosso planejamento de distribuição de kits. Sem o sinal digital nas localidades não há razão para a distribuição, sob o risco de frustrar as pessoas”, afirmou Bedicks, acrescentando que o processo de desligamento inclui a sensibilização de lideranças, caravanas, feirões de TV digital, uma massiva programação para agendamento da entrega de kits e estruturação das instalações.

CTO da Seja Digital, Gunnar Bedicks

Pelas projeções da Seja Digital, até o final de 2018 serão entregues 12,7 milhões de kits em todo o Brasil – até este primeiro quadrimestre foram entregues 9,15 milhões. Com 644 cidades com o sinal analógico desligado desde o início do processo, Bedicks ressaltou que o desafio é grande, já que nos próximos seis anos 5.570 cidades deverão ter migrado completamente para o sinal digital.

O representante do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Rodrigo Gebrim disse que até o momento atual do processo 99,6 milhões de habitantes em 653 municípios já foram impactados com o desligamento com o switch-off e que até o final deste ano mais 27,8 milhões de habitantes passarão pela transição, com a distribuição de mais 4 milhões de conversores e antenas.

Gebrim, que é Coordenador Geral de Radiodifusão Educativa e Consignações da União do Departamento de Radiodifusão Educativa, Comunitária e de Fiscalização do MCTIC, assegurou que o governo vai chamar ao debate representantes do setor radiodifusor para ouvir demandas, críticas e sugestões no intuito de revisar a atual legislação técnica.

“Legislávamos para aqueles que estavam errados não conseguirem fazer nada, mas essa pequena parcela acabava modelando e dificultando a situação para os radiodifusores de boa-fé. Temos que desburocratizar a legislação, acreditando que as declarações que estão sendo apresentadas são verdadeiras”, afirmou o representante do MCTIC. Segundo o executivo, o governo está empenhado em pensar o futuro da radiodifusão com a desburocratização do setor em medidas como a Lei 13.424/17, sobre a ampliação do prazo para apresentação do requerimento de renovação.

Wilson Diniz Wellisch, Assessor e Substituto da Superintendente de Outorga e Recursos à Prestação da Anatel

A Anatel, por sua vez, demonstrou que pretende publicar os novos regulamentos de radiodifusão em 2019. Segundo Wilson Diniz Wellisch, Assessor e Substituto da Superintendente de Outorga e Recursos à Prestação da Anatel, a meta é que até o segundo semestre de 2018 a etapa de análise de impacto regulatório esteja concluída, para, por fim, se passar à consulta interna e depois à consulta pública, antes da publicação do documento.

A perspectiva do mercado no painel foi trazida pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão. Para o diretor Geral da ABERT, Cristiano Lobato Flores, os desafios para a radiodifusão na relação com o mercado digital são muitos. Ele lembrou que 60% da verba alocada nesse nicho ficam com Google e Facebook e apresentou tendências de consumo e compartilhamento de notícias em redes sociais e apps como o WhatsApp.

Em seu diagnóstico sobre o consumo atual de conteúdo no mundo digital, o diretor geral da ABERT fez um diagnóstico positivo para os produtores de informação mais consolidados no mercado. Segundo Lobato Flores, essas empresas de maior porte estão deixando de lado o caráter de monopolizadoras da informação e passando a serem certificadoras de conteúdo, numa época em que o termo “fake news” (notícias falsas) preocupa até mesmo o processo de eleição presidencial do país.

“O ganho competitivo em certificar a informação, com a proliferação de notícias, e de muitas notícias falsas, é exponencial”, argumentou o representante da associação que representa as TVs brasileiras.

SERVIÇO:
Local: Auditório da UniRitter, Porto Alegre – RS
Data: 12 e 13 de junho
Horário: 10h às 19h

Por Eduardo Miranda (Porto Alegre) e Fernando Moura (São Paulo). Fotos: Anselmo Cunha (Porto Alegre)