• PT
  • EN

SET Nordeste 2019: mudança de paradigma pode viabilizar o desligamento final do sinal analógico de TV

Jair Soares Ventura abre o painel de Infraestrutura de Transmissão no SET Nordeste 2019. Sentados, da esq. para a dir, os painelistas Sérgio Martines (SM Facilities), Camilla Cintra (Globo) e José Roberto Elias (IF Telecom). Foto: Sérgio Bernardo / SET

O primeiro dia do SET Nordeste 2019 terminou com uma sessão focada na construção de infraestrutura de transmissão de TV Digital em cidades brasileiras com menos de 20 mil habitantes.

O assunto tem sido objeto de grandes debates nos eventos da SET, visto que o prazo do desligamento do sinal analógico de TV termina em 2023, porém 62% dos municípios do país – e cerca de 23% da população – ainda não fizeram a transição para o sinal digital.

Caso esta situação não mude, milhões de brasileiros simplesmente não terão mais acesso à TV aberta, sua principal fonte de informação e entretenimento.

Segundo Camilla Cintra, Supervisora Executiva da Área de Projetos de Transmissão da TV Globo, até 2023 é necessária a construção de 3.500 estações de transmissão em cidades que, na maioria dos casos, não têm recursos para tanto.

Para vencer o desafio, a indústria de broadcast encontrou a solução ideal no chamado compartilhamento de infraestrutura, na qual várias emissoras de TV e rádio, como também serviços de telecomunicações e de internet, usam uma única área, rateando custos fixos e operacionais.

Participaram da discussão, além de Camilla,  o moderador Jair Soares Ventura, Gerente de Tecnologia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação; Sérgio Martines, Diretor Executivo da SM Facilities e José Roberto Elias, Consultor Comercial na IF Telecom.

Globo e o desafio da digitalização final

Camilla Cintra iniciou sua palestra perguntando aos presentes sobre a relevância da TV aberta na sociedade brasileira. “A TV é muito relevante”, respondeu. “É a principal fonte de informação em muitos lugares”.

Para atingir a meta de digitalização, ela relatou a mudança de paradigma entre as emissoras, fabricantes e prefeituras nos últimos anos. “Foi necessária uma mudança de mindset“, disse.

Essa mudança, provocada por entidades como a SET, a ABERT e o Fórum SBTVD, resultou na elaboração das chamadas infraestruturas compartilhadas de transmissão de TV digital.

“As soluções e os cases apresentados até agora mostram uma redução de até 80% no investimento, possível somente com a participação ativa de todos os integrantes da cadeia do broadcast, incluindo as principais emissoras de TV, que trabalharam juntos para chegar a este resultado”, informou.

“Os próximos desafios são o treinamento de técnicos locais ou suporte compartilhado, a adequação dos projetos em todas as regiões do Brasil e a gestão de suporte compartilhado entre emissoras de TV, Rádio, internet e telecom”, finalizou.

SM Facilites e soluções compartilhadas

Após fazer uma breve apresentação sobre a SM Facilites, Sérgio Martines apresentou as opções de produtos de
compartilhamento que a empresa oferece à indústria para viabilizar a expansão da cobertura da TV Digital no país.

“O principal benefício do compartilhamento é a possibilidade dos atores dividirem as despesas com implantação, custos fixos e manutenção/operação”, afirmou.

Em março de 2016, a SM Facilities começou a pensar em uma solução inovadora que conseguisse atender as necessidades de redução de custos operacionais, agilidade de implantação, customização e otimização.

Durante o SET EXPO 2018, a empresa lançou o SM Slimcast, uma econômica solução de compartilhamento de infraestrutura para estações remotas. A empresa oferece, além do equipamento, todo o planejamento de implantação e operação, além de avaliação do sinal (telemetria).

IF Telecom e os cases de sucesso

O executivo da IF Telecom José Roberto Elias finalizou o painel e apresentou soluções em antenas que foram implantadas com sucesso nas cidades de Araraquara (SP), Cerqueira César (PR) e Espumoso (RS).