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SET Nordeste 2018: Com o fim do switch-off, compartilhamento pode ser a solução

Processo de desligamento analógico das 4 mil cidades interioranas é debatido em Fortaleza

Com a finalização do processo de digitalização das transmissões de TV nas capitais e grandes cidades, as emissoras se deparam com a necessidade de digitalizar suas retransmissoras. A grande questão é: como obter soluções de rápida implantação e CAPEX mais atrativo para vencer o desafio de digitalizar o interior do Brasil seguindo o cronograma do desligamento da TV analógica?

O tema “compartilhamento de infraestrutura” como modelo de negócio já está consolidado para viabilizar a expansão da cobertura de TV Digital no Brasil, explicou Sérgio Martines, Diretor Executivo da SM Facilities, porque “com a digitalização das cidades com maior população já bem encaminhada, há que se avaliar, discutir e propor soluções, modelos técnicos e modelos de negócios que possam viabilizar a expansão da transmissão da TV Digital nas cidades do interior e de menor interesse comercial”, afirmou.

Sérgio Martines, Diretor Executivo da SM Facilities

Martines mostrou o Estado da Arte das soluções técnicas propostas e o SlimCast, lançado este ano no SET EXPO 2018, realizado em agosto em São Paulo, “que atende às propostas que formulamos no ano passado para solucionar esta fatia do mercado. São postes de fibra de vidro, ainda em teste, que emitem sinal para a emissora RPC, afiliada da Rede Globo no Paraná”.

José Roberto Elias, gerente Comercial da IF Telecom falou sobre soluções viabilizadoras com Sistemas Irradiantes que possibilitem compartilhamento, objetivando melhores custos e desempenho de transmissão. “Concentramos nosso efetivo em questões operacionais e regulatória, com abordagens para vencer as barreiras, de forma a acelerar a implantação de sistemas em cidades menos populosas, ou até em grandes centros, com ‘gap fillers’ compartilhados”, analisou. Para isso, uma série de antenas em banda larga combinam canais de TV e realizam a transmissão sem combinador, com economia de energia e melhor cobertura de sinal, por exemplo, bem como antenas especiais com combinador em FM.

José Roberto Elias, gerente Comercial da IF Telecom

As metas atingidas no processo de liberação da faixa de 700MH foi o tema do palestrante Gunnar Bedicks, CTO da Seja Digital (EAD – Entidade Administradora da Digitalização de Canais TV e RTV). Gunnar mostrou aos participantes as metas atingidas pela EAD nos processos de desligamento do sinal analógico, remanejamento dos canais de TV e RTV e liberação da faixa de 700 MHz. Na sequencia, falou sobre as atividades necessárias para o cumprimento do cronograma de desligamento do sinal analógico, até Dezembro/2023. “Já entregamos todos os Kits de conversores. Agora restam 4192 cidades para serem desligadas, liberando 9980 canais analógicos, dos quais 3744 são primários e 6236 secundários”, comentou.

 

Camilla de Carvalho Faria Cintra, Supervisora Executiva da Área de Projetos de Transmissão da Globo, falou do “o desafio de interiorização do Brasil profundo”, após 11 anos do início da implantação da TV Digital no Brasil. “O switch-off Analógico foi realizado em muitas capitais e grandes centros urbanos, resultando em 70% da população brasileira com acesso a TV Digital. Agora, radiodifusores e indústria precisam se unir para enfrentar um desafio ainda maior: digitalizar 4 mil outras cidades até 2023. Para isso, teremos um volume de estações três vezes maior do que o implantado até agora para atender por volta de um terço da população em menos de 5 anos. Só conseguiremos realizar este desafio se encontramos um modelo de estação retransmissora de TV Digital que proporcione grande redução do investimento e facilidade na sua implantação.

Camilla de Carvalho Faria Cintra, Supervisora Executiva da Área de Projetos de Transmissão da Globo

Camila explicou que no final de 2017 foi formado um grupo compartilhado de infraestrutura da ABERT e um banco de dados com estações para compartilhamento, no qual Band, Globo, Cultura e SBT mapearam todas as suas estações para facilitar o uso do sinal.  “Os próximos passos são se conscientizar que o cenário analógico de concorrência da espaço a um cenário digital de parceria, compartilhamento CAPEX e OPEX; uma solução escalável com novos players e novas parcerias, e pensar em novos modelos de negócios”, avaliou.

O moderador do painel, Esdras Miranda de Araújo, diretor Regional Nordeste da SET e Gerente Técnico e Operacional do Sistema Jangadeiro de Comunicação, reforçou a questão da segurança e responsabilidade jurídica no compartilhamento. “Não podemos esquecer deste quesito, se não a solução não dará certo”, pontuou.

 

Por Tainara Rebelo e Aurelio Alves (Fotos) em Fortaleza (CE),e Fernando Moura, em São Paulo (SP)

 

O SET Nordeste 2018 acontece os dias 17 e 18 de outubro, das  14h às 20h no Sebrae Fortaleza (CE).

Parceria: 

Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT)

Associação Cearense das Emissoras de Rádio e Televisão (ACERT)

Sebrae

Realização: Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET)