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SET CO 2018: A 4ª revolução industrial chegou. E agora?

Presidente da SET repassa a história da entidade e avança para a convergência digital e os novos desafios dos mídia

A SET e a transformação digital andam juntas pelos últimos 30 anos. Quando a digitalização do vídeo começou, inicialmente nas áreas de produção e pós-produção, não havia como prever a crescente velocidade das transformações digitais, e como elas modificariam completamente o panorama das mídias audiovisuais, reformulando os hábitos de consumo. “Como atender aos desejos de ubiquidade, mas também de envolvimento com as narrativas? A proposta da SET é continuar sendo o ponto de encontro para que os profissionais de tecnologia possam buscar, juntos, os novos caminhos”, analisou em Goiânia, Liliana Nakonechnyj, presidente da SET.

O primeiro estudo da SET foi sobre o uso do PAL-M nas transmissões. A demora para tal tecnologia chegar ao Brasil fazia com que os aparelhos ficassem obsoletos muito rápido. Então resolveu-se usar esta norma só na transmissão, a Phase Alternating Line (PAL-M) e o NTSC (National Television System Committee) nos estúdios de televisão aberta. “Mas o estudo de maior importância da SET aconteceu em 1994, quando começamos  a estudar sobre a implantação da TV Digital”, relembra.

Em 1999, a SET começou a testar os sistemas de TV Digital que eram utilizados no mundo. E foram os engenheiros e pesquisadores que compunham a SET que realizaram os primeiros testes no laboratório da Universidade Mackenzie, explicou Liliana. Pensando na evolução dos padrões e seus universos, a SET dividiu suas tarefas entre grupos de estudo e trabalho. Hoje, oito grupos de trabalho fazem parte da constituição da SET, dos quais o Grupo de Rádio, IP e Espectro continuam na ativa e funcionam a todo vapor; IBB, switch-off, e boas práticas encontram-se desativados, e os de Indústria 4.0 e Segurança da Informação, recém-criados, e começam a desenvolver suas atividades.

“Tudo isso que é estudado precisa ser mostrado em algum lugar. Para isso, a SET tem um grande evento de tecnologia anual, o SET EXPO, quando os engenheiros e pesquisadores se encontram em São Paulo para discutir e conhecer as últimas tecnologias de tecnologia em áudio e vídeo. É o maior evento desse tipo na América Latina”, ressaltou.

Todo esse conhecimento é organizado para ser assimilado pelos profissionais que não podem ir ao SET EXPO, “são os seminários regionais, como este que acontece em Goiânia. Nestas ocasiões, colocamos um pouco de particularidades de cada região para aproveitar a grandiosidade do Brasil”, disse entusiasmada Liliana. “Fora isso, temos o SET e Trinta, em Las Vegas, onde a SET promove, dentro da maior feira de tecnologia em áudio e vídeo do mundo, a NAB Show, um seminário para brasileiros, durante três dias do evento, antes de a feira abrir”.

Novidades

A SET irá começar neste mês de novembro uma série de webinars, nos quais profissionais ministrarão palestras de tendências da indústria como um todo.

Por fim, Liliana falou sobre o portal da SET, canal pelo qual é possível acompanhar atividades em que a SET participa, coberturas de eventos e notícias de interesse para a comunidade tecnológica. Outros canais de comunicação são a Revista da SET, as newsletters, redes sociais e a Revista Acadêmica SET IJBE.

Projeto UHD Brasil

Outro ponto alto da fala de Liliana foi o Projeto UHD Brasil. “Nós da SET lançamos este projeto no ano passado e convidamos entidades e associações diretamente ligadas com a TV aberta, da produção à entrega,  para que todos juntos consigamos estudar como introduzir novas tecnologias”.

Evolução Digital

“Hoje não nos damos conta de tudo o que a Televisão evoluiu nesses últimos anos. O Brasil tem uma TV aberta de alta qualidade e pelo ar. É uma grande conquista, e a SET, ao longo desses anos, trabalhou em muitas dessas melhoras. O vídeo digital só veio a acontecer, de forma prática, nos anos 1990, por conta da alta demanda de compressão que necessitava. Nos anos 2000, a TV paga por satélite começou a ganhar mais espaço. A popularização da internet fez com que o celular e a tecnologia em IP fossem possíveis, e de 2010 para cá, a velocidade da evolução das tecnologias foi em ritmo de rolo compressor”, analisou Liliana.

“Esta tarefa de entender essas tecnologias e ajudar as empresas a lidar com essas tecnologias é nossa, da SET. Temos muita coisa ainda para fazer e estudar, traduzir isso tudo e fazer funcionar. E isso só acontecerá se houver gente no mercado para fazer isso. O papel da SET, também é alertar sobre isso. Assim como a televisão aberta, outras tecnologias estão surgindo, e precisamos que elas tenham excelência para que continuem a evoluir”, finalizou a presidente da SET.

A 4ª Revolução Industrial chegou. E agora?

Para a Presidente da SET já estamos vivendo uma realidade em que tudo é interligado e funciona rapidamente. Isso causa uma modificação completa na maneira de usarmos as máquinas. Com a inteligência artificial, temos máquinas pensando e com o machine learning, as máquinas são capazes de aprender e responder com maior rapidez. Estes usos estão sendo aplicados em cirurgias e detecção de doenças, por exemplo. “Isso muda a forma que as pessoas vivem, e tem muito mais por vir em questão de emprego, de remuneração e de formação. Vocês estudantes, que chegam agora ao mercado de trabalho, fica o alerta da SET para que vocês se dediquem a esta inovação, pois precisamos de cabeças empreendedoras para lançar novos negócios”, disse Liliana.

A SET não vai ensinar nada, mas é um ponto de encontro para que todos venham participar, aprender junto, discutir sobre o que está acontecendo e conhecer pessoas que trabalham com tecnologias que podem ser combinadas para contribuir para o futuro da tecnologia, comentou Liliana. “Depois da nossa tecnologia de TV Digital, precisaremos evoluir para um ambiente de mais imersão, mais definição e mais tecnologia. Precisamos de gente para testar tudo isso. A SET abre as portas a vocês”, finalizou a presidente da SET.

 

O SET Centro-Oeste acontece dias 5 e 6 de Novembro, na PUC Goiás, em Goiânia – GO.

Programação completa

Por Tainara Rebelo e Fabio Lima (fotos) em Goiânia. Fernando Moura, em São Paulo.