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SET Nordeste 2019: a TV que não investir em OTT perderá mercado

O moderador Marcelo Guerra, Globo, apresenta o painel sobre OTT no SET Nordeste. Junto com ele, da esq. para a dir., os palestrantes Danilo Medeiros (Globoplay) e Alexandre Viana (Abbot´s). Foto: Sérgio Bernardo / SET.

O segundo painel do SET Nordeste 2019 teve como tema principal os serviços de streaming ou OTTs (Over The Top, na sigla em inglês). Com o sucesso global do Netflix, os broadcasters e demais players do setor de mídia e entretenimento têm buscado novos mercados para conteúdo via internet.

Para onde está indo este mercado? Quais oportunidades oferece? Quais são seus desafios? A mesa de debates no evento da SET em Recife procurou responder a essas questões.

A sessão teve a moderação de Marcelo Guerra, Gerente de Tecnologia Hub Digital da Globo; Alexandre Viana, Diretor para o Nordeste da Associação Brasileira de OTTs (ABOTT´s) e Danilo Alves de Medeiros, Analista de Qualidade no Globoplay.

Marcelo Guerra iniciou o painel fazendo uma introdução ao tema e, a seguir, passou a palavra a Vianna, que explicou os objetivos da ABOTT´s.

ABOTT´s e o mercado de vídeo sob demanda no Brasil

“A ABOTT´s oferece apoio a empresas brasileiras de OTT’s em suas multiplicidades tecnológicas e funcionais e serviços de aplicações e de distribuição de conteúdo audiovisual”, disse. ” Também buscamos soluções, informação e serviços na internet para startups e profissionais relacionados com o desenvolvimento de aplicativos, profissionais liberais autônomos, além de acadêmicos e estudantes”.

Fez também uma análise das oportunidades, desafios e barreiras dos principais players do setor de mídia e entretenimento atualmente: TV aberta, empresas de telecomunicações, produtoras, empresas de TV por assinatura e OTTs.

“A TV aberta ainda tem como vantagem uma abrangência maior devido à capacidade de sua rede televisiva e audiência nacional. No entanto, seu desafio é enfrentar os novos hábitos de consumo das gerações Y e Z”, afirmou.

“Já o OTT enfrenta incertezas regulatórias e de tributação, que podem afetar a cadeia produtiva do setor. Mas têm oportunidades importantes a expansão territorial, novos negócios e mercados,  impactos positivos na economia digital e novas fontes de receita”, ressaltou.

E ponderou: “o OTT não vai substituir a televisão. Mas aquela televisão que não investir OTT perderá mercado”.

Globo e a evolução do OTT

Na sequência, Marcelo Guerra fez uma profunda análise mercadológica do OTT no Brasil e no exterior. Ele começou afirmando que a atenção é a nova moeda de troca. “Hoje, o que importa é o que prende a sua atenção”.

Na sequência, ele mostrou a transformação da cadeia de valor da indústria de mídia e entretenimento nos últimos anos, desde o surgimento dos primeiros serviços de vídeo sob demanda, como o Now (Net), até as super plataformas como Hulu, Google TV e Apple TV.

Sobre o consumidor, que ele chama de “omniconsumidor”, em uma referência a um cliente que usa qualquer mídia a qualquer momento e em qualquer lugar, ele ressaltou: “estima-se que, em 2022, o mercado de assinantes de serviços OTT será de mais de 22 milhões”.

“No momento, está havendo uma transferência de assinantes da TV por assinatura para o OTT. Os canais pagos vêm perdendo assinantes de maneira consistente desde 2014”, informou.

Apesar dessa expansão, ele também apontou desafios para o novo setor. Um deles é a proliferação dos serviços, que obriga o consumidor a fazer mais de uma assinatura caso queira assistir a todas as suas séries preferidas.

“Outro desafio é a análise de preferência: ainda é difícil saber o que o assinante deseja”, disse. Para isso, é  o emprego de ferramentas de big data e inteligência artificial.

Por fim, ressaltou a infraestrutura e a pirataria. “É difícil entregar um conteúdo de qualidade com a infraestrutura de internet que existe no Brasil hoje”, disse Marcelo. Sobre a pirataria: “é como enxugar gelo”.

Globoplay e a interatividade

Para terminar a discussão, Danilo Medeiros fez uma análise do case Globoplay para responder a questão: “Como se manter em destaque em um universo tão competitivo?

Para responder, ele mostrou vários diversas ferramentas que permitem ao consumidor ter fácil acesso ao Globoplay, seja no celular, TV, web ou GloboID.

Mostrou também ferramentas de navegação customizadas para as diferentes telas e preferências do consumidor, ofertas, estruturas de menu, busca inteligente por conteúdo e botões de avanço em um vídeo. Ao final, abordou as estratégias de re-engajamento, como notificações via celular e e-mail marketing.