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Nuvem amplia importância na produção e distribuição de mídia

Stefan Lederer e os demais integrantes do painel sobre nuvem no SET e Trinta. Foto: Fernando Gaio.

Por Fernando Gaio, de Las Vegas

“Cloud e mídia – evolução no uso da plataforma” esteve em destaque no segundo dia do encontro SET e Trinta, em Las Vegas. Stefan Lederer, cofundador e CEO da Bitmovin, empresa criada a partir de pesquisas e padronização do formato de streaming MPEG e com a criação do padrão MPEG-DASH, que é responsável por mais de 50% do tráfego de internet dos EUA hoje e é usado por Netflix, Youtube, Hulu e outros players, foi um dos palestrantes. Lederer explicou que a América Latina é um dos maiores mercados da empresa, com empresas como a Televisa, entre os seus clientes. “Temos muitas experiências muito interessantes na região”.

Stefan Lederer, da Bitmovin. Foto: Fernando Gaio.

Lederer falou que a demanda por vídeos online na América Latina é imensa e crescente: as receitas de streaming de episódios de TV e filmes em 19 países da região devem subir de US$ 4 bilhões para US$ 6,43 bilhões em 2023, acima dos US $ 2,47 bilhões registrados em 2017. Apesar desses números promissores, a implantação da banda larga no Brasil varia muito em todo o país, levando alguns consumidores a ter acesso a streaming de vídeo de alta qualidade com ótimas experiências de consumo e outros que conseguem apenas conteúdo pixelizado e resultados de baixa qualidade. Entretanto, os usuários esperam ter no smartphone a mesma experiência que tem na televisão HD.

Para ele, a migração para o OTT é inevitável. Sem ela não haverá futuro para a televisão. “Não faz mais sentido investir em equipamentos fixos frente aos novos desafios tecnológicos. Hoje temos softwares baseados na nuvem com desenvolvimento e integrações contínuos”, explica. “O OTT nunca esta pronto, sempre incrementa coisas novas. Os hardwares proprietários são caros e têm uso limitado, o que é muito diferente de usar produtos de software desenvolvidos para OTT. A nossa integração com o Netflix envolve continuo desenvolvimento, por exemplo”.

A Bitmovin usa a tecnologia Common Media Application Format (CMAF), uma resposta para muitos dos problemas atuais que atormentam a indústria, especialmente de latência, reduzindo os atrasos nas transmissões.

Gráficos na nuvem

John Naylor, da Ross Video. Foto: Fernando Gaio.

John Naylor, Diretor de Produto da Ross Video, explicou na sequência o uso de gráficos para mídia em infraestruturas de datacenters através da virtualização. Seguindo a mesma tendência da apresentação anterior, Naylor discorreu sobre as vantagens de produzir mídia com uma estrutura baseada na nuvem.

“Entre os problemas que temos no broadcast ao usar um datacenter está o baixo uso do potencial disponível, baixa flexibilidade e baixa centralização, entretanto, há uma boa capacidade de enfrentar os problemas apresentados na busca de aproveitar o máximo potencial desta solução”, conta Naylor. Isso é colocado como vantagem no emprego de gráficos na nuvem. “Nossa indústria está passando por uma transição tão profunda quanto a do analógico para o digital. Ela é caracterizada pelo uso de tecnologias genéricas para o transporte e processamento de conteúdo, em vez das soluções específicas que nos acostumamos a usar. Isso também significa que a virtualização de funções importantes, como gráficos ao vivo, se tornou uma proposta prática”.