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Novo satélite SES 14 atenderá o Brasil com banca C e Ku

A empresa luxemburguesa lançou no último dia 26 o satélite que ocupará a posição orbital 47.5 W e será controlado desde o teleporto que a multinacional está construindo em Hortolândia, interior de São Paulo

A SES apresentou o satélite à imprensa na manhã desta segunda-feira (29) na sua sede em São Paulo e explicou que o satélite substituirá o NSS-806 – em operação. O SES 14, satélite geoestacionário com posição orbital brasileira, tem feixes de banda C que permitirão que a SES expanda sua cobertura de vídeo a cabo na América Latina, enquanto seus feixes de banda Ku e feixes spot HTS (High Throughput Satellite, ou satélite de alta capacidade) oferecerão capacidade de expansão para atender aos mercados aeronáutico e marítimo, além de outras aplicações de tráfego intenso, tais como backhaul de telefonia celular ou serviços de fornecimento de banda larga, disse Jurandir Pitsch, vice-presidente de Vendas e Desenvolvimento de Mercado para a América e o Caribe da SES Vídeo.

Pitsch afirmou à reportagem da Revista da SET que o satélite, que foi lançado na última sexta-feira (26) do Centro Espacial da Guiana, teve uma anomalia que ocorreu durante o lançamento do foguete Ariane 5 que o transportou e que depois de perder contato, estabeleceu conexão de telemetria e telecomando com o dispositivo. Neste momento a empresa está configurando um novo plano de elevação de órbita pelo que o SES-14 irá atingir a órbita geoestacionária apenas quatro semanas depois do planejado originalmente, mas “o processo está normalizado”.

Posição orbital

“Nós compramos a posição 48W, mas mudamos a posição para o 47.5W com autorização da Anatel para desta forma ficar a 2.5 graus dos nossos dois concorrentes, e assim evitar interferências e fortalecer a posição brasileira”, afirmou o responsável da SES. Nesta posição, o SES 14 atenderá  América Latina, Caribe, América do Norte e uma região do Atlântico Norte.

O novo dispositivo conta, ainda, com uma carga útil da NASA, intitulada Observação do Limbo e do Disco em Escala Global (GOLD, na sigla em inglês), que tem por objetivo aprofundar o entendimento dos cientistas sobre espaço mais próximo da Terra e produzir imagens inéditas da atmosfera superior da Terra a partir da órbita geoestacionária.

O faturamento da empresa, explicou Pitsch,  é 70% na área de vídeo DTH e serviços terrestres híbridos. O 30% restantes são obtidos com outros serviços. Consultado pela reportagem da  Revista da SET se o novo equipamento poderia ajudar a mudar esse panorama, o executivo disse que o faturamento do vídeo está localizado em mercados mais maduros como o europeu e norte-americano. “Estamos investindo em dados porque nossa expectativa é de que o faturamento aumente nos próximos dois anos. Estamos e queremos seguir atuando nos novos serviços de OTT com plataformas terrestres. Nosso negócio é distribuição de vídeo. O satélite será ainda relevante com canais UHD porque ele é o único que tem garantia de distribuição de vídeo com qualidade para conteúdo de alta qualidade e grandes eventos”.

Outra mudança em relação à empresa, disse o executivo, é que “desenvolvemos tecnologia, a deixamos disponível e agora a estamos colocando a disposição do cliente final com soluções híbridas para redes de OTT que podem ser terrestres ou via celular, e com plataformas de VOD”.

Copa do Mundo em 4K

Em termos de vídeo o novo satélite incrementará a cobertura de cabo da SES já existente “com 100% de penetração a cabo que atualmente atende a mais de 20 milhões de televisores no Brasil”. No que se refere à rede, “o satélite atenderá à crescente demanda por conectividade, especificamente por parte de passageiros de aviões: o número de aeronaves comerciais conectadas via satélite na América Latina, que era 70 em 2016, deve aumentar para 1.500 até 2020”.

Umas das novidades é que com o SES 14 a empresa poderá  oferecer canais 4K na região. “A ideia é trazer canais UHD/4K para América Latina aproveitando a Copa do Mundo. Mas não só a Copa, trazer sinais com programações adicionais com uma promoção especial”, afirmou o executivo, e reforçou que tudo está preparado para ser “antes da Copa do Mundo. Pretendemos que seja em março de 2018”, finalizou Pitsch.

 

Por Fernando Moura, em São Paulo