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Redes IP no alvo da produção televisiva

Por Fernando Gaio, de Las Vegas

O encontro SET e Trinta chegou ao seu último dia nesta quarta-feira (10/4), com uma ampla discussão sobre “Os desafios e as soluções da produção IP”, com a participação de Robert Erickson, Diretor de Tecnologia Avançada da Grass Valley, Mauricio Belônio, Diretor da Alliance Technologies, Carlos Capellão, Diretor da Phase Engenharia, Will Waters, Vice-presidente de Customer Success da Newtek, e Lourenço Carvano, Diretor de Tecnologia de Produção de Conteúdo da Globosat, como mediador.

Lourenço Carvano abriu o painel lembrando que no início deste século as emissoras começaram a trabalhar com arquivos de mídia – em substituição às fitas – e, após diversas evoluções, o grande desafio da atualidade é a produção ao vivo, com o surgimento de padrões como o ST 2110 e o NDI.

Will Waters, da NewTek.. Foto: Fernando Gaio.

Will Waters, da NewTek, apresentou a palestra “NDI e SMPTE 2110: coordenando para o sucesso” com a mensagem de compromisso da empresa com a migração dos fluxos de produção em SDI para IP. A seguir, enumerou as vantagens da nova tecnologia: protocolos de vídeo sobre IP baseados em software, bidirecionalidade (todas fontes também são destinos), independência em relação à resolução e taxa de frames, capacidade de trabalhar com qualquer amostragem de áudio, suporte a cores com 16-bit, suporte para vídeo, key, áudio, controle, tally, metadados customizados e marcações de tempo precisas.

Neste cenário, Waters colocou o NDI como a proposta da NewTek para dar suporte a esta migração, exemplificando as conquistas alcançadas ate o momento. Entre elas estão: naior facilidade em trabalhar em infraestruturas de 1GigE, uso de switches e cabeamentos existentes, além da economia de recursos provocada. O NDI ainda pode tirar partido de infraestruturas de banda larga para trabalhar com 4K e grandes volumes de fontes.

Segundo o executivo da NewTek, o NDI otimiza a compressão e os mecanismos de transporte, sendo capaz de atuar em longas distâncias e na nuvem. Sobre o anúncio do NDI 4.0, os tópicos de destaque foram a compatibilidade com quase todas as arquiteturas da Intel, melhorias significativas na qualidade e velocidade do transporte de vídeo, suporte a mais entradas e saídas de cores codificadas em 4:2:0, 4:2:2:4, BGRA e RGBA.

Infraestrutura

Carlos Capellão no SET e Trinta. Foto: Fernando Gaio

“Nós precisamos de sistemas IP simples de implantar e operar. Chegamos a um ponto em que é quase impensável não considerar o IP em novos sistemas de vídeo”, afirmou Carlos Capellão, diretor da Phase Engenharia, no início de sua apresentação. O engenheiro logo avançou no tema para informar que a fabricante Evertz já tem mais de 400 instalações de grande porte baseadas em IP distribuídas pelo mundo. Elas utilizam uma camada de orquestração de sistemas para coordenar o funcionamento de inúmeros dispositivos.

“Algo muito favorável é o estabelecimento de padrões, porque quando a Evertz começou a tratar deste assunto, em 2014, não existiam padrões bem definidos. Por isso ela criou um padrão próprio, ainda em uso, mas hoje todas as suas soluções são compatíveis com os novos padrões e recomendações”, explica Capellão. “Com a evolução das conexões de ate 100 GbE, é muito mais tranquilo expandir a instalação com arquitetura distribuída para trabalhar em ate 4K”.

Capellão ainda lembra que trabalhar com IP é muito mais simples pela necessidade de uma única interface e porque os hardwares podem adquirir diferentes personalidades com latência desprezível, rodando em CPUs ou na nuvem, dependendo da conveniência de cada aplicação.

Uma das propostas para este cenário é a plataforma de processamento de mídia virtualizada evedGE da Evertz, que  separa os principais serviços de transmissão do núcleo dos mecanismos de processamento. A mudança de paradigma do hardware de função fixa para o processamento de conjuntos de hardware genéricos com serviços de software licenciáveis fornece uma infraestrutura de transmissão flexível, escalável e ágil para atender os requisitos das novas instalações.

Para orquestração, a solução Magnum cria um sistema de controle unificado, que conecta os principais componentes de um sistema (SDI, IP ou híbridos), trabalhando sob um único ponto de controle. Isso permite que os broadcasters simplifiquem o fluxo de trabalho das instalações e ganhem eficiência, reduzindo custos operacionais.

Produção remota

Maurício Belônio. Foto: Fernando Gaio

Mauricio Belônio, diretor da Alliance Technologies, discorreu sobre as topologias para produção remota, numa abordagem prática, com classificação, qualificação das necessidades e gerenciamento integrado da operação. Belônio apresentou exemplos práticos de produções remotas com tecnologias IP.

“A produção remota dá condição de criar centros de controles de longa distância”, explica. “Isso permite compartilhar e otimizar recursos , gerando benefícios econômicos, além de evitar levar grandes equipes para pontos distantes”. Segundo Mauricio Belônio, tecnicamente é mais viável e simples colocar estas propostas em prática utilizando o transporte sobre redes IP. “Os padrões abertos viabilizam a interoperabilidade entre equipamentos”.

Enquanto muitos pontos desta migração foram equacionados, há outros a serem vencidos. As aplicações fixas em IP, por exemplo, podem ser adotada com tranquilidade e há adoção crescente para eventos com baixa frequência. Já os eventos semanais são vistos com certo receio, pois requerem um tempo importante para a configuração. A interatividade entre equipamentos através do padrão 2110 também tem alguns pontos descobertos, embora exista um grande esforço da indústria para entregar uma solução completa.

Para o diretor da Alliance Technologies, ainda falta soluções plug and play “de verdade” para a área de operações, bem como a gestão integrada de todo o sistema.

Sistemas IP adaptativos

Seguindo a mesma linha, Robert Erickson, diretor de Tecnologia Avançada da Grass Valley,  exaltou as vantagens de trabalhar no ambiente IP. “Como indústria, tivemos que mudar a forma como projetamos e implementamos soluções baseadas em IP. No passado, aproveitamos as soluções IP para resolver problemas de fluxos de trabalho tradicionais. Com um conjunto sólido de padrões e poderosas soluções de hardware e software, agora podemos aproveitar o IP para novos fluxos de trabalho adaptativos”. Em sua apresentação, ele incluiu uma seleção de implementações bem-sucedidas, projetando uma solução flexível e inovadora, e a tecnologia que foi utilizada para que isso seja possível.

Como exemplo da evolução em andamento, Erickson citou as estações XCU Universe XF, desenvolvidas pela Grass Valley para suportar os requisitos de largura de banda estendida das câmeras de alta velocidade da série LDX 86. Elas são membros da série XCU de estações base e compartilham o mesmo conceito das versões 3G XCUs disponíveis para a série de câmeras LDX 82. Com redes com alta largura de banda cada vez mais disponíveis para produções ao vivo, estas soluções criam uma interface direta entre as câmeras e as XCUs em redes IP, facilitando as operações remotas, por exemplo.