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A importância da norma SMPTE 2110 e a evolução dos sistemas em IP

Palestrantes discutem os desafios da infraestrutura IP no SET Centro-Oeste 2019. Foto: Tobias Ragonesi/SET

A indústria da televisão está sempre em evolução. Um de seus desafios atuais é a modernização da infraestrutura de produção para sistemas totalmente digitais baseados em IP. A tradicional produção de vídeo em SDI já pode ser substituída por solução de vídeo em IP que é avaliada como tecnicamente completa, escalável, fácil de gerenciar e econômica.

No entanto, apesar dos benefícios, a transição ainda requer atenção e adaptação das equipes operacionais de TV. A constante atualização de softwares para adequação às versões mais modernas e às novas necessidades foi um dos pontos discutidos na sessão Tráfego de sinais de produção ao vivo em IP. Como as tecnologias estão evoluindo, moderada por Emerson Weirich, Representante da Regional Centro-Oeste da SET e Gerente de Projetos e Desenvolvimento da EBC.

Os palestrantes – fabricantes e usuários finais – refletiram sobre o uso dos diferentes padrões em IP como o SMPTE 2022, o SMPTE 2110 e o NDI. O primeiro a falar foi o engenheiro Pablo Perez Hetze, Gerente de Vendas da Newtek para a América do Sul. Para ele, o futuro do vídeo está relacionado a três pontos principais:  computador, softwares e redes.

Palestras do painel de IP | Foto: Tobias Ragonesi/SET

A partir deste conceito, ele apresentou o protocolo de vídeo NDI. “Você pode colocar qualquer fonte na rede e, automaticamente, ela fica disponível, sem necessidade de configurações extras”, explicou.

O Network Device Interface (NDI) é um padrão de alto desempenho que permite a qualquer pessoa usar vídeo em latência ultra baixa em tempo real nas redes de vídeo IP existentes. A grande vantagem, segundo o executivo da Newtek, é ser completamente adaptável a estruturas já existentes.

Erick Soares, Expert em Tecnologia da Sony Brasil, foi o palestrante seguinte. Sua apresentação focou no padrão SMPTE 2110. “Para criar uma estrutura de mídia em IP é necessário levar em consideração vários elementos e a compatibilidade dos vários padrões”, disse. “Essa é uma tecnologia em constante evolução e que requer capacidade de se trabalhar em ambientes diversos”.

“No caso de produção remota, podemos ter desde um estúdio ou até mesmo uma arquitetura distribuída, no qual todo o tráfego de vídeo, de sinais e controles de fluxo são em IP”, exemplificou.

“É possível ter ambientes com múltiplos estúdios ou com unidades móveis interligadas ou estúdios compartilhando a mesma sala de controle: para isso é necessário um gerenciador da rede”, explicou.

Carolina Duca Novaes, Gerente de Tecnologia da TV Globo, falou do case de implantação da solução IP na Rede Globo em Recife. “Desde que instalamos, não tivemos nenhuma falha. Mas surgiu uma reflexão:  instalamos o sistema em Recife há quase dois anos e agora nos vemos com a necessidade de atualizar o software de maneira constante”, disse.

“O padrão IP vem sendo discutido há bastante tempo”. Escolhemos na ocasião o padrão SMPTE 2022 e estava indo tudo bem até a publicação da norma 2110 em 2017 no IBC”, contou.

“Com esta publicação, os fabricantes entenderam que este era o protocolo IP. Foi um salto e, em apenas dois anos, percebemos que o mercado já não produzia mais produtos em 2022”, continuou.

“De repente, eu tinha um sistema IP novo e funcional que se tornou uma ilha em apenas um ano e meio. Os fabricantes já estavam trabalhando em novos sistemas que me obrigavam a atualizar”. “Aprendemos assim que quando trabalhamos com sistemas baseados em software, é necessário fazer atualizações em ciclos muito curtos”.

“Precisamos estar cientes de que quando se muda para uma solução IP, temos que estar preparados para essas diferentes atualizações, inclusive de fornecedores diferentes”, explicou.  “Agora, não atualizo equipamentos, mas sistemas”, concluiu.

Para finalizar a discussão, Boris Kauffmann, Gerente Regional de Vendas da Imagine Communications, falou sobre a posição dos padrões técnicos para a empresa.

“O core do padrão está definido, mas novas necessidades vão surgindo e o grupo de trabalho continua escrevendo, publicando atualizações e conversando com os fabricantes para garantir a interoperabilidade”, explicou.

Na sequencia, ele fez um panorama sobre os vários padrões de áudio e vídeo usados pela empresa atualmente e quais suas principais aplicações. “São todas normas publicadas e várias delas podem ajudar nas implementações e mudanças de sistemas para o IP”, comentou.

“Se você tem uma emissora em SDI e quer migrar para o IP, você deve planejar essa mudança junto com os fabricantes, que atuam como consultores no projeto”. “Todos estão trabalhando juntos e aprendendo juntos”.

“Podem apostar no 2110, pois este é o caminho que estamos seguindo”, finalizou.