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Aplicações e desafios do HDR têm espaço garantido na NAB Show 2019

Por: Fernando Gaio, em Las Vegas

Até poucos anos atrás, os sensores de imagem limitavam a amplitude de luminosidade a uma zona intermediária, sem conseguirem lidar com luzes muito altas e baixas ao mesmo tempo. As recentes tecnologias para captação de imagens com High Dynamic Range (HDR) trouxeram para o mundo digital a possibilidade de trabalhar com variações de luminosidade intensas, próximas às do olho humano, o que tem inspirado os produtores audiovisuais a explorar todo o seu potencial artístico. Milhares de visitantes e congressistas da NAB Show estão interessados em conhecer melhor os aspectos da gravação e reprodução de imagens que antes estavam limitados à fotografia e cinematografia tradicional.

Para atender a esta demanda, a organização do evento agendou mais de 30 sessões sobre o tema, abordando também os desafios de manipular e exibir intensas variações de luminosidades e combiná-las com altas taxas de frame e ultra-alta definição, por exemplo. Na série de sessões “Future of Cinema Conference”, por exemplo, o engenheiro Laboratórios Dolby Eric Gsell mediará o painel “HDR Rollout and Impact” (Sábado) sobre o retorno sobre o investimento para os exibidores. É uma questão delicada, afinal, a migração para a projeção digital é recente e agora existem novos gastos para equacionados. Ignorá-los não é uma opção, pois o público tem novas formas de visualização em telas domésticas e no médio prazo poderá notar (e questionar) as diferenças entre exibições com e sem HDR de um mesmo conteúdo.

Já o disputado workshop “Small-To-No-Crew Production Field Workshop” (Domingo) apresentará aos produtores o caminho para conduzir uma produção do começo ao fim com a mesma equipe. O diretor de fitografia do estúdio theC47, Jem Schofield, trará para um set real o planejamento do trabalho com HDR, entre outras questões. O assunto é complexo, pois muito além da escolha da câmera, é preciso garantir a monitoração adequada durante o processo, além de considerar as limitações das telas existentes no mercado.

Esse último item também fará parte do painel “What are the Best Ways to Manage Color for HDR and Multiple Deliverables?” (Segunda-feira). Ali serão estudadas formas de levar as práticas da cinematografia para o gerenciamento de cores até o ambiente dos efeitos visuais e da animação, considerando o HDR e variadas formas de distribuição de conteúdo. Para os profissionais de finalização haverá um dia inteiro de treinamento sobre as ferramentas de trabalho e as possibilidades criativas do HDR na sessão “Color Correction & Grading” (Terça-feira). Um dos objetivos centrais é equilibrar as possibilidades criativas ilimitadas com soluções de impacto para as audiências.

Na quarta-feira, penúltimo dia da NAB Show, Ryokichi Komagata, engenheiro da emissora pública japonesa NHK estará no painel “4K/8K Production Studio for UHDTV Broadcasting”, descrevendo o caminho percorrido pelo canal para ajustar a sua produção em alta-definição a um cenário com transmissões em 4K e 8K.  Entre as soluções adotadas, esteve o uso da tecnologia 12G-SDI (SMPTE ST 2082), abrindo caminho para a produção simultânea nos padrões Rec.2020/HDR e Rec.709/SDR. Esta escolha faz parte do desafio de migração, que ainda envolve técnicas de compressão para conectar estúdios e integrar equipamentos com interfaces SDI e IP.

Também na quarta-feira, o brasileiro Cassiano Fróes, gerente de tecnologia do Globo.com, fará a apresentação “4K HDR Live Streaming 2018 FIFA World Cup in Brazil” para detalhar a parceria entre o portal, a Globosat e a Samsung na distribuição do streaming da Copa do Mundo da Rússia em 4K HDR para os receptores da fabricante. A solução foi criar um aplicativo do canal SporTV 4K acessível em Smart TVs compatíveis com 4K. Fróes elencará os desafios desta tarefa, como a instabilidade da infraestrutura de internet brasileira, bem como as tecnologias e protocolos utilizados.

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