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Evolução da TV digital com o padrão ATSC 3.0

Painel sobre o ATSC 3.0, no SET EXPO 2017. Foto: divulgação.

Um dos temas abordados no 29º Congresso de Tecnologia SET EXPO foi a evolução do padrão americano de TV ATSC (Advanced Television System Committee), o ATSC 3.0.

O painel “Evolução Dos Padrões De TV”, moderado pelo Prof. Doutor Cristiano Akamine (Pesquisador do Laboratório de TV digital da Universidade Presbiteriana Mackenzie), que ocorreu no primeiro dia de congresso, (21/08), foi um painel de destaque, onde grandes nomes da área de radiodifusão como Lisa Hobbs (Vice-Presidente de Estratégia de Portfólio de Compressão Comercial da Ericsson) e Skipp Pizzi (Vice-presidente de Educação Tecnológica e Outreach da NAB) se apresentaram.

Skipp Pizzi trouxe uma visão geral sobre o que é o padrão e como ele é composto, o padrão traz a proposta para a próxima geração de radiodifusão, que possibilita as transmissões over-the-air com o auxílio de protocolos de internet (IP), o uso eficiente do espectro e o aumento da capacidade do canal em aproximadamente 30%. A convergência entre radiodifusão e banda larga propicia ao usuário a opção de assistir programas ao vivo com conteúdo disponível online (textos, vídeos, informações gráficas, votação em tempo real).

Essa interatividade traz ao usuário novas experiências, como a escolha do melhor ângulo no qual ele queira assistir uma programação; escolher o melhor foco de câmera para assistir a um jogo de futebol, por exemplo. Essa nova plataforma de transmissão suporta sinais no formato 4K UHD (Ultra High Definition) e HDR (High Dynamic Range) com múltiplos áudios imersivos de alta qualidade (Dolby AC-4), na mesma banda de 6MHz disponíveis para radiodifusão.

Isto é possível graças a implementação de avançados métodos de compressão de áudio e vídeo, como o padrão H.265, modulações mais robustas, como a modulação QNUC (Non-Uniform Quadrature Modulation), os códigos corretores de erro LDPC (Low-density parity-check code) e BCH (Bose–Chaudhuri–Hocquenghem code), e aplicação do método de multiplexação LDM (Layer Division Multiplexing), que permite a transmissão simultânea de dois sinais com banda de 6MHz na mesma frequência, porém com potências distintas, contendo serviços diferentes e/ou complementares.

O sistema também permite o uso de redes SFN (Single Frequency Network) de transmissão, o que aumenta a área de cobertura e reduz áreas de sombra, promovendo uma melhora nas transmissões one-seg, podendo satisfazer a necessidade do usuário que opta por assistir uma programação em dispositivos móveis (TV Everywhere, Anytime).

Outra grande vantagem do ATSC 3.0 é a sua flexibilidade, pois é um padrão que pode ser atualizado futuramente.
Lisa Hobbs comentou sobre as melhorias que o ATSC 3.0 proporciona em relação ao antigo ATSC 1.0, as quais promovem o futuro da TV, dentre elas destacou a experiência em ver TV com conteúdo mais dinâmico e de altíssima qualidade, algo que agrega valor aos serviços de radiodifusão e atinge um número maior de telespectadores. Lisa também apresentou uma pesquisa realizada pela própria Ericsson, relatando que as pessoas (entre 16 – 69 anos) estão consumindo cada vez mais conteúdos via internet, mas ainda assim o conteúdo assistido pela TV continua relevante.

Gráfico TV Media 2016 Ericsson ConsumerLab Presentation Pesquisa disponível em: https://www.ericsson.com/assets/local/networked-society/consumerlab/reports/tv-media-2016-presentation-ericsson-consumerlab.pdf

Reiterou a importância de um olhar mais abrangente a esta nova demanda de conteúdo, principalmente entre os millennials (Geração Y), que consomem cada vez mais conteúdo em dispositivos móveis, como tablets e smartphones.

Em entrevista com a SET, Lisa Hobbs comentou:

“Atualmente, as emissoras de TV precisam perceber que os consumidores estão obtendo muito conteúdo de vídeo, ou mais do que apenas conteúdo de televisão, e, portanto, elas precisam garantir que este conteúdo transmitido possa ser distribuído nas plataformas onde todos estejam assistindo. Então elas precisam ser capazes de se transformarem de apenas radiodifusoras fixas para fornecedores de conteúdo para telefones, celulares, tablets e computadores; e se elas fizerem isto a indústria de radiodifusão pode permanecer forte. ”

ESTUDOS COM O ATSC 3.0

No último dia de congresso, 24/08, ocorreu o painel acadêmico científico moderado por Ronald Siqueira Barbosa do comitê de ensino da SET, neste painel o mestrando Victor M. Dionísio da Universidade Presbiteriana Mackenzie, apresentou uma comparação entre sistemas de TV digital terrestre: ISDB-Tb (padrão brasileiro) e ATSC 3.0.
O ISDB-Tb possui menos opções de configuração comparado ao ATSC 3.0, como diferentes configurações de FEC (Forward Error Correction), tamanho total de símbolo OFDM (Orthogonal Frequency-Division Multiplexing) para IFFT (Inverse fast Fourier transform), subdivisão de quadro, número de símbolos por quadro, intervalos de guarda entre outros.

Concluindo que “as tecnologias presentes no ATSC 3.0 permitem: robustez e altas taxas de transmissão, tais características satisfazem o cenário dos sistemas de Comunicação atuais, contribuindo para a eventual evolução do SBTVD (Sistema Brasileiro de Televisão Digital). ”

O sistema ATSC 3.0 já é uma realidade, aprovado em outubro de 2017 (Fonte: A/300:2017, “ATSC 3.0 SYSTEM”. Disponível em: https://www.atsc.org/wp-content/uploads/2017/10/A300-2017-ATSC-3-System-Standard-3.pdf). Na Coréia do Sul, por exemplo, as transmissões em ATSC 3.0 já foram inicializadas desde julho de 2017 (Fonte: GOING GLOBAL: ATSC 3.0 4K BROADCASTING LAUNCHED IN KOREA. Disponível em: https://www.atsc.org/newsletter/going-global-atsc-3-0-4k-broadcasting-launched-korea/)

Foto: divulgação.

Autora:

Natalia Santiago, estagiária do Laboratório de TV Digital da Universidade Presbiteriana Mackenzie e aluna de graduação da Universidade Presbiteriana Mackenzie, atualmente cursando a 10ª etapa do curso de engenharia elétrica.

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