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Entrevista: Antônio Martelleto (EAD)

A partir desta semana a SET dá início a uma série de entrevistas com personalidades de entidades e do mercado do broadcast. A primeira entrevista é uma cortesia da Abratel, e foi realizada com Antônio Carlos Martelleto, CEO da EAD (Entidade Administradora de Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais TV e RTV).

 

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Antônio Carlos Martelleto começou sua carreira como engenheiro de telecomunicações no CPqD. Na década de 90, trabalhou na Unicabo (operadora de TV a cabo no interior de São Paulo) e depois foi CTO da Vivax. Martelleto foi ainda diretor de operações da Claro hdtv antes de ocupar a diretoria executiva da Embratel. No dia 2 de junho de 2015 seu nome foi formalizado em assembleia da EAD.

O que é a EAD?

A EAD é uma entidade administrada pelas empresas Vivo, Claro, TIM e Algar, vencedoras do leilão de 700 MHz (4G). A sua missão é garantir que a população tenha acesso à TV Digital, oferecendo suporte didático, desenvolvendo campanhas de comunicação e distribuindo os kits conversores para as famílias cadastradas no programa Bolsa Família. Ou seja, é responsável pela gestão da migração entre o sinal analógico e digital da televisão no Brasil.

Quais os desafios de estar à frente da EAD?

Quando comecei nesse projeto, eu imaginei, na verdade, que meu maior desafio seria o tecnológico, as questões técnicas relacionadas à digitalização. Eu vi que na prática foi algo bem diferente disso. Em 98% das residências tem pelo menos uma televisão, e existe uma relação muito íntima entre a população e a TV. As pessoas têm a televisão como fonte de informação e entretenimento como algo muito fundamental. Então esse processo de lidar com a população e garantir que todo mundo tenha acesso à televisão digital está sendo o nosso principal desafio.

O desligamento do sinal analógico em Rio Verde (GO) foi considerado um piloto de pequenas proporções. Brasília está sendo um novo piloto e as pesquisas indicam que foi encontrado um cenário mais heterogêneo. Quais os principais aprendizados do desligamento em Rio Verde e agora em Brasília?

No desligamento em Rio Verde nós partimos do zero, realmente foi um aprendizado bastante grande para todos os atores do processo: nós da Seja Digital com as teles e o GIRED com as emissoras de televisão. A cidade de Rio Verde tem 60 mil domicílios, em Brasília e arredores são mais de um milhão. Apesar disso, posso dizer que o processo em Rio Verde foi mais difícil, porque os aprendizados de lá foram aplicados em Brasília. Estamos bem mais avançados no desligamento agora, tanto na conversão da população quanto na distribuição de kits.

Quais as dificuldades na entrega desses conversores destinados ao Bolsa Família e Cadastro Único?

O banco de dados desatualizado é a principal dificuldade na entrega dos conversores. Porém, a medida que as pessoas passam a ter ciência do direito de receber o kit, elas entram em contato com a gente e fazem a retirada. Enquanto em Rio Verde chegamos a 66% de entrega de kits, agora nosso cenário já evoluiu para quase 80% em Brasília.

O que esperar do desligamento em São Paulo?

São Paulo será um novo desafio com outro contexto. Assim como Brasília aprendeu com Rio Verde, São Paulo carregará o aprendizado de Brasília. O que já posso adiantar é que vamos continuar adequando a nossa comunicação com a população.

Como as associadas da Abratel podem colaborar para o sucesso do desligamento da televisão analógica no Brasil?

O papel das associadas da Abratel é fundamental. Se hoje podemos dizer que o projeto está sendo um sucesso, e entendemos sucesso como total acesso da população à televisão digital, podemos afirmar que é fruto de um trabalho em conjunto. A Seja Digital tem as suas funções, mas é apenas parte do processo. Nós fazemos campanhas para comunicar à população sobre o desligamento, mas elas complementam as campanhas das emissoras de televisão. As emissoras trabalham para divulgar a qualidade e os benefícios da televisão digital, e nós da Seja Digital nos preocupamos em explicar todo o processo para a população. Esse trabalho em conjunto é o que faz o projeto dar certo. Não vejo sucesso com a Seja Digital atuando sozinha.

 

Assessoria de Comunicação da Abratel

 

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