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Desafios da inovação devolvem atenção para o conteúdo

No último dia do SET e Trinta 2018, as principais inovações em produtos para o setor audiovisual foram tema de um painel que discutiu e apresentou soluções nas rotinas de produção e relação custo/benefício para o áudio, vídeo e mundo digital.

“Toda essa mudança é positiva para a qualidade de áudio e imagem, mas trouxe impacto direto para o microfone sem fio. Uma das soluções é usar esse espectro de forma mais eficiente, como modulação digital para sistemas sem fio, aumentando a densidade do espectro disponível”, posiciona Fernando Fortes, especialista sênior de Desenvolvimento de Mercado Pró-Áudio da Shure no Brasil.

O microfone sem fio precisou encontrar soluções com o desligamento da TV analógica. Com a implantação dos canais digitais, o espectro ficou “contaminado” e, recentemente, em 2018, há poucos canais livres. “Os de UHF estão com a TV digital. A faixa de 698 a 806 Mega ficou para os novos sistemas 4G, proibida para microfonões sem fio. Isso provocou mudanças para quem tem sistemas operando nessa faixa”, explicou.

A indústria do conteúdo descobriu novas maneiras de se beneficiar com o advento do OTT. “Como profissional de uma empresa de provedor de solução, defendo que a internet possibilita melhor feedback sobre o comportamento do consumidor, o que no broadcast não é tão fácil de se fazer”, comenta Gustavo Bevilacqua Dutra, diretor de vendas em OTT Market da MX1 (SES), na América Latina. Ele explica que, hoje, os novos produtores de conteúdo em OTT saíram da máxima de apenas um sinal no ponto, no qual todos assistem ao mesmo conteúdo no mesmo local, para uma produção orientada multitela, com opções on demand personalizadas.

“Nessa fase, cria-se uma fidelidade maior e, a partir dessa precisão, aparece o dinheiro. O anunciante reserva uma parte da verba do anúncio para fazer um direcionamento cirúrgico da sua propaganda, totalmente direcionada a partir do gosto do consumidor”, detalha. A partir daí, cria-se uma face para o investimento, onde a customização da produção é a chave. “Na Netflix, por exemplo, você escolhe o perfil e, baseado em dados e metadados do OTT sobre o seu comportamento, a plataforma cria um perfil personalizado pra você”. Dados apresentados por Dutra, mostram que, no último ano, os dois maiores players de OTT investiram mais de U$ 10bi em conteúdo próprio. “Hoje a Netflix é a terceira em conteúdo mais visto, ficando atrás apenas da FOX e Disney. Ou seja, o conteúdo voltou a ser o Rei com o mercado”, afirma.

Na parte de vídeo, a Sony falou de padrões em HDR para produções ao vivo, apresentando um pouco sobre o que está acontecendo no mundo em produção e captação. O destaque foi para um recurso que permite criações simultâneas em HDR e SDR ao vivo, proporcionando percepção de qualidade significativa. “O benefício desse sistema, é que a captação do vídeo ao vivo (recepção e transmissão) permitem que entreguemos a mesma qualidade do HDR, sem perder conteúdo durante a codificação e decodificação. Você não precisa fazer nada para garantir a qualidade, é um conversor universal que transmite na mesma qualidade em casa”, explica Hugo Gaggioni, Chief Technology Officer, Sony Professional Solutions Americas.

“Todos os profissionais do mercado audiovisual devem estar atentos às inovações tecnológicas, mas principalmente às movimentações do mercado. A evolução da produção de conteúdo HDR, a continuidade e eficiência dos sistemas de captação de áudio digital e também a preocupação com a distribuição do conteúdo para qualquer dispositivo/plataforma devem estar na lista de prioridade das empresas relacionadas ao mercado audiovisual” pontua o co-moderador do painel, Alexandre Sano, vice-diretor de Eventos da SET e gerente de Engenharia do SBT.

 

Tainara Rebelo, de Las Vegas.