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Campus Party lança olhar desafiador sobre o futuro

Painel TV Everywhere - Janaina Castro-Igor Kupstas-Salustiano Fagundes

Painel TV Everywhere – Janaina Castro, Igor Kupstas e Salustiano Fagundes. Foto: Acervo Salustiano Fagundes

A Campus Party Brasil 2017 chegou ao fim, mas deixou um grande ensinamento para seus participantes. A edição foi comemorativa em homenagem ao centenário de Arthur Clarke, um dos maiores autores de ficção científica da história, e que deixou um importante legado em diversas áreas. Uma delas foi conceito de satélite geoestacionário, fundamental para o desenvolvimento das telecomunicações.

Em sua 10ª edição, o evento destacou temas como cidades inteligentes, realidade virtual, robótica e plataformas over-the-top (OTT) de vídeo. “No que se refere aos OTTs, nas edições anteriores focamos nas tecnologias, mas dessa vez optamos por dar voz aos conteúdos que estão sendo transmitidos por meio dessas tecnologias e, em especial, nas janelas de oportunidades para quem produz no Brasil”, explica Salustiano Fagundes, membro do Comitê da Diretoria de Tecnologia da SET e Curador de Conteúdo da Campus Party Brasil.

Um exemplo disso foi a participação da equipe de diretoras e roteiristas da série de entretenimento 3%, criada por ex-alunos do curso de audiovisual da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP e selecionada como a primeira série brasileira produzida pela plataforma Netflix, estreando em novembro de 2016 simultaneamente em 180 países.

Janaína Castro, Online Manager da FOX Play, serviço de TV Everywhere dos Canais FOX, fez uma palestra onde apresentou os títulos disponíveis em sua plataforma, destacando que séries como “Me Chama de Bruna” e “1 Contra Todos”, ambas produzidas no Brasil, estão fazendo sucesso em outros países. Já Igor Kupstas, Diretor da O2 Play, empresa que faz parte da O2 Filmes do cineasta Fernando Meirelles, destacou que os vídeos precisam cada vez mais estar disponíveis para os usuários em qualquer tela. A O2 Play atua como uma agregadora de conteúdo junto ao iTunes, Google Play, Netflix, Now e outras plataformas de VOD, realizando a distribuição digital, encoding e vendas para o mercado internacional de dezenas de títulos e séries.

Outro grande destaque foi a palestra da jornalista Leila Sterenberg (GloboNews) sobre o filme Cartas da Bessarábia: uma viagem de descobertas e reflexões sobre identidade cultural, nacionalidade, preconceito e pertencimento. Dirigido pela jornalista e produzindo pelo Canal Philos em parceria com a GloboNews, o documentário está disponível na plataforma de subscription video on demand (SVOD) do Philos TV.

O documentário mostrou as relações pouco conhecidas de famílias brasileiras com judeus descendentes de uma região remota da Europa Oriental, a antiga Bessarábia (que hoje tem o nome de Transnístria, um país que ainda não é reconhecido pela comunidade internacional).

Ao todo, na Campus Party, foram 700 horas de atividades distribuídas em nove palcos temáticos e que reuniram mais de 8 mil participantes (campuseiros) e 80 mil visitantes na Open Campus (área aberta ao público e com entrada gratuita), onde era possível assistir batalhas de robôs, campeonatos de drones, interagir com simuladores, participar de oficinas e conhecer um espaço com 160 startups com atividades de mentoria e networking, palestras e painéis.

Dentro das comemorações do centenário do escritor, cientista e visionário Arthur C. Clarke, o evento teve uma palestra de Walda Roseman, presidente da Fundação Arthur C. Clarke, que falou da importância da criatividade para o mundo, destacando que o poder da imaginação é um recurso para criar novas coisas.

“Ao introduzir a velocidade com as tecnologias que estão transformando o mundo, tornando realidade cenários que muitas vezes parecem ter saído diretamente das obras de ficção científica, a décima edição da Campus Party Brasil foi também palco de um novo desafio com o lançamento do manifesto do movimento ‘Feel The Future’”, conta Salustiano. Ele explica que o movimento surgiu da constatação de que “nas próximas décadas vamos assistir a uma revolução quando muitos dos trabalhos feitos por seres humanos serão absorvidos por robôs e por software inteligentes”.

“No ritmo acelerado em que os computadores estão evoluindo vai chegar um momento em que eles serão capazes de fazer coisas que pensávamos que somente a inteligência humana seria possível. É necessário nos prepararmos para que a humanidade possa se beneficiar desse processo ou correremos o risco de ficarmos ultrapassados e ociosos”, afirma Salustiano.

O “Feel The Future” será um tema constante a partir de agora em todas as edições internacionais da Campus Party, fomentando a criação de comunidades e de fóruns de discussões que vão trazer ideias e apontar caminhos. Os resultados desse trabalho inicial serão compilados em um livro e em um documentário, ambos previstos para esse ano.