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Apple anuncia o fim do iTunes

por Canal Tech

Após 18 anos, o iTunes, software de jukebox que revolucionou a indústria da música, chegará ao fim. Com o macOS 10.15 Catalina, as principais funções do iTunes serão separadas em três aplicativos — Música, TV e Podcasts —, colocando um fim às duas décadas de domínio do programa dentro do ecossistema de software e hardware da Maçã.

Segundo a Apple, o iTunes deverá ser completamente desligado no outono americano (primavera brasileira). Contudo, ele sobreviverá no Windows — por enquanto.

Confira abaixo um breve histórico sobre o hub de mídia da Apple que, agora, começa a deixar de existir.

Hub do ecossistema Apple

O iTunes foi a interface da estratégia Digital Hub da Apple, que Steve Jobs revelou em 2001. Ele considerou o Mac como o hub que ficava no centro da vida digital de todos, conectando câmeras digitais, players de música e “organizadores portáteis”.

Isso se tornou a filosofia por trás do iTunes: um software que pode abrigar todo o seu entretenimento. O programa recebeu suporte para vídeo em maio de 2005, a podcasts em junho de 2005 e o e-books em janeiro de 2010. Além do suporte para o o iPod, o iTunes também se tornou o software complementar da Apple para o iPhone; até o iOS 5, você tinha que usar o iTunes para ativar o telefone e também poderia ser usado para instalar e gerenciar aplicativos.

Os primeiros anos do iTunes eram sobre a criação de uma grande jukebox digital para o iPod, juntamente com uma loja de música cheia dos maiores artistas. O software foi inicialmente lançado no Mac, em janeiro de 2001, antes do lançamento do primeiro iPod, em outubro daquele ano. Juntou-se o lançamento da iTunes Store em abril de 2003, com um catálogo inicial de apenas 200.000 músicas. Somente com a chegada do iTunes ao Windows em outubro de 2003, permitiu que usuários não-Mac, a maioria do mundo da computação, comprassem músicas da Apple e as sincronizassem em um iPod pela primeira vez.

Com o software disponível no maior sistema operacional do mundo, o iPod foi capaz de transformar um acessório específico do Mac em um player de música que praticamente qualquer pessoa com um computador poderia possuir.

Mudou a indústria

O iTunes tornou-se o modelo de como as pessoas poderiam fazer o download legal da mídia, facilitando significativamente o pagamento pela música, em vez de roubá-la dos sites de compartilhamento de arquivos mais antigos, como foi o caso do Napster, que completou 20 anos no último sábado (1º). Graças à popularidade do ecossistema iPod e iTunes, a Apple logo dominou os downloads digitais, permitindo-lhe definir os termos.

O foco da Apple em faixas vazias de 99 centavos fez com que muitos artistas e gravadoras acusassem a Apple de tirar o valor da música. A receita total da indústria da música caiu para US$ 15 bilhões (R$ 57 bilhões, na cotação atual), em 2012, no auge das vendas digitais. Para se ter ideia, em 2003, apenas com vendas físicas as cifras eram de US$ 20 bilhões (R$ 77 bilhões), de acordo com a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI, em inglês).

O sucesso do iTunes, no entanto, não pode ser considerado exagerado. Ele sobreviveu a praticamente todos os outros softwares focados no consumidor de sua época, como o Winamp e o Windows Media Player. Com o passar dos anos, no entanto, a filosofia original da Apple de fornecer um balcão único para todos os seus meios de comunicação tornou-se a maior ruína do iTunes ao sobrecarregar o aplicativo com mais e mais funções. O mundo seguiu em frente, tendo conectividade constante, armazenamento em nuvem e o streaming de mídia como norma obrigatória. O iTunes ainda está por aí como um aplicativo legado para aqueles que precisam dele.

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