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SET e Trinta: tecnologia e criatividade são os pilares do futuro do broadcast

Al Kovalik, Fernando Bittencourt, Bill Hayes. Foto: Tainara Rebelo

Fernando Bittencourt, diretor da Área Internacional da SET, moderou o primeiro Fórum de Tecnologia do seminário SET e Trinta 2017, na terça-feira, 25, e recebeu os convidados Al Kovalick, fundador da Media Systems Consulting, e Bill Hayes, presidente do IEEE-BTS, que listaram exemplos e conceitos sobre a importância da evolução das tecnologias e a necessidade de constante atualização dos sistemas por causa de dois fatores cruciais:  as mudanças de comportamento dos consumidores e do mercado.

Al Kovalick citou a teoria de Moore, baseada na física quântica, que demonstra que a tecnologia tem um período “de vida’, e que se não for atualizada, cai em desuso e é substituída por algo mais novo. “Precisamos olhar para frente e enxergar como a tecnologia evolui. E o guia para isso é o passado, ou seja, basta observar o histórico da evolução tecnológica, para constatar essa questão. Temos que seguramente prever o futuro para gerir nossos negócios”, explica.

Como exemplo, citou que em 1998 havia um dispositivo de armazenamento (powerdohorn storage) com capacidade de 1.6 GB/cart e, 18 anos depois, é possível fazer a mesma coisa com um simples cartão de memória (LTO – 7/6 TB/cart (1.66carts = 10 TB)). No futuro, segundo a previsão de Moore, a atomic storage (com capacidade de 500 Tb) poderá ser possível.

Kovalick explicou ainda que a inteligência artificial será o motor dessas evoluções. “No futuro, daqui a 40 ou 50 anos, 50% dos sistemas deverão ser geridos, provavelmente, por mecanismos além da capacidade humana. E em 2075, 90% das pessoas serão substituídas por máquinas”, prevê.

Por fim, explica que se os empresários levarem essas questões em consideração e pensarem no crescimento exponencial de suas tecnologias, terão sucesso.

Na sequência, Bill Hayes defendeu a ideia de que a tecnologia e a criatividade são os pilares necessários para o futuro tecnológico do broadcast. “Pessoas criativas podem tirar vantagem do que a tecnologia oferece e a tecnologia é necessária para que pessoas criativas possam desenvolver seus produtos”.

Hayes fez uma apresentação baseada na experiência que acumulou com produtos que interagem com a programação da televisão. Ele defende a interação com a TV como uma das metas da indústria. “Porém, sempre existiram dificuldades operacionais que contribuíram para o fracasso das iniciativas”, explica.

A tecnologia digital oferece mudanças fundamentais nesta vertente. “Agora, há uma mudança no comportamento do consumidor: ele pode comprar sem sair de casa. Os produtos vêm personalizados e nem sempre é necessário ter um console para fazer a conexão com a televisão ou o computador e utilizar o produto, pois há o touch screen e o sensor de movimento. Todas essas facilidades ajudam a aumentar o consumo digital”, diz.

Mas isso também traz novos desafios: “como você alimenta os conteúdos existentes? O que as pessoas querem? E, como produzir tecnologia para entregar estes serviços?”, questiona.

Bill Sugere que tentemos entender o que o consumidor quer para guiar o desenvolvimento das novas tecnologias. Citou, como exemplo, uma situação na qual assistia a um programa de TV com a esposa, quando ela manifestou interesse pelo colar de uma personagem e quis saber onde poderia comprar. “O futuro tecnológico precisa de pessoas criativas que desenvolvam uma maneira na qual, simplesmente clicando no produto, apareçam todas as informações sobre modelo, quando e por quanto comprar. Os consumidores usariam essas informações e se habituariam a comprar desta maneira”, defende.

Os desafios desta tecnologia, segundo Hayes, seria a mobilidade, “broadcasters têm que desenvolver cada vez mais essas tecnologias. E ambos estão avançando consideravelmente nessas áreas. “As próximas gerações de telefones celulares, por exemplo, estão focando nisso. No longo prazo, é possível que haja parcerias novas ”, acredita.

“Quando você fala com pessoas criativas, eles conseguem tirar vantagem daquilo que é útil. A linha divisora entre contar a história e colocar a tecnologia para funcionar é bem tênue. É preciso conciliar o TI com o broadcast. Há um gap que eles precisam encontrar para trabalhar juntos”, finaliza.