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TV, onde está você agora?

O olhar dos especialistas da SET – 3ª Parte – NAB 2015

Nº 153 – Ago 2015

por Rodrigo Dias Arnaut e Daiana Sigiliano

atual ecossistema de conectividade em que vivemos marca o fim de uma só mídia dominante.Grupo de Novas Mídias da SET promoveu painel no NAB Show 2015 para discutir os desafios da televisão no mundo conectado

Para atender as necessidades de participação e protagonismo do telespectador multitarefa e disperso, a televisão vem se reinventando, reapreendendo e aglutinando algumas características das novas plataformas de mídias, sem muitos padrões, normas e com muitas experiências independentes entre os agentes do setor. Coordenado por Rodrigo Arnaut, Vice-Diretor de TV por Assinatura e Novas Mídias da SET, o grupo de Novas Mídias tem uma tarefa árdua pela frente: estudar de que forma as novas mídias podem contribuir para o engajamento e participação dos telespectadores interagentes, conectados e cada vez mais donos do seu próprio “playlist”, querendo interagir e descobrindo novos caminhos para conteúdos relevantes e interativos, dessa forma o grupo está consolidando estudos de casos, normas e sugestões de adoção de tecnologias emergentes na relação da televisão com os novos telespectadores -produtores-consumidores-usuários.
A pauta discutida pelo grupo multidisciplinar é o ponto chave para compreensão do papel da televisão na convergência midiática e envolve distintos campos de atuação: produtores audiovisuais, profissionais de agências de propaganda, publicidade e digitais, desenvolvedores de software, engenheiros, pesquisadores acadêmicos e anunciantes. Seja através da Social TV, da TV conectada, da Segunda Tela, IoT ou dos Wearables, o conteúdo televisivo vem se expandido pelas múltiplas telas nos mais distintos gêneros. Este foi o ponto de partida do painel Novas mídias: TV, onde está você agora? apresentado na edição deste ano do NAB Show, em Las Vegas. Moderado por Rodrigo Arnaut, o painel contou com a presença de John Giunta, diretor de Demand Generation na Videolicious.
John falou e demostrou, ao vivo, um workflow eficaz desde a captação do conteúdo usando dispositivos móveis como smartphones e tablets até a publicação em redes sociais e demonstrando a ferramenta em um ipad, desde a captação das imagens ao vivo e emulando uma chamada para um telejornal. Essa solução já está sendo utilizada pelo jornalismo da FOX nos Estados Unidos.
Dentro do mesmo painel Alan Wolk, chairman da 2nd Screen Society, que foi criada em 2013, uma entidade que incentiva o desenvolvimento, a produção e a adoção de conteúdos no âmbito das aplicações de segunda tela. Durante o evento Wolk bateu na tecla do “Big Data” e afirmou que os dados gerados por aplicativos de segunda tela podem ser um uma grande chave na proposição de valor para produtores de conteúdo, estúdios e emissoras, já que é possível reconhecer os hábitos da audiência numa amostragem impossível de ser feita anteriormente. “Tudo isso está em expansão, às pessoas estão entendendo o valor disso. Os roteiristas e produtores compreenderam que a audiência precisa ser constantemente engajada. Uma das grandes vantagens da segunda tela são os dados gerados pelo interagente, e a partir desses dados você pode tomar decisões ligadas as estratégias de engajamento, programação, publicidade. Com esses dados sabemos exatamente o que a audiência quer, o que a estimula. Os aplicativos também ajudam o público a conhecer novos programas, podemos fazer com que ele migre de uma atração para a outra”, disse.
De acordo com Alan, a transmídia é um ponto muito importante no âmbito das experiências de segunda tela, pois possibilita a expansão do conteúdo televisivo em distintas camadas interativas. “É uma grande forma de manter a audiência engajada e motivada a assistir e interagir com um programa de TV. O mercado envolvendo a segunda tela é vasto e desafiador, os aplicativos podem explorar as redes sociais, que são conteúdos complementares durante a exibição de um programa”, comentou. Alan também deu uma entrevista exclusiva que pode ser acessada no canal do Youtube da SET.
O assunto do painel também estendeu-se para a evolução dos codificadores de vídeo, HEVC, e a alta resolução das imagens em 4K. Jean-Pierre Henot, CTO (Chief Technology Officer) da Envivio, com mais de 20 anos de experiência na área, deu uma aula, sobre como as novas mídias devem embarcar esses novos padrões e resoluções pensando na TV em qualquer lugar, em qualquer dispositivo. Jean-Pierre mostrou que os padrões de UHD/4K não são apenas aumento do tamanho da resolução da imagem, mas sim melhora no movimento entre quadros com 120fps, maior resposta no espaço de cores e de brilho. Apresentou resultados sobre as transmissões na Copa do Mundo de 2014 e falou sobre a implementação do codificador HEVC, para broadcast e streaming, e que traz uma taxa de redução em torno de 50% na codificação.
Com o tema “Simplificando a cadeia de suprimentos de broadcast para distribuir para qualquer plataforma em qualquer momento” Tom Holmes, vice presidente de vendas e marketing da Deluxe MediaCloud apresentou sua solução para plataformas de distribuição focando nas novas necessidades do uso das novas mídias desde orquestração da entrada de conteúdo nos servidores por vários caminhos e plataformas, seja para material gravado, VOD, ao vivo, suportando qualquer taxa de compressão e qualquer formato, mostrando aos presentes na sessão, um exemplo de gerenciamento de ativos e MAM chamado de “Live 4K End-to-End NAB Showcase” em demostração na NAB, interligando as cidades de Las Vegas, Alemanha, Londres, Suécia e Austrália.
Um dos momentos mais esperados no painel, devido ao tema transmídia, foi a palestra “Projetando a transmídia para os próximos programas” que foi apresentada por Houston Howard, produtor transmídia em Los Angeles e de novos projetos de TV nos canais TNT e CW (da Warner e CBS). Houston foi indicado para este painel através do grupo TLA (Transmedia Los Angeles) devido a Associação EraTransmídia estar presente em várias comunidades online sobre transmídia. Foi muito bom contar com um produtor que está desenvolvendo vários projetos na área neste painel. Houstou falou sobre a importância em criar novos modelos de negócios entre as novas mídias e os novos conteúdos. Contou- -nos como é o trabalho do produtor transmídia hoje, falou sobre o crescimento desta função dentro das emissoras e produtoras de conteúdo, trouxe conceitos de expansão de narrativas de histórias multiplataformas e se mostrou contra a simples e comum adaptação de roteiros, além de apresentar os cases das séries de TV nos projetos que tem atuado. No canal do Youtube da SET está uma entrevista na integra sobre a visão de Houston e o mundo transmídia na TV.
Rodrigo M. Terra, líder do comité de novas mídias da SET, diretor de negócios da Associação EraTransmidia, apresentou uma visão geral sobre a novas mídias nas produções audiovisuais e nos estudos do grupo de novas mídias da SET que lidera. Com sua experiência em direção de TV, autor, co-produtor, produtor transmídia e consultor pontuou em três tópicos sobre a necessidade da quebra de barreiras entre departamentos nas emissoras e produtoras que queiram ter sucesso em projetos transmídia e que gerem resultados para a longevidade dos negócios. Explicou a importância do método MAMP (Multi Audiência Multi Plataforma) criado pela EraTransmídia para auxiliar no desenvolvimento de um projeto transmidiático e concluiu na sua apresentação, um exemplo em como expandir o universo das histórias e das telas usando a IoT, Internet das Coisas, com o uso dos dispositivos Philips Hue, que são lâmpadas controladas por aplicativos e sua integração com os episódios da série de Televisão “12 Macacos” exibidos pelo canal Syfy.

Interessados
Quem estiver interessado no tema, pode participar dos encontros periódicos do grupo de estudos em Novas Mídias da diretoria de TV por Assinatura e Novas Mídias da SET, liderado por Dimas Dion, basta para isso, enviar email para dimas.dion@set.org.br e solicitar o cadastro nas comunicações do grupo.