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Tendências e inovações alavancadas pela TV Digital

COBERTURA CONGRESSO SET 2012

Por José Carlos Aronchi

O Seminário Internacional sobre o ISDB, moderado por Olímpio Franco (SET – Olympic Eng – Fórum SBTVD), mais uma vez apontou avanços e adequações técnicas que confirmam o acerto na escolha desse padrão de TV digital pelo Brasil.

O histórico do ISDB-T no Brasil, apresentado por Roberto Franco (SET – Fórum SBTVD – SBT), ressaltou o compromisso da equipe técnica que compõem o comitê do ISDB-T Internacional, constituído em 2010, com uma tecnologia de preço justo e acessível. O mercado brasileiro prevê para 2015, mais de 70 milhões de unidades. Atualmente, já são transmitidas cerca de 105 horas por dia de programas interativos através de 4 canais com 24h de interatividade.

O padrão ISDB-T não se limita a transmissão de entretenimento e informação pela televisão. Outros usos já foram testados e Roberto Plass Gertsmann, subsecretario de telecomunicações do Chile, ressaltou outra funcionalidade estratégica para a segurança do país. Aponta como importante a aplicação no sistema de alerta de emergência para os abalos sísmicos sofridos no território chileno.

A hora dos set-top box
Flávio Lenz, do Ministério das Comunicações, apontou as fases do switch-off nos Estados Uni-dos, em 2009, lembrando que o boom dos set-top box se dá no momento do apagão do sinal digital, como ocorreu no Japão. No Brasil, apesar da pre-visão do apagão para 2016, em algumas regiões ele ocorrerá a partir de 2015. “A cidade de São Paulo já estará pronta para o fim das transmissões analógicas antes do prazo, porém outras são totalmente dependentes desse sinal”. Por isso, o plano de desligamento prevê um novo cronograma que deve iniciar por cidades que já possuem o sinal digital das emissoras e deverá encerrar até o início da próxima década em todo o país. “É um cronograma mais compatível com as diferenças regionais do Brasil”, afirma Lenz.

Yuri Maciel, da Universidade Mackenzie, expôs os critérios e procedimentos para testes de campo utilizados e validados durante a fase de escolha e validação do ISDB no Brasil. Toshihide Watanabe (DIBEG – ARIB) apresentou o futuro da tecnologia de transmissão para a próxima geração do ISDB-T, com o teste de transmissão Super Hi-Vision, usando dois canais na banda UHF.

Além da TV – o que vem por aí
Entender o contexto no qual está inserido o consumidor, saber quem é, onde ele está, porque está consumindo o conteúdo e através de qual tela são pontos relevantes levantados por Roberto Franco (SET / SBT) para analisar os hábitos de consumo e ter sucesso com a audiência. “Se o sujeito assiste televisão, comendo pipoca, num grau de inclinação de 30% para trás, isso faz diferença, porque o hábito de consumo com um tablet é sentado ou deitado, já com o computador é sentado ou com o notebook no colo”. São informações que decidem desde a estética até a forma de entrega do conteúdo, se linear ou não linear, se deve ser multimídia ou estar compartilhado em redes sociais. São grandes contextos e matrizes para trabalhar o conteúdo. É também fundamental saber se o consumo é individual ou coletivo. Está constatado que a família assiste TV linear e quando o conteúdo é assistido de forma individual, o consumo é não linear.

A expansão da TV se dará com a tecnologia 3D e Ultra HD pois, segundo Roberto, “ninguém consegue vencer em outros campos sem vencer no seu próprio território”, fazendo uma alusão à oportunidade que se abre com o One Seg para transmissão de conteúdo da tv para mobile, com a interatividade e com o vídeo on demand.

A segunda tela
No Brasil, já são 43% do público que declara ter acesso simultâneo a TV e a um dispositivo mobile, o mesmo que já ocorre nos Estados Unidos. Desses, 59% fazem uso diariamente das duas telas, simultaneamente. Os conteúdos mais consumidos continuam sendo os tradicionais jogos, novelas, filmes, documentários e programas esportivos de vários gêneros. A maioria desse público comenta e também escolhe seus programas de acordo com os comentários na internet, facilitados pela TV conectada.

Uma nova função é dada aos broadcasters, a de gatekeeper, uma referência à teoria dos que controlam os assuntos em pauta. “Agora os fabricantes também acabam sendo os gatekeepers”, disse Franco, porque possibilitam o acesso da audiência às redes sociais enquanto assiste seu programa de TV e faz seu comentário para sua rede de amigos.

Apesar desse uso simultâneo, a TV conectada ainda não integra os serviços, e ainda é necessário migrar para outra tela. Com isso, na mesma tela da TV, convivem dois mundos, e o futuro aponta para uma TV híbrida, apresentando serviços lineares pela emissora e não lineares com as redes sociais na segunda tela, conectando através de blue chips o receptor com o dispositivo móvel.

Tendências com a conectividade
O crescimento de aplicações como o Netflix aponta para a tendência de continuar assistindo TV com a família e, simultaneamente, acessar pelo tablet ou celular, outras aplicações, principalmente as redes sociais. “O usuário quer se divertir, se informar e se comunicar. Foco nisso!”, sentencia Franco.

O apagão analógico antecipado, conforme informações do Ministério das Comunicações, será um dos elementos alavancadores dessa convergência de mídia apontado por David Britto (SET / TQDVD ). A Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016, irão promover também o aumento da demanda por receptores digitais e, consequentemente, a queda dos preços.

O mercado já trabalha para o aumento do poder de processamento dos receptores digitais, tendo em vista o aumento da penetração da internet devido ao Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Assim haverá mais TVs com interatividade em Ginga, promovendo o salto dos atuais três milhões e meio de aparelhos com Ginga para 54 milhões de aparelhos até 2016.

Atores conectados
Os maiores interessados nessa expansão, além do próprio mercado de radiodifusão, são o governo, os desenvolvedores, a academia, os fabricantes de equipamentos, as agências de publicidade que estão de olho no público cada vez mais conectado através das smart TVs. Para Britto, isso promoverá o desenvolvimento de todo o ecossistema e revela a atual agenda da TQTVD que está em parceria com a NHK, do Japão, em projetos com o Ginga como motor de interatividade para tablets e smart TVs, fazendo a ponte para serviços nas OTTs.

Marcelo Varon, da SONY, também ressalta que o grande foco da indústria é para a TV conectada. A estimativa para 2012 é de 7 milhões de aparelhos, chegando aos 15 mi de TVs conectadas em 2014. O que continua sendo um nó crítico nessa ação é que cada fabricante tem um padrão e isso atrapalha o usuário. Há uma tentativa de padronização com a tendência em crescimento do HTML 5, porém ainda carece de acertos entre os fabricantes.

Gustavo Mills, da Kluge TV / Bran Connec, também concorda que o consumo de duas telas simultâneas pelo usuário de TV conectada é a tendência e as emissoras podem se beneficiar do poder que já possuem que é a grande penetração e capacidade de gerar conteúdo de qualidade. Mills também afirma que a publicidade quer dar mais informações ao usuário durante as propagandas na TV. A smart TV pode exibir ícones e tags nas propagandas, um “saiba mais” sobre os produtos, oferecendo links que a TV conectada e a interatividade permitem ao maior mercado de TV aberta do mundo, liderado pelo Brasil.

O poder da inovação na TV na “Era Transmídia”
Um ponto é fundamental para se entender o atual público da televisão e consumidor de conteúdo: a chamada “psicologia do sofá”, formada pelo conhecimento do usuário e o hábito de consumo, quem são, o que estão consumindo, onde eles estão, em qual contexto e como eles usam os serviços. Algumas dessas informações, Anna Cronin, do Channel4, aponta como relevantes para trabalhar a inovação na televisão e no conteúdo multiplataforma.

A atual confusão do consumo de conteúdo na chamada “Era Transmídia” pode ser organizada com atitudes que exigem “pensar fora da caixa”. Saber que o público massivo é passivo, porém o individuo é um formador de opinião ativo já que ele compartilha em suas redes seus comentários, isso muda completamente o foco da produção de conteúdo. Agora, as TVs precisam de diferentes experiências para buscar a inovação. Porém, inovação não é necessariamente novo, melhor, criativo ou uma invenção.

Multiscreen – os caminhos do conteúdo multiplataforma
A “Era Transmídia” que envolve o conteúdo nas mídias digitais é apontado por Rodrigo Arnault (ESPM) como um conceito “Cíbrido”, uma conexão de ciber com híbrido. Para Edson Kikuchi, da Band, é necessário pensar no conceito multiplataforma da produção desde a criação do conteúdo, por isso a empresa atua em TV aberta, Pay TV, internet 3.0, Facebook, Twitter, games, mobile e também smart TVs.

Cláudio Melqui, do portal R7, demonstra a preocupação que a empresa tem com a criação de todo conteúdo em formatos multiplataformas. Por sua vez, Gustavo Gontijo afirma que “a Globo faz conteúdo transmídia diariamente”, dando como exemplo a produção do clip das “Empreguetes”.

Carlyle Avila, da RPC, exemplifica suas ações de inovação com os eventos de lançamentos, realizados no Paraná, de produtos de grade de programação da cabeça de rede. As novelas O Astro e Malhação e também os projetos de gameficação na internet “três feras e uma bela”, todos utilizando o conceito transmídia. Salustinano Fagundes, da HXD, ressalta a necessidade de o produtor em “pensar multiscreen”. Newton Cannito, da ARTV. Art.br, já recomenda “mudar o pensamento por mídia”, ou seja, o conteúdo deve se adequar a cada mídia, com formato e design próprios.

José Carlos é Consultor da Unidade de Desenvolvimento e Inovação do Sebrae-SP .
E-mail: jcaronchi@uol .com .br