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TECNOLOGIA ENTRA EM CAMPO

ESPECIAL
 TECNOLOGIA ENTRA EM CAMPO
DOZE ESTÁDIOS, UM INVESTIMENTO DE 6 BILHÕES DE EUROS, 32 PAÍSES DISPUTANDO 64 JOGOS, UM MILHÃO DE VISITANTES AGUARDADOS, UMA AUDIÊNCIA ESPERADA DE 3 BILHÕES. SE OS NÚMEROS IMPRESSIONAM, IMAGINA A TECNOLOGIA.

Em 1930, ano da primeira Copa do Mundo de Futebol, realizada no Uruguai, começavam as primeiras transmissões regulares de televisão na Inglaterra e na França, onde o posto emissor era a Torre Eiffel. Cinco anos depois, era a vez da Alemanha ter a sua primeira transmissão oficial. Já o Brasil, inauguraria sua primeira estação de TV em 1950.
Quatro anos depois, o país teria cerca de 120 mil aparelhos de televisão e veria, nesse mesmo ano de 1954, a Alemanha ganhar a sua primeira Copa. Hoje, na época em que a Alemanha será sede da 18a. edição da Copa do Mundo, o país, pentacampeão mundial, tem mais de 40 milhões de televisores que estarão ligados nos 64 jogos da Copa do Mundo.
A Alemanha já tem tradição como sede de Copas, em 1974, em plena época da Guerra Fria, o país sediou pela primeira vez a competição, do lado Ocidental, porém a Alemanha Ocidental acabou sendo derrotada logo na primeira fase pela Alemanha Oriental que acabou ganhando o título de campeã mundial naquele ano. Além do passado no futebol, o país conhecido por sua música e pela cerveja, também tem uma história ligada à comunicação.

Tecnologia ontem e hoje

Foi na Alemanha que em 1440, Johannes Gutenberg revolucionou ao inventar a prensa tipográfica e alterou a comunicação escrita. 566 anos depois, a terra de músicos eruditos como Bach, Mendelsohn, Beethoven, entre outros, está pronta para ver uma nova transformação na comunicação, dessa vez na comunicação eletrônica.
Em cada jogo a HBS (Host Broadcast Services), empresa responsável pela infra-estrutura de transmissão do evento, utilizará 25 câmeras, todas elas HD 16:9, sendo que duas delas estarão no sistema PlayerCam, onde cada uma dessas câmeras acompanhará fixamente um único jogador de cada equipe durante todo o jogo. Esses jogadores serão pré-selecionado pela HBS e anunciado antes do jogo, segundo a empresa essa é uma das grandes inovações dessa Copa.
Outra inovação é o CCC (Clip Compilation Channel), que é o acesso em alta qualidade a ângulos de slow-motion não mostrados ao vivo durante a partida, além dos já conhecidos sistemas near-live, que apresenta replays, melhores lances e outros modos do chamado “quase ao-vivo”.

Com recursos tecnológicos a imagem e os gráficos não sofrerão perda de tamanho (area safe).
Todas as cidades em que acontecerão jogos, serão interligadas por uma rede de fibra óptica.
Assim como na Copa da França, em 1998 e na Copa da Coréia/Japão, em 2002, a HBS ficou responsável por toda a transmissão dos jogos, e para atender todas as mídias esperadas (TV, rádio, mídia impressa, sites, entre outros), a empresa de broadcast está se preparando com toda a tecnologia necessária para suprir as necessidades dos mais de 7.500 jornalistas e técnicos só da área de rádio e televisão, que devem ir para o país, acompanhar os jogos.
A HBS irá utilizar o formato de sinais SDI 625/50 – 16:9 e HD-SDI 1080i/50- 16:9. O áudio apenas embutido, conterá até 4 canais AES- EBU e extensão para comentaristas a 4 fios analógico, quando ao som, todo o evento será produzido em Dolby Surround Sound (Dolby E), com 8 canais de áudio mais metadados num bitstream AES simples de 2 canais, compreendendo 20 bits a 48 kHz.
Com isso a produção de áudio pretende oferecer uma grande opção de serviços, tanto em uma estrutura básica de áudio mixado, até um pacote mais sofisticado com multi-canal codificado. Todo o sinal de som para a radiodifusão será entregue com áudio embutido com até 8 canais para cada ponto.
Para garantir que todas as áreas trabalhem normalmente, a organização prevê 45 escritórios de mídia da FIFA, localizado em Berlim e escritórios especiais para árbitros, localizados em Frankfurt. A infra-estrutura, ainda prevê um Centro Internacional de Broadcast (IBC), que ficará em Munique, uma espécie de nervo central de operações broadcast da Copa do Mundo, um Centro de Mídia, para cada um dos 12 estádios e um centro de Mídia gigante em Munique, Berlim e Dortmund, todos com serviços e estruturas idênticas.

Copa em alta definição
A Alemanha tem uma tradição de revolucionar nas edições da Copa. Foi assim em 1974, quando foi exibida a primeira Copa em cores, o que na época ajudou na venda dos aparelhos de TV no Brasil, mesmo com preços acima da média. Agora a alta definição da imagem é a revolução da atual copa.
Toda a cobertura dos jogos serão feitos em HDTV no formato 16:9; esse formato será disponibilizado para todos os parceiros de broadcast. O formato padrão entregue pelo IBC será Standard Definition com relação de aspecto de 16:9; todos os sinais estarão disponíveis em HDTV nas locações e os radiodifusores irão decidir que padrão utilizar. Caso optem pelo padrão SD, eles terão que fazer um rebaixamento da resolução de HD, para SD 16:9.

Esse rebaixamento partindo do HD garante uma qualidade do sinal muito melhor do que se a produção fosse feita diretamente em SD. Outro importante ponto da transmissão, é que ela será feita dentro da margem de segurança da imagem de 4:3, ou seja, se o radiodifusor preferir utilizar o padrão SD, poderá faze-lo sem que ocorra perda de partes da imagem, isso tanto para as câmeras como para os gráficos.
Esta conversão de aspecto 16:9 para 4:3, poderá ser feita com facilidade, desde que seja usado o ARC (Aspect Ratio Conversation). Todas essas opções para que a Copa seja transmitida com a melhor qualidade de imagem.
Além de toda a facilidade na transmissão, os 12 estádios, o Comitê Organizador da Fifa em Berlim e o Centro Internacional de Imprensa em Munique estarão interligados com a tecnologia de rádio digital terrestres TETRA (Terrestrial Truked Radio), que permite comunicação instantânea entre aparelhos habilitados, ligações para telefones comuns e transmissão sincrônica de voz e dados e eliminação de ruídos externos.
Os estádios também estão conectados, por uma rede de fibra óptica, capaz de transportar dados a uma velocidade de 480 Gbps (gigabits por segundo), as imagens brutas serão enviadas do estádio para um centro operacional em Munique, onde técnicos processarão os sinais separadamente para os mais diferentes sistemas e formatos, como HDTV, SD, para celulares e para a Internet.

Vinte e cinco câmeras de HD estarão em diversos pontos do campo, sendo duas delas PlayerCam.
Desse centro os sinais serão enviados para todo o mundo pela rede global de fibra óptica, da T-System, que possui duas redes que dão a volta ao planeta, operando paralela e independentemente, com um back-up uma da outra. Porém, como medida de segurança, as imagens também serão transmitidas via satélite.
Câmeras de HDTV irão capturar uma das melhores imagens e enviar para mais de setenta países.

Tecnologia nas mãos do público

Dos ingressos aos celulares, a tecnologia realmente tomou conta dessa edição. Se a primeira Copa, em 1930 não foi nem ao menos televisionada, esta terá como uma das grandes atrações o ingresso eletrônico. Todos os 3 milhões de ingressos, vendidos, exclusivamente pela Internet, terão impressos em inglês o nome do comprador, além de um holograma e um chip de identificação por rádio freqüência RFID (Radio Frequency Identification), com esse sistema, espera-se facilitar a entrada de torcedores no estádio, evitar falsificações e barrar a entrada de vândalos, já que quando o ingresso passa pela catraca, os dados do comprador são identificados e caso ele tenha alguma passagem na polícia sua entrada será barrada. Com isso a polícia alemã pretende coibir as ações dos holigans.
Mais de quinze microfones com Dolby Surround Sound estarão espalhados pelo campo, com um dos melhores áudios de todas as copas.
Se a tecnologia de transmissão surpreende, a tecnologia de recepção também promete muitas surpresas. De olho na transmissão via celular, muitas empresas já estão lançando aparelhos que possam receber as imagens dos jogos. A T-Mobile International será a única operadora a fazer transmissão por meio de streamming de vídeo para celulares durante a Copa.
A operadora irá transmitir 20 dos 64 jogos que irão acontecer, porém somente os usuários de aparelhos de 3G (Terceira Geração) e a HSPDA (High Speed Downlink Packet Access) vão se beneficiar da transmissão, pois verão a imagem com melhor qualidade.
No Brasil, uma operadora já comprou os direitos de exibição de imagens, da Infront, que cuida do projeto de comercialização de vídeo da Copa para celulares. Outras duas operadoras estão em negociação com a TV Globo, porém por determinação da FIFA, os jogos nos aparelhos deverão ser near-live, para que assim as TV’s não sejam prejudicadas.
A Samsung aproveitou a Copa para lançar o seu novo aparelho, o primeiro do mundo compatível com a tecnologia T-DMB (Terrestrial Digital Media Broadcasting) européia. O aparelho que tem uma tela LCD de 2.2 polegadas, com resolução de 262 mil cores, será comercializado na Europa nos próximos meses.
Além das transmissões pelo celular, a Copa de 2006 entrará para a história como a primeira Copa digital, pelo menos para os outros países, pois enquanto o Brasil não decide por qual padrão de tecnologia irá optar, em Seul, metade das frotas de ônibus público, contará com telas de cristal líquido, mostrando os jogos para quem estiver no caótico trânsito coreano.
Já em Berlim, que desde março de 2005 transmite em alta definição, serão colocados uma série de painéis de última geração em pontos estratégicos. Estes painéis tem um sistema que regula automaticamente o contraste de acordo com a claridade do dia. Com isso o público não perderá nenhum lance dos jogos.
Com toda essa tecnologia a Copa 2006 pretende entrar para a história como a de maior avanço e utilização da tecnologia disponível, superando inclusive a Copa de 2002 que aconteceu na Coréia/Japão, um local considerado um verdadeiro pool tecnológico.
Planilha de áudio: serão oito canais de áudio metadados, num bitstream AES simples de dois canais

Colaborador Alberto Seda Paduan